Em São Paulo, o Parque Augusta — fruto de mais de duas décadas de luta comunitária — recebeu oficialmente o nome do ex-prefeito Bruno Covas, falecido em 2021, por meio de lei sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes. O gesto, respaldado por amplo consenso político na Câmara Municipal, revela como o poder público frequentemente inscreve seus nomes nos espaços que a sociedade civil ergueu com esforço próprio. A homenagem, legítima em sua intenção, levanta uma questão perene: a quem pertence, afinal, o nome de uma conquista coletiva?
Prefeito de SP sanciona lei que nomeia Parque Augusta em homenagem a Bruno Covas
Uma conquista coletiva apropriada politicamente
Por que um parque recebe o nome de um ex-prefeito? Qual é a lógica por trás dessa homenagem?
Bruno Covas foi quem assinou o termo de transferência dos terrenos e iniciou as obras. Então há uma conexão direta entre sua gestão e o projeto que agora se concretiza.
Mas ele não criou o parque — moradores e associações lutaram por isso desde os anos 1990. O decreto de proteção é de 1973. Covas apenas herdou um processo que já tinha 20 anos de mobilização.
Como um projeto assim consegue aprovação unânime na Câmara? Isso é raro.
Foram 39 vereadores de 15 partidos diferentes. Parece que houve consenso genuíno sobre homenagear Covas, que faleceu em 2021.
Verdade, mas precisamos ser claros: a aprovação foi em agosto, e a sanção em setembro. Isso é rápido. Não sabemos se houve debate real ou se foi uma aprovação por consenso automático.
Os ativistas que lutaram pelo parque estão satisfeitos?
Parcialmente. Gostaram do resultado final — o bosque foi preservado, a Casa das Araras foi restaurada. Mas alguns criticam a mudança de nome, porque sentem que a conquista coletiva foi apropriada politicamente.
E há críticas específicas também: a arquibancada era para ser de madeira plástica e virou concreto. Os bancos também. Então nem tudo agradou, mesmo antes da questão do nome.
Quanto custou tudo isso?
Onze milhões de reais, pagos pelas duas construtoras que eram donas do terreno. Em troca, ganharam créditos para construir mais alto em outras áreas sem pagar taxa adicional.
Isso é um arranjo comum em São Paulo — permuta de direitos construtivos. Funciona, mas é importante nomear: as construtoras não pagaram em dinheiro, pagaram em direitos. O custo real para a Prefeitura foi zero, mas o benefício para as construtoras foi significativo.
Quando o parque abre?
Previsão é 25 de setembro para entrega das obras, e outubro para inauguração. A data exata ainda não foi anunciada.
Mas já houve atrasos em 2020 e 2021 por causa da pandemia e de prospecção arqueológica. Então essa data é uma previsão, não uma garantia.
O Pulso
- Após 20 anos de mobilização de moradores e associações, o Parque Augusta está prestes a ser inaugurado no centro expandido de São Paulo — mas já nasce envolto em polêmica sobre seu nome.
- Com 39 vereadores de 15 partidos diferentes, a Câmara aprovou em consenso raro a homenagem ao ex-prefeito Bruno Covas, e Ricardo Nunes assinou a lei em 16 de setembro.
- Ativistas que travaram décadas de batalha pelo parque rejeitam a mudança, denunciando que o nome de um político individual apaga o reconhecimento da luta comunitária que tornou o espaço possível.
- O parque de 23 mil m², com trilhas, bosque nativo preservado e espaços culturais tombados, custou R$ 11 milhões pagos pelas construtoras donas do terreno — em troca de benefícios construtivos em outras áreas da cidade.
- Atrasos causados pela pandemia e por prospecção arqueológica empurraram a entrega para setembro, com inauguração prevista para outubro em data ainda indefinida.
Em São Paulo, o Parque Augusta — fruto de mais de duas décadas de luta comunitária — recebeu oficialmente o nome do ex-prefeito Bruno Covas, falecido em 2021, por meio de lei sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes. O gesto, respaldado por amplo consenso político na Câmara Municipal, revela como o poder público frequentemente inscreve seus nomes nos espaços que a sociedade civil ergueu com esforço próprio. A homenagem, legítima em sua intenção, levanta uma questão perene: a quem pertence, afinal, o nome de uma conquista coletiva?
O prefeito Ricardo Nunes assinou, em 16 de setembro, a lei que rebatiza o Parque Augusta como Parque Augusta – Prefeito Bruno Covas, em homenagem ao ex-prefeito falecido em 2021. A proposta partiu do vereador Rodrigo Goulart, do PSD, e reuniu outros 38 vereadores de 15 partidos — do PT ao Novo, passando por PSDB, MDB e PL —, tornando-se um dos consensos mais amplos da Câmara Municipal em anos recentes. A aprovação ocorreu em 25 de agosto; a assinatura de Nunes deu força de lei à homenagem.
