Procuradoria Europeia investiga contratos da PJ com Construbarcelos

Empresa com acesso privilegiado, contratos públicos, operações sensíveis
O padrão que emerge da relação entre a Construbarcelos, a PJ e Luís Neves durante seu mandato como diretor.
Mark

O que distingue um "processo de verificação" de um inquérito crime propriamente dito?

Mimi

É uma fase anterior, uma espécie de triagem. Sem inquérito crime aberto, não há acesso a ferramentas como escutas ou quebras de sigilo. É apenas recolha de documentos, conversa com pessoas. Serve para determinar se há matéria suficiente para avançar.

Mark

Porque é que a Procuradoria Europeia não informou o procurador-geral da República?

Mimi

O sigilo é deliberado. Se comunicassem, a informação poderia circular. Mantêm isto fechado enquanto reúnem documentação inicial. É uma prática comum em investigações sensíveis envolvendo figuras públicas.

Mark

Neves diz que a empresa representou apenas 8% dos contratos. Isso é suficiente para descartar favorecimento?

Mimi

Não necessariamente. O que importa não é a percentagem total, mas como foram selecionados os contratos específicos. Se houve concursos públicos legítimos, a percentagem é irrelevante. Se houve manipulação de processos, a percentagem também não importa.

Mark

E o facto de a mesma empresa fazer obras na casa dele?

Mimi

Isso é o ponto sensível. Não é ilegal um ministro contratar uma empresa que também trabalha para a instituição que dirige. Mas levanta questões sobre conflito de interesses e sobre como os contratos foram atribuídos.

Mark

A investigação da PGR sobre o camião é relacionada?

Mimi

Formalmente, não. Mas contextualmente, sim. Sugerem um padrão: uma empresa com acesso privilegiado à PJ, contratos públicos, e operações que podem envolver desvio de bens. A Procuradoria Europeia está a olhar para o quadro completo.

  • A Procuradoria Europeia, especializada em suspeitas de fraude com fundos europeus, pediu à PJ um conjunto extenso de documentos sobre contratos adjudicados enquanto Neves dirigia a instituição.
  • O que torna o caso explosivo é a sobreposição: a Construbarcelos ganhou concursos públicos da PJ ao mesmo tempo que fazia obras na propriedade privada do seu diretor em Odemira.
  • As diligências decorrem em sigilo máximo — nem o procurador-geral da República foi informado — e ainda não envolvem medidas intrusivas como escutas ou quebras de sigilo bancário.
  • Em paralelo, a PGR investiga como um atrelado apreendido foi parar ao armazém do dono da Construbarcelos, num inquérito focado em descaminho e abuso de poder.
  • Neves defende-se com números: a empresa representou apenas 8% dos 27 milhões adjudicados pela PJ entre 2019 e 2025, e diz só ter conhecido o empresário em 2023, já após múltiplas obras concluídas.

Quando o poder público e o interesse privado partilham os mesmos empreiteiros, a confiança nas instituições torna-se frágil. A Procuradoria Europeia abriu um processo de verificação sobre contratos celebrados entre a Polícia Judiciária e a Construbarcelos durante o mandato de Luís Neves — hoje ministro da Administração Interna —, numa investigação que ganha peso pelo facto de a mesma empresa ter realizado obras na propriedade privada do então diretor. Ainda em fase de recolha documental, o processo corre em sigilo máximo e em paralelo com um inquérito crime já anunciado pela Procuradoria-Geral da República, traçando um quadro institucional que exige respostas claras.

A Procuradoria Europeia abriu um processo de verificação sobre a relação contratual entre a Polícia Judiciária e a Construbarcelos, empresa de Barcelos que adjudicou várias empreitadas em edifícios da PJ durante os anos em que Luís Neves dirigiu a instituição. Um dos sete procuradores europeus destacados em Portugal está a conduzir as diligências, que se encontram numa fase inicial de recolha documental. A Direção Nacional da PJ foi contactada para entregar um conjunto extenso de contratos, e o atual diretor Carlos Cabreiro foi convocado para uma reunião com representantes do órgão.

