PF expõe 'fábrica de documentos' do Banco Master para validar R$ 7,15 bi vendidos ao BRB

Dados reais transformados em documentos falsos que legitimavam operações inexistentes
O esquema do Banco Master usava informações de clientes do CredCesta para forjar contratos de crédito que nunca existiram.
Mark

Como a PF conseguiu descobrir essa apresentação? Parece algo que alguém teria apagado.

Mimi

O arquivo estava no SharePoint do banco, armazenado em um HD corporativo que a PF apreendeu. Quando não conseguiram copiar tudo durante a operação inicial, pediram o acervo ao liquidante do banco. Foi na perícia desse material que apareceu.

Luke

Mas espera — se estava no SharePoint, não deveria estar em backup automático? Como sabemos que ninguém alterou ou apagou cópias antes?

Mimi

Os registros técnicos mostram quando o arquivo foi criado e modificado. Outubro de 2025. Mas você tem razão em questionar — a PF preservou o dispositivo original, então há uma cadeia de custódia.

Mark

E esses 28 instrumentos de cessão — o BRB realmente não percebeu que o dinheiro nunca foi transferido?

Mimi

Segundo a perícia, os valores ficaram em lançamentos internos em uma conta gerencial do próprio Banco Master. A Tirreno abriu uma conta mas ela permaneceu inativa. Os documentos faziam parecer que tudo era legítimo.

Luke

Mas quem assinou esses documentos? Se eram forjados, alguém teve que falsificar assinaturas ou consentimentos de clientes reais.

Mimi

A apresentação registra a remoção de páginas de assinatura, a alteração de datas. Funcionários de diferentes áreas estavam envolvidos. Mas os nomes específicos e como exatamente as assinaturas foram obtidas — isso está na investigação completa.

Mark

Sete bilhões e meio é uma quantia enorme. Como isso não foi detectado antes?

Mimi

O esquema durou de dezembro de 2024 a maio de 2025. Cinco meses. A Operação Compliance Zero começou em novembro de 2025, então já havia alguns meses de distância.

Luke

E a apresentação em si — quem a criou? É um documento de planejamento ou de revisão posterior?

Mimi

O título era "Investigações internas – Banco Master". Parece ser uma revisão de processos, criada em outubro. Pode ter sido feita para documentar o que estava acontecendo ou para preparar uma resposta interna.

Mark

Isso muda tudo, não é? Se era uma revisão interna, alguém dentro do banco estava ciente de que algo estava errado.

Luke

Ou alguém estava documentando como o sistema funcionava. A diferença entre "sabíamos que era fraude" e "estávamos registrando o processo" é enorme para fins criminais.

  • Um arquivo PowerPoint de 30 slides, criado em outubro de 2025 e armazenado no SharePoint do Banco Master, descreve passo a passo como funcionários montaram uma 'fábrica de documentos' para forjar contratos financeiros em escala industrial.
  • Dados reais de clientes do CredCesta foram extraídos dos sistemas do banco, processados por softwares desenvolvidos para a tarefa e convertidos em CCBs, Termos de Consentimento e Procurações que davam aparência legal a operações inexistentes.
  • Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, 28 instrumentos de cessão de crédito foram assinados usando a Tirreno Consultoria — empresa de fachada sem funcionários reais —, mas os bilhões nunca saíram de lançamentos internos do próprio banco.
  • O HD com o arquivo foi entregue à PF em novembro de 2025; peritos identificaram o documento durante o processamento e o incorporaram ao relatório oficial IPJ-A nº 1390980/2026, concluído em março de 2026, que reconstrói o fluxo completo da fraude.

No interior de um disco rígido corporativo, a Polícia Federal encontrou o que raramente se encontra em investigações financeiras: um manual da própria fraude, redigido pelos seus autores. O Banco Master teria montado, segundo os investigadores, uma estrutura industrial para converter dados reais de clientes em documentos falsos, simulando a transferência de R$ 7,15 bilhões em dívidas ao Banco de Brasília. É o momento em que a burocracia, ferramenta histórica da confiança institucional, se revela também capaz de ser a arquitetura do engano.

Dentro de um disco rígido corporativo do Banco Master, a Polícia Federal encontrou um arquivo PowerPoint que funciona como um manual da própria fraude. A apresentação, criada em outubro de 2025 e descoberta durante a perícia de equipamentos apreendidos, descreve o que os investigadores denominam uma 'fábrica de documentos' — um sistema montado por funcionários da instituição para forjar contratos e simular a transferência de R$ 7,15 bilhões em dívidas ao Banco de Brasília.

O esquema partia de dados reais de clientes do programa CredCesta, extraídos dos sistemas do banco e processados por softwares desenvolvidos especificamente para a tarefa. O resultado eram Cédulas de Crédito Bancário, Termos de Consentimento e Procurações que davam aparência de legitimidade a operações que nunca existiram. Tudo era atribuído à Tirreno Consultoria, empresa de fachada sem funcionários ou capacidade operacional real, criada apenas para mascarar a ausência de lastro.

Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, foram assinados 28 instrumentos de cessão de crédito. A perícia da PF constatou que não houve liquidação financeira real: os valores bilionários permaneceram em lançamentos internos de uma conta gerencial reservada do próprio Banco Master. A conta corrente aberta pela Tirreno ficou inativa. Ainda assim, os documentos foram repassados ao BRB, que os aceitou.

A apresentação detalha o fluxo completo: compilação de dados de clientes, geração industrial de documentos por sistemas específicos, e procedimentos de manipulação como remoção de datas, extração de páginas e separação de folhas de assinatura. O arquivo — 'Revisão - processos e documentos.pptx', de 26,7 MB e 30 slides, um deles oculto — foi criado em 23 de outubro de 2025 e modificado no dia seguinte. Encontrado no SharePoint da instituição, ele foi incorporado ao relatório oficial da PF, a IPJ-A nº 1390980/2026, concluída em março de 2026, que reconstrói como informações reais de clientes foram transformadas em documentação falsa para legitimar operações inexistentes.

Dentro de um disco rígido corporativo do Banco Master, a Polícia Federal encontrou um arquivo PowerPoint que funciona como manual de fraude. A apresentação, criada em outubro de 2025 e descoberta meses depois durante a perícia de equipamentos apreendidos, detalha o que os investigadores chamam de uma "fábrica de documentos" — um sistema industrial montado por funcionários da instituição para forjar contratos e simular a transferência de R$ 7,15 bilhões em dívidas ao Banco de Brasília.

O esquema funcionava assim: dados reais de clientes do programa CredCesta eram extraídos dos sistemas do Banco Master, processados por softwares desenvolvidos especificamente para a tarefa e transformados em documentos financeiros em escala. Esses papéis — Cédulas de Crédito Bancário, Termos de Consentimento e Procurações — serviam para dar aparência de legitimidade a operações que nunca existiram de verdade. Tudo era atribuído à Tirreno Consultoria, uma empresa de fachada sem funcionários ou capacidade operacional real, criada apenas para mascarar a falta de lastro das operações.

Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, o Banco Master e a Tirreno assinaram 28 instrumentos de cessão de crédito. A perícia da PF constatou que não houve liquidação financeira real. Os valores bilionários nunca saíram de lançamentos internos em uma conta gerencial reservada do próprio Banco Master. A Tirreno abriu uma conta corrente, mas ela permaneceu inativa. Ainda assim, esses documentos foram repassados ao BRB, que aceitou os créditos mesmo diante das irregularidades.

A apresentação encontrada no HD descreve o fluxo completo da operação. Funcionários compilavam dados de clientes, depois havia uma "geração industrial de documentos financeiros" usando sistemas específicos para criar CCBs e Termos de Consentimento, e outro fluxo para gerar Procurações por mala direta. O arquivo registra também procedimentos de manipulação: remoção de datas de documentos, extração de páginas específicas, separação de páginas de assinatura. Funcionários solicitavam comprovantes de transferências financeiras sem informações que permitissem rastreabilidade. Tudo era coordenado entre diferentes áreas do banco.

O HD foi entregue à PF em 27 de novembro de 2025, após a corporação não conseguir copiar todo o volume de dados durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, realizada em novembro anterior. Os peritos fizeram uma cópia preservando o dispositivo original. Foi nesse processamento que apareceu o arquivo "Revisão - processos e documentos.pptx", armazenado no SharePoint da instituição. O documento tinha 26,7 MB, 30 slides (um deles oculto) e registros técnicos indicam que foi criado em 23 de outubro de 2025 às 12h09 e modificado pela última vez no dia seguinte às 17h45.

O conteúdo da apresentação foi incorporado à análise oficial da Polícia Federal. As informações constam da Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A nº 1390980/2026), concluída em 23 de março de 2026. O arquivo ajuda a reconstruir, a partir dos registros encontrados no banco, o caminho percorrido pelas informações: dados de clientes e contratos eram extraídos dos sistemas, processados por ferramentas específicas e utilizados na produção de documentos relacionados às operações de crédito. A descoberta oferece à investigação um registro detalhado de como a fraude foi estruturada e executada, transformando informações reais em documentação falsa que legitimava operações inexistentes.

Funcionários faziam uma 'geração industrial de documentos financeiros' usando sistemas específicos para criar CCBs e Termos de Consentimento
— Apresentação encontrada no HD do Banco Master
Os valores bilionários ficaram restritos a lançamentos escriturais internos em uma conta gerencial reservada do próprio Banco Master
— Perícia da Polícia Federal
Vuoi la storia completa? Leggi l'originale su G1 ↗
Contattaci Domande frequenti