No Rio de Janeiro, a Polícia Federal aprofunda sua investigação sobre o ex-governador Cláudio Castro, examinando se imóveis de luxo registrados em nomes de terceiros — uma casa em Petrópolis e uma cobertura na Barra da Tijuca — representam vantagens indevidas recebidas em troca de contratos milionários com o estado. A segunda fase da Operação Sem Refino coloca em questão não apenas o enriquecimento pessoal de um homem público, mas a arquitetura institucional que permitiria que refinarias fantasmas, licenças ambientais contestadas e bilhões em contratos sem licitação coexistissem sob o mesmo te
PF investiga se imóveis de Castro foram vantagem indevida por contratos de R$ 350 mi
A casa que Castro frequentava nos fins de semana não era dele, mas pertencia a alguém ligado a quem ganhava R$ 350 mi do estado
Por que a Polícia Federal está tão interessada em imóveis? Não seria mais direto investigar os contratos?
Os imóveis são a prova material de enriquecimento. Se Castro usava uma casa de R$ 2 milhões que não era dele, mas que pertencia a alguém ligado a um empresário que ganhava centenas de milhões em contratos, isso desenha um padrão. É a forma como o dinheiro se converte em benefício pessoal sem deixar rastro direto.
E se ele simplesmente era amigo dessa pessoa e foi convidado a usar a casa?
Possível, mas improvável quando você vê que ele participava das reformas, acompanhava a instalação de uma adega, frequentava nos fins de semana. Não é comportamento de um visitante ocasional. É comportamento de alguém que tinha direitos sobre o lugar.
Qual é o papel de Bernardo Rossi nessa história?
Rossi é o executor. Enquanto Castro criava o ambiente político favorável, Rossi e Bussière faziam as coisas acontecerem no dia a dia — aprovando licenças ambientais mesmo quando técnicos diziam que não deveria. Quando a oposição ficou muito clara, Rossi exonerou os técnicos.
Isso é crime?
Sim. Se houve troca de benefícios — imóveis, contratos — em troca de favores públicos, é corrupção. Se o dinheiro foi lavado, é lavagem de dinheiro. Se impostos não foram pagos, é sonegação. A Refit sozinha é investigada por fraudes que teriam causado bilhões em prejuízos.
E Ricardo Magro, o dono da Refit?
Ele está foragido. Incluído na lista vermelha da Interpol. A empresa dele é descrita como uma "refinaria fantasma" — operações que não fazem sentido econômico, que parecem existir apenas para movimentar dinheiro e desviar recursos públicos.
The Pulse
- Imóveis de luxo usados por Castro — mas registrados em nome de terceiros ligados a empresários com contratos estaduais — formam o núcleo da suspeita de corrupção.
- Cerca de R$ 50 milhões em contratos da Engeprat foram firmados sem licitação, enquanto seu dono tinha sócia registrada como proprietária de casa frequentada pelo ex-governador.
- A renovação de licença ambiental da Refit foi aprovada mesmo contra pareceres técnicos, e quatro servidores que se opuseram foram exonerados pelo então secretário Bernardo Rossi.
- O dono da refinaria investigada está foragido e na lista vermelha da Interpol, enquanto a empresa é apontada como responsável por prejuízos bilionários aos cofres públicos.
- Dezesseis mandados de busca e apreensão foram cumpridos por ordem do STF, com investigados podendo responder por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e crimes contra a ordem econômica.
- As defesas de Castro e Rossi negam irregularidades, mas a investigação segue mapeando conexões entre poder público, empresários e crime organizado no estado.
No Rio de Janeiro, a Polícia Federal aprofunda sua investigação sobre o ex-governador Cláudio Castro, examinando se imóveis de luxo registrados em nomes de terceiros — uma casa em Petrópolis e uma cobertura na Barra da Tijuca — representam vantagens indevidas recebidas em troca de contratos milionários com o estado. A segunda fase da Operação Sem Refino coloca em questão não apenas o enriquecimento pessoal de um homem público, mas a arquitetura institucional que permitiria que refinarias fantasmas, licenças ambientais contestadas e bilhões em contratos sem licitação coexistissem sob o mesmo teto político. É o momento em que o estilo de vida de um governante começa a ser lido como evidência.
A Polícia Federal abriu uma segunda frente contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, desta vez investigando se imóveis de luxo que ele utilizava regularmente — mas registrados em nomes de terceiros — constituem vantagem indevida em troca de contratos milionários com o estado. O caso mais concreto envolve uma casa em condomínio de alto padrão em Petrópolis, avaliada em mais de R$ 2 milhões, registrada em nome de sócia de Luiz Fernando Gomes, dono da Engeprat Engenharia. A empresa mantém contratos estaduais superiores a R$ 350 milhões, sendo R$ 50 milhões sem licitação. Castro frequentava o imóvel nos fins de semana e teria acompanhado reformas, incluindo a instalação de uma adega.
