Em agosto de 2022, uma empresa familiar em São Paulo tornou-se o epicentro de um esquema que revelou como o sistema financeiro digital pode ser convertido em instrumento de crime organizado. Dois homens invadiram o estabelecimento e, sob coerção, extraíram 14 milhões de reais em 88 transferências Pix — dinheiro que fluiu por uma rede de 77 pessoas que cederam suas contas em troca de uma comissão. Meses depois, a Polícia Civil prendeu 38 desses envolvidos, sinalizando que emprestar uma conta bancária a criminosos deixou de ser uma transgressão menor para se tornar participação em organização cr
Polícia Civil prende 38 integrantes de quadrilha que roubou R$ 14 milhões via Pix
Tarefa educativa para quem empresta conta para bandido
Como uma quadrilha consegue coordenar 77 pessoas diferentes para fazer transferências sem que ninguém denuncie?
Porque a maioria delas estava sendo paga. Recebiam entre 10% e 20% do valor que passava pela conta. Para muita gente, isso é dinheiro rápido sem parecer roubo direto.
Mas a polícia conseguiu provar que essas 77 pessoas sabiam que estavam participando de um crime? Ou alguns deles poderiam ter sido enganados?
A polícia argumentou que não eram receptadores passivos. Os criminosos mantinham contato direto, orientavam sobre novas transferências, verificavam se o dinheiro havia chegado. Isso sugere conhecimento.
E quanto aos dois homens que invadiram a empresa? Eles já estão presos?
Sim, foram presos em operações anteriores. Eles coordenaram tudo — a invasão, as transferências, o contato com os donos das contas.
Mas 4 milhões foram estornados pelos bancos. Isso significa que o sistema funcionou em parte? Que havia proteção?
Funcionou, mas tarde demais. Eles conseguiram sacar o restante antes do bloqueio. Os bancos tiveram que reagir, mas a quadrilha já tinha planejado para isso.
E essa casa que funcionava como cativeiro — quantas vítimas de sequestro relâmpago havia lá?
A reportagem não especifica o número. Mas mostra que o esquema era ainda maior: não era só roubo à mão armada, era sequestro também.
Então temos 38 presos agora, mais 7 presos antes, mais 77 pessoas que cederam contas. Isso é mais de 120 pessoas envolvidas em um único crime?
Sim. E o delegado chamou as prisões de "tarefa educativa". Ele está dizendo que essas pessoas precisam aprender que emprestar conta para bandido tem consequência — até 18 anos de cadeia.
Der Puls
- Dois criminosos invadiram uma empresa no Itaim Bibi e mantiveram reféns sob coerção enquanto realizavam 88 transferências bancárias de 14 milhões de reais em questão de horas.
- Uma rede de 77 pessoas cedeu contas bancárias ao esquema, recebendo entre 10% e 20% dos valores como pagamento — tornando-se, segundo a polícia, membros ativos da organização criminosa.
- Os bancos conseguiram estornar apenas 4 milhões de reais; o restante foi sacado rapidamente pela quadrilha antes que qualquer bloqueio pudesse ser acionado.
- A operação revelou ainda uma casa usada como cativeiro, onde vítimas de sequestros relâmpagos eram forçadas a realizar transferências via Pix.
- Na terça-feira, 38 suspeitos foram presos em três estados, com mandados por roubo e organização criminosa — penas que podem chegar a 18 anos de reclusão.
Em agosto de 2022, uma empresa familiar em São Paulo tornou-se o epicentro de um esquema que revelou como o sistema financeiro digital pode ser convertido em instrumento de crime organizado. Dois homens invadiram o estabelecimento e, sob coerção, extraíram 14 milhões de reais em 88 transferências Pix — dinheiro que fluiu por uma rede de 77 pessoas que cederam suas contas em troca de uma comissão. Meses depois, a Polícia Civil prendeu 38 desses envolvidos, sinalizando que emprestar uma conta bancária a criminosos deixou de ser uma transgressão menor para se tornar participação em organização criminosa.
Em agosto de 2022, dois homens alugaram uma sala comercial no mesmo prédio de uma empresa familiar de administração de bens no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo. Cerca de dois meses depois, usaram esse acesso privilegiado para invadir o estabelecimento, manter reféns sob coerção e forçá-los a realizar 88 transferências bancárias via Pix. O saldo do crime: 14 milhões de reais desviados em poucas horas.