O parque em si é o desfecho de uma luta que começou há mais de duas décadas. Moradores e associações do entorno pressionaram por anos para transformar um terreno que já abrigou escolas e depois virou estacionamento em área verde pública. Um decreto de 1973 já protegia o bosque nativo; em 1989 a área foi declarada patrimônio ambiental; o Plano Diretor de 2002 determinou a criação do parque, consolidada em lei no ano seguinte. Só em 2018 a Prefeitura fechou acordo com as construtoras proprietárias dos terrenos — que financiaram os R$ 11 milhões da obra em troca de créditos para construir acima dos limites de altura em outras regiões sem pagar taxas adicionais.
O espaço de 23 mil m² inclui trilhas, playground, cachorródromo, academia para idosos, redário e deque elevado. O bosque com cedros-rosa foi preservado por exigência legal, e obras de restauro recuperaram o portal da rua Caio Prado e a Casa das Araras — ambos tombados, sendo o segundo destinado a atividades culturais e educativas. Atrasos provocados pela pandemia e por prospecção arqueológica adiaram a entrega, agora prevista para 25 de setembro, com inauguração em outubro.
A decisão de nomear o parque em homenagem a Covas, porém, dividiu opiniões. Para os grupos que lutaram pela criação do espaço, a escolha de um nome político individual apaga décadas de mobilização coletiva e representa uma forma de apropriação institucional de uma conquista que nasceu da sociedade civil. Alguns ativistas também manifestaram críticas a escolhas do projeto executado, como a substituição da arquibancada de madeira plástica por estrutura de concreto. O parque chega ao público carregando, ao mesmo tempo, a memória de uma luta e o peso de um debate ainda aberto.
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, assinou nesta quinta-feira, 16 de setembro, a lei que rebatiza o Parque Augusta com o nome do ex-prefeito Bruno Covas. A decisão entrou em vigor com a publicação no Diário Oficial e marca um passo político significativo poucos meses antes da inauguração do espaço, prevista para outubro no centro expandido da cidade.
A proposta partiu do vereador Rodrigo Goulart, do PSD, mas ganhou amplitude quando 38 outros vereadores aderiram ao projeto, transformando-o em iniciativa coletiva. O apoio veio de 15 partidos diferentes — PSD, DEM, PT, Republicanos, PSDB, PSB, Novo, Podemos, MDB, Solidariedade, PP, PSC, PL, PV e PTB — um consenso raro na Câmara Municipal. A aprovação ocorreu em 25 de agosto, e a assinatura de Nunes consolidou a homenagem ao ex-prefeito que faleceu em 2021.
O parque de aproximadamente 23 mil metros quadrados representa o resultado de uma luta que se estende por mais de duas décadas. Moradores e associações do entorno mobilizaram-se durante anos para transformar um terreno que havia abrigado escolas e depois funcionava como estacionamento em um espaço público. Um decreto municipal de 1973 já protegia o bosque nativo, e em 1989 a área foi declarada patrimônio ambiental. O Plano Diretor de 2002 determinou a instalação do parque, consolidado por lei em 2003. Apenas em 2018, após mais de duas décadas de negociações, a Prefeitura chegou a um acordo com as construtoras proprietárias dos terrenos.
O projeto inclui trilhas, playground, cachorródromo, equipamentos de ginástica, redário, academia para idosos, sanitários, arquibancada e deque elevado. O bosque com árvores nativas como cedro-rosa foi preservado conforme exigência legal. A obra também restaurou o portal da rua Caio Prado e a Casa das Araras, ambos tombados, sendo o segundo destinado a atividades educativas e culturais. O investimento total foi de aproximadamente 11 milhões de reais, custeado pelas duas construtoras proprietárias da área. Em contrapartida, ambas receberam créditos para construir acima do limite mínimo de altura em outras regiões da cidade sem pagar taxas adicionais.
A entrega das obras sofreu atrasos em 2020 e ao longo de 2021, motivados pela pandemia de covid-19 e pela necessidade de prospecção arqueológica no local. A previsão agora é de entrega em 25 de setembro, com inauguração em outubro em data ainda a ser definida pela Prefeitura. O termo de transferência de posse dos terrenos foi assinado durante a gestão de Covas, assim como o início das obras.
A decisão de nomear o parque em homenagem ao ex-prefeito, porém, gerou críticas entre ativistas que lutaram pela criação do espaço. Para esses grupos, o parque representa uma conquista coletiva após décadas de mobilização, e a apropriação do nome de uma figura política individual desvia o reconhecimento dessa luta comunitária. Alguns também expressaram ressalvas quanto a aspectos específicos do projeto executado, como a substituição da arquibancada de madeira plástica — prevista até 2020 — por estrutura de concreto, e o uso do mesmo material nos bancos.
Citações Notáveis
Ativistas ligados à criação do parque consideram o local como uma conquista coletiva após décadas— Ativistas e defensores do parque