Em setembro e outubro de 2026, nove corpos encontrados em diferentes regiões de São Paulo despertaram nas redes sociais o fantasma de um assassino em série — narrativa que as autoridades foram obrigadas a confrontar publicamente. A brutalidade visual dos crimes criou uma coerência ilusória onde havia, segundo a polícia, histórias separadas, motivações distintas e, possivelmente, a lógica sombria do crime organizado. É um lembrete de que o medo coletivo tem sua própria gramática, capaz de transformar tragédias dispersas em um único monstro imaginário.
Polícia descarta serial killer após 9 corpos viralizarem em SP em um mês
Não existe nenhuma evidência de serial killer em São Paulo
Por que exatamente nove corpos em um mês geraram essa teoria de serial killer? Não é incomum ter homicídios em São Paulo.
A forma como os corpos foram encontrados criou uma narrativa visual muito forte nas redes sociais. Sacos plásticos, amarrados, enrolados em cobertores — quando você vê essas imagens uma após a outra, parece haver um padrão. Mas a polícia diz que são circunstâncias diferentes.
Aqui está o problema: a polícia diz que não há ligação, mas também diz que alguns casos podem estar relacionados ao "tribunal do crime". Isso não é uma ligação? Se facções criminosas estão executando pessoas, não há um padrão ali?
Sim, há um padrão de execução por facções, mas não um único assassino. São grupos diferentes, motivações diferentes, vítimas diferentes. O "tribunal do crime" é um sistema, não uma pessoa.
E as vítimas? Quem eram essas pessoas?
Oito foram identificadas — sete homens e uma mulher. Parte delas tinha passagens criminais anteriores. Uma vítima ainda não foi identificada. Mas não sabemos os detalhes de cada vida.
Isso é importante: a polícia não descartou o PCC e outros grupos criminosos. Então há suspeita de envolvimento organizado, mas cada morte é investigada isoladamente. Como você investiga isoladamente se há uma estrutura criminosa por trás?
Porque cada morte pode ter uma razão específica dentro desse sistema. Um pode ser punição por roubo, outro por desrespeito, outro por dívida. Não é um serial killer com um padrão psicológico — é um sistema de justiça paralela com múltiplos executores.
A delegada pediu que as pessoas parassem de espalhar boatos. Qual é o dano real?
Pânico coletivo. Medo nas ruas. E também prejudica as famílias de desaparecidos que precisam de atenção das autoridades. Os recursos da polícia ficam divididos entre investigar os crimes reais e lidar com a histeria.
Mas o boato não surgiu do nada. Nove corpos em um mês é real. A brutalidade é real. A polícia está dizendo que não há ligação, mas não está dizendo por que tantos corpos apareceram tão rápido em um mês específico.
Le Pouls
- Nove mortes violentas em menos de um mês — com esquartejamento, decapitação e queimadura — criaram nas redes sociais a convicção de que um serial killer agia livremente em São Paulo.
- O pânico se espalhou mais rápido do que os fatos: imagens e relatos viralizaram antes que qualquer investigação pudesse oferecer contexto ou cautela.
- O secretário de Segurança Pública e a diretora do DHPP precisaram aparecer publicamente para desmentir a narrativa, alertando que os boatos prejudicavam famílias de desaparecidos e atrapalhavam as investigações.
- A hipótese investigada aponta para o 'tribunal do crime' — sistema de punição clandestino de facções como o PCC —, com cada morte tratada como caso isolado, com motivações próprias.
- Oito das nove vítimas foram identificadas, nenhum suspeito foi preso, e a distância entre o terror imaginado e a realidade investigada segue aberta.
Em setembro e outubro de 2026, nove corpos encontrados em diferentes regiões de São Paulo despertaram nas redes sociais o fantasma de um assassino em série — narrativa que as autoridades foram obrigadas a confrontar publicamente. A brutalidade visual dos crimes criou uma coerência ilusória onde havia, segundo a polícia, histórias separadas, motivações distintas e, possivelmente, a lógica sombria do crime organizado. É um lembrete de que o medo coletivo tem sua própria gramática, capaz de transformar tragédias dispersas em um único monstro imaginário.
Entre o início de setembro e o começo de outubro de 2026, nove corpos foram encontrados em diferentes zonas de São Paulo. Alguns estavam dentro de sacos plásticos, outros amarrados ou enrolados em cobertores. Havia casos de esquartejamento, decapitação e queimadura. As imagens se espalharam pelas redes sociais e uma narrativa tomou forma: um assassino em série estava solto na capital.
A polícia descartou a hipótese. O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, e a diretora do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, Ivalda Aleixo, vieram a público para tranquilizar a população. Não havia provas de um único autor. Os casos, embora visualmente similares em alguns aspectos, eram investigados individualmente e apontavam para circunstâncias distintas.