O que confere particular sensibilidade ao caso é a coincidência temporal: enquanto a Construbarcelos ganhava concursos públicos da PJ, realizava simultaneamente obras na propriedade privada de Neves em São Teotónio, no concelho de Odemira. As investigações decorrem em sigilo máximo — nem o procurador-geral da República, Amadeu Guerra, foi informado — e terão sido desencadeadas por revelações jornalísticas recentes. Ainda não foram adotadas medidas intrusivas como escutas ou quebras de sigilo bancário, o que só seria possível com um inquérito crime formalmente aberto.

Esta averiguação é independente de um inquérito já anunciado pela Procuradoria-Geral da República, que investiga como um atrelado de camião apreendido foi encontrado no armazém de João Carvalho, dono da Construbarcelos, com foco em alegados crimes de descaminho e abuso de poder.

Neves, agora ministro da Administração Interna, nega qualquer favorecimento. Afirma que só conheceu Carvalho em 2023, depois de a empresa já ter realizado múltiplas obras para a polícia, e sublinha que a Construbarcelos representou apenas 8% dos 27 milhões de euros adjudicados pela PJ entre 2019 e 2025 — uma fatia que, após o conhecimento pessoal, terá caído para cerca de 4%, em obras complementares a contratos já em execução.

A Procuradoria Europeia abriu um processo de verificação sobre os contratos que a Polícia Judiciária celebrou com a Construbarcelos durante anos em que Luís Neves dirigiu a instituição. O caso está nas mãos de um dos sete procuradores europeus destacados em Portugal, funcionando como uma averiguação preventiva focada especificamente nesta relação contratual.

A Procuradoria Europeia contactou a Direção Nacional da PJ solicitando um conjunto extenso de documentos relativos aos vários contratos de obras adjudicados enquanto Neves era diretor nacional. O atual diretor da PJ, Carlos Cabreiro, foi também convocado para uma reunião com representantes deste órgão de investigação, que funciona como um ministério público europeu independente especializado em suspeitas de fraude. As diligências encontram-se numa fase inicial de recolha de informação, sem recurso a medidas mais intrusivas como quebras de sigilo bancário ou escutas telefónicas — ações que só seriam possíveis com um inquérito crime formalmente aberto.

O que torna este caso particularmente sensível é o facto de a Construbarcelos, empresa sediada em Barcelos, ter conseguido adjudicações de concursos públicos da PJ enquanto simultaneamente realizava obras na propriedade privada de Luís Neves em São Teotónio, no concelho de Odemira. As diligências estão a ser conduzidas com máximo sigilo, tanto que não foram comunicadas ao procurador-geral da República, Amadeu Guerra. Terão começado na sequência de revelações jornalísticas das últimas semanas.

Esta investigação da Procuradoria Europeia é independente de um inquérito crime já anunciado pela Procuradoria-Geral da República. Esse inquérito investiga as circunstâncias em que um atrelado de um camião apreendido apareceu no armazém de João Carvalho, dono da Construbarcelos, com foco em alegados crimes de descaminho e possível abuso de poder.

A Construbarcelos realizou várias empreitadas em edifícios da PJ entre junho de 2018 e fevereiro de 2026, período em que Neves foi diretor nacional. Na semana anterior, o agora ministro da Administração Interna insistiu que só conheceu o dono da empresa em 2023, já depois de esta ter realizado múltiplas obras para a polícia. Reconhecendo que a relação contratual pode suscitar dúvidas, Neves negou categoricamente qualquer favorecimento.

Segundo o ministro, a Construbarcelos nunca teve peso determinante ou sequer relevante na contratação da PJ. Os contratos celebrados entre 2019 e 2025 entre a força policial e a construtora representaram apenas 8% do valor global de 27 milhões de euros adjudicados pela instituição no mesmo período. Depois de conhecer João Carvalho, a empresa representou apenas cerca de 4% do valor das empreitadas contratadas, tratando-se de obras complementares a contratos que já estavam em execução, conforme Neves precisou.

A Construbarcelos nunca teve peso determinante ou sequer relevante na contratação da Polícia Judiciária
— Luís Neves, ministro da Administração Interna
Depois de conhecer o senhor João Carvalho, esta empresa representou apenas cerca de 4% do valor das empreitadas contratadas pela instituição
— Luís Neves
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