Na noite de 29 de agosto, em Jacarepaguá, um entregador do iFood foi baleado no pé por um policial penal após recusar-se a subir até um apartamento — um direito assegurado pela plataforma e pelo bom senso. O incidente, registrado em vídeo, revela como o desequilíbrio de poder pode transformar uma recusa legítima em violência armada. A prisão do agressor em dois dias e a resposta institucional imediata sinalizam que a sociedade começa a reconhecer a dignidade do trabalho de entrega como algo que merece proteção, não punição.
Policial penal é preso após atirar em entregador do iFood no Rio
Baleado por recusar o que tinha direito de recusar
Por que um policial penal disparou contra um entregador por causa de um apartamento?
Porque o entregador se recusou a subir até o apartamento do cliente. Valério pediu que o cliente descesse até a portaria para receber a encomenda, que é o direito dele e a recomendação da plataforma. O policial não aceitou essa recusa.
Isso é um direito do entregador?
Sim. O iFood deixa claro que entregadores não são obrigados a subir em apartamentos. O primeiro ponto de contato — portão ou portaria — é onde o pedido deve ser deixado. A empresa até lançou uma campanha em 2024 para conscientizar clientes disso.
E o policial estava fora de serviço?
A fonte não especifica. Mas o fato de ser policial penal não muda nada: ele usou uma arma de fogo contra um trabalhador que estava exercendo seu direito. Isso é abuso de autoridade.
Qual foi a resposta das autoridades?
Rápida. Ele foi preso dois dias depois, no domingo. A Seap o afastou por 90 dias e chamou sua conduta de abominante. A corregedoria está acompanhando o caso.
E o entregador, como ficou?
Foi baleado no pé. O iFood vai oferecer apoio jurídico e psicológico através de uma parceria com advogadas negras. Mas ele foi ferido por ter recusado fazer algo que não era obrigado a fazer.
Isso é um problema maior?
Parece ser. A campanha "Bora Descer" da plataforma existe justamente porque essa tensão é recorrente. Clientes esperam que entregadores subam, entregadores têm direito de não subir. Quando há desequilíbrio de poder — como neste caso, com uma arma — as coisas podem escalar rapidamente.
The Pulse
- Um policial penal sacou a arma e atirou no pé de um entregador simplesmente porque ele se recusou a subir até o apartamento — uma recusa que é, por política da plataforma, um direito do trabalhador.
- O vídeo gravado pela própria vítima circulou nas redes sociais e transformou um conflito de portaria em um caso nacional de abuso de autoridade.
- A 32ª Delegacia de Polícia agiu com rapidez: a arma foi recolhida para perícia e, dois dias após o disparo, o policial penal já estava preso com mandado expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio.
- A Secretaria de Administração Penitenciária afastou o servidor por 90 dias e sua titular classificou a conduta como 'abominante', enquanto a corregedoria passou a acompanhar o caso.
- O iFood reafirmou que entregadores não são obrigados a subir em prédios e anunciou apoio jurídico e psicológico à vítima, Valério Júnior, em parceria com a organização Black Sisters in Law.
Na noite de 29 de agosto, em Jacarepaguá, um entregador do iFood foi baleado no pé por um policial penal após recusar-se a subir até um apartamento — um direito assegurado pela plataforma e pelo bom senso. O incidente, registrado em vídeo, revela como o desequilíbrio de poder pode transformar uma recusa legítima em violência armada. A prisão do agressor em dois dias e a resposta institucional imediata sinalizam que a sociedade começa a reconhecer a dignidade do trabalho de entrega como algo que merece proteção, não punição.
Na noite de sexta-feira, 29 de agosto, o entregador Valério Júnior chegou a um endereço em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, e pediu que o cliente descesse até a portaria para retirar seu pedido — uma prática recomendada pelo iFood e um direito dos entregadores. O cliente, o policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini, não aceitou a recusa. Sacou a arma e disparou contra o pé de Valério. Nas imagens que o próprio entregador gravou na Rua Carlos Palut, ouve-se o disparo e Valério gritando por socorro, explicando que havia sido baleado por simplesmente não ter subido ao apartamento.
A investigação foi aberta imediatamente pela 32ª Delegacia de Polícia, em Taquara. A arma de Ferrarini foi recolhida para perícia. No domingo seguinte, dois dias após o crime, o policial penal foi preso com base em mandado expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro — uma resposta institucional notavelmente rápida, favorecida pelo registro em vídeo e pela presença de testemunhas.
