Portal elege 10 empreendedores que construíram o mercado cripto brasileiro

Guto Schiavon, cofundador da Foxbit, faleceu em acidente automobilístico em dezembro de 2018, aos 24 anos.
Primeiro unicórnio cripto da América Latina nasceu aqui
O Mercado Bitcoin atingiu avaliação de US$ 2,1 bilhões após investimento do SoftBank em 2021.
Mark

Por que esses dez nomes importam agora, em 2026? O mercado cripto não é mais novidade.

Mimi

Porque eles construíram a infraestrutura que permite o mercado funcionar hoje. Sem o Mercado Bitcoin, sem a Hashdex, sem o BRZ, não haveria mercado para ninguém operar.

Mark

Mas o Brasil não é conhecido por inovação em tecnologia financeira. Como isso aconteceu aqui?

Mimi

Aconteceu porque havia espaço. Quando o Mercado Bitcoin foi criado em 2013, ninguém no Brasil estava fazendo isso. Não havia regulação pesada, não havia competição internacional estabelecida. Os pioneiros tiveram liberdade para experimentar.

Mark

E quando a competição chegou? Quando o SoftBank investiu US$ 200 milhões?

Mimi

Aí mudou tudo. O Mercado Bitcoin virou unicórnio, a Hashdex levou produtos para a B3, a QR Capital lançou ETFs antes dos EUA. O mercado amadureceu. Deixou de ser especulação de nicho para ser sistema financeiro de verdade.

Mark

Guto Schiavon aparece in memoriam. Ele tinha 24 anos quando morreu. Como você lida com isso?

Mimi

Com respeito. Ele ajudou a formar as primeiras comunidades de Bitcoin no Brasil. Morreu cedo, mas deixou marca. O portal o incluiu porque a contribuição dele foi real, não porque morreu jovem.

Mark

E agora? O que vem depois dessa lista?

Mimi

Drex, tokenização de ativos, stablecoins da B3. O mercado continua evoluindo. Esses dez nomes abriram a porta. Agora é a instituição que entra.

  • Brasil lançou primeiro ETF 100% Bitcoin da América Latina em 2021, antes dos EUA
  • Mercado Bitcoin alcançou 4,5 milhões de clientes e avaliação de US$ 2,1 bilhões
  • BRZ foi primeira stablecoin atrelada ao real, lançada em 2019
  • Méliuz levantou R$ 180 milhões em junho de 2025 para aquisição de Bitcoin
  • Guto Schiavon, cofundador da Foxbit, faleceu em dezembro de 2018, aos 24 anos

Brasil lançou primeiro ETF 100% Bitcoin da América Latina em 2021, antes dos EUA, e criou primeiro unicórnio cripto latino-americano com o Mercado Bitcoin. Empreendedores brasileiros desenvolveram stablecoins atreladas ao real, exchanges de grande escala e infraestruturas para tokenização e custódia de ativos digitais.

Portal Papo Econômico elege dez empreendedores que ajudaram a construir o mercado de criptomoedas no Brasil, destacando pioneiros em exchanges, ETFs, stablecoins e infraestrutura institucional.

Em julho de 2026, o perfil Papo Econômico no X publicou uma lista que funciona como um registro histórico do mercado cripto brasileiro: dez posições ocupadas por doze empreendedores que, segundo seus critérios, ajudaram a construir do zero o que hoje é um setor estruturado e integrado ao sistema financeiro tradicional. A seleção considerou pioneirismo, criação de produtos, capacidade de escala e vendas de participações — e o que emerge é um retrato de como um país periférico no mercado global de criptomoedas conseguiu inovações que antecederam até os Estados Unidos.

Os irmãos Gustavo e Mauricio Chamati abrem a lista como fundadores do Mercado Bitcoin, criado em 2013, quando poucas empresas brasileiras ofereciam negociação de criptomoedas. A plataforma cresceu até reunir mais de 4,5 milhões de clientes e se consolidou como a primeira corretora de criptomoedas do país. Em 2021, o SoftBank investiu US$ 200 milhões na operação, avaliando a controladora 2TM em US$ 2,1 bilhões — transformando o grupo no primeiro unicórnio cripto da América Latina. Marcelo Sampaio, cofundador da Hashdex em 2018, seguiu uma trajetória paralela de aproximação entre ativos digitais e o mercado financeiro regulado. A Hashdex desenvolveu com a Nasdaq um índice de criptoativos e lançou o HASH11 na B3, um ETF que acompanha uma cesta diversificada de criptomoedas. O Brasil lançou esse produto 100% Bitcoin em 2021, anos antes dos Estados Unidos autorizar seus primeiros ETFs de Bitcoin à vista em janeiro de 2024.

