Em São Paulo, cinco cilindros de material radioativo furtado foram recuperados após percorrerem uma cadeia silenciosa de transações entre catadores e receptadores, terminando numa loja de baterias na Avenida Itaquera. Três pessoas foram presas, mas um cilindro ainda permanece desaparecido — lembrança de que a fronteira entre o descuido institucional e a tragédia pode ser tênue, como o Brasil aprendeu de forma dolorosa em Goiânia, em 1987.
PM encontra nova parte de material radioativo roubado em São Paulo
Material radioativo passou por ferro velho e loja de baterias antes de ser encontrado
Como é que material radioativo de um equipamento médico acaba sendo furtado de um veículo em São Paulo?
Aconteceu na madrugada de segunda-feira. Um veículo com cinco embalagens foi roubado na zona leste. O material depois passou por um ferro velho e foi vendido para uma loja de baterias, onde a polícia finalmente o encontrou.
Mas espera — a polícia recuperou cinco cilindros no sábado, e a nota diz que outra parte foi encontrada na sexta. Então o material estava em vários lugares?
Sim, parece que foi sendo dispersado. E ainda falta um cilindro do gerador de Ge-68/Ga-68 que não foi localizado.
Qual é o risco real? As pessoas que tocaram nisso correm perigo?
A CNEN disse que o resultado das análises de radiação não é preocupante. O IRD estava finalizando um relatório sobre manipulação, e uma operação de monitoramento em Jardim Iguatemi não detectou contaminação.
Mas isso é baseado em quê? Em testes já feitos, ou em projeções? Porque o material esteve em circulação por dias.
O relatório ainda estava sendo finalizado quando a nota foi divulgada. Eles fizeram monitoramento no local onde uma embalagem foi encontrada, mas não sabemos se cobriu todos os pontos por onde o material passou.
Por que isso me faz pensar em Goiânia?
Porque em 1987 aconteceu algo parecido — dois catadores encontraram uma cápsula de césio-137 de um equipamento de radioterapia, romperam com marretadas, venderam a um ferro velho. Deixou quatro mortos e mais de 200 contaminados.
Mas as circunstâncias são bem diferentes. Aquela cápsula foi aberta. Essa, segundo as autoridades, não foi. E a resposta foi muito mais rápida desta vez.
Verdade. A polícia recuperou o material em dias, não semanas. Mas ainda há um cilindro desaparecido.
E as três pessoas presas — elas sabiam que era radioativo?
A nota não diz. Foram presas por porte de material nuclear e receptação, mas não há informação sobre o que elas conheciam ou não sobre o que estavam movimentando.
Il Polso
- Material radioativo de uso médico desapareceu na madrugada de segunda-feira quando o veículo que o transportava foi furtado na zona leste de São Paulo.
- O material percorreu uma cadeia de receptadores — de catador a ferro velho, de ferro velho a loja de baterias — antes de ser localizado pela polícia no sábado.
- Três pessoas com idades de 21, 25 e 53 anos foram presas por porte de material nuclear e receptação, mas um cilindro do gerador Ge-68/Ga-68 ainda não foi encontrado.
- Autoridades nucleares realizaram monitoramento no Jardim Iguatemi e confirmaram que não há risco de contaminação para a população no momento.
- O episódio evoca o acidente de Goiânia em 1987 — quando césio-137 vendido a um ferro velho matou quatro pessoas e contaminou mais de 200 — e um caso semelhante em Minas Gerais no ano anterior.
Em São Paulo, cinco cilindros de material radioativo furtado foram recuperados após percorrerem uma cadeia silenciosa de transações entre catadores e receptadores, terminando numa loja de baterias na Avenida Itaquera. Três pessoas foram presas, mas um cilindro ainda permanece desaparecido — lembrança de que a fronteira entre o descuido institucional e a tragédia pode ser tênue, como o Brasil aprendeu de forma dolorosa em Goiânia, em 1987.
Na tarde de sábado, policiais da Companhia de Ações Especiais de Polícia Sudeste receberam informações sobre o paradeiro de material radioativo furtado três dias antes na zona leste de São Paulo. As buscas os levaram primeiro a um ferro velho e, em seguida, a uma loja de baterias na Avenida Itaquera — onde cinco cilindros foram finalmente encontrados. Três pessoas envolvidas na cadeia de posse do material foram presas por porte de material nuclear e receptação.
