Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque há uma década, vê o peso da autoridade transformar-se em fardo: duas ex-funcionárias o acusam de assédio sexual, e a procuradora estadual confirmou condições para abrir investigação independente. A situação ecoa uma tensão antiga entre o exercício do poder e a responsabilidade que lhe é inseparável. Ao mesmo tempo, revelações sobre mortes subnotificadas em lares de idosos durante a pandemia ampliam o cerco político ao governador democrata, lembrando que a confiança pública, uma vez abalada, raramente cede a uma única fratura.
Procuradoria de Nova Iorque abre investigação a Cuomo por assédio sexual
As minhas interações possam ter sido insensíveis ou demasiado pessoais
Porque é que esta investigação surge agora, e não antes?
Porque as acusações foram tornadas públicas apenas nos últimos dias. Lindsey Boylan e Charlotte Bennett decidiram falar, e isso deu à procuradora a base legal e política para agir. Cuomo tinha podido evitar isto se tivesse reconhecido o problema mais cedo.
Cuomo nega ter feito algo de errado. Como é que a investigação vai determinar a verdade?
Vai haver uma investigação independente. Vão entrevistar testemunhas, recolher documentação, examinar comunicações. A palavra dele contra a delas não é suficiente quando há padrões de comportamento relatados por múltiplas pessoas.
Porque é que os números dos lares de idosos importam tanto nesta história?
Porque mostram um padrão de falta de transparência. Se Cuomo ocultou informação sobre mortes, porque é que as pessoas acreditariam que está a ser honesto sobre assédio? Mina a sua credibilidade em tudo.
Os seus aliados democratas estão a abandoná-lo?
Alguns estão. De Blasio e Ocasio-Cortez pedem a retirada dos seus poderes especiais. Mas não é uma deserção total — ainda há espaço para que a investigação decida. Ninguém quer parecer que prejudica um colega do partido sem provas.
O que acontece se a investigação o encontrar culpado?
Isso depende do que encontrar. Se for assédio sexual comprovado, pode haver consequências criminais, civis, ou políticas — impeachment, demissão, processos. Os poderes especiais que expira em abril podem ser o primeiro passo.
Porque é que Cuomo ainda está no cargo?
Porque uma investigação não é uma condenação. Nos EUA, presume-se inocência. Mas a pressão política está a aumentar, especialmente com republicanos a exigir ação imediata.
El Pulso
- Duas ex-funcionárias descrevem um ambiente de assédio sistemático dentro da administração Cuomo, com relatos de beijos forçados, propostas de strip poker e perguntas íntimas feitas em isolamento.
- A procuradora estadual Letitia James confirmou que há condições legais para avançar com uma investigação independente formal contra o governador.
- Cuomo nega condutas inapropriadas, mas admite que algumas interações podem ter sido 'insensíveis' — uma concessão que não apaziguou críticos dentro do próprio Partido Democrata.
- Paralelamente, o Estado ocultou dados reais de mortes em lares de idosos — quase 15 mil, contra as 8.500 inicialmente reportadas — por receio de represálias políticas da administração Trump.
- Democratas influentes como Alexandria Ocasio-Cortez e Bill de Blasio juntam-se aos republicanos a exigir a retirada dos poderes especiais de emergência de Cuomo, que expiram em abril.
Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque há uma década, vê o peso da autoridade transformar-se em fardo: duas ex-funcionárias o acusam de assédio sexual, e a procuradora estadual confirmou condições para abrir investigação independente. A situação ecoa uma tensão antiga entre o exercício do poder e a responsabilidade que lhe é inseparável. Ao mesmo tempo, revelações sobre mortes subnotificadas em lares de idosos durante a pandemia ampliam o cerco político ao governador democrata, lembrando que a confiança pública, uma vez abalada, raramente cede a uma única fratura.
Andrew Cuomo, que governa Nova Iorque há dez anos, enfrenta agora uma investigação formal por assédio sexual depois de duas ex-funcionárias apresentarem acusações públicas. A procuradora estadual Letitia James confirmou que existem condições para avançar com um processo independente contra o governador democrata.
Lindsey Boylan, conselheira económica que trabalhou com Cuomo entre 2015 e 2018, acusou-o de beijos e toques forçados e de propostas repetidas de strip poker. Descreveu ainda uma cultura de assédio tão enraizada na administração que era aceite como norma. Charlotte Bennett, ex-conselheira de saúde com 25 anos, relatou ao The New York Times que Cuomo a questionou sobre a sua vida sexual quando estavam sozinhos no seu gabinete, em junho de 2020.
O governador negou qualquer conduta inapropriada, classificando algumas interações como 'brincadeiras' tiradas de contexto. Ainda assim, reconheceu que certos comentários, dada a sua posição de autoridade, podem ter causado desconforto involuntário.
