Projeto Emc2 divulga camarinhas em evento de 'Conversas Climáticas Intergeracionais'

Uma planta que existe apenas numa faixa estreita de costa
A camarinha distribui-se ao longo de 1500 quilómetros de costa ibérica, tornando-a particularmente vulnerável às mudanças ambientais.
Mark

Porque é que um projeto sobre uma planta tão pequena e local merecia estar num evento internacional sobre clima?

Mimi

Porque a camarinha não é apenas uma planta — é um indicador. Se conseguimos entender como esta espécie rara responde às mudanças climáticas, aprendemos algo sobre toda a região costeira.

Luke

Mas o artigo diz que as populações do Sul "podem ser" mais sensíveis. Isso é uma observação confirmada ou uma hipótese que o projeto está a investigar?

Mimi

É uma hipótese fundamentada. O projeto está precisamente a estudar isso. Não sabemos ainda com certeza, mas há razões para estar preocupado.

Mark

E quanto às camarinhas em Sagres especificamente — como é que elas estão?

Mimi

Existem ali na fortaleza, e foi possível mostrar aos participantes. Mas a distribuição geral está a diminuir ao longo de toda a costa.

Luke

Ao longo de 1500 quilómetros — isso é uma área enorme. Quantas populações diferentes existem? O artigo não especifica.

Mimi

Não, não especifica. Sabemos que se estendem de Corunha até Cádiz, mas o número exato de núcleos populacionais não está claro neste relato.

Mark

O que torna este evento diferente de uma conferência científica normal?

Mimi

A ênfase em trazer gerações diferentes e sectores criativos para a conversa. Não é apenas investigadores a falar com investigadores.

Luke

Mas o que saiu concretamente desse diálogo? O artigo diz que houve "troca de ideias" — mas sobre o quê, exatamente?

Mimi

Sobre como a cultura pode ser parte da solução climática. Mas tens razão — os detalhes específicos não estão aqui.

  • A camarinha, fruto branco e comestível que existe apenas numa faixa de 1500 km de costa ibérica, está sob pressão crescente das alterações climáticas, com as populações do Sul a serem consideradas especialmente vulneráveis.
  • O Projeto Emc2 levou a investigação para fora dos laboratórios, conduzindo participantes numa visita às camarinhas que crescem dentro da própria Fortaleza de Sagres — tornando a ciência visível e tangível.
  • O evento reuniu instituições europeias de peso — ICLEI Europe, Europa Nostra, Youth Heritage Europe — para debater como a cultura e a criatividade podem ser aliadas concretas da ação climática.
  • O workshop revelou que proteger esta espécie rara não é um exercício académico isolado, mas uma urgência de conservação com implicações para comunidades costeiras que durante séculos dependeram dela.
  • O encontro em Sagres posicionou a camarinha como símbolo mais amplo: o que se perde quando uma espécie endémica desaparece é também uma forma de habitar e de conhecer um lugar.

Na extremidade histórica do Algarve, onde o continente europeu se inclina para o Atlântico, investigadores e instituições de vários países reuniram-se para refletir sobre uma planta que poucos reconhecem mas que carrega séculos de presença costeira: a camarinha. O Projeto Emc2 aproveitou o palco das 'Conversas Climáticas Intergeracionais', na Fortaleza de Sagres, para lembrar que conservar uma espécie endémica é também conservar a memória de quem viveu à sua sombra — e que, num clima em mudança, essa memória pode ser mais frágil do que os próprios frutos brancos que a planta produz.

Entre 5 e 6 de outubro de 2026, a Fortaleza de Sagres acolheu o evento 'Conversas Climáticas Intergeracionais', onde o Projeto Emc2 — dedicado a explorar os matos de camarinha da costa — apresentou os seus resultados a especialistas e organizações de toda a Europa. A investigadora Alexandra Abreu Lima, do MARE-ARNET e do INIAV, I.P., coordenou um workshop que combinou apresentação científica com uma visita às camarinhas que crescem no próprio promontório histórico.

