Prints revelam golpes de ex-funcionária que desviou R$ 100 mil de clínica odontológica

Mais de 15 pacientes foram vítimas de golpes financeiros, recebendo cobranças duplicadas e ameaças de negativação ao tentar cancelar procedimentos.
Ela negociava, oferecia desconto, depois mudava o preço e dizia que havia cometido um erro
Os prints de WhatsApp revelam como Arielly pressionava pacientes que tentavam cancelar procedimentos.
Mark

Como uma pessoa em posição de confiança chega a um ponto de desviar tanto dinheiro?

Mimi

Arielly tinha acesso. Tinha a função administrativa que lhe permitia estar entre os clientes e alterar registros. Mas o que os prints mostram é algo mais calculado — ela não apenas desviava, ela pressionava. Quando alguém queria cancelar, ela oferecia desconto, mudava preço, propunha parcelamento. Era persuasão sistemática.

Mark

Os pacientes não desconfiavam que estavam pagando para uma conta pessoal?

Mimi

Alguns desconfiaram. Uma paciente foi aos proprietários da clínica e perguntou por que havia feito Pix para a conta pessoal de Arielly. Mas muitos outros provavelmente não verificaram. Arielly alterava os registros internos para indicar que as parcelas estavam em dia. Do ponto de vista do paciente, tudo parecia normal.

Mark

E depois que foi demitida?

Mimi

Continuou. Mesmo depois de ser demitida por justa causa, ela procurava os pacientes e se apresentava como funcionária da clínica. Isso sugere que o esquema não era uma oportunidade que ela aproveitou — era algo que ela estava determinada a manter funcionando.

Mark

A polícia suspeita que o dinheiro foi para jogos de azar?

Mimi

Sim, mas Arielly não confirmou. Ela mencionou dificuldades financeiras durante o depoimento, e a polícia fez essa conexão. Mas é apenas uma suspeita. Os aparelhos apreendidos podem revelar mais sobre para onde o dinheiro realmente foi.

Mark

Quantas pessoas foram afetadas?

Mimi

Mais de 15 vítimas identificadas até agora. Mas a polícia ainda está analisando os equipamentos apreendidos. O número real pode ser muito maior.

  • Arielly usava sua posição de confiança para interceptar negociações legítimas e redirecionar pagamentos para suas próprias contas, enquanto a clínica seguia atendendo os pacientes sem saber que o dinheiro nunca chegava.
  • Mesmo após ser demitida por justa causa, ela continuou abordando pacientes como se ainda fosse funcionária, ampliando o alcance do esquema além dos muros da clínica.
  • Prints de WhatsApp revelam táticas de pressão sofisticadas: recusa de cancelamentos, erros de digitação convenientes e ameaças de negativação para forçar pagamentos.
  • A Operação Falso Sorriso apreendeu celulares, computadores e máquinas de cartão; a análise dos equipamentos deve revelar novas vítimas e o real tamanho do prejuízo, estimado em mais de R$ 100 mil.
  • Arielly confessou os crimes e será indiciada por furto qualificado e estelionato; a polícia investiga ainda se parte do dinheiro foi consumida em jogos de azar, hipótese levantada após ela relatar dificuldades financeiras.

Em Cuiabá, uma funcionária administrativa de clínica odontológica transformou a confiança depositada em seu cargo numa engrenagem silenciosa de fraude: durante meses, Arielly Katerine dos Santos desviou mais de R$ 100 mil de pacientes e da própria clínica, usando o WhatsApp como balcão paralelo e contas pessoais como destino dos pagamentos. A Operação Falso Sorriso, deflagrada em agosto de 2026, ilumina como a proximidade com o vulnerável — o paciente que busca cuidado — pode ser convertida em instrumento de exploração. Mais de quinze vítimas identificadas carregam agora não apenas o prejuízo financeiro, mas a desconfiança que fica quando a instituição de saúde se revela palco de traição.

Arielly Katerine dos Santos, 31 anos, ocupava um posto de confiança na área administrativa e financeira de uma clínica odontológica em Cuiabá. Esse acesso privilegiado aos clientes e aos registros internos tornou-se a base de um esquema que desviou mais de R$ 100 mil ao longo do tempo.

O método era preciso: pelo WhatsApp, ela negociava procedimentos estéticos e odontológicos diretamente com os pacientes, oferecia descontos e os orientava a pagar via Pix, QR Code ou máquinas de cartão vinculadas às suas contas pessoais. Em seguida, alterava os registros da clínica para simular que as parcelas estavam em dia. Os tratamentos continuavam normalmente — o dinheiro, porém, nunca chegava ao estabelecimento. Quando algum paciente tentava cancelar, ela pressionava com novas propostas ou ameaçava negativação.

