Portugueses gastam 613 mil euros por dia em injeções para perda de peso

613 mil euros gastos por dia, sem qualquer apoio do Estado
O gasto português em apenas dois medicamentos injetáveis para perda de peso entre janeiro e março de 2025.
Mark

Porque é que estas injeções se tornaram tão populares tão rapidamente em Portugal?

Mimi

Porque funcionam. Dietas falham, ginásios ficam vazios, mas uma injeção semanal que reduz o apetite é algo tangível, mensurável, com resultados visíveis. As pessoas estão dispostas a pagar quando veem que funciona.

Mark

Mas 613 mil euros por dia é uma quantia enorme. Quem está a gastar este dinheiro?

Mimi

Não é apenas gente com obesidade diagnosticada. Muitos são pessoas que querem perder alguns quilos, que veem influenciadores a usar, que ouvem histórias de sucesso. O medicamento não é comparticipado, portanto é um luxo — mas é um luxo que muitos conseguem permitir-se.

Mark

E os médicos? Estão preocupados com isto?

Mimi

Há uma tensão. Os especialistas reconhecem que estes fármacos têm valor clínico real, especialmente antes e depois de cirurgias. Mas também sabem que estão a ser usados fora do contexto para o qual foram desenhados. É uma situação onde a eficácia criou uma procura que ultrapassou a recomendação médica.

Mark

Isto vai continuar a crescer?

Mimi

Quase certamente. Mais medicamentos desta classe estão a chegar ao mercado, mais pessoas ficam a saber que existem, e os preços podem até baixar com a concorrência. O que vemos agora é apenas o início.

Mark

Qual é o impacto real para Portugal?

Mimi

Financeiro, é significativo — 55 milhões em três meses é muito dinheiro. Mas há também uma questão de equidade: quem pode pagar tem acesso a estes medicamentos, quem não pode fica de fora. E há a questão de saber se o SNS deveria estar a comparticipá-los.

  • Mais de 613 mil euros gastos por dia em dois medicamentos que o SNS não comparticipa revelam uma procura que ignora o peso da fatura.
  • Muitos compradores não têm diagnóstico de obesidade, usando fármacos de prescrição clínica específica como se fossem suplementos de bem-estar.
  • O Mounjaro gerou 117 milhões de euros desde a sua entrada em Portugal em 2024, e o Wegovy acumulou 78 mil unidades vendidas em poucos meses — o mercado cresce mais depressa do que qualquer regulação consegue acompanhar.
  • Especialistas alertam para o uso inadequado, mas reconhecem simultaneamente o potencial clínico alargado destes fármacos, nomeadamente em contextos cirúrgicos bariátricos.
  • Sem comparticipação estatal e com custos entre 182 e 337 euros mensais, o acesso a estes tratamentos aprofunda desigualdades silenciosas no sistema de saúde português.

Em apenas dois meses de 2025, os portugueses desembolsaram 55,2 milhões de euros em injeções semanais para perda de peso — Wegovy e Mounjaro —, numa corrida silenciosa mas dispendiosa que revela como a promessa de resultados rápidos pode mover montanhas financeiras sem qualquer suporte do Estado. O fenómeno não é apenas económico: é o reflexo de uma sociedade que, confrontada com a complexidade do corpo e da vontade, encontrou na seringa semanal uma resposta que a dieta e o exercício raramente conseguiram oferecer com a mesma certeza.

Entre janeiro e março de 2025, os portugueses gastaram 55,2 milhões de euros em dois medicamentos injetáveis para obesidade — Wegovy e Mounjaro —, o equivalente a 613 mil euros por dia. O número não é apenas uma estatística: é o retrato de uma mudança profunda na forma como o país enfrenta o excesso de peso.

Ao contrário das abordagens tradicionais, os agonistas GLP-1 atuam diretamente no organismo, reduzindo o apetite e acelerando a saciedade com uma injeção semanal. O Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, custa entre 182 e 337 euros mensais consoante a dosagem; o Wegovy, que chegou ao mercado português em abril de 2025, ronda os 245 euros. Nenhum é comparticipado pelo SNS — os portugueses pagam tudo do próprio bolso.

O crescimento foi vertiginoso. O Mounjaro, presente desde 2024, já tinha gerado 117 milhões de euros em vendas no ano anterior. Em 2025, foram comercializadas mais de 500 mil embalagens destes injetáveis, com o Wegovy a acumular mais de 78 mil unidades em poucos meses. O problema é que uma parte significativa dos compradores não tem diagnóstico clínico de obesidade, usando medicamentos de indicação específica para objetivos que extravasam o tratamento médico.

Os especialistas reconhecem, porém, que o potencial clínico vai além do que já é praticado: estes fármacos podem preparar doentes para cirurgias bariátricas ou consolidar os seus resultados. Com usos a expandir e procura a crescer, os 613 mil euros diários podem ser apenas o início de uma tendência que irá remodelar tanto as finanças das famílias como o próprio sistema de saúde português.

Perder peso rapidamente tornou-se, para muitos portugueses, uma questão de injeção semanal e carteira aberta. Desde janeiro até ao final de março de 2025, o país gastou 55,2 milhões de euros em apenas dois medicamentos — Wegovy e Mounjaro — destinados ao tratamento da obesidade. Isto equivale a 613 mil euros gastos por dia, um número que revela não apenas a escala da procura, mas também a velocidade com que uma nova classe de fármacos conquistou o mercado português.

Estas injeções funcionam de forma diferente das abordagens tradicionais. Enquanto dietas e exercício físico exigem disciplina prolongada e resultados incertos, os agonistas dos recetores GLP-1 — a designação científica para estes medicamentos — atuam diretamente no corpo, reduzindo o apetite e acelerando a sensação de saciedade. Cada embalagem contém quatro doses, administradas uma vez por semana. Mas a rapidez tem um preço: o Mounjaro, produzido pela farmacêutica norte-americana Eli Lilly, custa entre 182,92 e 337,63 euros por mês, dependendo da dosagem. O Wegovy, que entrou no mercado português apenas em abril de 2025, é ligeiramente mais barato, a cerca de 244,80 euros mensais.

O crescimento foi explosivo. Em 2025, foram vendidas mais de 500 mil embalagens destes medicamentos injetáveis. O Mounjaro, que chegou ao mercado português em 2024, já tinha gerado 117 milhões de euros em vendas no ano passado — um número impressionante para um produto tão recente. O Wegovy, apesar de ter entrado apenas alguns meses atrás, já registava mais de 78 mil unidades vendidas em 2025. Estes números não representam apenas um aumento marginal face aos medicamentos anteriores para o combate ao excesso de peso. Representam uma mudança de paradigma.

O que torna esta situação particularmente notável é que nenhum destes medicamentos é comparticipado pelo Sistema Nacional de Saúde. Os portugueses estão a pagar integralmente do seu bolso, sem qualquer apoio estatal. Apesar disso — ou talvez por causa da eficácia comprovada — a procura continua a crescer. E aqui reside um problema: muitas das pessoas que compram estas injeções não têm sequer um diagnóstico de obesidade. Estão a usar medicamentos que, segundo os especialistas, deveriam ser recomendados apenas em casos específicos, para fins que vão muito além do tratamento clínico.

Os médicos, porém, veem potencial clínico mais amplo. Estes fármacos podem ser utilizados antes de cirurgias bariátricas, para reduzir os riscos operatórios, ou depois dessas intervenções, para consolidar e melhorar os resultados obtidos. Esta versatilidade sugere que o mercado está longe de ter atingido o seu pico. À medida que mais pessoas descobrem estas injeções, à medida que mais usos clínicos são explorados, o gasto diário de 613 mil euros pode ser apenas o começo de uma tendência que vai remodelar tanto o orçamento das famílias portuguesas como o próprio sistema de saúde.

Estes medicamentos podem ser usados para diferentes contextos clínicos, incluindo antes de cirurgias bariátricas para reduzir riscos operatórios, ou depois dessas intervenções para melhorar os resultados
— Especialistas citados na reportagem
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