Presidenciáveis cobram transparência e criticam STF em reação ao caso Master

O Brasil está sendo governado por um celular
Augusto Cury criticou a situação do caso Master durante sabatina de campanha.
Mark

Por que Romeu Zema marcou a manifestação exatamente uma hora antes do julgamento? Parece muito calculado.

Mimi

É. Ele quer que a pressão das ruas chegue ao plenário enquanto os ministros estão decidindo. Zema está dizendo que a sociedade civil, a imprensa e as ruas podem influenciar o resultado.

Luke

Mas a questão é: pode mesmo? Ou Zema está apenas usando a manifestação como campanha? Não sabemos se a pressão das ruas realmente muda votos no STF.

Mark

E quanto aos outros candidatos? Eles estão fazendo a mesma coisa?

Mimi

Não exatamente. Renan Santos está analisando por que as pessoas estão rindo do caso em vez de se indignar. Cury quer transparência e quer que seja televisionado. Caiado diz que a crise está dominando a campanha e ninguém fala de propostas.

Luke

Mas nenhum deles está dentro do STF. Eles estão todos de fora, tentando pressionar. A questão real é: o que os ministros vão fazer? E não sabemos a resposta.

Mark

Renan fez um experimento com um vídeo humorístico que teve 1,2 milhão de visualizações. O que isso significa?

Mimi

Para Renan, significa que as pessoas perderam a fé no ativismo político. Elas acham a história tão complicada que preferem rir a tentar entender.

Luke

Mas um vídeo humorístico ter mais visualizações que conteúdo sério não prova descrença. Pode ser só que vídeos engraçados viralizam mais. Não sabemos o que as pessoas realmente pensam.

Mark

Caiado saiu do hospital e disse que ninguém está discutindo eleição. Isso é ruim para os candidatos?

Mimi

Muito. Eles querem falar de propostas, de visão de país. Mas a crise do STF e o caso Master estão ocupando todo o espaço.

Luke

Embora, para ser justo, Zema está usando isso a seu favor. Ele está se posicionando como aquele que cobra transparência e responsabilização. Pode ser bom para ele politicamente.

  • Romeu Zema convocou manifestação em Brasília para terça-feira, 15 de setembro, uma hora antes do julgamento no STF
  • Documentos do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, incluem registros relacionados ao ministro Alexandre de Moraes
  • Renan Santos publicou vídeo humorístico que alcançou entre 1,2 e 1,3 milhão de visualizações
  • Ronaldo Caiado afirmou que a crise no STF está dominando a campanha presidencial

Romeu Zema (Novo) convocou ato em Brasília para terça-feira, uma hora antes do julgamento do STF sobre investigação contra ministro Alexandre de Moraes. Candidatos como Renan Santos e Augusto Cury criticam falta de transparência e cobram punição dos envolvidos; Ronaldo Caiado afirma que crise domina campanha.

Candidatos à Presidência criticam divulgação de documentos sobre Banco Master e crise no STF, com Romeu Zema convocando manifestação em Brasília para pressionar julgamento de Alexandre de Moraes.

Enquanto documentos sobre as investigações do Banco Master circulavam e uma crise institucional se aprofundava no Supremo Tribunal Federal, candidatos presidenciais que buscam se posicionar fora do eixo Lula-Flávio Bolsonaro encontraram na situação um ponto de pressão. Romeu Zema, do Novo, convocou uma manifestação em Brasília para terça-feira, 15 de setembro, marcada para as 9 da manhã na alameda dos Estados — exatamente uma hora antes do plenário do STF começar a analisar o relatório da Polícia Federal sobre informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master. Naquele mesmo julgamento, a corte deveria decidir se abriria uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, cujos registros apareciam nos documentos apreendidos.

Zema e seu candidato a vice, o senador Eduardo Girão, haviam lançado a convocação dias antes, na quinta-feira, após Moraes cancelar um pronunciamento marcado para aquela manhã. Zema afirmou que o ministro estaria "fugindo da raia" e usou a frase "quem não deve não teme". Na mesma gravação, Girão foi além e pediu a saída não apenas de Moraes, mas também do procurador-geral da República Paulo Gonet, do diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, do presidente do Senado Davi Alcolumbre e do próprio presidente Lula. Nos dias seguintes, Zema intensificou o tom, chamando Alcolumbre de "paquita do Xandão" e "intocável do Amapá", e descreveu a sessão de terça-feira como "um dos dias mais importantes da história do Brasil". Para ele, o julgamento definiria se o país continuaria funcionando como uma "república dos intocáveis", e sugeriu que a pressão das ruas, da sociedade civil e da imprensa poderia influenciar o resultado.

