Em Divinópolis, Minas Gerais, o prefeito Gleidson Azevedo entrou em conflito com as normas sanitárias do país ao recomendar publicamente um suplemento sem registro na Anvisa, prometendo resultados de emagrecimento que a legislação brasileira proíbe associar a esse tipo de produto. O episódio revela como a autoridade pública pode ser mobilizada — consciente ou inadvertidamente — para conferir credibilidade a práticas comerciais irregulares. Quando a repercussão chegou, os vídeos desapareceram da internet, mas o rastro institucional permaneceu: as bandeiras do município ao fundo da gravação tran
Prefeito gêmeo de senador promove suplemento irregular sem registro na Anvisa
Suplemento promete sete quilos em trinta dias, algo que a Anvisa proíbe
Por que um prefeito colocaria sua reputação em risco promovendo um suplemento não registrado?
Talvez ele acreditasse genuinamente no produto, ou talvez houvesse um arranjo financeiro. O que importa é que ele usou a autoridade do cargo — gravando dentro da Prefeitura — para dar credibilidade a algo que a Anvisa considera irregular.
A empresa diz que estava regularizando a documentação. Isso muda algo?
Não muda o fato de que o produto foi vendido sem registro e com promessas proibidas. Regularizar depois é reconhecer que estava errado antes.
Como um youtuber descobriu o que as autoridades não viram?
Ele fez o trabalho de verificação que deveria ter sido feito antes da publicação. Procurou as imagens originais, rastreou os depoimentos. A internet deixa rastros.
Qual é o risco real para o prefeito agora?
Depende do que o Ministério Público encontrar. Se houve enriquecimento, se o vídeo foi feito em horário de trabalho, se há contrato com a empresa — tudo isso importa. Mas no mínimo, sua credibilidade como gestor público foi abalada.
E para a empresa?
Multas da Anvisa, possível apreensão de produtos, e agora investigação criminal. Remover o site foi dano control, não solução.
El Pulso
- Um prefeito aparece em vídeo prometendo perda de sete quilos em trinta dias com um suplemento que sequer existe nos registros da Anvisa.
- A gravação foi feita dentro da própria Prefeitura, com símbolos oficiais ao fundo, embaralhando os limites entre endosso pessoal e uso do cargo público.
- Uma investigação independente expôs que os depoimentos no site do produto eram conteúdo comprado e que as fotos de 'antes e depois' haviam sido copiadas de outras fontes.
- Diante da repercussão, empresa e vídeos sumiram da internet — mas a deputada estadual adversária já havia acionado o Ministério Público de Minas Gerais.
- O caso agora aguarda investigação sobre violação sanitária, publicidade enganosa e possível vínculo formal entre o prefeito e a fabricante do produto.
Em Divinópolis, Minas Gerais, o prefeito Gleidson Azevedo entrou em conflito com as normas sanitárias do país ao recomendar publicamente um suplemento sem registro na Anvisa, prometendo resultados de emagrecimento que a legislação brasileira proíbe associar a esse tipo de produto. O episódio revela como a autoridade pública pode ser mobilizada — consciente ou inadvertidamente — para conferir credibilidade a práticas comerciais irregulares. Quando a repercussão chegou, os vídeos desapareceram da internet, mas o rastro institucional permaneceu: as bandeiras do município ao fundo da gravação transformaram um depoimento pessoal em um ato de representação do Estado.
O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo — irmão gêmeo do senador Cleitinho Azevedo —, apareceu em um vídeo nas redes sociais recomendando o suplemento Monjaslim, atribuindo a ele sua própria perda de peso e prometendo resultados de sete quilogramas em trinta dias. O produto, porém, não possui qualquer registro na Anvisa, e as promessas de emagrecimento que o acompanhavam violam diretamente as normas que regulam a comercialização de suplementos no Brasil. A gravação foi feita nas dependências da Prefeitura, com as bandeiras do Brasil, de Minas Gerais e do município visíveis ao fundo.
