Portugueses já receberam 7,5 mil milhões em prémios do Euromilhões em 20 anos

Um único sorteio reverbera através das contas nacionais
O prémio de 213 milhões de euros em junho de 2024 foi tão significativo que afectou o excedente externo português.
Mark

Porque é que Portugal se destaca tanto no Euromilhões europeu? Há algo de especial na forma como os portugueses jogam?

Mimi

Portugal está no quarto lugar europeu em primeiros prémios, o que é notável considerando que apenas aderiu ao jogo em 2004, meses após o lançamento. Isso sugere uma participação forte e consistente, mas os números não nos dizem se é porque há mais apostadores ou porque cada um aposta mais.

Luke

Exatamente. Sabemos que Portugal tem 79 primeiros prémios em 20 anos, mas não sabemos qual é a população de apostadores ou o volume de apostas per capita comparado com outros países. O quarto lugar é um facto, mas não explica o porquê.

Mark

E quanto ao impacto daquele prémio de 213 milhões em junho? Isso realmente afectou a economia nacional?

Mimi

O comunicado da Santa Casa diz que contribuiu para o aumento do excedente externo português no primeiro semestre de 2024. É uma afirmação específica sobre um efeito macroeconómico mensurável.

Luke

Mas é importante notar que isso é uma contribuição, não a causa. Um prémio de 213 milhões é significativo, mas o excedente externo português é muito maior. Precisávamos de ver os números do excedente para compreender a verdadeira magnitude do impacto.

Mark

A Santa Casa recebeu 16,3 mil milhões em vendas brutas e distribuiu 6,2 mil milhões em beneficiários. Onde foi o resto?

Mimi

Parte foi para o Estado através do imposto de selo de 20% desde 2013. Mas a diferença de 10 mil milhões de euros é substancial e o comunicado não detalha exatamente como foi distribuída.

Luke

Isso é um vazio importante. Sabemos que 6,2 mil milhões foram para beneficiários sociais, mas não sabemos a repartição exacta entre impostos, custos operacionais, margem da Santa Casa, ou outras despesas. Os números não fecham completamente.

  • Em apenas duas décadas, Portugal tornou-se o quarto maior mercado europeu do Euromilhões, com 79 primeiros prémios e 2,9 mil milhões de euros ganhos só na categoria máxima.
  • O prémio de 213 milhões de euros entregue no Porto em junho de 2024 foi tão expressivo que influenciou de forma mensurável o excedente externo nacional no primeiro semestre do ano.
  • A Santa Casa da Misericórdia arrecadou 16,3 mil milhões em vendas brutas, redistribuindo 6,2 mil milhões em políticas sociais de saúde, solidariedade, desporto e cultura.
  • Desde 2013, prémios acima de 5000 euros estão sujeitos a um imposto de selo de 20%, acrescentando uma camada fiscal à já complexa cadeia de redistribuição do jogo.
  • O Porto lidera o mapa nacional de vencedores, seguido de Lisboa e Faro, enquanto 2007 permanece o ano mais generoso, com nove primeiros prémios atribuídos a apostadores portugueses.

Ao longo de vinte anos, o Euromilhões tornou-se em Portugal muito mais do que um jogo de sorte: é um mecanismo silencioso de redistribuição de riqueza, que transformou apostas individuais em 7,5 mil milhões de euros entregues a vencedores e em 6,2 mil milhões canalizados para causas sociais. O recorde de 213 milhões de euros conquistado no Porto em 2024 chegou a ponto de se fazer sentir nas próprias contas externas do país, lembrando que o acaso, quando suficientemente ampliado, pode tocar a economia de uma nação.

Há vinte anos que o Euromilhões funciona em Portugal como uma discreta máquina de transferência de riqueza. Desde o lançamento do jogo, em fevereiro de 2004, os apostadores portugueses receberam 7,5 mil milhões de euros em prémios, enquanto as vendas brutas geraram 16,3 mil milhões de euros para a Santa Casa da Misericórdia — instituição que canalizou cerca de 6,2 mil milhões desse valor para políticas sociais nas áreas da saúde, solidariedade, desporto e cultura.

Portugal ocupa o quarto lugar europeu em primeiros prémios, com 79 vitórias na categoria máxima, totalizando 2,9 mil milhões de euros. O momento mais marcante chegou em junho de 2024, quando um apostador do Porto venceu 213 milhões de euros — o maior prémio de sempre no país. O impacto foi tão significativo que se refletiu visivelmente no excedente externo nacional durante o primeiro semestre desse ano. Antes deste recorde, os maiores prémios tinham sido 190 milhões de euros em 2014, ganhos em Castelo Branco, e 163,55 milhões no distrito de Coimbra.