A investigação, segunda fase da Operação Sem Refino, também examina a cobertura na Barra da Tijuca onde Castro reside com a família, analisando se o aluguel está vinculado a benefícios concedidos à empresa de José Mauro de Farias Júnior, ex-secretário estadual de Transformação Digital. O padrão que emerge é o de um estilo de vida financiado por empresários com negócios vultosos junto ao estado.
A operação vai além do ex-governador. A PF apura se agentes públicos criaram condições institucionais favoráveis à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, investigada por fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Em 2024, técnicos do Inea se manifestaram contra a renovação da licença ambiental da refinaria, apontando aumento de contaminação do solo. A renovação foi aprovada assim mesmo, e o então secretário de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, exonerou quatro servidores que resistiram à decisão. O dono da Refit, Ricardo Magro, está foragido e na lista vermelha da Interpol.
Na sexta-feira, 14 de agosto, a PF cumpriu 16 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. Entre os alvos estão Castro, Rossi, um advogado e dois empresários, todos suspeitos de envolvimento em esquemas que podem incluir gestão fraudulenta, lavagem de capitais, sonegação e evasão de divisas. As defesas negam irregularidades, mas a investigação segue ampliando o mapa das conexões entre poder, dinheiro e crime organizado no Rio de Janeiro.
A Polícia Federal abriu uma segunda frente de investigação contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, desta vez focando em um padrão que sugere enriquecimento ilícito: imóveis de luxo que ele usava regularmente, mas que estavam registrados em nomes de terceiros ligados a empresários que receberam centenas de milhões em contratos do estado.
O alvo mais concreto é uma casa em Petrópolis, na Região Serrana, localizada em um condomínio de alto padrão chamado Locanda, onde os imóveis valem mais de R$ 2 milhões cada. O imóvel está registrado em nome de uma mulher que é sócia de Luiz Fernando Gomes, dono da Engeprat Engenharia e Serviços. A empresa de Gomes mantém contratos com o governo estadual que ultrapassam R$ 350 milhões — e cerca de R$ 50 milhões desse total foram contratados sem licitação. Os investigadores querem saber se há uma conexão: Castro usava a casa nos fins de semana, participava de reformas no imóvel, inclusive acompanhando a instalação de uma adega. Teria ele recebido o uso dessa propriedade como compensação pelos contratos favoráveis?
A investigação, que é a segunda fase da Operação Sem Refino, também examina a cobertura onde Castro mora com a família na Barra da Tijuca. Os investigadores analisam o aluguel desse imóvel e sua possível ligação com benefícios concedidos à empresa de José Mauro de Farias Júnior, ex-policial federal e ex-secretário estadual de Transformação Digital. O padrão que emerge é o de um homem público cujo estilo de vida — casarões de luxo, reformas sofisticadas — parecia estar financiado por empresários que tinham negócios vultosos com o estado.
Mas a operação vai além de Castro. A Polícia Federal também apura se agentes públicos criaram um ambiente institucional favorável à Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos, que é investigada por fraudes fiscais, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro. Embora Castro não tenha participado diretamente da concessão das licenças ambientais da refinaria, os investigadores sugerem que ele criou condições políticas para que isso acontecesse. O então secretário estadual de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, e o ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Renato Bussière, são apontados como os responsáveis pela atuação direta. Em 2024, técnicos do Inea se manifestaram contra a renovação da licença da Refit com base em relatórios que mostravam aumento da contaminação do solo. Mesmo assim, a renovação foi aprovada, e Rossi exonerou quatro servidores que se opuseram à decisão.
A Refit é propriedade de Ricardo Magro, considerado um dos maiores devedores de impostos do país. Ele está foragido e foi incluído na lista vermelha da Interpol. Segundo a investigação, a empresa foi transformada em uma espécie de "refinaria fantasma", com operações que teriam causado prejuízos bilionários aos cofres públicos. Castro, em um momento que coincidiu com sua participação em uma festa organizada por Magro, viajou para Nova York.
Nesta sexta-feira, 14 de agosto, a Polícia Federal cumpriu 16 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Além de Castro e Rossi, foram alvos o advogado Antonio Carlos Santos e os empresários Maurício Leite e Ana Carolina Miranda, suspeitos de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro. Os investigados podem responder por crimes que incluem gestão fraudulenta, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas e crimes contra a ordem econômica.
A defesa de Castro negou qualquer participação em irregularidades e afirmou que o endereço em Petrópolis não tem ligação com o ex-governador há meses. Rossi também negou irregularidades, dizendo que sua atuação foi dentro da legalidade e pautada por critérios técnicos. A investigação, porém, continua a mapear as conexões entre agentes públicos, empresários e crime organizado no Rio de Janeiro.
Notable Quotes
A defesa de Cláudio Castro negou qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit e afirmou que o endereço alvo de buscas em Petrópolis não tem qualquer ligação com o ex-governador há meses— Defesa de Cláudio Castro
Bernardo Rossi afirmou que sua atuação à frente da Secretaria de Estado de Ambiente ocorreu dentro da legalidade e que as decisões foram pautadas por critérios técnicos— Bernardo Rossi