O site da fabricante ia além do depoimento do prefeito: trazia vídeos de terceiros recomendando o produto, fotos de supostos resultados e vendia o suplemento a partir de cento e noventa e sete reais por pote. Tudo desapareceu após o youtuber Guga Figueiredo publicar uma investigação revelando que os depoimentos eram conteúdo comercializado por criadores de internet e que as imagens de emagrecimento haviam sido copiadas de outras fontes. Um dos sócios da empresa afirmou que os materiais foram retirados por precaução jurídica e que a regularização do produto está em andamento — explicações que chegaram tarde demais.
A deputada estadual Lohanna, do Partido Verde e principal adversária política da família Azevedo na cidade, acionou o Ministério Público de Minas Gerais. O ofício pede investigação não apenas sobre a conduta do prefeito, mas também sobre uma possível relação formal entre ele e a empresa fabricante. Caberá ao Ministério Público determinar se houve violação sanitária, publicidade enganosa ou uso indevido do cargo público para fins comerciais.
Em Divinópolis, no interior de Minas Gerais, o prefeito Gleidson Azevedo apareceu em um vídeo nas redes sociais recomendando um suplemento chamado Monjaslim, prometendo aos interessados uma perda de sete quilogramas em até trinta dias. O problema é que o produto não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e as promessas de emagrecimento que o acompanhavam violam as normas que regem a comercialização de suplementos no país. A Anvisa é clara: suplementos não podem estar associados a finalidades medicamentosas ou terapêuticas, e não há qualquer registro de um suplemento com o nome Monjaslim ou suas variações em seus arquivos.
No vídeo, Azevedo — irmão gêmeo do senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos — fala diretamente para a câmera. Ele menciona que muitas pessoas o questionam sobre seu emagrecimento, sugerindo que ele teria usado medicamentos como Ozempic ou Mounjaro. Depois, atribui sua perda de peso ao suplemento Monjaslim, descrevendo-o como completamente natural. A gravação foi publicada pela página "Divinópolis Urgente" nas redes sociais e também aparecia no site da fabricante do produto até segunda-feira, 14 de julho, quando foi removida. O prefeito não compartilhou o vídeo em suas próprias redes sociais e, quando procurado, não respondeu aos questionamentos.
O site que promovia o Monjaslim continha mais do que apenas o depoimento do prefeito. Havia vídeos de outras pessoas recomendando o uso do suplemento, fotos de "antes e depois" de supostos consumidores que teriam emagrecido, e o produto era comercializado a partir de cento e noventa e sete reais por pote, com promessa de duração de trinta dias. Tudo isso desapareceu da internet após o youtuber Guga Figueiredo publicar uma investigação apontando que os depoimentos no site eram, na verdade, vendidos por pessoas que comercializam esse tipo de conteúdo na internet. Figueiredo também demonstrou que as imagens de emagrecimento haviam sido copiadas de outras fontes.
Carlos Eduardo Máximo Bernardo, um dos sócios da empresa fabricante, respondeu aos questionamentos afirmando que os vídeos e materiais foram "retirados temporariamente por precaução jurídica" enquanto a empresa reavalia e reorganiza o conteúdo após a repercussão pública. Ele também disse que a documentação necessária para a regularização do produto está sendo preparada junto a uma terceirizada e será apresentada formalmente em breve. Essas explicações, porém, chegam tarde demais para evitar consequências legais.
A deputada estadual Lohanna, do Partido Verde, que é a principal adversária política da família Azevedo em Divinópolis, acionou o Ministério Público de Minas Gerais para investigar a conduta do prefeito. O ofício apresentado sugere que o vídeo foi gravado dentro das dependências da Prefeitura de Divinópolis — os mastros das bandeiras do Brasil, de Minas Gerais e do município aparecem ao fundo — e pede que se investigue não apenas a conduta do prefeito, mas também se existe relação formal entre ele e a empresa responsável pelo produto. A investigação agora está nas mãos do Ministério Público, que terá de determinar se houve violação de normas sanitárias, publicidade enganosa, ou uso indevido de cargo público para fins comerciais.
Citas Notables
O que me ajudou muito a emagrecer foi o suplemento Monjaslim, que é 100% natural— Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis
Os vídeos foram retirados temporariamente por precaução jurídica, enquanto os materiais estão sendo reavaliados e reorganizados após repercussão pública— Carlos Eduardo Máximo Bernardo, sócio da empresa fabricante