Na tarde de uma quarta-feira de julho, a MS-080 — rodovia que atravessa o Pantanal — levou consigo dois dos que a percorriam: Marcos Barbosa Ferreira, pesquisador e professor que dedicou décadas a compreender e proteger aquele bioma, e sua mãe, Maria Helena, de 82 anos. Há uma ironia silenciosa e pesada no fato de que um homem que estudou a vida do Pantanal tenha encontrado a morte justamente nas margens daquele território que tanto amava. O acidente apaga uma presença rara — a de quem une rigor científico, generosidade voluntária e compromisso com comunidades invisíveis —, mas deixa aberta a
Professor e pesquisador do Pantanal morre em acidente na MS-080 com a mãe
O coração que mantinha vivo o programa de ovinos
Quem era Marcos Barbosa Ferreira além do título de professor?
Era alguém que não separava a teoria da prática. Ensinava na universidade, mas também estava nas expedições do Pantanal levando atendimento médico e veterinário a comunidades isoladas. Seus colegas o chamavam de Marcão e dizem que ele era o coração que mantinha vivo o programa de pesquisa com ovinos.
Por que o trabalho dele com o Ovino Pantaneiro importa?
Porque essa raça é adaptada especificamente ao bioma pantaneiro. Marcos estudava como preservar tanto o animal quanto o ambiente. Não era pesquisa desconectada da realidade — era conhecimento aplicado à conservação.
Como as instituições estão reagindo à morte dele?
Com reconhecimento genuíno. A Fundação Manoel de Barros disse que ele fazia de tudo para que o projeto continuasse de pé, com uma dedicação que inspirava. Não é homenagem vazia — é gente que trabalhou com ele reconhecendo o que ele deixa para trás.
O que torna essa morte particularmente significativa?
Um pesquisador que dedicou a vida a preservar o Pantanal morreu viajando naquele mesmo território, com sua mãe. Há uma ironia pesada nisso. E há também a perda concreta: projetos de pesquisa, alunos sem orientador, comunidades que recebiam atendimento através do projeto Médicos do Pantanal.
O que fica do trabalho dele?
Fica na pesquisa que desenvolveu, nos alunos que formou, nos estudos sobre o Ovino Pantaneiro que continuam. Fica também na memória de quem trabalhou com ele. Mas fica incompleto — há projetos que ele coordenava, há pesquisas em andamento, há um vazio que não será fácil de preencher.
Der Puls
- Um carro derrapa, capota diversas vezes e para dentro de uma propriedade rural na MS-080: quando a polícia chega, Marcos, 54 anos, e sua mãe, 82, já estavam mortos.
- A perda é dupla e imediata — uma família destroçada e uma lacuna científica que instituições do Pantanal já reconhecem como difícil de preencher.
- Nas redes sociais, colegas e parceiros de pesquisa transformam o luto em homenagem: Marcão era o coração que mantinha vivo o programa de ovinos e as expedições que levavam saúde a comunidades isoladas.
- As polícias Civil e Militar Rodoviária investigam as circunstâncias do acidente, mas a causa da derrapagem no quilômetro 124 ainda não foi determinada.
- O legado de Marcos — pesquisas sobre o Ovino Pantaneiro, toxicologia, agricultura familiar e atendimento voluntário pelo projeto Médicos do Pantanal — permanece como herança viva para quem continua o trabalho.
Na tarde de uma quarta-feira de julho, a MS-080 — rodovia que atravessa o Pantanal — levou consigo dois dos que a percorriam: Marcos Barbosa Ferreira, pesquisador e professor que dedicou décadas a compreender e proteger aquele bioma, e sua mãe, Maria Helena, de 82 anos. Há uma ironia silenciosa e pesada no fato de que um homem que estudou a vida do Pantanal tenha encontrado a morte justamente nas margens daquele território que tanto amava. O acidente apaga uma presença rara — a de quem une rigor científico, generosidade voluntária e compromisso com comunidades invisíveis —, mas deixa aberta a pergunta sobre o que uma sociedade perde quando perde quem a serve assim.
Na tarde de quarta-feira, 22 de julho, um veículo derrapou na MS-080, capotou repetidas vezes e parou dentro de uma propriedade rural às margens da rodovia, no quilômetro 124, em Rio Negro, município a cerca de 153 quilômetros de Campo Grande. Marcos Barbosa Ferreira, 54 anos, e sua mãe, Maria Helena Barbosa Ferreira, 82 anos, não sobreviveram. A polícia isolou a área; as investigações sobre o que causou a derrapagem seguem em andamento.
