No futebol, como na vida, as regras só têm valor quando aplicadas com consistência e bom senso. Após a derrota do Fluminense para o Mirassol por 2 a 1, no dia 9 de outubro, o presidente Mário Bittencourt ergueu a voz não apenas por um gol anulado, mas por aquilo que enxerga como uma crise sistêmica na arbitragem brasileira — onde a tecnologia, criada para servir à justiça, passou a ser usada de forma que esvazia a emoção e multiplica a incerteza. O gesto de um dirigente que vai às redes sociais é, em si, um sintoma: quando as instituições não respondem, os afetados buscam o tribunal da opinião
Presidente do Fluminense critica arbitragem e denuncia 'banalização do VAR'
A banalização do VAR está acabando com o futebol brasileiro
Por que exatamente o gol foi anulado? O que o VAR viu que o árbitro não viu?
O árbitro de campo marcou o gol de Lucho Acosta, mas o VAR o chamou ao monitor porque entendeu que houve falta de Canobbio na origem da jogada. A questão é que Bittencourt acha essa interpretação inconsistente com outras decisões.
Mas a gente não sabe os detalhes técnicos do lance. Bittencourt diz que foi uma falta interpretativa, mas não temos a descrição exata do que Canobbio fez. Pode ter sido realmente falta.
E o exemplo do São Paulo e Palmeiras que ele mencionou?
Ele disse que o VAR não viu falta na área naquele jogo, mas viu falta do Canobbio. É um contraste que ele usa para mostrar falta de padronização.
Novamente, não temos os detalhes daquele lance também. Pode ser que fossem situações completamente diferentes. Bittencourt está comparando, mas não sabemos se as comparações são justas.
Então qual é o ponto real dele?
Que não há critério consistente. Cada árbitro apita de um jeito, o VAR interfere demais em lances interpretativos, e isso prejudica o futebol.
Isso é verdade, mas é uma reclamação que qualquer presidente faria depois de perder um gol. A questão é: ele tem razão sobre a inconsistência sistemática, ou está reagindo a uma decisão que o prejudicou?
E o que ele quer que a CBF faça?
Quer que ao final do ano, junto com clubes, federações e árbitros, se inicie um processo de mudança nos critérios, especialmente do VAR.
Isso é razoável, mas também é vago. Que mudanças exatamente? Menos interferência do VAR? Mais treinamento? Critérios escritos? Ele não detalha.
El Pulso
- Um gol de Lucho Acosta, inicialmente validado em campo, foi anulado pelo VAR por suposta falta de Canobbio no início da jogada — lance que nem o árbitro nem o time adversário haviam reclamado.
- A derrota por 2 a 1 para o Mirassol acendeu o estopim, mas a frustração de Bittencourt transbordou para um problema maior: a falta de critério uniforme entre árbitros e a interferência excessiva do VAR em lances interpretativos.
- O presidente do Fluminense denunciou que a situação se repete rodada após rodada, citando um gol anulado de forma idêntica no jogo contra o Sport, e alertou que os pontos perdidos comprometem a classificação do clube.
- Bittencourt fez um apelo direto à CBF para que, ao fim do ano, inicie um processo coletivo de revisão dos critérios de arbitragem, envolvendo clubes, federações e árbitros.
- O tom do presidente foi de ultimato filosófico: ou o Brasil aprende a usar o VAR com critério, ou continuará sendo, nas suas palavras, 'o país que menos sabe usar o VAR no futebol'.
No futebol, como na vida, as regras só têm valor quando aplicadas com consistência e bom senso. Após a derrota do Fluminense para o Mirassol por 2 a 1, no dia 9 de outubro, o presidente Mário Bittencourt ergueu a voz não apenas por um gol anulado, mas por aquilo que enxerga como uma crise sistêmica na arbitragem brasileira — onde a tecnologia, criada para servir à justiça, passou a ser usada de forma que esvazia a emoção e multiplica a incerteza. O gesto de um dirigente que vai às redes sociais é, em si, um sintoma: quando as instituições não respondem, os afetados buscam o tribunal da opinião pública.