A distribuição geográfica dos vencedores revela o Porto como o distrito mais premiado, seguido de Lisboa e Faro. Em termos temporais, 2007 foi o ano mais frutífero, com nove primeiros prémios atribuídos a portugueses. Portugal aderiu ao Euromilhões em outubro de 2004, integrando um grupo de sete países que expandiram o projeto — que nascera em fevereiro desse ano com apenas França, Espanha e Reino Unido.

Desde 2013, os prémios iguais ou superiores a 5000 euros estão sujeitos a um imposto de selo de 20%, medida introduzida num período de austeridade orçamental. Esta tributação acrescenta uma camada adicional de redistribuição, desviando parte dos ganhos dos apostadores para os cofres do Estado — tornando o Euromilhões, a um tempo, espelho da sorte individual e instrumento de financiamento coletivo.

Há duas décadas que o Euromilhões funciona como uma máquina de transferência de riqueza em Portugal, canalizando dezenas de milhões de euros para apostadores espalhados pelo país enquanto alimenta os cofres da Santa Casa da Misericórdia. Os números são impressionantes: desde o lançamento do jogo em fevereiro de 2004, os portugueses já receberam 7,5 mil milhões de euros em prémios, enquanto as vendas brutas geraram 16,3 mil milhões de euros para a instituição de beneficência.

O país ocupa uma posição de destaque no mapa europeu da lotaria. Portugal conquistou 79 primeiros prémios ao longo de duas décadas, acumulando 2,9 mil milhões de euros apenas nessa categoria, o que coloca a nação no quarto lugar do sorteio europeu. Estes números refletem uma participação consistente e significativa dos apostadores portugueses, que transformaram o Euromilhões numa parte estabelecida da cultura de jogo nacional.

O momento mais marcante chegou em junho de 2024, quando um apostador do Porto venceu 213 milhões de euros — o maior prémio jamais atribuído em Portugal. O impacto foi tão substancial que contribuiu visível e mensuravelmente para o aumento do excedente externo português no primeiro semestre daquele ano, demonstrando como um único sorteio pode reverberar através das contas nacionais. Antes deste recorde, o segundo maior prémio tinha sido 190 milhões de euros em outubro de 2014, entregue a um apostador de Castelo Branco, seguido de 163,55 milhões de euros ganhos no distrito de Coimbra.

A distribuição geográfica dos vencedores revela padrões interessantes. O Porto emergiu como o distrito mais vezes premiado, seguido por Lisboa e Faro. Quando se observa a distribuição temporal, 2007 destaca-se como o ano mais frutífero, com nove primeiros prémios vencidos em Portugal. Os anos de 2006 e 2013 registaram sete vitórias cada um, enquanto 2008 e 2011 tiveram seis cada.

O Euromilhões nasceu de um acordo entre várias lotarias europeias, lançado a 7 de fevereiro de 2004. O primeiro sorteio ocorreu uma semana depois, a 13 de fevereiro, com a participação de apenas três países fundadores: França, Espanha e Reino Unido. Portugal juntou-se ao jogo em outubro de 2004, integrado num grupo de sete nações que expandiram o projeto naquele mês: Irlanda, Áustria, Bélgica, Suíça e Luxemburgo também aderiram simultaneamente.

A Santa Casa da Misericórdia beneficiou substancialmente desta operação. Dos 16,3 mil milhões de euros em vendas brutas, a instituição distribuiu aproximadamente 6,2 mil milhões de euros aos seus beneficiários, canalizando estes fundos para políticas sociais do Estado nas áreas de saúde, solidariedade social, desporto e cultura. Este fluxo de recursos representa uma transferência significativa de capital privado para investimento público em bem-estar social.

Desde 2013, o quadro fiscal mudou. Os jogos sociais em Portugal passaram a estar sujeitos a um imposto de selo de 20% quando os montantes a distribuir atingem ou ultrapassam 5000 euros. A medida foi implementada durante um período de constrangimento orçamental, justificada pela situação deficitária das finanças públicas do país naquele momento. Esta tributação adicional representa uma camada extra de redistribuição, canalizando parte dos ganhos dos apostadores para as cofres do Estado.

O Euromilhões em Portugal acumulou em vendas brutas cerca de 16.271 milhões de euros, o que permitiu aos Jogos Santa Casa distribuir aos seus beneficiários cerca de 6.230 milhões de euros para o desenvolvimento das políticas sociais do Estado nas áreas da saúde, solidariedade social, desporto e cultura
— Santa Casa da Misericórdia
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