O material fazia parte de um equipamento médico usado em exames diagnósticos. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) informou que ainda falta localizar um cilindro do gerador de Ge-68/Ga-68, tornando a recuperação incompleta. Uma porção das embalagens já havia sido encontrada na sexta-feira, sugerindo que o material estava sendo dispersado pela região.
As autoridades de saúde nuclear agiram rapidamente. O Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) preparou um relatório sobre as taxas de radiação, e a CNEN adiantou que os resultados não apresentavam motivo para preocupação. O monitoramento realizado no Jardim Iguatemi não detectou risco de contaminação à população.
O incidente carrega o peso da memória brasileira. Em 1987, dois catadores em Goiânia encontraram uma cápsula de césio-137 abandonada, romperam-na sem saber do que se tratava e a venderam a um ferro velho — tragédia que deixou quatro mortos e mais de 200 contaminados. No ano anterior ao roubo atual, duas fontes radioativas desaparecidas em Minas Gerais foram localizadas numa empresa de sucatas em São Paulo, revelando um padrão perturbador. A resposta desta semana foi mais rápida, mas a busca pelo cilindro faltante ainda continua.
Na tarde de sábado, a Polícia Militar de São Paulo localizou cinco cilindros de material radioativo que havia desaparecido três dias antes, na madrugada de segunda-feira, quando um veículo contendo as embalagens foi furtado na zona leste da cidade. A descoberta ocorreu por volta das 13h, quando policiais da Companhia de Ações Especiais de Polícia Sudeste, em patrulhamento de rotina, receberam informações sobre o paradeiro do material e iniciaram buscas que os levaram a um ferro velho.
O rastro do material radioativo revelou uma sequência de transações entre receptadores. Conversando com o proprietário do ferro velho, os policiais descobriram que o material havia sido vendido para o dono de uma loja de baterias localizada na Avenida Itaquera. Foi nesse estabelecimento que os cilindros foram finalmente encontrados. Três pessoas envolvidas na cadeia de posse do material — com idades de 21, 25 e 53 anos — foram presas por porte de material nuclear e receptação. O caso foi registrado no 53º Distrito Policial, no Parque do Carmo.
O material furtado fazia parte de um equipamento médico usado em exames diagnósticos. Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), ainda falta localizar um cilindro do gerador de Ge-68/Ga-68, deixando a recuperação incompleta. Antes dessa descoberta de sábado, outra porção das embalagens havia sido encontrada na sexta-feira, indicando que o material estava sendo dispersado em diferentes locais da região.
As autoridades de saúde nuclear movimentaram-se rapidamente para avaliar os riscos. O Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) estava finalizando um relatório sobre as taxas de radiação em caso de manipulação do material, e a CNEN adiantou que os resultados não apresentavam motivo para preocupação. Uma operação de monitoramento foi realizada no Jardim Iguatemi, na zona leste, onde uma embalagem com geradores de 99Mo/99Tc havia sido encontrada. Os testes não detectaram risco de contaminação da população.
O incidente ressurge em um contexto que pesa sobre a memória do Brasil. Em setembro de 1987, Goiânia enfrentou o maior acidente radiológico da história do país quando dois catadores de papel encontraram uma cápsula de césio-137 abandonada em um terreno do Instituto Goiano de Radiologia. Sem saber do que se tratava, eles romperam a peça com marretadas e a venderam a um ferro velho. Apenas duas semanas depois a natureza radioativa do material foi descoberta. Aquele acidente deixou quatro mortos, pelo menos 16 pessoas com lesões corporais e mais de 200 contaminadas. A cápsula, assim como o material do roubo desta semana em São Paulo, era parte de um equipamento de radioterapia.
O Brasil também registrou outro episódio mais recente. No ano anterior, duas fontes radioativas de césio-137 desapareceram em Minas Gerais e foram localizadas cerca de dez dias depois em uma empresa de sucatas em São Paulo, demonstrando um padrão preocupante de materiais nucleares em circulação fora de controle institucional. A recuperação bem-sucedida do material desta semana, ainda que incompleta, reflete uma resposta mais rápida das autoridades, mas a busca pelo cilindro faltante continua.
Citazioni salienti
O resultado não é preocupante— CNEN, sobre as taxas de radiação do material em caso de manipulação