Manifestantes da Peta invadiram passarelas em Nova York e Londres durante semanas de moda do grupo H&M para contestar a exploração de ovelhas na indústria têxtil. Steven Kolb, presidente do CFDA, renunciou após empurrar e imobilizar ativistas durante protesto na Semana de Moda de Nova York, reconhecendo reação inadequada.
Peta interrompe desfiles de moda em NY e Londres contra uso de lã
Nenhuma certificação pode proteger as ovelhas da crueldade inerente
Por que a Peta escolheu justamente esses desfiles? Há algo de especial sobre a H&M e a lã?
A H&M é uma das maiores varejistas de moda do mundo, então qualquer ação contra ela ganha escala. A lã é um material que eles usam bastante, e a Peta vê nisso uma oportunidade de visibilidade.
Mas espera — a Peta tem investigações específicas sobre as práticas da H&M, ou é mais uma ação simbólica contra a indústria em geral?
A reportagem menciona uma investigação na África do Sul, mas não deixa claro se foi especificamente sobre fornecedores da H&M ou sobre a indústria como um todo.
E quanto ao Kolb? Ele parecia estar do lado da Peta em relação a peles de animais nobres. Por que reagiu assim?
É uma contradição interessante. Ele havia liderado a proibição de peles nobres, mas quando enfrentou o protesto ao vivo, reagiu com agressão física.
A reportagem mostra os vídeos, então sabemos que ele empurrou e imobilizou ativistas. Mas não há contexto sobre o que ele estava pensando ou sentindo naquele momento.
Verdade. Sabemos que ele reconheceu ter reagido inadequadamente, mas não temos sua perspectiva completa sobre por que fez isso.
A H&M diz que segue certificações rigorosas. A Peta diz que nenhuma certificação protege os animais. Quem está certo?
Essa é uma questão em aberto. A reportagem deixa claro que há desacordo legítimo: a tosquia é recomendada por especialistas em bem-estar animal, mas o manejo inadequado causa danos. A Peta quer eliminar a prática inteiramente; a H&M quer fazê-la com padrões.
E é aí que o debate fica real — não é sobre fatos que faltam, é sobre valores diferentes sobre o que é aceitável.
Le Pouls
- Cinco ativistas da Peta invadiram o desfile da COS em Nova York no domingo, 13 de setembro
- Steven Kolb, presidente do CFDA por 15 anos, renunciou após empurrar e imobilizar ativistas
- Três manifestantes interromperam o desfile da H&M em Londres na quinta-feira
- H&M usa lã certificada pela Responsible Wool Standard ou reciclada
Manifestantes da Peta invadiram passarelas em Nova York e Londres durante semanas de moda do grupo H&M para contestar a exploração de ovelhas na indústria têxtil. Steven Kolb, presidente do CFDA, renunciou após empurrar e imobilizar ativistas durante protesto na Semana de Moda de Nova York, reconhecendo reação inadequada.
Ativistas da Peta interromperam desfiles de moda em Nova York e Londres para protestar contra o uso de lã, causando incidente que levou à renúncia do presidente do CFDA.
Dois desfiles de moda viraram palco de confronto esta semana quando ativistas da Peta interromperam apresentações do grupo H&M em Nova York e Londres, levantando cartazes e gritando palavras de ordem contra o uso de lã na indústria têxtil. Os protestos, que fazem parte de uma estratégia de ação direta que a organização pratica desde os anos 1990, conseguiram mais do que chamar atenção para a causa animal — desencadearam uma crise institucional que resultou na renúncia de um dos executivos mais influentes da moda americana.
Em Nova York, durante o desfile da COS, marca minimalista pertencente à H&M, cerca de cinco manifestantes entraram na passarela no último domingo. Um deles caminhou com um cartaz enquanto gritava sobre o tratamento de ovelhas, enquanto outros se levantavam entre o público. O que aconteceu em seguida, porém, transformou um protesto em incidente. Steven Kolb, presidente-executivo do Council of Fashion Designers of America (CFDA), o órgão que organiza a Semana de Moda de Nova York, decidiu intervir pessoalmente. Vídeos mostram Kolb empurrando o ativista Mason Melito contra uma parede e cobrindo sua boca com a mão. Momentos depois, ele aparece imobilizando a ativista Andrijia Barak no chão, usando o corpo e uma das pernas para contê-la, enquanto cobre sua boca novamente.
Kolb reconheceu publicamente que havia reagido de forma inadequada e que a situação deveria ter sido deixada com a equipe de segurança. Anunciou uma licença voluntária de seu cargo na terça-feira, quando o CFDA confirmou seu afastamento enquanto o episódio era investigado. Na sexta-feira à noite, ele renunciou completamente, dizendo que era hora de ele e da organização "começarem um novo capítulo". A decisão encerrou uma trajetória de duas décadas no CFDA, onde ocupava o cargo de presidente-executivo desde 2011.
O timing da renúncia é particularmente significativo porque Kolb havia sido um dos principais articuladores de uma iniciativa anunciada pelo CFDA no ano anterior: a proibição de peles de animais nobres em eventos oficiais da Semana de Moda de Nova York. Sua saída marca uma ruptura com essa liderança em questões de bem-estar animal.
Na quinta-feira, a estratégia de interrupção de desfiles voltou a ser usada em Londres. Três manifestantes invadiram a passarela do desfile da H&M em momentos diferentes, cada um carregando o mesmo cartaz: "H&M: Wool is bloody cruel. Drop it!" ("H&M: Lã é cruel demais. Deixem de usá-la!"). Cada um caminhou pela passarela antes de ser acompanhado por seguranças. A sucessão de interrupções provocou suspiros, vaias e reações da plateia, ofuscando parcialmente a coleção que estava sendo apresentada.
A Peta argumenta que a lã está ligada à exploração e a casos documentados de maus-tratos. A organização cita uma investigação na África do Sul em que afirma ter encontrado ovelhas com ferimentos durante o processo de tosquia. Porém, a prática em si não é considerada incompatível com o bem-estar animal por especialistas. A remoção anual da lã é recomendada em muitas criações de ovinos para evitar superaquecimento e problemas de higiene, embora o manejo inadequado possa provocar estresse e ferimentos.
A H&M respondeu aos protestos afirmando que respeita o direito de expressão e que o bem-estar animal é importante para a empresa. Disse que toda a lã virgem que utiliza é certificada pelos padrões da Responsible Wool Standard, da Textile Exchange, ou provém de fontes recicladas certificadas. A empresa afirma levar "muito a sério" qualquer descumprimento dos padrões nos quais confia. A Peta, por sua vez, reitera que "nenhuma certificação pode proteger as ovelhas da crueldade inerente à indústria da lã", mantendo a posição de que o problema é estrutural, não apenas uma questão de manejo adequado.
Citations marquantes
Respeitamos o direito de todas as pessoas de expressarem suas opiniões e acreditamos que todos devem ser tratados com cuidado e respeito— H&M, por meio de sua assessoria de imprensa no Brasil
Nenhuma certificação pode proteger as ovelhas da crueldade inerente à indústria da lã— Peta