Plano de economistas para terceira via elogia Temer e FHC, critica Lula e Dilma

A única forma de evitar todos esses riscos é através da privatização
Os economistas defendem a venda da Petrobras como solução definitiva para problemas de governança estatal.
Mark

Por que um plano econômico para candidatos da terceira via dedica tanto espaço a criticar Lula e Dilma? Não seria mais produtivo focar nas próprias propostas?

Mimi

Porque o documento está tentando estabelecer uma narrativa: que existe uma forma certa e uma forma errada de governar economicamente. Os autores querem mostrar que a terceira via não é apenas uma alternativa, mas a correção de um desvio.

Luke

Mas há um problema aqui. O documento chama as Emendas de Relator de "indecentes" sem mencionar que o governo Bolsonaro as permitiu. Isso não é análise equilibrada, é seleção de fatos.

Mimi

Verdade. É uma crítica que vale. O documento escolhe seus alvos com cuidado.

Mark

E quanto às propostas? Privatizar Petrobras é realmente consenso entre economistas?

Mimi

Não. É uma posição legítima, mas contestada. Muitos economistas argumentam que a Petrobras, mesmo com governança melhorada, continua sendo um ativo estratégico.

Luke

E o plano não reconhece isso. Ele apresenta a privatização como a única solução racional, quando na verdade é uma escolha política.

Mark

O Teto de Gastos aparece como intocável. Mas não há situações em que flexibilizá-lo faria sentido?

Mimi

Segundo o plano, apenas em emergências como pandemias. Mas há economistas que argumentam que investimentos em educação ou infraestrutura justificariam flexibilização mesmo em tempos normais.

Luke

Exatamente. O documento não engaja com essas objeções. Ele simplesmente as ignora.

Mark

Então este plano é mais ideológico que técnico?

Mimi

É ambos. Tem rigor técnico em partes, mas a seleção de quais problemas merecem atenção é claramente ideológica.

Luke

E isso não é necessariamente ruim, desde que o leitor saiba que está lendo uma posição, não uma verdade universal.

  • Documento de 144 páginas assinado por Affonso Celso Pastore, Cristina Pinotti e Renato Fragelli
  • Plano foi originalmente destinado à candidatura de Sérgio Moro
  • Principais propostas: privatização de estatais, unificação de impostos, defesa do Teto de Gastos
  • Críticas severas a Lula desde 2008 e a Dilma por concessões fracassadas e pedaladas

O documento de 144 páginas critica a agenda petista desde 2008, acusando subsídios excessivos, corrupção em obras públicas e tentativas de controle da mídia. As principais propostas incluem privatização de estatais como Petrobras, simplificação tributária e defesa intransigente do Teto de Gastos.

Economistas lançam plano de governo para candidatos da terceira via com críticas severas a Lula e Dilma, elogios a Temer e FHC, e propostas de privatizações e austeridade fiscal.

Um grupo de economistas entregou aos candidatos da chamada terceira via um plano de governo de 144 páginas que não deixa dúvidas sobre suas preferências políticas. O documento, intitulado Desenvolvimento Inclusivo, Sustentável e Ético e assinado pelo ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, pela economista Cristina Pinotti e pelo economista Renato Fragelli, reserva críticas severas para Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff enquanto distribui elogios aos governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer. O presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, não é sequer mencionado pelo nome.

O plano foi originalmente concebido como base para a candidatura de Sérgio Moro à presidência, mas com o abandono dessa candidatura, o documento agora está disponível para outros postulantes da terceira via. Os autores não poupam palavras ao descrever o que chamam de agenda petista. A partir de 2008, segundo eles, os líderes do PT "vestiram a camisa do próprio time" e implementaram uma agenda que havia sido acalentada há décadas com parceiros da esquerda latino-americana, sem aprender com a social-democracia europeia. Eles apontam o escândalo do mensalão e o que descrevem como esforços para eliminar restrições fiscais como evidências dessa trajetória. Os economistas afirmam que empresários foram beneficiados com subsídios sem precedentes, proteção tarifária e corrupção em obras públicas, e sugerem que apenas a reação ao controle da mídia pretendido pela cúpula do PT impediu que o país seguisse um caminho "provavelmente mais parecido com o de ditaduras presentes em países próximos".

Quanto a Dilma Rousseff, as críticas focam em concessões fracassadas de portos e rodovias, além da política de juros adotada durante sua tentativa de reeleição em 2014. Os autores traçam uma narrativa do afrouxamento fiscal que teria começado no segundo mandato de Lula, continuado por Dilma até as pedaladas que levaram ao impeachment, recuado com Temer e a criação do Teto de Gastos, e finalmente saído do controle com a pandemia e a influência do Centrão no orçamento, particularmente através das chamadas Emendas de Relator. Essas emendas são descritas como "indecentes", mas o documento não menciona a permissividade do governo federal com esses recursos ou o chamado orçamento secreto.

No campo das propostas, o plano defende a simplificação do Imposto de Renda através da unificação de cinco impostos sobre bens e serviços, o que segundo os autores eliminaria a guerra fiscal entre Estados e permitiria a desoneração total de exportações. A privatização de estatais, incluindo a Petrobras, é apresentada como essencial. Os economistas reconhecem que melhorias na governança aumentaram a eficiência da estatal, mas argumentam que "a única forma de evitar todos esses riscos é através da privatização". Investimentos em infraestrutura, na visão do grupo, devem ser repassados à iniciativa privada sob a forma de concessões.

O Teto de Gastos é defendido de forma intransigente, com a ressalva de que poderia ser suspenso apenas em situações excepcionais como pandemias. O plano também inclui propostas de combate à pobreza, como transferência de renda mínima, auxílio a estudantes de baixa renda e promoção do desenvolvimento infantil. O documento deixa clara uma visão de mundo em que a austeridade fiscal, a privatização e a redução da intervenção estatal são apresentadas como caminhos para o desenvolvimento, enquanto a gestão petista é retratada como um desvio que combinou gastos excessivos, corrupção e autoritarismo.

A partir de 2008, os petistas vestiram a camisa do próprio time e implantaram uma agenda acalentada há décadas com parceiros da esquerda latino-americana
— Autores do plano econômico
Não fosse a forte reação ao controle social da mídia pretendido pela cúpula do PT, hoje estaríamos contando outra história, provavelmente mais parecida com a de ditaduras presentes em países próximos
— Autores do plano econômico
Quieres la nota completa? Lee el original en UOL Notícias ↗
Contáctanos FAQ