Portugal tem elevado risco sísmico e situação como a de Marrocos pode acontecer

Sismo em Marrocos causou 2.497 vítimas mortais e deixou rasto de destruição significativa no país.
Não é tanto o saber se, é o saber quando
A secretária de Estado da Proteção Civil reconhece que ninguém consegue prever quando um grande sismo vai ocorrer.

O sismo que destruiu parte de Marrocos e ceifou quase 2.500 vidas chegou a Portugal não apenas como onda sísmica, mas como espelho. A secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, aproveitou o momento para lembrar o que a geografia há muito determinou: Lisboa, o Algarve e os Açores vivem sobre falhas que não pedem licença. A questão, como ela própria admitiu, nunca foi se um grande sismo vai acontecer — foi sempre quando.

  • Um sismo de 7,0 na escala de Richter varreu o norte de Marrocos, matando 2.497 pessoas e enviando uma onda de alerta que chegou às costas portuguesas.
  • A secretária de Estado da Proteção Civil recusou o conforto fácil: Portugal tem risco sísmico elevado e nenhuma preparação elimina completamente o perigo.
  • Lisboa, o Algarve e os Açores são as regiões mais vulneráveis, com um edificado antigo que foi construído antes das normas antissísmicas modernas.
  • O IPMA monitoriza diariamente a atividade sísmica, mas a monitorização não é previsão — pequenos tremores não anunciam necessariamente os grandes.
  • Portugal mantém-se em prontidão para apoiar Marrocos, aguardando um pedido formal, enquanto o trabalho interno de reforço de edifícios e preparação de comunidades continua sem prazo de conclusão.

O sismo que devastou Marrocos na sexta-feira, com epicentro a 63 quilómetros de Marraquexe, não ficou apenas nos noticiários portugueses como tragédia alheia. A secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, usou o momento para sublinhar uma verdade incómoda: Portugal partilha o mesmo tipo de vulnerabilidade, e um evento de magnitude semelhante pode ocorrer em território nacional.

Gaspar dirigiu-se especialmente aos habitantes de Lisboa, do Algarve e dos Açores — as regiões mais expostas. O seu apelo não era para gerar pânico, mas para cultivar consciência. "Não é tanto o saber se, é o saber quando", afirmou à CNN Portugal. Ninguém consegue prever o momento exato. O que se pode fazer é preparar pessoas, instituições e edifícios para o inevitável.

A crise sísmica de São Jorge, nos Açores, há cerca de um ano e meio, serviu de contexto para uma distinção importante: pequenos tremores não são necessariamente prenúncio de grandes sismos. O IPMA monitoriza estas situações diariamente, mas a monitorização não previne o impacto.

Quando confrontada com as declarações do presidente da Câmara de Lisboa sobre a cidade estar "extremamente preparada", Gaspar foi direta: há eventos que se conseguem mitigar, há eventos que não. Grande parte do edificado português foi erguido numa época de normas antissísmicas fracas. Hoje existe legislação alinhada com os eurocódigos europeus, mas reforçar os edifícios antigos é um trabalho contínuo, que cabe sobretudo às autarquias. Um sismo de grande magnitude causa sempre impacto. Não há forma de o evitar completamente.

O sismo que devastou Marrocos na sexta-feira, matando 2.497 pessoas e deixando um rasto de destruição, serviu como um aviso direto para Portugal. A secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, não hesitou em sublinhar o óbvio: Portugal vive sob risco sísmico elevado, e um evento de magnitude semelhante pode ocorrer em território nacional.

Gaspar dirigiu-se especificamente aos portugueses que vivem em Lisboa e arredores, no Algarve e no arquipélago dos Açores — as regiões mais vulneráveis. Não era um apelo para gerar pânico, insistiu, mas um chamamento à consciência. O país tem trabalhado na preparação das comunidades, nas escolas, nas instituições. Ainda assim, há limites ao que se pode controlar. "Não é tanto o saber se, é o saber quando", disse Gaspar à CNN Portugal. Ninguém consegue prever quando um grande sismo vai acontecer.

