Quando os dois protagonistas de uma corrida eleitoral se ausentam do primeiro grande confronto público, o palco não fica vazio — ele se transforma. Neste domingo, sem Lula nem Flávio Bolsonaro, quatro candidatos com intenções de voto modestas disputarão algo mais precioso do que votos imediatos: a atenção de um eleitorado ainda em formação. A ausência dos favoritos revela, por si só, uma lógica de poder: quem lidera protege sua vantagem evitando o risco; quem persegue abraça qualquer oportunidade de existir no imaginário público.
Primeiro debate presidencial marca ausências de Lula e Flávio
Sem os dois gigantes no palco, eles ganham tempo de fala e podem se comunicar diretamente
Por que Lula e Flávio decidiram não ir ao debate se ele é uma oportunidade de se comunicar com os eleitores?
Para quem está na frente, o risco é maior que o benefício. Lula enfrenta cinco adversários ao mesmo tempo, sem a proteção de estar em pé de igualdade. Flávio segue a lógica de que sem Lula, ele vira o alvo principal — melhor não aparecer.
Isso significa que os candidatos menores têm uma chance real de crescer neste debate?
Teoricamente, sim. Caiado, Zema, Renan e Cury têm números baixos. Sem os dois gigantes no palco, eles ganham tempo de fala e podem se comunicar diretamente com quem ainda não os conhece bem.
Qual é a estratégia de Caiado?
Atacar as ausências — chamar Lula e Flávio de "fujões" — e ao mesmo tempo se diferenciar de Flávio, mostrando que há espaço para um terceiro caminho. Ele aposta em segurança e saúde como temas que o definem.
E Renan Santos, que é jovem e tem muitos seguidores nas redes?
Ele precisa provar que não é só influenciador. O debate é uma chance de mostrar que tem propostas sérias de governo, especialmente em segurança. Seus aliados deixam claro: ele não será outro Marçal.
Romeu Zema parece estar em uma posição diferente. O que ele busca?
Zema quer capturar o voto antipetista atacando o PT e o Supremo Tribunal Federal. Ele também criou um jingle que critica influenciadores e jogos de azar — temas que ressoam com certos eleitores.
E Augusto Cury, que tem apenas 2% nas pesquisas?
Cury aposta em uma proposta ambiciosa: acabar com a fome global. Seu slogan é uma paródia de Trump. É uma campanha que tenta se destacar pela radicalidade da promessa, não pela experiência política.
El Pulso
- Lula e Flávio Bolsonaro, juntos responsáveis por 72% das intenções de voto, decidiram não comparecer — deixando o debate como um palco sem seus atores principais.
- A campanha de Lula alega desvantagem numérica contra cinco adversários; a de Flávio teme virar alvo concentrado sem o petista presente para dividir os ataques.
- Caiado, Zema, Renan e Cury — nenhum com mais de 5% nas pesquisas — encaram o evento como janela rara para ganhar visibilidade antes que a corrida se consolide.
- Caiado já prepara ofensiva retórica contra os 'fujões', enquanto Renan tenta provar que pode comunicar propostas além do universo das redes sociais.
- O formato do Grupo Bandeirantes, com confrontos diretos e tréplicas cronometradas, promete acirrar as diferenças entre candidatos que, até agora, disputam as margens do mesmo eleitorado.
Quando os dois protagonistas de uma corrida eleitoral se ausentam do primeiro grande confronto público, o palco não fica vazio — ele se transforma. Neste domingo, sem Lula nem Flávio Bolsonaro, quatro candidatos com intenções de voto modestas disputarão algo mais precioso do que votos imediatos: a atenção de um eleitorado ainda em formação. A ausência dos favoritos revela, por si só, uma lógica de poder: quem lidera protege sua vantagem evitando o risco; quem persegue abraça qualquer oportunidade de existir no imaginário público.
O primeiro debate presidencial de 2026 acontece neste domingo à noite sem seus dois maiores protagonistas. Lula, líder nas pesquisas com 39%, comunicou ao Grupo Bandeirantes que não estará presente. Flávio Bolsonaro, segundo colocado com 33%, também deve ficar de fora: sua campanha adotou a estratégia de evitar debates que não incluam o petista, para que ele não se torne o alvo concentrado dos demais.
A ausência dos favoritos redefine completamente a dinâmica do evento. Ronaldo Caiado (5%), Renan Santos (4%), Romeu Zema (3%) e Augusto Cury (2%) enfrentam uma oportunidade rara de ganhar espaço em um momento em que suas campanhas amargam números modestos. A justificativa de Lula — desvantagem ao enfrentar cinco adversários simultaneamente — reflete um cálculo frio: para quem lidera, o risco pode superar o benefício.
