Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio enquanto mercados aguardam dados de inflação

Ataques houthis mataram 12 pessoas em ofensiva contra a Arábia Saudita no domingo.
Energia cara, inflação persistente, juros mais altos
O cenário que os investidores temiam enquanto acompanhavam ataques no Oriente Médio e dados de inflação iminentes.
Mark

Por que os ataques houthis importam tanto para os mercados financeiros? Eles não são um conflito localizado?

Mimi

Não, porque a Arábia Saudita é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Se o conflito se ampliar e interromper o fornecimento, o preço da energia sobe globalmente. E energia cara alimenta inflação.

Luke

Mas o petróleo subiu apenas 0,4%. Se o risco fosse realmente tão alto, não deveria ter subido mais?

Mimi

Talvez. Ou talvez o mercado esteja esperando para ver se os ataques continuam ou se há uma resposta que contenha a situação. O movimento foi contido porque havia outras coisas acontecendo simultaneamente.

Mark

Como o quê?

Mimi

Dados de inflação americana, falas do Federal Reserve, balanços corporativos começando. O mercado estava digerindo múltiplos sinais ao mesmo tempo.

Luke

Então o risco geopolítico foi meio ofuscado por outras notícias?

Mimi

Não exatamente ofuscado. Mais como um risco que está ali, mas que compete pela atenção com outros riscos econômicos que são mais imediatos para os investidores.

Mark

E o dólar? Por que ficou mais forte?

Mimi

Porque quando há incerteza geopolítica, investidores buscam proteção. O dólar é considerado um porto seguro. Além disso, a economia americana está se saindo melhor que a europeia, então há razões econômicas também.

Luke

Mas os estrategistas do Barclays disseram que o dólar já está muito comprado. Isso significa que pode cair em breve?

Mimi

Pode, sim. Quando um ativo está muito comprado, qualquer notícia negativa pode desencadear uma venda rápida. Mas por enquanto, o fluxo de investidores para o dólar continua.

Mark

E as ações? Como resistem a tudo isso?

Mimi

As empresas americanas estão tendo lucros muito fortes. Sete trimestres seguidos de crescimento de dois dígitos. Isso dá suporte aos preços das ações, mesmo com a turbulência.

Luke

Mesmo que a energia cara esteja comprimindo as margens?

Mimi

Aí está a questão que ninguém sabe responder ainda. Os números que temos são bons, mas a energia cara é um risco real para os próximos trimestres.

  • Ataques houthis ao aeroporto saudita mataram 12 pessoas no domingo
  • Petróleo Brent subiu 0,4% para US$ 105,10 por barril
  • Treasuries de 10 anos aproximaram-se de 5,4%, maior nível desde 2002
  • S&P 500 registrou sete trimestres consecutivos de crescimento de lucros de dois dígitos
  • Dólar registrou quarta semana consecutiva de valorização

Ataques houthis ao principal aeroporto saudita elevam risco de conflito ampliado no Oriente Médio, ameaçando interrupções no fornecimento de energia global. Mercados enfrentam semana crítica com divulgação de inflação americana, falas do Fed e temporada de balanços corporativos, enquanto Treasuries de 10 anos aproximam-se de 5,4%.

Petróleo Brent avança 0,4% para US$ 105,10 enquanto ataques houthis à Arábia Saudita intensificam preocupações com fornecimento global de energia e inflação, em semana decisiva com dados de inflação e falas de bancos centrais.

Na segunda-feira de manhã, enquanto os mercados asiáticos abriam, o petróleo Brent subia 0,4% para US$ 105,10 por barril. A razão era simples e preocupante: os houthis tinham atacado novamente. No domingo anterior, um ataque ao principal aeroporto da Arábia Saudita deixou 12 mortos. Agora, um dia depois, vieram mais ataques. Os investidores começavam a semana avaliando não apenas o que havia acontecido, mas o que poderia vir a acontecer — um conflito mais amplo no Oriente Médio, possivelmente envolvendo os Estados Unidos, com consequências diretas para o fornecimento global de energia.