O esquema veio à tona quando uma paciente procurou os proprietários e revelou ter feito um Pix direto para a conta pessoal de Arielly. A descoberta desencadeou a Operação Falso Sorriso, deflagrada em 20 de agosto de 2026. Mais de 15 vítimas foram identificadas, e o prejuízo estimado já ultrapassa R$ 100 mil. O detalhe mais perturbador: mesmo depois de demitida por justa causa, Arielly continuou abordando pacientes como se ainda trabalhasse na clínica.

Durante a operação, celulares, computadores, máquinas de cartão e documentos foram apreendidos. Arielly confessou os crimes e será indiciada por furto qualificado e estelionato. A polícia investiga ainda se parte dos valores desviados foi usada em jogos de azar — hipótese surgida após ela mencionar dificuldades financeiras, mas ainda não confirmada. A investigação segue aberta para mapear o alcance total do esquema e o destino final do dinheiro.

Arielly Katerine dos Santos tinha 31 anos e uma posição de confiança na clínica odontológica onde trabalhava em Cuiabá. Como funcionária da área administrativa e financeira, ela tinha acesso direto aos clientes e aos registros internos do estabelecimento. O que começou como uma oportunidade se transformou em um esquema de fraude que desviou mais de R$ 100 mil dos pacientes e da clínica.

Os prints de conversas pelo WhatsApp revelam a mecânica do golpe com clareza perturbadora. Em uma troca de mensagens, uma paciente tenta cancelar um procedimento. Arielly não aceita o cancelamento. Em vez disso, oferece uma prótese por R$ 750, dividida em duas parcelas. Quando a cliente estranha o preço baixo, Arielly muda o valor para R$ 850 e diz que cometeu um erro de digitação. A cliente insiste no cancelamento. Arielly insiste na negociação, agora propondo uma entrada de R$ 300 com o restante para o mês seguinte. É o padrão de uma pessoa que sabe exatamente como pressionar.

O esquema funcionava assim: Arielly negociava procedimentos estéticos e odontológicos diretamente com os clientes pelo WhatsApp, oferecia descontos e orientava os pacientes a fazer os pagamentos por Pix, links, QR Codes ou máquinas de cartão ligadas às suas contas pessoais. Depois de receber o dinheiro, ela alterava os registros internos da clínica para indicar que os pacientes estavam com as parcelas em dia. Os tratamentos continuavam normalmente. O dinheiro, porém, nunca chegava à clínica. Em alguns casos, ela ameaçava os pacientes com negativação se não pagassem.

A Operação Falso Sorriso foi deflagrada na quinta-feira, 20 de agosto. Até aquele momento, a polícia havia identificado mais de 15 vítimas. O delegado Hugo Abdon Lima, responsável pela investigação, explicou que Arielly se aproveitava da função que exercia para ter acesso aos clientes e conduzir as negociações. "Através do WhatsApp, ela negociava com clientes, oferecia suporte, descontos de procedimentos estéticos e odontológicos e recebia os valores no próprio Pix", afirmou. Os investigadores também encontraram indícios de pagamentos em dinheiro, mudanças nas datas de vencimento e cobranças feitas em nome do estabelecimento.

O esquema foi descoberto quando uma paciente procurou os proprietários da clínica e informou que havia feito um Pix diretamente para a conta pessoal de Arielly. Inicialmente, os contratos envolvidos somavam mais de R$ 50 mil, mas a polícia estima que o prejuízo possa ultrapassar R$ 100 mil. Ainda mais preocupante: mesmo depois de ser demitida por justa causa, Arielly continuou procurando pacientes e se apresentando como funcionária da clínica para realizar novas cobranças.

Durante a operação, a polícia apreendeu celulares, computadores, máquinas de cartão, documentos e outros materiais. A análise desses equipamentos deve ajudar a verificar a movimentação dos valores e identificar possíveis novas vítimas. Arielly confessou os crimes durante o depoimento, segundo a polícia. O delegado Hugo Abdon Lima informou que ela será indiciada pelos crimes de furto qualificado e estelionato.

Há uma suspeita adicional que ainda está sendo investigada: a polícia acredita que parte dos mais de R$ 100 mil desviados tenha sido usada por Arielly em jogos de azar. A hipótese surgiu depois que a ex-funcionária relatou enfrentar dificuldades financeiras. Arielly, porém, não afirmou que tenha usado o dinheiro em apostas. Por isso, a possível relação entre os desvios e os jogos de azar ainda é apurada. Até a última atualização da reportagem, ela não havia sido presa e não possuía advogado constituído. A investigação continua para esclarecer a extensão completa do esquema e o destino final do dinheiro.

Através do WhatsApp, ela negociava com clientes, oferecia suporte, descontos de procedimentos estéticos e odontológicos e recebia os valores no próprio Pix
— Delegado Hugo Abdon Lima
Nosso objetivo era fazer com que ela parasse de cometer novos crimes e coletar provas. Mas, diante das evidências, iremos indiciá-la por furto qualificado e estelionato
— Delegado Hugo Abdon Lima
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur G1 ↗
Nous contacter FAQ