A lembrança da crise sísmica que atingiu a ilha de São Jorge, nos Açores, há cerca de um ano e meio, serviu como contexto. Pequenos tremores não significam necessariamente que um grande sismo se aproxima — é uma distinção importante que Gaspar quis deixar clara. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera monitora diariamente estas situações. Mas a monitorização não previne o que é inevitável.

Quando questionada sobre as garantias do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, que afirmou estar a cidade "extremamente preparada", Gaspar foi honesta: há eventos que se conseguem evitar, há eventos que não. O trabalho de preparação é contínuo e nunca está completo. Muito do edificado português foi construído numa época em que as normas antissísmicas eram fracas. Hoje existe um quadro legislativo diferente, alinhado com os eurocódigos europeus. Mas mapear os edifícios antigos e reforçá-los é um trabalho que cabe principalmente às autarquias, em colaboração com a Proteção Civil nacional.

Este esforço está em curso em Lisboa, no Algarve e nos Açores. Há consciência do risco e vontade de mitigar o impacto. O que está ao alcance das autoridades é criar mecanismos que reduzam o dano — tanto ao nível estrutural dos edifícios como ao nível do comportamento das pessoas, através da educação e da preparação. Mas um sismo de magnitude elevada causa sempre impacto. Não há forma de o evitar completamente.

O sismo marroquino, com epicentro em Ighil, 63 quilómetros a sudoeste de Marraquexe, atingiu 7,0 na escala de Richter. Foi sentido em Portugal e Espanha. Marrocos aceitou ajuda de apenas quatro países — Espanha, Reino Unido, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Portugal mantém-se em prontidão, aguardando um pedido formal das autoridades marroquinas.

Uma situação deste género pode efetivamente acontecer em Portugal, particularmente em Lisboa, Algarve e Açores
— Patrícia Gaspar, secretária de Estado da Proteção Civil
O facto de termos pequenos sismos não significa necessariamente que vamos ter um grande sismo
— Patrícia Gaspar
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Quando Gaspar diz que "não é o saber se, é o saber quando", o que está realmente a dizer sobre a capacidade de Portugal se preparar?

Model

Está a reconhecer uma verdade incómoda: a ciência não consegue prever sismos. Portanto, toda a preparação tem de ser feita assumindo que pode acontecer amanhã ou daqui a cem anos. É por isso que o trabalho nas escolas, nas instituições, nos edifícios, é tão crítico.

Inventor

Mas se pequenos sismos não indicam grandes sismos, como é que as pessoas sabem quando devem estar mais atentas?

Model

Não se trata de estar mais ou menos atento. Trata-se de estar sempre preparado. O IPMA monitora continuamente, mas a preparação real é pessoal — saber o que fazer quando a terra se move, ter um plano, ter consciência.

Inventor

A questão dos edifícios antigos parece ser um ponto de fratura. Quantos edifícios em Lisboa foram construídos antes das normas antissísmicas modernas?

Model

Gaspar não deu um número, mas a implicação é clara: muitos. É por isso que o mapeamento é descrito como um trabalho "muito importante". Não é um problema resolvido, é um problema em curso.

Inventor

E quando ela diz que "há eventos que conseguimos evitar, há eventos que não conseguimos evitar", está a preparar as pessoas para a inevitabilidade?

Model

Sim. Está a dizer: não podemos parar um sismo, mas podemos reduzir o dano. Isso muda a conversa de prevenção para mitigação. É mais honesto, e talvez mais útil.

Inventor

Marrocos aceitou ajuda de apenas quatro países. Isso surpreende?

Model

Não, na verdade. Após um desastre desta magnitude, a coordenação é complexa. Mais ajuda nem sempre significa melhor ajuda. Portugal está pronto, mas respeitando a decisão marroquina.

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