Essa escalada de tensão chegava em um momento particularmente delicado para os mercados. A semana que se iniciava traria dados de inflação nos Estados Unidos e na Europa, discursos de autoridades de bancos centrais e o início de mais uma temporada de balanços corporativos americanos. O dólar registrou leve valorização ante as principais moedas. Os contratos futuros do S&P 500 avançaram, refletindo o fechamento positivo de 0,6% na sexta-feira em Nova York. Mas havia uma tensão subjacente: os Treasuries de 10 anos haviam se aproximado de 5,4% na semana anterior, o maior nível desde 2002, alimentados pela preocupação com a inflação e pela possibilidade de juros ainda mais altos.

O risco geopolítico e o risco econômico estavam se entrelaçando. Nick Twidale, estrategista-chefe da AT Global Markets em Sydney, observou que em períodos mais calmos, manchetes geopolíticas costumam ter impacto desproporcional nos mercados. Mas essa não era uma semana calma. Os mercados teriam muito a processar: a inflação americana, as falas de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, e os resultados corporativos que começavam a chegar. Uma leitura de inflação de setembro acima das expectativas poderia reacender a liquidação dos títulos públicos, aumentando a pressão sobre o Fed para adotar uma postura ainda mais agressiva.

O petróleo Brent permanecia acima de US$ 100 por barril, alimentando receios de que os custos elevados da energia continuassem pressionando a inflação. Esse era o cenário que os investidores temiam: energia cara, inflação persistente, juros mais altos. Mas as ações, curiosamente, tinham resistido relativamente bem à turbulência. O S&P 500 atingiu um recorde na terça-feira anterior, recuou nos dois pregões seguintes em meio a preocupações com a demanda por inteligência artificial, e voltou a subir na sexta-feira, impulsionado pela expectativa de uma forte temporada de resultados corporativos. O índice permanecia próximo de suas máximas históricas.

Há razões para esse otimismo. As empresas do S&P 500 registraram sete trimestres consecutivos de crescimento de lucros de dois dígitos. Analistas projetavam um avanço de cerca de 25% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior. Mas havia uma questão que os investidores acompanhariam de perto: os custos mais elevados estariam comprimindo as margens das empresas? Mesmo em um dos ciclos mais fortes de lucro dos últimos anos, a energia cara poderia começar a corroer os resultados.

Enquanto isso, o dólar continuava sua trajetória de valorização. Havia registrado a quarta semana consecutiva de ganhos, a sequência mais longa desde o início de 2025. Os preços elevados do petróleo e a guerra envolvendo o Irã fortaleceram a moeda americana, impulsionada pela busca dos investidores por proteção. Operadores especulativos seguiam otimistas com o dólar, apostando que a economia dos EUA estava mais preparada do que seus pares para suportar novas altas de juros. As preocupações fiscais na França e os preços elevados da energia pressionavam o euro, que havia atingido o menor nível desde maio de 2025, oferecendo suporte adicional à moeda americana.

Estrategistas do Barclays liderados por Themistoklis Fiotakis escreveram que o argumento para uma ruptura do dólar em relação à faixa em que negociava há 15 meses estava se tornando cada vez mais convincente. O desempenho superior da economia americana, o espaço limitado para queda dos rendimentos e as vulnerabilidades fiscais e energéticas da Europa apontavam para novas altas. Mas havia uma ressalva importante: o posicionamento já muito comprado poderia interromper essa valorização no curto prazo. Os mercados, como sempre, equilibravam esperança e medo, e essa semana traria dados que poderiam inclinar a balança em qualquer direção.

Em períodos mais tranquilos, manchetes geopolíticas costumam ter um impacto desproporcional nos mercados. Mas com a divulgação da inflação americana, falas de dirigentes de bancos centrais e o início de mais uma temporada de balanços corporativos nos EUA, os mercados terão muito o que digerir nesta semana.
— Nick Twidale, estrategista-chefe da AT Global Markets
O argumento para uma ruptura do dólar em relação à faixa em que negocia há 15 meses está se tornando cada vez mais convincente. No entanto, o posicionamento já muito comprado pode interromper essa valorização no curto prazo.
— Estrategistas do Barclays liderados por Themistoklis Fiotakis
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