A camarinha, Corema album (L.) D. Don., é um endemismo ibérico: existe apenas em Portugal e Espanha, ao longo de 1500 quilómetros de costa, desde a Galiza até Cádiz. Os seus pequenos frutos brancos são comestíveis e fizeram parte da vida das comunidades costeiras durante séculos — mas essa tradição está hoje ameaçada. As populações do Sul da Península Ibérica são consideradas particularmente sensíveis às alterações climáticas, tornando a investigação sobre esta planta uma questão de conservação urgente e não apenas de curiosidade botânica.

O evento foi organizado em colaboração entre o ICLEI Europe, o European Heritage Hub, a Europa Nostra, a Youth Heritage Europe e o Bureau da Marca do Património Europeu, e propôs uma reflexão mais ampla: de que forma a cultura e a criatividade podem contribuir para a ação climática? O programa misturou apresentações de especialistas, workshops participativos e visitas ao promontório, criando espaço para o diálogo entre gerações e disciplinas.

O que ficou deste encontro foi a compreensão de que conservar a camarinha e agir sobre o clima são faces da mesma questão. Uma planta que existe apenas numa faixa estreita de costa, numa região sob pressão ambiental crescente, torna-se espelho de tudo o que está em risco — e o trabalho do Projeto Emc2 em Sagres foi, acima de tudo, um esforço para manter viva essa memória enquanto o mundo à sua volta se transforma.

Na Fortaleza de Sagres, entre 5 e 6 de outubro de 2026, um projeto de investigação trouxe à luz uma planta que poucos conhecem mas que merecia ser conhecida: a camarinha, um pequeno fruto branco e comestível que cresce apenas em Portugal e Espanha. O Projeto Emc2, intitulado 'Explorar Matos de Camarinha da Costa', apresentou os seus resultados durante o evento 'Conversas Climáticas Intergeracionais', realizado no promontório histórico do Algarve.

Alexandra Abreu Lima, investigadora do MARE-ARNET e do INIAV, I.P., coordenou um workshop onde apresentou os achados do projeto e levou os participantes numa visita às camarinhas que crescem na própria fortaleza. O objetivo era simples mas importante: dar a conhecer esta espécie rara e compreender o seu lugar num mundo que está a mudar. A planta em questão, Corema album (L.) D. Don., é um endemismo ibérico — existe apenas na Península Ibérica, distribuindo-se ao longo de 1500 quilómetros de costa, desde Camariñas, na Corunha, até Punta Camarinal, em Cádiz.

O que torna a camarinha particularmente relevante neste momento é a sua vulnerabilidade. As populações que crescem no Sul da Península Ibérica podem ser especialmente sensíveis às alterações climáticas, o que significa que a investigação sobre esta planta não é apenas um exercício académico, mas uma questão de conservação urgente. Os pequenos frutos brancos que as plantas femininas produzem são comestíveis, e durante séculos foram parte da vida das comunidades costeiras, mas essa tradição está agora ameaçada pela pressão ambiental.

O evento em Sagres foi organizado numa colaboração ambiciosa entre várias instituições europeias: o ICLEI Europe, o European Heritage Hub, a Europa Nostra, a Youth Heritage Europe e o Bureau da Marca do Património Europeu. Não se tratava apenas de um encontro científico, mas de uma reflexão mais ampla sobre como a cultura e a criatividade podem contribuir para a ação climática e para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável. O programa incluiu apresentações de especialistas, workshops participativos e visitas ao promontório, criando espaço para que diferentes gerações e perspetivas pudessem dialogar sobre soluções.

O que emergiu deste encontro foi uma compreensão mais clara de que a conservação da camarinha não é separável da ação climática mais ampla. Uma planta que existe apenas numa faixa estreita de costa, numa região que enfrenta pressões ambientais crescentes, torna-se um símbolo de tudo o que está em risco. O workshop do Projeto Emc2 não foi apenas sobre botânica ou história natural — foi sobre como mantemos viva a memória de um lugar e de uma espécie enquanto o mundo à sua volta se transforma.

As populações do Sul podem ser mais sensíveis às alterações climáticas
— Projeto Emc2 / investigadores
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