Em um mundo onde a presença digital parece gratuita, uma investigação de dezoito meses do The Markup revelou que o verdadeiro preço é pago em privacidade. Mais de vinte mil sites construídos em plataformas sem custo financeiro repassam silenciosamente dados de visitantes a gigantes como Google, Amazon e Adobe — sem consentimento. O que torna essa descoberta mais do que uma questão técnica é quem carrega o peso maior: comunidades já vulneráveis, como imigrantes indocumentados, sobreviventes de abuso e pessoas LGBTQI+, cujos dados sensíveis alimentam máquinas de publicidade enquanto elas buscam
Plataformas gratuitas repassam dados de usuários para anúncios sem consentimento
Se é grátis, o preço é a privacidade dos visitantes
Por que as plataformas gratuitas de criação de sites fazem isso? Elas precisam ganhar dinheiro de alguma forma?
Sim, mas há uma escolha envolvida. Elas poderiam cobrar pelos serviços ou usar modelos de negócio diferentes. Em vez disso, escolhem monetizar os dados dos visitantes. É mais lucrativo.
E os criadores dos sites — pessoas como Kara Zajac — eles sabem que isso está acontecendo?
Na maioria dos casos, não. As plataformas ocultam essa atividade nas configurações de cookies e termos de serviço que ninguém lê. Zajac foi honesta: ela não sabia que vinte e uma empresas estavam rastreando seus visitantes.
Mas por que isso é tão perigoso para comunidades como imigrantes indocumentados ou pessoas LGBTQI+?
Porque esses dados podem ser usados contra elas. Um imigrante indocumentado que busca informações legais não quer que agências de imigração saibam disso. Uma pessoa trans que ainda não se assumiu não quer que sua identidade de gênero seja revelada. Esses dados, nas mãos erradas, podem ter consequências reais e graves.
Então o problema não é apenas a privacidade em geral, é a privacidade de pessoas que já estão em risco?
Exatamente. Qualquer um perde privacidade quando navega na internet. Mas para essas comunidades, a perda de privacidade não é apenas incômoda — pode ser perigosa.
O que as pessoas podem fazer?
Ser cética com serviços gratuitos. Usar plataformas que cobram pelo serviço ou que têm políticas de privacidade reais. E exigir que as plataformas sejam transparentes sobre o que fazem com os dados.
Il Polso
- Milhares de sites gratuitos funcionam como redes invisíveis de coleta de dados, transferindo informações de visitantes para empresas de publicidade sem qualquer aviso ou permissão.
- Comunidades em situação de risco — imigrantes sem documentos, sobreviventes de violência, pessoas trans em serviço militar — tiveram dados potencialmente perigosos expostos a anunciantes.
- O caso da organização Spart*A expôs a contradição cruel: uma criadora que acreditava proteger a privacidade de militares trans descobriu que mais de vinte e uma empresas de tecnologia acessavam os dados de seus visitantes.
- O mecanismo é estrutural e quase imperceptível — cookies inseridos por plataformas gratuitas operam nos bastidores, tornando o consentimento uma ficção prática para a maioria dos usuários.
- A investigação aponta para um sistema que não falhou por acidente, mas que lucra sistematicamente com a privacidade de quem menos pode arcar com as consequências de tê-la violada.
Em um mundo onde a presença digital parece gratuita, uma investigação de dezoito meses do The Markup revelou que o verdadeiro preço é pago em privacidade. Mais de vinte mil sites construídos em plataformas sem custo financeiro repassam silenciosamente dados de visitantes a gigantes como Google, Amazon e Adobe — sem consentimento. O que torna essa descoberta mais do que uma questão técnica é quem carrega o peso maior: comunidades já vulneráveis, como imigrantes indocumentados, sobreviventes de abuso e pessoas LGBTQI+, cujos dados sensíveis alimentam máquinas de publicidade enquanto elas buscam apoio e segurança.
Enquanto milhões de pessoas navegam por sites construídos em plataformas gratuitas, uma investigação de dezoito meses do The Markup revela o que acontece nos bastidores: seus dados estão sendo coletados e repassados, sem consentimento, a gigantes como Google, Amazon, Adobe e LinkedIn. O mecanismo é invisível — cookies armazenados pelos navegadores transferem informações de comportamento online para alimentar máquinas de publicidade segmentada. O serviço não custa dinheiro. Custa privacidade.
