Pico dos juros pode estar a passar, mostram cinco gráficos

Milhões de devedores de crédito à habitação enfrentaram aumentos significativos nas prestações devido à escalada das Euribor e juros diretores.
O pico dos juros está mais perto de ser superado
Pela primeira vez em meses, os indicadores mostram que o ciclo de aperto das taxas está a terminar.
Mark

Porque é que a inflação subjacente é tão importante se a inflação geral já está a cair?

Mimi

Porque a inflação subjacente exclui os preços que flutuam muito — energia, alimentos — e mostra o que está realmente a acontecer na economia. Se essa não baixar, o banco central fica nervoso e pode continuar a apertar.

Mark

E se o BCE pausar em setembro, isso significa que as taxas vão começar a descer?

Mimi

Não necessariamente. Uma pausa significa apenas que não há novo aumento. Descer é outro passo, que pode levar mais tempo. Mas uma pausa é já um sinal de que o ciclo de aperto está a terminar.

Mark

Porque é que a Euribor a 12 meses é mais popular que a de seis meses?

Mimi

Porque oferece mais previsibilidade. Quem tem um contrato a 12 meses sabe que a taxa não muda durante um ano inteiro. A de seis meses é mais barata no início, mas obriga a revisões mais frequentes.

Mark

Se a Euribor vai descer em fevereiro, porque é que as pessoas ainda estão preocupadas?

Mimi

Porque entre agora e fevereiro ainda há meses de pagamentos altos. E mesmo quando descer, vai descer lentamente. Ninguém espera voltar aos níveis de há dois anos.

Mark

O que muda para uma pessoa com uma hipoteca quando isto acontecer?

Mimi

Depende do contrato. Se tem taxa fixa, nada muda. Se tem taxa variável, a prestação vai estabilizar primeiro, depois descer gradualmente. Mas o alívio é real, mesmo que lento.

  • A inflação disparou para 10,66% na Zona Euro, forçando o BCE a subir juros de forma agressiva e empurrando as prestações da casa para níveis insustentáveis para muitas famílias.
  • As Euribor escalaram de território negativo para acima dos 4% num período surpreendentemente curto, transformando o crédito à habitação num fardo crescente para milhões de portugueses.
  • A inflação recuou para 5,3% em julho, mas a componente subjacente resiste acima dos 5%, mantendo o BCE numa posição delicada antes da reunião decisiva de 14 de setembro.
  • A Euribor a seis meses atingiu o pico de 3,972% em julho e não deverá subir mais; a Euribor a 12 meses já regista a primeira queda mensal desde dezembro de 2021.
  • O alívio esperado não será imediato — as taxas mantêm-se elevadas até início de 2024 — mas os gráficos apontam para uma descida gradual que pode chegar aos 3% em agosto de 2025.

Durante meses, milhões de devedores hipotecários viveram sob o peso crescente das prestações, enquanto o Banco Central Europeu respondia a uma inflação que chegou a ultrapassar os 10%. Agora, com a inflação na Zona Euro a recuar para 5,3% e as Euribor a mostrarem os primeiros sinais de inversão, abre-se uma janela de esperança — não de alívio imediato, mas de fim de ciclo. A reunião do BCE em setembro pode marcar o momento em que o aperto monetário faz uma pausa, sinalizando que o pico dos juros pertence ao passado.

Há meses que os devedores de crédito à habitação vivem sob pressão constante. Quando a inflação na Zona Euro disparou para 10,66% em outubro do ano passado, o BCE respondeu com subidas sucessivas das taxas diretoras. Em cascata, as Euribor subiram de forma brutal, tornando as prestações mensais um peso insuportável para muitas famílias portuguesas.

Mas a inflação começou a ceder. Em julho, caiu para 5,3%, o valor mais baixo desde janeiro de 2022, dando ao banco central margem para respirar. O problema persiste na inflação subjacente — que exclui energia e alimentos — teimosamente acima dos 5%. Ainda assim, os sinais são suficientemente encorajadores para que analistas apostem numa pausa na reunião do conselho de governadores de 14 de setembro.