Os crimes se distribuíram pelas zonas Sul, Leste, Norte e Oeste da cidade — nenhum no Centro. O primeiro corpo apareceu em 5 de setembro no Jabaquara. Os demais foram encontrados ao longo das semanas seguintes, incluindo um homem decapitado e esquartejado na Zona Norte, uma cabeça isolada em uma praça na Zona Sul e um corpo carbonizado dentro de um carro incendiado na Zona Oeste. Oito das nove vítimas foram identificadas — sete homens e uma mulher. Nenhum suspeito foi preso.
As autoridades apontaram para o 'tribunal do crime', sistema clandestino usado por facções criminosas para punir quem desrespeita suas regras, com penas que vão de agressões a execuções. O envolvimento do PCC e de outros grupos não foi descartado, mas cada morte era tratada como caso separado. Parte das vítimas tinha passagens criminais anteriores.
Ivalda Aleixo gravou um vídeo explicando a situação. 'Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo', disse, pedindo que crimes reais não fossem transformados em narrativa de terror. Ela alertou que os boatos provocavam medo, confundiam a população e prejudicavam famílias de desaparecidos à espera de respostas. O que havia unido os casos nas redes — a brutalidade visual, a forma como os corpos foram encontrados — não era suficiente para estabelecer um padrão criminal único. A viralização havia criado uma realidade paralela que as autoridades precisavam desmantelar, mesmo enquanto as investigações continuavam.
Entre o início de setembro e o começo de outubro, nove corpos foram encontrados em diferentes regiões de São Paulo. Alguns estavam dentro de sacos plásticos. Outros, amarrados com cordas ou enrolados em cobertores. Havia casos de esquartejamento, decapitação, queimadura. Nas redes sociais, as imagens e histórias se multiplicaram, e uma narrativa começou a tomar forma: um assassino em série estava solto na capital.
A polícia de São Paulo descartou essa hipótese. O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, e a diretora do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, Ivalda Aleixo, precisaram vir a público para tranquilizar a população. Não havia provas de que um único autor estava por trás dos crimes. Os casos, embora graficamente similares em alguns aspectos, eram investigados individualmente e apontavam para circunstâncias distintas.
O primeiro corpo apareceu em 5 de setembro no Jabaquara, Zona Sul: um homem dentro de um saco plástico preto, amarrado com cordas, encontrado por garis. Cinco dias depois, dois corpos surgiram na Zona Leste — um homem amarrado e enrolado em cobertor, com a cabeça dentro de sacos plásticos, e uma mulher com ferimentos de arma de fogo no rosto e na cabeça, também enrolada em cobertor dentro de um saco. No dia 13 de setembro, outro corpo ensacado foi localizado na Zona Leste. Em 19 de setembro, na Zona Norte, um homem foi encontrado decapitado e esquartejado dentro de sacolas, com a cabeça e as mãos ainda desaparecidas. Dois corpos surgiram em 25 de setembro — um enrolado em coberta com as mãos amarradas na Zona Sul, outro carbonizado dentro de um carro incendiado na Zona Oeste. Em 27 de setembro, apenas uma cabeça foi encontrada em uma praça na Zona Sul. O nono caso ocorreu em 2 de outubro, quando um homem foi localizado em uma área de mata com braços e pernas amarrados com fita adesiva.
Oito das nove vítimas foram identificadas — sete homens e uma mulher. Nenhum suspeito foi preso. O DHPP investigava quatro casos na Zona Leste, três na Zona Sul, um na Zona Norte e um na Zona Oeste. Nenhum crime havia sido registrado no Centro.
As autoridades apontaram para uma explicação alternativa: o "tribunal do crime", um sistema clandestino usado por facções criminosas para punir pessoas acusadas de desrespeitar regras. Essas punições podem variar de agressões a execuções. Parte das vítimas tinha passagens criminais anteriores. A investigação não descartava o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outros grupos criminosos, mas tratava cada morte como um caso separado com suas próprias motivações.
Ivalda Aleixo gravou um vídeo para a rede social explicando o que havia acontecido. "Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo", disse. Ela pediu que as pessoas não transformassem crimes reais em uma série de terror. A delegada também alertou que os boatos provocavam medo, confundiam a população e prejudicavam as famílias de desaparecidos que ainda aguardavam respostas. Nico Gonçalves reforçou o ponto: cada caso era uma história diferente, mortes em locais diferentes, sem indicação de autoria comum.
A Secretaria de Segurança divulgou uma nota informando que a polícia trabalhava com diferentes hipóteses para explicar os homicídios. Entre elas estavam vingança, justiçamento e outras circunstâncias específicas de cada crime. O que havia unido os casos nas redes sociais — a forma como os corpos foram encontrados, a brutalidade visual — não era suficiente para estabelecer um padrão criminal único. A viralização havia criado uma realidade paralela que as autoridades precisavam desmantelar publicamente, mesmo enquanto as investigações continuavam.
Citations marquantes
Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo. Não transformem crimes reais em uma série de terror.— Ivalda Aleixo, diretora do DHPP
Está sendo investigado mas não parece ser a mesma autoria. Cada caso é uma história. São mortes diferentes em locais diferentes.— Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública