PF deflagra segunda fase contra ex-secretário do Rio em operação sobre fraudes ambientais

Licenças concedidas à revelia das diretrizes técnicas
O esquema permitia que a refinaria operasse fora dos marcos legais enquanto capitais ilícitos eram ocultados.
Mark

Por que a Polícia Federal decidiu intensificar a investigação agora, meses depois da primeira fase?

Mimi

O Supremo Tribunal Federal havia fixado diretrizes para que a PF investigasse conexões entre grupos criminosos e agentes públicos no Rio. A primeira fase prendeu o empresário Ricardo Magro em maio, mas a investigação precisava aprofundar como o governo estadual inteiro estava envolvido no esquema.

Luke

Mas Magro está em Miami. Como a investigação avança contra alguém que não está no Brasil?

Mimi

A investigação não depende apenas dele. O foco agora é desmantelar a estrutura dentro do governo que permitia as fraudes. Rossi, Castro e outros servidores públicos estão no Brasil.

Mark

Quantas pessoas estão sendo investigadas nesta segunda fase?

Mimi

Os mandados foram expedidos para 16 endereços. Não há um número exato de investigados divulgado, mas a teia envolve pessoas em múltiplos órgãos estaduais.

Luke

Espera — a investigação aponta que órgãos como a Procuradoria-Geral do Estado e o Tribunal de Justiça estavam envolvidos? Como se prova isso?

Mimi

A Polícia Federal suspeita que servidores recebiam contrapartidas indevidas. Mas você está certo em questionar: a investigação ainda está em fase de apuração. Não há condenações ainda.

Mark

Qual é o crime mais grave que eles podem enfrentar?

Mimi

Lavagem de capitais é provavelmente o mais sério. Mas também há gestão fraudulenta, sonegação fiscal, evasão de divisas e crimes contra a ordem econômica.

Luke

E a Refit? A refinaria continua operando?

Mimi

A fonte não especifica. Mas o ponto é que as licenças ambientais eram concedidas irregularmente para permitir que ela continuasse funcionando.

Mark

Isso afeta outras investigações no Rio?

Mimi

Sim. A ADPF das Favelas abriu caminho para a PF investigar conexões entre crime organizado e agentes públicos. Esta operação é parte dessa estratégia maior.

  • Dezesseis mandados de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente no Rio, sinalizando que a investigação atingiu um novo patamar de abrangência e urgência.
  • O esquema envolvia múltiplos órgãos estaduais — Fazenda, Procuradoria-Geral, Instituto Estadual do Ambiente e até membros do Tribunal de Justiça — revelando uma teia institucional difícil de desmontar.
  • Ricardo Magro, dono da Refit e considerado foragido desde maio, permanece em Miami enquanto a Justiça brasileira tenta alcançá-lo, deixando o núcleo empresarial do esquema ainda fora do alcance imediato.
  • A operação decorre de determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que transferiu à PF a condução de investigações sobre grupos criminosos organizados e suas conexões com o poder público fluminense.
  • Os investigados enfrentam uma lista extensa de acusações — lavagem de capitais, sonegação, evasão de divisas e crimes contra a ordem econômica — indicando que o desfecho jurídico pode ser longo e complexo.

No Rio de Janeiro, a Polícia Federal aprofundou sua investigação sobre um esquema que revela como estruturas do Estado podem ser convertidas em instrumentos de benefício privado. A segunda fase da Operação Sem Refino mirou o ex-secretário estadual do Ambiente Bernardo Rossi e outros agentes públicos suspeitos de conceder licenças ambientais irregulares à Refinaria de Manguinhos em troca de contrapartidas ilícitas. O caso lembra que a corrupção raramente é um ato solitário — ela exige arquitetura, cumplicidade e a paciência de quem constrói sistemas para durar.

Na manhã de 14 de agosto, agentes da Polícia Federal cumpriram 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro na segunda fase da Operação Sem Refino. Entre os alvos estava Bernardo Rossi, ex-secretário estadual do Ambiente, investigado por fraudes na concessão de licenças ambientais à antiga Refinaria de Manguinhos, a Refit. Um endereço ligado ao ex-governador Cláudio Castro também foi alvo das buscas.

O esquema apurado era estrutural: licenças ambientais concedidas de forma arbitrária, ignorando os órgãos técnicos competentes, permitiam que a refinaria operasse enquanto capitais ilícitos eram ocultados dentro do sistema. Servidores e gestores públicos teriam recebido contrapartidas indevidas para manter a engrenagem funcionando. A investigação identificou conexões com a Secretaria de Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado, o Instituto Estadual do Ambiente e membros do Tribunal de Justiça.

No centro da trama estava Ricardo Magro, proprietário da Refit, que desde maio — quando o ministro Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva na primeira fase da operação — reside em Miami e é considerado foragido da Justiça brasileira. A segunda fase buscava desarticular o sistema que tornava possíveis as concessões irregulares, indo além dos indivíduos para atacar a estrutura que os sustentava.

Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica no setor de combustíveis. A operação tem origem em diretrizes do STF fixadas no julgamento da ADPF 635 — a ADPF das Favelas —, que determinou à PF a condução de investigações sobre grupos criminosos organizados no Rio e suas conexões com agentes públicos.

Na manhã de sexta-feira, 14 de agosto, agentes da Polícia Federal saíram às ruas do Rio de Janeiro com 16 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estava Bernardo Rossi, ex-secretário estadual do Ambiente, investigado por um esquema que atravessava as estruturas do governo fluminense. A operação, segunda fase da chamada Operação Sem Refino, apurava fraudes na concessão de licenças ambientais e crimes de lavagem de dinheiro ligados à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.

O núcleo da investigação era simples em sua corrupção: licenças ambientais sendo concedidas de forma arbitrária, ignorando completamente as diretrizes dos órgãos técnicos competentes. Essas autorizações irregulares permitiam que a refinaria de petroquímicos continuasse operando enquanto capitais ilícitos eram ocultados dentro do sistema. A Polícia Federal apontava que servidores e gestores públicos recebiam contrapartidas indevidas para manter a máquina funcionando fora dos marcos legais. O ex-governador Cláudio Castro também teve um de seus endereços alvo de buscas nesta segunda fase.

A investigação revelava uma teia que se estendia por múltiplos órgãos estaduais. A Secretaria Estadual de Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado, o Instituto Estadual do Ambiente — órgão que havia sido comandado por Rossi — e membros do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro todos apareciam nas apurações como parte de uma estrutura deliberadamente utilizada para beneficiar o grupo empresarial. Ricardo Magro, proprietário da Refit, era o empresário no centro da trama, embora residisse em Miami e fosse considerado foragido da Justiça brasileira desde sua prisão preventiva decretada em maio.

A primeira fase da operação havia começado em 15 de maio, quando o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal determinou a prisão preventiva de Magro. Naquela ocasião, Castro já havia sido alvo de buscas, e os investigadores já apontavam como a estrutura governamental fluminense vinha sendo instrumentalizada para favorecer os negócios do empresário. Agora, com a segunda fase, a investigação se aprofundava, buscando desarticular o sistema que permitia as concessões irregulares.

Os investigados — incluindo Rossi e os demais envolvidos — poderiam responder por uma lista extensa de crimes: gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica do setor de comercialização de combustíveis. A Operação Sem Refino 2 decorria de diretrizes fixadas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como a ADPF das Favelas, que havia determinado que a Polícia Federal assumisse a condução de investigações sobre operações de grupos criminosos organizados no Rio e suas conexões estruturais com agentes públicos locais.

O que emergia das apurações era um padrão: não se tratava de atos isolados de corrupção, mas de um esquema onde o governo estadual funcionava como engrenagem para a continuidade das atividades da empresa e para a ocultação de capitais ilícitos. Cada licença concedida irregularmente era um passo a mais na consolidação de uma estrutura que permitia que uma refinaria operasse à margem das exigências legais, enquanto recursos ilícitos circulavam pelo sistema.

A estrutura do governo fluminense vinha sendo utilizada deliberadamente para beneficiar o grupo empresarial controlado por Magro
— Polícia Federal
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