PL pede ao TSE para barrar nova pesquisa da Atlas por 'vícios metodológicos'

Quando você está atrás por dez pontos, questionar a metodologia é estratégia
O PL contesta pesquisa que mostra Lula à frente de Flávio em todas as simulações.
Mark

Por que o PL está tão focado em derrubar pesquisas da AtlasIntel especificamente?

Mimi

Porque os números prejudicam Flávio. Quando você está atrás por dez pontos percentuais em todas as simulações, questionar a metodologia é uma estratégia legítima — mas também é uma forma de contestar o resultado.

Mark

A empresa realmente cometeu erros, ou é só disputa política?

Mimi

Provavelmente ambas as coisas. A AtlasIntel pode ter deixado documentação faltando — isso é um fato verificável. Mas o timing do pedido, logo após uma pesquisa desfavorável, sugere que o PL está usando as regras como arma.

Mark

O que significa essa história de "vício metodológico" no questionário?

Mimi

Significa que a forma como a pergunta é feita pode influenciar a resposta. Se você pergunta "Você votaria em Flávio?" versus "Você votaria em Flávio, que é senador e pré-candidato?", obtém respostas diferentes. O PL diz que a AtlasIntel faz isso.

Mark

E a exclusão de analfabetos e pessoas sem internet — é um problema real?

Mimi

É um problema real de representatividade. Pesquisas online naturalmente excluem quem não tem acesso. Mas isso é verdade para toda pesquisa online, não apenas para a AtlasIntel. Se o PL quer questionar isso, deveria questionar todas.

Mark

O TSE vai aceitar o pedido de novo?

Mimi

Difícil dizer. Já aceitou uma vez. Mas se aceitar de novo, está sinalizando que pesquisas podem ser canceladas por razões técnicas — o que muda o jogo para todos os institutos.

Mark

E se a AtlasIntel realmente cometeu erros?

Mimi

Então merece ser corrigida. Mas a questão é se o PL está genuinamente preocupado com rigor metodológico ou se está apenas tentando silenciar números ruins.

  • PL pediu ao TSE a impugnação de pesquisa da AtlasIntel coletada entre 25 e 30 de junho
  • Pesquisa entrevistou 4.999 pessoas com margem de erro de um ponto percentual
  • Lula aparecia com 46,3% no primeiro turno contra 36,3% de Flávio; no segundo turno, 48,8% contra 42,3%
  • Este é o segundo pedido do PL contra a AtlasIntel em menos de dois meses

PL argumenta que AtlasIntel cometeu falhas metodológicas, não apresentou documentação completa e utilizou método de coleta que exclui eleitores sem internet. Pesquisa mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro em todas as simulações, com margem de erro de um ponto percentual e 4.999 entrevistados.

O Partido Liberal pediu ao TSE a impugnação de pesquisa da AtlasIntel, alegando vícios metodológicos e irregularidades. É o segundo pedido do partido contra o instituto de pesquisa.

O Partido Liberal entrou novamente em confronto com o instituto de pesquisas AtlasIntel, desta vez pedindo ao Tribunal Superior Eleitoral que cancele a divulgação de um levantamento recente. Na petição apresentada na quarta-feira 15 de julho, a legenda de Flávio Bolsonaro argumenta que a pesquisa foi conduzida com falhas metodológicas e irregularidades graves, e solicita que o presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, analise o caso pessoalmente.

Este é o segundo ataque do PL contra a AtlasIntel em menos de dois meses. Em maio, Flávio já havia questionado o formato do questionário da empresa, alegando que a forma como as perguntas eram apresentadas influenciava as respostas dos entrevistados. O TSE acolheu aquele pedido e determinou que a AtlasIntel suspendesse a divulgação dos resultados. Agora, o partido volta à carga com novas acusações e, além de pedir a impugnação da pesquisa mais recente, cobra do tribunal maior rigor na fiscalização dos institutos, exigindo relatórios mais detalhados e auditáveis.

A pesquisa em questão foi coletada entre 25 e 30 de junho e publicada em 1º de julho. Os advogados do PL apontam que a AtlasIntel não entregou toda a documentação exigida pela Corte Eleitoral — especificamente, faltou o arquivo de complementação territorial com informações sobre bairros, municípios, setores censitários e composição demográfica. Além disso, a defesa de Flávio identifica o que chama de "vício metodológico" na forma como o questionário foi apresentado e suspeita de que entrevistados foram captados fora do período oficial de coleta.

A metodologia de coleta também é alvo de crítica. Por ser realizada pela internet, a pesquisa da AtlasIntel exclui automaticamente eleitores sem acesso a redes sociais e analfabetos, segundo o argumento do PL. Os advogados apontam que esses problemas não são novidade — eles se repetem desde a petição anterior — e pedem que o TSE estabeleça uma regra: pesquisas só poderão ser divulgadas após a publicação completa de toda a documentação exigida por lei. Atualmente, a legislação permite que os institutos complementem os documentos depois do registro. O PL também solicita que multa seja aplicada à AtlasIntel.

A empresa respondeu às acusações negando qualquer irregularidade. Afirmou que cumpriu todas as exigências eleitorais dentro do prazo determinado e que todos os arquivos foram devidamente submetidos ao sistema do TSE. A AtlasIntel também apontou um problema técnico: falhas na plataforma da Corte dificultaram a visualização pública do registro, comportamento que a empresa descreveu como incompatível com o funcionamento esperado do sistema.

A pesquisa que está sob disputa mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio Bolsonaro em todas as simulações. No primeiro turno, Lula aparecia com 46,3% contra 36,3% de Flávio. No segundo turno, o petista registrava 48,8% diante de 42,3% do senador. O levantamento entrevistou 4.999 pessoas e possui margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos. Os dois pré-candidatos aparecem isolados na liderança em todas as projeções.

O caso agora segue para análise do TSE, que terá de decidir se acolhe novamente o pedido do PL ou se mantém a pesquisa válida. A decisão pode estabelecer precedentes importantes sobre como os institutos de pesquisa devem operar durante a campanha eleitoral e qual nível de documentação e transparência será exigido deles.

Todos os arquivos exigidos pela legislação foram devidamente submetidos ao sistema dentro do prazo previsto
— AtlasIntel, em resposta às acusações
Jamais foi juntado o arquivo de complementação territorial previsto no citado dispositivo normativo
— Advogados do PL, na petição ao TSE
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