Uma cidade sem praia tornou-se uma das maiores produtoras de coco do país
No coração do Sertão Pernambucano, longe de qualquer litoral, Petrolina reescreve a geografia do agronegócio brasileiro ao se tornar a segunda cidade que mais fatura com a produção de coco no país. O que parecia uma desvantagem — o clima seco, a ausência do mar — foi convertido em produtividade surpreendente, com colheitas de 61 mil frutos por hectare ao ano. Essa inversão silenciosa lembra que a terra raramente se deixa definir pelos mapas que os homens desenham sobre ela.
- Uma cidade sem praia desafia a lógica tradicional do agronegócio e fatura até R$ 150 mil por propriedade de 50 hectares com a produção de coco.
- A vizinha Petrolândia, também no interior de Pernambuco, ocupa o primeiro lugar nacional com 162 mil toneladas e R$ 113,4 milhões movimentados em 2024.
- O semiárido nordestino, historicamente associado à escassez, consolida-se como polo estratégico de uma das culturas mais icônicas do litoral brasileiro.
- A Bahia reforça esse cenário com 36% dos parceiros produtores da região, ampliando a base produtiva para além das fronteiras pernambucanas.
- A rentabilidade do coco no sertão aponta para um modelo agrícola sustentado por adaptação técnica e organização dos produtores, não pela proximidade com o mar.
Petrolina fica no coração do Sertão Pernambucano, a dez quilômetros de Juazeiro, do outro lado da fronteira baiana. Não tem praia, não tem acesso ao mar — e ainda assim figura como a segunda cidade do Brasil que mais fatura com a produção de coco.
Os produtores da região colhem em média 61 mil frutos por hectare ao ano, gerando entre R$ 2.700 e R$ 3.000 por hectare. Em propriedades de até 50 hectares — tamanho comum na região —, o faturamento anual pode chegar a R$ 150 mil. Essa produtividade não é fruto do acaso: o Sertão desenvolveu uma cadeia produtiva que compete diretamente com as áreas litorâneas tradicionais, transformando o clima seco em vantagem econômica.
Petrolina, porém, não lidera sozinha. Segundo dados do IBGE referentes a 2024, Petrolândia — também no interior pernambucano — ocupa o primeiro lugar no ranking nacional, com 162 mil toneladas produzidas e R$ 113,4 milhões movimentados. A concentração das duas cidades no mesmo estado revela o peso de Pernambuco nesse mercado.
A Bahia completa o quadro: com 25 produtores representando 36% dos parceiros da região, o estado vizinho reforça o Nordeste como polo estratégico da cocoicultura brasileira. O que essa história revela, no fundo, é uma inversão simbólica: o coqueiro, ícone das praias tropicais, encontrou no sertão semiárido um de seus territórios mais rentáveis.
Petrolina fica a dez quilômetros de Juazeiro, do outro lado da fronteira baiana, no coração do Sertão Pernambucano. Não tem praia. Não tem acesso direto ao mar. E ainda assim, é a segunda cidade do Brasil que mais fatura com a produção de coco.
Os números revelam uma realidade que desafia a geografia convencional do agronegócio. Os produtores da região colhem uma média de 61 mil frutos por hectare a cada ano. Para cada hectare plantado, um produtor pode ganhar entre R$ 2.700 e R$ 3.000. Em uma propriedade de 50 hectares — tamanho comum na região, onde as plantações variam entre 6 e 50 hectares — o faturamento anual chega a aproximadamente R$ 150 mil.
Essa produtividade não é acidental. O Sertão Pernambucano, apesar do clima seco e das limitações hídricas que marcam a região, desenvolveu uma cadeia de produção de coco que compete com as áreas litorâneas tradicionais. A cultura se adaptou ao solo e ao clima local, transformando uma desvantagem geográfica em vantagem econômica.
Mas Petrolina não é líder absoluta. Segundo dados de 2024 da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Petrolândia — também em Pernambuco, também no interior — ocupa o primeiro lugar no ranking nacional. No ano passado, Petrolândia produziu 162 mil toneladas de coco, movimentando R$ 113,4 milhões. A diferença entre as duas cidades revela a concentração da produção no Nordeste, particularmente em Pernambuco.
A Bahia, vizinha de Petrolina, também tem presença significativa nesse mercado. Segundo Alexsandro Castro, o estado conta com 25 produtores que representam 36% dos parceiros da região. Essa participação consolida o Nordeste como polo estratégico na produção de coco brasileiro, transformando o interior semiárido em um dos principais centros de geração de renda agrícola do país.
O que torna essa história notável é a inversão que ela representa. Historicamente, a produção de coco no Brasil está associada ao litoral, às praias do Nordeste onde o coqueiro é símbolo de paisagem tropical. Petrolina prova que a geografia do agronegócio é mais complexa: a rentabilidade não depende apenas da proximidade com o mar, mas da capacidade de adaptação, da qualidade do solo, do conhecimento técnico acumulado e da organização dos produtores. Uma cidade sem praia, no meio do sertão, tornou-se uma das mais importantes produtoras de coco do país.
Notable Quotes
Temos 25 produtores, que representam 36% dos nossos parceiros— Alexsandro Castro
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como uma cidade no sertão, sem acesso ao mar, consegue ser a segunda maior produtora de coco do Brasil?
Porque o coco não precisa de praia para prosperar. Petrolina desenvolveu expertise, infraestrutura e conhecimento técnico que compensam a falta de proximidade com o litoral. O solo e o clima da região, quando bem manejados, produzem frutos de qualidade.
Mas qual é a vantagem econômica real? R$ 150 mil por 50 hectares é muito?
Para o contexto do sertão, é significativo. Muitas culturas tradicionais da região rendem menos. E o coco oferece estabilidade: a planta é resistente, a demanda é consistente, o mercado absorve a produção.
Por que Petrolândia fica à frente de Petrolina se as duas estão na mesma região?
Provavelmente escala. Petrolândia produziu 162 mil toneladas em 2024. Pode ser que tenha mais produtores, propriedades maiores, ou uma cadeia mais consolidada. Mas a diferença não é abismal — ambas estão no topo nacional.
E a Bahia? Por que aparece como parceira e não como concorrente?
Porque a produção é regional, não municipal. Os 25 produtores baianos que representam 36% dos parceiros fazem parte de uma rede que inclui Pernambuco. É mais colaboração que competição — todos ganham com a força do polo Nordeste.
Isso muda algo para o futuro da região?
Muda tudo. Consolida o interior semiárido como centro econômico viável, atrai investimento, cria empregos. Mostra que o desenvolvimento agrícola não precisa ficar preso ao litoral.