Policial penal é afastado após atirar no pé de entregador no Rio

Entregador Valério Souza Junior foi baleado no pé durante execução de trabalho, permanecendo com projétil alojado e enfrentando risco de sequelas permanentes.
Uma bala no pé não é só um ferimento. É a possibilidade de nunca mais caminhar da mesma forma.
A advogada de Valério explica os riscos reais de sequelas permanentes que o entregador enfrenta.
Mark

Por que um policial penal dispararia contra um entregador por uma recusa tão simples?

Mimi

A recusa não era pessoal — era procedimento. Mas Ferrarini parece ter interpretado como desrespeito direto a ele, como se o entregador tivesse obrigação de obedecer. Quando alguém armado sente sua autoridade questionada, a escalação pode ser rápida e violenta.

Mark

O vídeo foi crucial aqui?

Mimi

Completamente. Sem ele, seria a palavra de um policial contra a de um entregador. O vídeo mostra tudo: a discussão, a ameaça verbal, o disparo, a reação. Não há ambiguidade. É por isso que a administração penitenciária respondeu tão rápido.

Mark

E quanto ao risco de sequelas permanentes?

Mimi

Esse é o lado invisível que vai durar muito mais que os 90 dias de afastamento. Uma bala no pé não é só um ferimento. É a possibilidade de nunca mais caminhar da mesma forma, nunca mais trabalhar como entregador. Valério pode estar enfrentando uma mudança de vida inteira.

Mark

A defesa dele tem chance real de conseguir uma prisão?

Mimi

Têm as provas. Têm o vídeo. Têm o corpo de delito. O que falta é vontade política. Um policial preso por disparar contra um entregador é um caso que constrange instituições. Mas a pressão pública agora é real.

Mark

O Ifood oferecendo apoio jurídico muda algo?

Mimi

Muda porque dá recursos. Valério não teria condições de pagar uma defesa robusta sozinho. Mas também é o Ifood se protegendo — mostra que a empresa não compactua com abuso, que está do lado do trabalhador. É cálculo de reputação e responsabilidade ao mesmo tempo.

  • Um policial penal armado atirou contra o pé de um entregador por uma recusa que era, na prática, um direito trabalhista — a tensão entre poder institucional e trabalho informal raramente chega a esse extremo.
  • O vídeo do disparo viralizou nas redes sociais, transformando um conflito de escada em um caso de repercussão nacional sobre violência e abuso de autoridade.
  • A bala permanece alojada no pé de Valério Souza Junior, que enfrenta risco de sequelas permanentes na pisada e não sabe quando poderá voltar a trabalhar.
  • A Secretaria de Administração Penitenciária afastou o policial por 90 dias e abriu processo disciplinar, mas a defesa da vítima pressiona por sua prisão, afirmando já ter reunido todas as provas necessárias.
  • O caso segue sob investigação na 32ª DP, com arma apreendida para perícia e testemunhas a serem ouvidas, enquanto o Ifood oferece suporte jurídico e psicológico ao entregador.

Na noite de 29 de agosto, em Jacarepaguá, um entregador de aplicativo foi baleado no pé por um policial penal após recusar-se a subir até um apartamento para entregar um pedido — conduta que está dentro de seus direitos. O episódio, registrado em vídeo e amplamente compartilhado, expõe a vulnerabilidade de trabalhadores de plataformas diante do abuso de poder por parte de agentes do Estado, e levanta questões sobre os limites entre autoridade, conveniência e violência.

Na noite de 29 de agosto, Valério Souza Junior chegou a um prédio em Jacarepaguá para uma entrega de rotina pelo Ifood. O que se seguiu foi uma discussão com o morador — o policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini — que exigia que o entregador subisse até o apartamento. Quando Valério se recusou, exercendo um direito reconhecido pela plataforma, Ferrarini sacou a arma e atirou. A bala atravessou o pé do jovem e permanece alojada lá. Médicos avaliam se será necessária cirurgia; a advogada de Valério, Thaís Loureiro, alerta que o projétil pode comprometer permanentemente sua capacidade de caminhar e trabalhar.