A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária agiu em paralelo: afastou Ferrarini por 90 dias e sua titular, Maria Rosa Nebel, classificou a conduta como 'abominante' em nota oficial, reforçando que o comportamento não representa a corporação. A corregedoria da Seap passou a acompanhar o caso junto à delegacia.
O iFood respondeu reafirmando sua política de tolerância zero à violência e esclarecendo um ponto central do conflito: entregadores não têm obrigação de subir até apartamentos. A orientação, reforçada em 2024 pela campanha 'Bora Descer', pede que clientes desçam até a portaria como gesto de respeito. A plataforma anunciou ainda que oferecerá a Valério acesso à Central de Apoio Jurídico e Psicológico, em parceria com a organização Black Sisters in Law.
O caso ilumina uma tensão cotidiana no trabalho de entrega — a expectativa de clientes versus o direito e a segurança dos trabalhadores — e mostra como esse conflito pode escalar de forma brutal quando há desequilíbrio de poder. O vídeo do disparo e a ferida de Valério Júnior permanecem como lembrança incômoda de que uma recusa legítima pode custar caro demais.
Na noite de sexta-feira, 29 de agosto, um entregador do iFood foi baleado no pé durante uma discussão com um policial penal em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O confronto começou quando Valério Júnior se recusou a subir até o apartamento do cliente, pedindo que ele descesse até a portaria para receber a encomenda — uma prática que a plataforma recomenda e que seus entregadores têm o direito de fazer. O policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini não aceitou a recusa. Segundo o relato de Valério nas redes sociais e nas imagens que registrou do incidente na Rua Carlos Palut, o homem sacou a arma e disparou contra o pé do entregador, dizendo que aquilo era "uma parada" e questionando por que estava sendo filmado. Valério gritou pedindo ajuda, explicando que havia sido baleado simplesmente por não ter subido ao apartamento.
A 32ª Delegacia de Polícia, sediada em Taquara, iniciou a investigação imediatamente após o ocorrido. A arma de Ferrarini foi recolhida para perícia. Dois dias depois, no domingo, 31 de agosto, o policial penal foi preso por agentes da delegacia com base em um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A prisão marcou o encerramento rápido de uma investigação que contou com registro em vídeo e testemunhas do incidente.
A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária respondeu ao caso com uma ação administrativa imediata. Ferrarini foi afastado de suas funções por 90 dias, e a secretária Maria Rosa Nebel classificou sua conduta como "abominante" em nota oficial. Nebel reforçou que a Polícia Penal não compactua com atitudes desse tipo e que o comportamento não representa a maioria dos policiais penais do estado. A corregedoria da Seap passou a acompanhar o caso junto à delegacia de polícia. A secretária também expressou solidariedade a Valério Júnior, o entregador ferido.
O iFood divulgou uma resposta institucional detalhada, reafirmando sua política de zero tolerância à violência contra entregadores. A empresa esclareceu um ponto central do conflito: entregadores não têm obrigação de subir até apartamentos e devem deixar pedidos no primeiro ponto de contato — portão ou portaria. Essa orientação foi reforçada em 2024 através da campanha "Bora Descer", que busca conscientizar clientes a descerem até a portaria para receber suas encomendas como forma de respeito aos parceiros de entrega. A plataforma anunciou que oferecerá a Valério acesso à Central de Apoio Jurídico e Psicológico, em parceria com a organização Black Sisters in Law, garantindo assistência legal e emocional à vítima.
O caso expõe uma tensão recorrente no trabalho de entrega: a expectativa de clientes de que entregadores subam até seus apartamentos, frequentemente em prédios altos, versus o direito e a segurança dos trabalhadores. O incidente em Jacarepaguá, capturado em vídeo e amplificado nas redes sociais, transformou uma discussão cotidiana em um caso de abuso de autoridade com arma de fogo. A resposta rápida das autoridades — prisão em dois dias — e o posicionamento firme da Seap e do iFood sinalizaram que a violência contra entregadores não será tolerada. Mas a ferida de Valério Júnior e o vídeo do disparo permanecem como lembrança de quão rapidamente uma recusa legítima pode escalar para violência quando há desequilíbrio de poder.
Notable Quotes
A Polícia Penal não compactua em hipótese alguma com atitude como essa, atitude repugnante e que não representa a grande maioria dos policiais penais do Rio de Janeiro— Maria Rosa Nebel, secretária da Seap
O iFood não tolera qualquer tipo de violência contra entregadores parceiros e lamenta muito o acontecido— iFood, em nota oficial