Na tarde de 9 de outubro, horas após o Fluminense perder para o Mirassol por 2 a 1, o presidente Mário Bittencourt foi às redes sociais com um desabafo que ultrapassou os limites de uma reclamação pontual. O estopim foi a anulação de um gol de Lucho Acosta no primeiro tempo: o árbitro de campo havia validado o lance, mas foi chamado ao monitor e reverteu a decisão, acatando a interpretação do VAR de que Canobbio havia cometido falta na origem da jogada — infração que nem o time adversário havia reclamado.
Para Bittencourt, o problema não era o gol em si, mas o que ele representa: uma arbitragem sem critério uniforme, onde cada árbitro apita de um jeito e o VAR intervém constantemente em lances que exigem interpretação. Ele descreveu a imagem de um operador em sala climatizada voltando o lance um minuto atrás para encontrar, com uma lupa, uma falta invisível a olho nu — e com isso roubando dos torcedores a emoção genuína de um gol.
O presidente trouxe comparações concretas: o VAR não havia identificado falta na área no clássico entre São Paulo e Palmeiras, mas encontrou infração no lance de Canobbio contra o Mirassol. Lembrou ainda que o mesmo tipo de anulação já havia ocorrido no jogo contra o Sport, quando o placar estava 0 a 0, e alertou que esses pontos perdidos têm peso real na classificação final do clube.
Ao mesmo tempo em que criticou, Bittencourt reconheceu avanços da nova gestão da CBF e fez um apelo construtivo: que, ao final do ano, a confederação promova um processo de revisão dos critérios de arbitragem junto a clubes, federações e árbitros. Sua mensagem final foi direta — sem mudança, o Brasil seguirá sendo o país que menos sabe usar o VAR, numa situação que ele classificou como 'feia e vergonhosa'.
Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, tomou as redes sociais na tarde de 9 de outubro para desabafar sobre a arbitragem brasileira, horas depois que seu time perdeu para o Mirassol por 2 a 1. O motivo da frustração era específico: um gol marcado por Lucho Acosta no primeiro tempo havia sido anulado após revisão do VAR, que entendeu ter havido falta de Canobbio no início da jogada. O árbitro de campo havia inicialmente validado o gol, mas foi chamado ao monitor e mudou de decisão.
Na postagem, Bittencourt não poupou críticas. Afirmou que a falta de critério na arbitragem é "alarmante" e que "a banalização do VAR está acabando com o futebol brasileiro". Seu argumento central era que cada árbitro apita de um jeito, e o VAR interfere constantemente em decisões do campo, especialmente em lances que exigem interpretação. Ele apontou que o problema não era isolado ao Fluminense, mas uma questão sistêmica: erros se repetiam rodada após rodada, em quarta e domingo, contra todos os clubes.
Bittencourt usou exemplos concretos para ilustrar a inconsistência. Mencionou que o VAR não havia identificado falta na área no clássico entre São Paulo e Palmeiras, mas viu infração quando Canobbio pisou na bola e caiu contra o Mirassol. Criticou também a prática de o VAR, "munido de uma lupa", procurar infrações para anular gols, impedindo que torcedores vivenciassem plenamente a emoção de um gol. Disse que um operador em ar condicionado voltava o lance um minuto atrás e "achava" uma falta que nem o árbitro de campo havia visto e que o time prejudicado sequer havia reclamado.
O presidente mencionou precedente semelhante: no jogo contra o Sport, também havia tido um gol anulado de forma idêntica quando o placar estava 0 a 0. Agora, a mesma situação se repetia, e Bittencourt alertava que esses pontos perdidos interfeririam na classificação final do Fluminense.
Bittencourt fez um apelo direto à CBF. Reconheceu os avanços da nova gestão, citando o Fair Play Financeiro e o novo calendário, mas solicitou que, ao final do ano, a confederação iniciasse um processo de mudança nos critérios de arbitragem em conjunto com clubes, federações e árbitros. Sua conclusão foi contundente: ou o Brasil mudava sua forma de usar o VAR, ou continuaria sendo "o país que menos sabe usar o VAR no futebol". Para ele, a situação era "feia e vergonhosa".
Citas Notables
A arbitragem brasileira precisa parar e se reciclar. Não é possível que, rodada após rodada, os erros se repitam de forma absurda.— Mário Bittencourt, presidente do Fluminense
Ou fazemos isso, ou seguiremos como o país que menos sabe usar o VAR no futebol. Está feio e vergonhoso.— Mário Bittencourt