A Euribor a seis meses atingiu o seu pico máximo de 3,972% a 21 de julho e, segundo as projeções de mercado, não deverá subir mais. A Euribor a 12 meses, a mais popular nos contratos recentes, já dá sinais de viragem: a média de agosto deverá ficar abaixo da de julho, numa primeira queda desde dezembro de 2021. As projeções apontam para uma descida gradual a partir de fevereiro de 2024, chegando aos 3% em agosto de 2025.

A taxa média de juro nos contratos de habitação atingiu 3,858% em julho — a mais alta desde 2009 —, mas o ritmo de subida está a abrandar visivelmente. Para quem viu a prestação disparar, o alívio pode parecer distante. Mas pela primeira vez desde que a crise começou, há razões concretas para acreditar que o pior ficou para trás.

Há meses que quem tem uma hipoteca vive sob pressão constante. Os jornais trazem notícias de inflação galopante, o banco central a apertar os juros, as prestações da casa a subir mês após mês. Mas agora, pela primeira vez em muito tempo, há sinais de que o pior pode estar a ficar para trás.

Tudo começou quando a inflação na Zona Euro disparou para 10,66% em outubro do ano passado. O Banco Central Europeu respondeu como tinha de responder: aumentando as taxas de juro diretoras, aquelas que servem de referência para todo o sistema financeiro. Em cascata, as Euribor — os indexantes que determinam quanto pagam os milhões de portugueses com crédito à habitação — subiram de forma brutal. Para muita gente, a prestação mensal da casa tornou-se um peso insuportável.

Mas a inflação começou a ceder. Em julho, tinha caído para 5,3%, o valor mais baixo desde janeiro de 2022. É uma queda significativa, mês após mês, que dá ao BCE margem para respirar. O problema é que a inflação subjacente — aquela que exclui energia, alimentos e bebidas — teima em manter-se acima dos 5%, resistindo há meses sem descer. Ainda assim, os sinais gerais de alívio são suficientemente fortes para que o banco central considere fazer uma pausa. A próxima reunião do conselho de governadores acontece a 14 de setembro, e há analistas que apostam que desta vez não haverá novo aumento das taxas diretoras.

A Euribor a seis meses, aquela que é usada em cerca de 40% dos contratos de habitação com taxa variável em Portugal, atingiu o seu pico máximo a 21 de julho, nos 3,972%. Segundo as projeções do mercado, não deve subir mais. Vai manter-se perto dos 4% nos próximos meses — níveis que não se viam há 15 anos — mas a partir de fevereiro de 2024 deverá começar a descer. Em agosto de 2025, as projeções apontam para 3%.

A Euribor a 12 meses, que é a mais popular nos contratos celebrados nos últimos anos, já está a dar sinais de viragem. Em agosto, a sua média mensal deverá ficar em 4,072%, abaixo dos 4,148% de julho. Se isto se confirmar, será a primeira queda desde dezembro de 2021, interrompendo uma subida vertiginosa que levou este indexante de território negativo para acima dos 4% num período surpreendentemente curto.

A taxa média de juro nos contratos de crédito à habitação atingiu 3,858% em julho, a mais elevada desde abril de 2009. É um número que assusta quem está a pagar a hipoteca. Mas há um detalhe importante: o ritmo de subida está a abrandar. Em julho, o aumento foi de apenas 0,23 pontos percentuais em relação ao mês anterior, bem inferior aos aumentos que se vinham registando. Para quem viu a prestação disparar, isto pode parecer pouco. Mas é mais um indicador de que o pico está próximo de ser ultrapassado.

O cenário que se desenha é o de um alívio gradual. Não é uma reversão imediata — as taxas vão manter-se elevadas durante meses. Mas pela primeira vez desde que a crise começou, há razões concretas para acreditar que o pior ficou para trás. O BCE tem dados novos sobre a inflação esta semana, e a decisão de setembro será crucial. Mas os gráficos já mostram uma coisa: o túnel tem luz ao fundo.

A inflação dá sinais de alívio, como o BCE pretende, mas há outro fator que está a pressionar as autoridades em Frankfurt: a deterioração das condições económicas na Zona Euro
— Análise da situação económica europeia
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