Caiado já sinalizou como pretende explorar as ausências, chamando Lula e Flávio de 'fujões com muito a esconder'. Sua estratégia passa também por diferenciar-se de Flávio e apostar em segurança e saúde como temas centrais. Zema deve concentrar críticas no STF e no PT, buscando capturar o voto antipetista. Renan Santos, com milhões de seguidores nas redes, vê no debate uma chance de alcançar um público mais amplo com propostas de segurança linha-dura — seus aliados garantem que ele não repetirá o estilo polêmico de Marçal em 2024.
Augusto Cury, com novo marqueteiro e o slogan 'Make Humanity Great Again', promete articular o país em torno do combate à fome global. O debate de domingo será o primeiro teste real dessas campanhas em um formato que, pela ausência dos dois favoritos, oferece espaço inédito para que os candidatos menores tentem se firmar na disputa.
O primeiro debate presidencial da campanha de 2026 acontece neste domingo à noite sem seus dois principais personagens. Lula, que lidera as pesquisas com 39% de intenção de voto, comunicou ao Grupo Bandeirantes que não comparecerá. Flávio Bolsonaro, seu principal rival com 33%, também deve ficar de fora — a estratégia de sua campanha é evitar debates que não incluam o petista, para que ele não se torne o alvo concentrado dos demais candidatos.
A ausência dos dois favoritos redefine completamente a dinâmica do evento. Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury — os quatro candidatos que efetivamente estarão no palco — enfrentam uma oportunidade rara de ganhar visibilidade em um momento em que suas campanhas amargam números modestos nas pesquisas. Segundo o último levantamento Datafolha, Caiado marca 5%, Renan 4%, Zema 3% e Cury apenas 2%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A justificativa oferecida pela campanha de Lula para sua ausência é que ele estaria em desvantagem ao enfrentar cinco adversários simultaneamente, dois dos quais — Zema e Renan — nem sequer deveriam estar presentes segundo a legislação eleitoral. A decisão reflete um cálculo político: para quem lidera, o risco de um debate sem mediação entre múltiplos concorrentes pode superar o benefício de estar presente.
O formato do debate, organizado pelo Grupo Bandeirantes, prevê confronto direto entre os candidatos. Na primeira fase, todos responderão a questões temáticas formuladas pelos âncoras, com dois minutos para cada resposta, em ordem definida por sorteio. Depois virão rodadas com perguntas de jornalistas e confrontos entre candidatos, onde cada pergunta terá duração de um minuto, e quem responde dispõe de quatro minutos para administrar entre resposta e tréplica.
Caiado já sinalizou como pretende explorar as ausências. Sua campanha tem criticado Lula e Flávio por serem "fujões" com "muito a esconder". Além disso, a estratégia é diferenciar-se de Flávio, mostrando que embora ambos representem campos políticos distintos, há diferenças significativas entre eles. A campanha de Caiado aposta em segurança e saúde como temas centrais, enquanto costuma questionar a experiência de Renan Santos e rebate Zema quando este traz à tona o emprego de familiares de Caiado em cargos comissionados em Goiás.
Zema deve manter sua artilharia focada em críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal e ao PT, flancos pelos quais busca capturar o voto antipetista. Seu jingle recém-lançado inclui críticas ao "jogo do tigrinho" e à influenciadora Virgínia Fonseca, que foi garota-propaganda de sua campanha. Renan Santos, que possui milhões de seguidores nas redes sociais, vê no debate uma chance de se comunicar com um público mais amplo. Seus aliados prometem que ele focará em propostas de governo com ênfase em segurança linha-dura, e garantem que não será um "novo Marçal" — referência ao influenciador que se notabilizou pelas controvérsias na eleição municipal de São Paulo em 2024.
Augusto Cury, que trocou de marqueteiro recentemente, adota o slogan "Make Humanity Great Again", uma paródia do lema de Donald Trump. Seu programa de governo promete liderar o país em uma grande articulação com o objetivo de acabar com a fome em escala global. O debate de domingo será o primeiro teste público dessa campanha em um formato que, pela ausência dos dois favoritos, oferece espaço inédito para que os candidatos menores tentem se estabelecer na disputa.
Citas Notables
Lula e Flávio têm muito a esconder e são fujões— Campanha de Ronaldo Caiado
Renan Santos não será um novo Marçal e focará em propostas de governo com ênfase em segurança linha-dura— Aliados de Renan Santos