Médico-veterinário, professor e pesquisador, Marcos lecionava na Uniderp nos cursos de Medicina Veterinária e no Mestrado Profissional em Agronegócio Sustentável. Graduado pela UFMS e doutor pela USP, construiu ao longo de décadas uma trajetória que cruzava produção animal, farmacologia, toxicologia, plantas tóxicas e conservação ambiental. Mas seu trabalho ia além das salas de aula: coordenava estudos sobre o Ovino Pantaneiro na Fundação Manoel de Barros, integrava o Conselho Consultivo do Instituto Alma Pantaneira e participava das expedições do projeto Médicos do Pantanal, que leva atendimento médico, odontológico e veterinário a comunidades isoladas da região.
Quando a notícia se espalhou na quinta-feira, as homenagens vieram de múltiplas direções. A Fundação Manoel de Barros escreveu que ele era o coração que mantinha vivo o programa de ovinos. Colegas lembraram de sua alegria, generosidade e da rara capacidade de unir produção científica com dedicação voluntária. Uma das despedidas sintetizou o que muitos sentiam: seu trabalho permanece vivo na pesquisa, na educação e na história do Pantanal.
Há algo que pesa na geografia desta perda: um pesquisador que passou a vida estudando e protegendo o Pantanal morreu viajando com sua mãe em uma rodovia que corta exatamente aquele território. O bioma que ele dedicou décadas a compreender foi também o cenário de seu último trajeto.
Na tarde de quarta-feira, 22 de julho, um carro derrapou na pista da MS-080 em Rio Negro, capotou diversas vezes e parou dentro de uma propriedade rural às margens da rodovia. Quando a polícia chegou ao local, já era tarde. Marcos Barbosa Ferreira, 54 anos, e sua mãe, Maria Helena Barbosa Ferreira, 82 anos, estavam mortos.
Marcos era médico-veterinário, professor universitário e pesquisador. Na Uniderp, lecionava no curso de Medicina Veterinária e no Programa de Mestrado Profissional em Agronegócio Sustentável. Sua formação era sólida: graduado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, mestre e doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo. Ao longo de décadas, desenvolveu pesquisas em produção animal, farmacologia, toxicologia, plantas tóxicas, agricultura familiar e conservação ambiental. Mas seu trabalho não se resumia a salas de aula e laboratórios.
Marcos coordenava projetos de pesquisa e extensão no Centro Tecnológico de Ovinocultura da Fundação Manoel de Barros, onde liderava estudos sobre o Ovino Pantaneiro, uma raça adaptada especificamente ao bioma pantaneiro. Integrava o Conselho Consultivo do Instituto Alma Pantaneira. E participava das expedições do projeto Médicos do Pantanal, que leva atendimento médico, odontológico e veterinário a comunidades isoladas da região. Seus colegas o chamavam de Marcão. Ele unia produção científica com trabalho voluntário, dedicação que inspirava quem trabalhava ao seu lado.
Na quinta-feira, 23 de julho, quando a notícia se espalhou pelas redes sociais, instituições de pesquisa e ensino começaram a homenageá-lo. A Fundação Manoel de Barros publicou uma nota que dizia: ele foi muito mais que um parceiro, era o coração que mantinha vivo o programa de ovinos, fazia de tudo para que o projeto continuasse de pé. Outras instituições destacaram seu legado para a ciência e para o Pantanal, sua dedicação à formação de novos profissionais, sua alegria e generosidade. Uma das despedidas resumiu assim: seu trabalho permanece vivo na pesquisa, na educação e na história do Pantanal.
O acidente ocorreu no quilômetro 124 da MS-080, em Rio Negro, município a cerca de 153 quilômetros de Campo Grande. A Polícia Militar isolou a área até a chegada da Polícia Civil e da Polícia Militar Rodoviária Estadual, que investigam as circunstâncias do ocorrido. O que causou o carro derrapar naquela tarde ainda está sendo apurado. O que se sabe é que um pesquisador dedicado ao Pantanal, que passava sua vida estudando e protegendo aquele bioma, morreu viajando com sua mãe em uma rodovia que corta aquele mesmo território.
Bemerkenswerte Zitate
Professor Marcos Barbosa foi muito mais que um parceiro. Ele era o coração que mantinha vivo o nosso programa de ovinos, fazia de tudo para que o projeto continuasse de pé, com uma dedicação que inspirava a todos que tiveram o privilégio de trabalhar ao seu lado.— Fundação Manoel de Barros
Seu trabalho permanece vivo na pesquisa, na educação e na história do Pantanal.— Homenagem publicada nas redes sociais