O que torna a descoberta especialmente grave é o perfil de quem está sendo afetado. A investigação identificou mais de cem sites voltados a comunidades vulneráveis — imigrantes sem documentação, sobreviventes de abuso doméstico e sexual, pessoas LGBTQI+, profissionais do sexo — compartilhando dados sensíveis de visitantes com anunciantes. Sites sobre Covid-19, serviços médicos e clínicas de aborto também apareceram na lista. Em cada caso, pessoas que buscavam informações delicadas tiveram sua privacidade violada sem saber.
O caso da Spart*A, organização de apoio a militares e veteranos transexuais, ilustra essa contradição com clareza. Sua criadora, Kara Zajac, escolheu uma plataforma gratuita acreditando proteger a identidade de pessoas trans ainda não assumidas dentro das forças armadas. Quando o The Markup analisou o site, encontrou mais de vinte e uma empresas de tecnologia com acesso aos dados dos visitantes — incluindo braços de marketing do Google, Amazon e Oracle. Zajac foi confrontada com uma lição que raramente é ensinada: gratuito não significa sem custo. Significa apenas que o pagamento é feito com os dados de quem mais precisa de proteção.
Enquanto você trabalha, estuda ou navega pela internet, é provável que alguém esteja observando. Não é paranoia — é o que uma investigação de dezoito meses do The Markup, uma plataforma de jornalismo orientado a dados, descobriu ao examinar mais de vinte mil sites. A conclusão é perturbadora: milhares de empresas de tecnologia estão recebendo informações sobre seu comportamento online sem que você tenha dado permissão para isso.
O mecanismo é simples e invisível. Quando você visita um site construído em plataformas gratuitas de criação — aquelas que prometem democratizar a presença online — você está sendo rastreado. Os dados coletados sobre você são repassados para gigantes como Google, Amazon, Adobe e LinkedIn, que os usam para alimentar máquinas de publicidade segmentada. A maioria das vezes, essa transferência acontece através de cookies, aqueles pequenos arquivos que os navegadores armazenam sem que você perceba. O custo real do serviço gratuito não é cobrado em dinheiro. É cobrado em privacidade.
O que torna essa descoberta particularmente preocupante é quem está sendo afetado. A investigação identificou padrões alarmantes: mais de cem sites que servem a comunidades vulneráveis — imigrantes sem documentação legal, sobreviventes de abuso doméstico e sexual, profissionais do sexo, pessoas LGBTQI+ — estavam enviando dados sensíveis sobre seus visitantes para empresas de publicidade. Serviços médicos como o WebMD, páginas dedicadas à Covid-19 e sites com informações sobre clínicas de aborto também apareciam na lista de repassadores de dados. Em cada caso, as pessoas que buscavam informações ou apoio em tópicos delicados estavam tendo sua privacidade violada sem saber.
O caso da Spart*A ilustra essa dinâmica com clareza. A organização, que oferece suporte a militares transexuais e veteranos, tinha seu site construído em uma plataforma gratuita. Kara Zajac, a criadora, era explícita sobre sua intenção: proteger a privacidade de pessoas que talvez ainda não tivessem se assumido como trans dentro das forças armadas. Ela acreditava estar fazendo isso corretamente. Quando o The Markup rastreou a segurança do site, porém, descobriu algo que a chocou: mais de vinte e uma empresas de tecnologia tinham acesso aos dados dos visitantes. Braços de marketing e publicidade do Google, Amazon, Oracle e outras plataformas estavam recebendo informações que potencialmente revelavam a identidade de gênero dos visitantes aos anunciantes, tudo sem consentimento prévio.
Zajac aprendeu uma lição que deveria ser óbvia, mas raramente é: se um serviço é gratuito, isso não significa que é de graça. Significa apenas que não há troca financeira direta. O verdadeiro preço é pago pelos usuários, cujos dados se tornam a moeda de troca. Para comunidades que já enfrentam vulnerabilidades — imigrantes em situação irregular, pessoas em risco de violência, minorias sexuais e de gênero — essa descoberta tem implicações que vão além do incômodo. Ela significa que informações que poderiam colocá-los em perigo estão sendo coletadas e distribuídas sem seu conhecimento ou consentimento. A investigação do The Markup expõe não apenas uma falha técnica, mas um sistema que lucra sistematicamente com a privacidade das pessoas mais vulneráveis.
Citazioni salienti
Nem todo mundo nas forças armadas quer ser conhecido por ser trans. Portanto, sempre que pudermos proteger a privacidade dessa forma, tentamos fazer isso— Kara Zajac, criadora do site da Spart*A
Se é grátis, isso não significa que é grátis. Significa apenas que não há nenhuma troca financeira envolvida. Em vez disso, custa a privacidade dos visitantes do seu site— Kara Zajac, após descobrir os rastreadores