A terceira posição reúne João Canhada e Guto Schiavon, fundadores da Foxbit criada em 2014. A empresa atravessou diferentes ciclos do mercado e hoje afirma ter mais de 1,5 milhão de usuários. Guto morreu em um acidente automobilístico em dezembro de 2018, aos 24 anos — o portal o incluiu in memoriam pela contribuição à formação dos primeiros usuários e comunidades de Bitcoin no Brasil. Canhada continuou à frente da operação nos anos seguintes. André Portilho representa uma exceção ao critério de fundadores: ele liderou a criação da área de ativos digitais no BTG Pactual, participou do desenvolvimento do ReitBZ, da Mynt e de fundos ligados ao Bitcoin. Em 2023, o banco lançou o BTG Dol, apresentado como a primeira stablecoin de dólar criada por um banco. A escolha de Portilho reconhece o trabalho empreendedor realizado dentro de uma instituição financeira tradicional.

João Paulo Mayall participou da construção da QR Capital e do lançamento de produtos que ampliaram a presença dos criptoativos na B3. Entre eles está o QBTC11, classificado pela própria B3 como o primeiro ETF 100% Bitcoin da América Latina, que começou a operar em 2021. A trajetória também inclui ETFs ligados a Ethereum, finanças descentralizadas e Solana, além da criação do programa de certificação CCA com ANCORD e FGV. Mayall vendeu sua participação na QR Capital em 2025 e passou a se dedicar a pesquisas e consultoria. Thiago César cofundou a Transfero e participou da criação do BRZ, stablecoin pareada ao real que chegou ao mercado em 2019 — apresentada na época como a primeira stablecoin vinculada à moeda brasileira. A Transfero desenvolveu parte da operação a partir da Suíça e levou o BRZ para diferentes blockchains e plataformas internacionais. César deixou o cargo de CEO em setembro de 2023 e atualmente é presidente da Bloquo.

Israel Salmen fundou a Méliuz em Belo Horizonte, expandiu o negócio de cashback e conduziu a empresa ao IPO na B3 em 2020. Em março de 2025, a companhia comprou 45,72 BTC e se tornou a primeira empresa brasileira listada a adotar publicamente uma estratégia de tesouraria em Bitcoin. Os acionistas aprovaram a transformação da Méliuz em uma companhia de tesouraria de Bitcoin, e em junho de 2025 a empresa levantou R$ 180 milhões em uma oferta de ações destinada à aquisição de Bitcoin. Marcos Viriato cofundou a Parfin e desenvolveu soluções de custódia, tokenização e blockchain para bancos, gestoras e outras instituições financeiras. A Rayls, tecnologia criada pela empresa, participou dos testes do Drex e integrou um dos consórcios escolhidos pelo Banco Central. Durante a segunda fase do projeto, participantes utilizaram a Rayls para testar privacidade, interoperabilidade e execução de contratos inteligentes.

Daniel Coquieri criou a BitcoinTrade e levou a plataforma ao grupo das maiores exchanges brasileiras durante o ciclo de crescimento iniciado em 2017. Em janeiro de 2021, a argentina Ripio comprou a BitcoinTrade. Após concluir esse ciclo, Coquieri fundou a Liqi e passou a desenvolver infraestrutura para tokenização de recebíveis, crédito e outros ativos financeiros. A Liqi também participou de iniciativas com instituições como Itaú e Oliveira Trust para criar estruturas de fundos e recebíveis tokenizados. Rocelo Lopes entrou no setor em 2013 após receber uma dívida de US$ 180 mil em Bitcoin — um cliente pagou uma fatura com a moeda digital e motivou sua entrada no mercado. O empreendedor montou uma estrutura de mineração no Paraguai, atraído pelo custo da energia hidrelétrica. Em 2019, sua operação paraguaia possuía cerca de 2.100 máquinas. Lopes vendeu a mineradora naquele ano, mas continuou prestando consultoria ao setor. Atualmente, ele trabalha com pagamentos, stablecoins e integração entre carteiras de autocustódia e o sistema financeiro. A lista, embora anuncie dez nomes, reúne doze pessoas em dez posições devido às duplas do Mercado Bitcoin e da Foxbit — um reflexo de como o mercado cripto brasileiro foi construído não por heróis solitários, mas por parcerias e redes de empreendedores que se alimentaram mutuamente.

Um cliente pagou uma fatura com Bitcoin e motivou sua entrada no mercado
— Rocelo Lopes, em entrevista de 2025, sobre como começou no setor cripto
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