O vídeo do incidente, publicado pelo próprio Valério, rapidamente ganhou repercussão. A Secretaria de Administração Penitenciária respondeu com nota de repúdio, afastou Ferrarini por 90 dias e abriu processo disciplinar. A corregedoria acompanha o caso junto à delegacia. A defesa do entregador, porém, vai além: afirma ter reunido provas suficientes para a prisão do policial e trabalha nessa direção.

O Ifood reiterou que seus entregadores têm o direito de deixar pedidos no primeiro ponto de contato e ofereceu apoio jurídico e psicológico a Valério. A investigação segue na 32ª Delegacia de Polícia, em Taquara, com a arma de Ferrarini apreendida para perícia e outras testemunhas a serem ouvidas. Valério ainda não sabe quando poderá voltar às entregas.

Na noite de sexta-feira, 29 de agosto, um entregador do Ifood chamado Valério Souza Junior chegou a um prédio em Jacarepaguá, na zona Oeste do Rio de Janeiro, para fazer uma entrega. O que deveria ser um trabalho rotineiro terminou com uma bala alojada em seu pé e uma investigação que agora envolve a Polícia Civil, a administração penitenciária estadual e a defesa jurídica do jovem.

O policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini estava no apartamento esperando seu pedido. Quando Junior se recusou a subir até o imóvel — uma prática comum entre entregadores, que têm direito de deixar o pedido no primeiro ponto de contato — a situação escalou. Ferrarini, armado, começou a discutir com o entregador. Segundos antes de disparar, o policial disse: "você não subir é uma parada". Quando Junior tentou explicar a situação, Ferrarini sacou a arma e atirou. O entregador, em choque, perguntou: "que isso, cara?". A resposta foi agressiva e obscena, seguida de exigências para que Junior entregasse o pedido e parasse de filmar.

O vídeo do incidente, publicado nas redes sociais por Valério, rapidamente ganhou repercussão. A bala atravessou seu pé e permanece alojada lá. Médicos ainda avaliam se será necessária uma cirurgia para removê-la. A advogada do entregador, Thaís Loureiro, alertou para os riscos reais: se o projétil não for retido adequadamente, pode afetar permanentemente a forma como ele caminha e trabalha. Valério não sabe quando conseguirá voltar às entregas.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária respondeu rapidamente. Em nota à CNN, afirmou que repudia "com veemência" a ação de Ferrarini e que determinou seu afastamento por 90 dias, além da abertura de um Processo Administrativo Disciplinar contra ele. A corregedoria da instituição informou que acompanha o caso junto à Delegacia de Polícia e se solidariza com a vítima. Já a defesa de Valério trabalha para que Ferrarini seja preso. Segundo os advogados, todas as provas necessárias já foram reunidas.

O Ifood também se posicionou, reiterando que "não tolera qualquer tipo de violência" e que seus entregadores têm o direito de deixar pedidos no primeiro ponto de contato — exatamente o que Junior tentava fazer. A empresa ofereceu apoio jurídico e psicológico ao jovem.

A investigação segue sob responsabilidade da 32ª Delegacia de Polícia, em Taquara. Valério já realizou o exame de corpo de delito. A arma de Ferrarini foi apreendida e será periciada. Outras testemunhas serão ouvidas. O caso ilustra uma tensão crescente entre trabalhadores de plataformas digitais e cidadãos que abusam de sua posição — neste caso, um agente do Estado armado que decidiu que sua conveniência pessoal justificava disparar contra alguém apenas tentando fazer seu trabalho.

Não tolera qualquer tipo de violência e o entregador tem obrigação apenas de deixar o pedido no primeiro ponto de contato
— Ifood
Tem riscos sim de sequelas, porque caso a bala não consiga ser retida, pode influenciar na pisada
— Thaís Loureiro, advogada de Valério
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