Outros candidatos também reagiram à liberação dos documentos, mas com ênfases distintas. Renan Santos, da Missão, observou que a divulgação do inquérito deixaria "muito candidato a presidente sem conseguir dormir", enquanto ele dormia tranquilo. Nos dias seguintes, Renan analisou como a reação pública havia evoluído de indignação para escárnio, com piadas sobre festas e personagens envolvidos. Ele atribuiu isso a uma desconexão: as pessoas não perceberiam uma relação direta entre as suspeitas investigadas e as consequências em suas vidas cotidianas. Para testar essa hipótese, Renan publicou um vídeo humorístico na madrugada de sábado, com um personagem careca atuando como DJ em referência a Moraes. O vídeo alcançou entre 1,2 milhão e 1,3 milhão de visualizações — muito mais do que seus conteúdos sérios sobre o caso. Renan interpretou o resultado como sinal de que parte da população havia deixado de acreditar no ativismo político e na punição dos envolvidos, vendo a história como tão complicada que o cidadão comum já não tinha paciência para entender os detalhes ou cobrar responsabilização.

Augusto Cury, do Avante, não atacou Moraes diretamente, mas usou peças de propaganda para criticar as relações políticas de Vorcaro, com a mensagem "não vote em quem está na agenda do Vorcaro". Durante uma sabatina no SBT Brasil na sexta-feira, Cury defendeu que o julgamento no Supremo fosse aberto, televisionado e realizado rapidamente, para que os eleitores conhecessem as informações antes da votação. Declarou apoio aos ministros Edson Fachin e André Mendonça e afirmou que eventuais culpados não mereceriam votos. Cury classificou o caso Master como criminoso e disse que "o Brasil está sendo governado por um celular" e "por nomes que estão no celular". Também propôs o fim da vitaliciedade no STF, substituindo-a por mandatos de oito anos para os ministros.

Ronaldo Caiado, do PSD, recebeu alta hospitalar no domingo após três dias internado com pneumonia. Na saída do hospital, observou que a crise no STF havia tomado o espaço da campanha presidencial. "Ninguém está discutindo eleição, ninguém está discutindo proposta", afirmou. Ainda internado na sexta-feira, Caiado havia cobrado a abertura das investigações sobre o INSS. No sábado, criticou o STF por não encarar adequadamente as mensagens de Moraes e Vorcaro, dizendo que a corte não deveria entregar "mais uma pizza para o país". Acrescentou que "o que não dá mais é passar pano e empurrar a sujeira para debaixo do tapete". Na mesma publicação, Caiado também criticou a tentativa da defesa de Flávio Bolsonaro de transferir de Flávio Dino para André Mendonça a investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", afirmando que "mudar de ministro não limpa a sujeira nem apaga a gravidade desse caso".

O que emergia desses posicionamentos era um padrão: candidatos que buscavam se diferenciar tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro encontravam na crise do STF e no caso Master uma oportunidade de cobrar transparência e responsabilização, enquanto pressionavam a corte a agir. Zema, em particular, estava usando a manifestação como ferramenta de pressão direta sobre o julgamento. Simultaneamente, a campanha presidencial estava sendo eclipsada pela crise institucional — como Caiado havia notado, ninguém estava discutindo propostas. O julgamento de terça-feira no Supremo, portanto, não era apenas uma decisão jurídica; era um momento que os candidatos estavam tentando moldar, cada um à sua maneira, para ganhar espaço político em um cenário cada vez mais dominado pela questão de quem responderia pelos documentos encontrados no celular de um ex-banqueiro.

Quem não deve não teme
— Romeu Zema, sobre o cancelamento do pronunciamento de Alexandre de Moraes
O Brasil está sendo governado por um celular e por nomes que estão no celular
— Augusto Cury, durante sabatina no SBT Brasil
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