A investigação surge num momento já difícil para Cuomo. Um relatório da procuradora-geral revelou que o Estado reportou inicialmente 8.500 mortes em lares de idosos durante a pandemia, quando o número real se aproxima das 15 mil. Uma assessora sénior admitiu que os dados foram retidos por receio de serem usados politicamente pela administração Trump — revelação que gerou reações imediatas de figuras como Alexandria Ocasio-Cortez e Bill de Blasio, ambos a pedir o fim dos poderes especiais de emergência do governador.
Os legisladores republicanos exigem a retirada imediata desses poderes, que expiram em abril. Todos os funcionários do Estado foram instruídos a colaborar com a investigação, cujas conclusões serão tornadas públicas. O FBI e a procuradoria federal também já escrutinavam a gestão da pandemia nos lares, somando mais pressão sobre um governador cercado em múltiplas frentes.
Andrew Cuomo, que governa Nova Iorque há dez anos, enfrenta agora uma investigação formal por assédio sexual. A procuradora estadual Letitia James confirmou na segunda-feira que reúnem-se as condições para avançar com uma investigação independente contra o governador democrata, depois de duas ex-funcionárias terem apresentado acusações públicas nos dias anteriores.
Lindsey Boylan, uma conselheira económica de 36 anos que trabalhou para Cuomo, acusou o governador de a beijar e tocar forçadamente. Segundo a sua acusação, entre 2015 e 2018, Cuomo propôs-lhe repetidamente que jogassem strip poker. Boylan descreveu ainda uma cultura mais ampla dentro da administração do governador onde o assédio sexual e moral era tão disseminado que era aceite e até esperado. Charlotte Bennett, uma ex-conselheira para políticas de saúde com 25 anos, relatou ao The New York Times que Cuomo lhe fez uma série de perguntas pessoais quando estavam sozinhos no seu escritório em junho de 2020, incluindo questões sobre a sua vida sexual.
Cuomo respondeu às acusações no domingo, negando ter tocado inapropriadamente em qualquer funcionária. Descreveu algumas das interações como "brincadeiras" que foram tiradas de contexto. Reconheceu, porém, que as suas interações "possam ter sido insensíveis ou demasiado pessoais" e que alguns dos seus comentários, dada a sua posição de autoridade, fizeram outras pessoas sentir-se desconfortáveis de formas que nunca pretendeu. Afirmou claramente que nunca fez propostas sexuais e que os nova-iorquinos mereciam respostas às alegações.
A investigação chega num momento em que Cuomo já enfrenta pressão significativa por causa da sua gestão da pandemia de covid-19 nos lares de idosos do Estado. Um relatório de janeiro da procuradora-geral Letitia James revelou erros graves na contabilização de mortes. O Estado inicialmente reportou 8.500 vítimas mortais em lares, mas o número real aproxima-se das 15 mil. A administração atribui a discrepância a uma "recategorização", explicando que inicialmente contavam apenas as mortes que ocorriam dentro dos lares e não as que aconteciam já em hospitais. Uma das principais assessoras de Cuomo, Melissa DeRosa, admitiu que alguns dados sobre as mortes não tinham sido partilhados com os legisladores estaduais por receio de que pudessem ser usados pela Administração Trump contra o governador.
Esta revelação provocou reações de democratas influentes. A congressista Alexandria Ocasio-Cortez defendeu uma investigação completa e a retirada dos poderes especiais de gestão que Cuomo detém atualmente. O presidente da câmara de Nova Iorque, Bill de Blasio, também democrata, pediu o regresso a uma "governação normal no Estado" com a retirada desses poderes especiais. Os legisladores republicanos estaduais, liderados por Will Barclay, exigem que Cuomo perca imediatamente os seus poderes de gestão de emergência, que expiram em abril.
No ofício enviado à procuradora, a conselheira do governador Beth Garvey afirmou que todos os funcionários do Estado de Nova Iorque receberam instruções para colaborar plenamente com a investigação. As conclusões serão tornadas públicas através de um relatório. A investigação ocorre enquanto a polícia federal (FBI) e a procuradoria já escrutinizam a gestão da pandemia nos lares de idosos, adicionando mais uma camada de pressão sobre um governador que enfrenta críticas de múltiplos flancos.
Citas Notables
Esta não é uma responsabilidade que encaremos de forma ligeira, devendo sempre alegações de assédio sexual ser levadas seriamente— Procuradora estadual Letitia James
Digo claramente que nunca toquei em alguém inapropriadamente, nunca fiz propostas a alguém e nunca quis fazer que quem quer que fosse sentir-se desconfortável— Andrew Cuomo