O roubo, porém, era apenas a ponta visível de uma estrutura mais ampla. Setenta e sete pessoas haviam cedido seus dados bancários ao esquema, recebendo entre 10% e 20% dos valores que transitavam por suas contas. Os criminosos mantinham contato direto com esses titulares, orientando novas transferências para evitar bloqueios e garantindo que o dinheiro fosse rapidamente repassado a outros núcleos da quadrilha ou sacado em espécie. Os bancos conseguiram estornar 4 milhões de reais, mas o restante escapou do sistema antes de qualquer rastreamento eficaz.
Na terça-feira, 17 de janeiro, a Polícia Civil prendeu 38 acusados — seis no Piauí, um em Santa Catarina e os demais em São Paulo. Sete integrantes, incluindo os dois coordenadores da invasão, já haviam sido capturados em operações anteriores. A operação também desmantelou uma casa usada como cativeiro, onde vítimas de sequestros relâmpagos eram mantidas e obrigadas a realizar transferências via Pix.
O delegado Fabio Pinheiro Lopes descreveu as prisões como uma mensagem clara a quem empresta contas a criminosos. A polícia convenceu o Judiciário de que esses titulares não eram meros receptadores, mas membros integrantes da organização — sujeitos a penas de até 18 anos de reclusão por roubo e participação em organização criminosa.
Em agosto do ano passado, dois homens invadiram uma empresa familiar de administração de bens no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo, e forçaram os reféns dentro da sala a realizar 88 transferências bancárias. O que começou como um roubo à mão armada se revelaria, meses depois, como a ponta visível de uma rede muito mais ampla: setenta e sete pessoas haviam cedido seus dados bancários para participar do esquema, recebendo entre 10% e 20% do valor que passava por suas contas.
A Polícia Civil prendeu 38 desses acusados na terça-feira 17 de janeiro. Seis foram capturados no Piauí, um em Santa Catarina, e o restante em São Paulo. Sete integrantes da quadrilha já haviam sido presos em operações anteriores, incluindo os dois homens que coordenaram a invasão e as transferências. O roubo total chegou a 14 milhões de reais. As instituições bancárias conseguiram estornar 4 milhões em transferências, mas o restante foi sacado pela quadrilha antes que pudessem ser bloqueadas.
O que torna este caso particularmente revelador é a estrutura que a polícia desmantelou. Os criminosos não apenas usaram contas alheias como intermediárias passivas. Eles alugaram uma sala comercial no mesmo prédio da empresa-alvo cerca de dois meses antes do roubo, facilitando a entrada dos invasores no dia do crime. Depois, mantiveram contato direto com os titulares das contas, verificando se os valores haviam sido creditados e orientando sobre novas transferências para evitar o bloqueio dos pagamentos instantâneos. Segundo o delegado Rogério Barbosa Thomaz, do Departamento Estadual de Investigações Criminais, o dinheiro que passava pelas contas era repassado para outras instituições ou sacado, com o restante retornando para diferentes núcleos da quadrilha responsáveis pela execução, planejamento e estruturação do crime.
O delegado Fabio Pinheiro Lopes, diretor do Deic, descreveu as prisões como "uma tarefa educativa para essas pessoas que emprestam suas contas para bandidos". A polícia conseguiu convencer o Judiciário de que os titulares das contas não eram simples receptadores de valores, mas membros integrantes da organização criminosa. Mandados foram expedidos por roubo e organização criminosa, com penas de até 18 anos de reclusão.
A operação de terça também desmantelou uma casa que funcionava como cativeiro. Ali, vítimas de sequestros relâmpagos eram mantidas e obrigadas a fazer transferências via Pix. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, confirmou que os bancos conseguiram recuperar parte dos valores, mas a maior parcela do dinheiro roubado saiu do sistema antes que pudesse ser rastreada ou devolvida.
Bemerkenswerte Zitate
As prisões representam uma tarefa educativa para essas pessoas que emprestam suas contas para bandidos— Delegado Fabio Pinheiro Lopes, diretor do Deic
O divisor de água neste caso foi mostrar ao Judiciário que essas pessoas não eram simples receptadoras, mas membros dessa organização criminosa— Delegado Fabio Pinheiro Lopes