Em Manaus, durante o 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, São Bernardo do Campo apresentou ao país uma lição que vai além da tecnologia: combater a dengue exige ouvir as comunidades tanto quanto instalar drones e larvicidas. A pesquisa, fruto de uma aliança entre poder público, universidades e institutos de pesquisa, coloca no centro da vigilância em saúde uma pergunta antiga e urgente — quem realmente participa das decisões que protegem a vida nos bairros mais vulneráveis?
Pesquisa de São Bernardo sobre dengue é destaque em Congresso nacional em Manaus
Enfrentar arboviroses exige inovação social, não só tecnológica
Por que uma pesquisa sobre dengue em São Bernardo merecia estar em um congresso nacional?
Porque não era só sobre dengue. Era sobre como as pessoas entendem o risco e como elas podem ser parte da solução, não apenas receptoras de ordens.
Mas qual foi o resultado concreto? Diminuiu dengue em São Bernardo?
A pesquisa mapeou como a comunicação de riscos funciona. Mostrou que ainda há espaço para melhorar a participação popular.
Quem financiou tudo isso?
A Fapesp, através do Programa de Pesquisa para o SUS. E havia parceria com universidades e institutos de pesquisa.
Então é um projeto em andamento, não um resultado fechado?
Exatamente. É um diagnóstico que abre portas para o desenvolvimento de vigilância popular no município.
O que São Bernardo fez de diferente tecnicamente?
Usou drones, nebulização, estações de larvicidas e treinou agentes comunitários. Mas o diferencial foi estudar como as comunidades já fazem sua própria vigilância.
A pesquisa mediu se isso realmente funcionou melhor que o método tradicional?
A pesquisa mapeou e diagnosticou a comunicação de riscos. Priscila deixou claro que ainda há esforço a ser feito para garantir participação popular real.
Então qual é o próximo passo?
Reorientar as estratégias de vigilância em saúde, incorporando abordagens territorializadas, participativas e intersetoriais.
Il Polso
- A dengue continua ameaçando bairros vulneráveis, e São Bernardo reconhece que tecnologia sozinha não é suficiente para romper esse ciclo.
- A pesquisa expôs uma lacuna crítica: a população ainda recebe informações de cima para baixo, sem espaço real para participar das decisões de vigilância em saúde.
- Drones, nebulização e estações de larvicidas foram implantados, mas o esforço mais difícil é construir uma comunicação de risco que as comunidades realmente compreendam e abracem.
- A colaboração entre prefeitura, Fiocruz, Ufscar, Instituto de Saúde SP e PUC-SP, financiada pela Fapesp, aponta que enfrentar arboviroses exige inovação social e política, não apenas científica.
- Apresentado em congresso nacional, o trabalho de São Bernardo entra agora no diálogo coletivo do país sobre como territorializar e democratizar a saúde pública.
Em Manaus, durante o 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, São Bernardo do Campo apresentou ao país uma lição que vai além da tecnologia: combater a dengue exige ouvir as comunidades tanto quanto instalar drones e larvicidas. A pesquisa, fruto de uma aliança entre poder público, universidades e institutos de pesquisa, coloca no centro da vigilância em saúde uma pergunta antiga e urgente — quem realmente participa das decisões que protegem a vida nos bairros mais vulneráveis?
São Bernardo do Campo levou a Manaus uma experiência concreta de como ciência e comunidade podem se encontrar no combate à dengue. No 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, a prefeitura apresentou a pesquisa "Comunicação de Riscos para a Vigilância Popular em Saúde em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental", resultado de uma parceria com o Instituto de Saúde de SP, Ufscar, Fiocruz-RJ e PUC-SP, financiada pela Fapesp pelo Programa de Pesquisa para o SUS. Priscila Patrícia da Silva, diretora da Escola de Saúde do município, foi quem apresentou o trabalho, representando uma equipe de oito pesquisadores.
No campo prático, São Bernardo apostou em drones para monitoramento, nebulização estratégica, estações de larvicidas e capacitação de agentes comunitários. Mas a pesquisa foi além da tecnologia: os investigadores quiseram entender como as pessoas percebem o risco, o que as comunidades já fazem por conta própria e se a comunicação dos órgãos públicos realmente chega a quem precisa.
Os dados revelaram que ainda há muito a avançar para que moradores de bairros vulneráveis sejam protagonistas — e não apenas receptores — das ações de vigilância em saúde. Priscila foi direta: enfrentar a dengue e outras arboviroses exige inovação social e política, com serviços de saúde territorializados, participativos e integrados à vida municipal.
Estar em Manaus, para ela, foi também uma oportunidade de troca — absorver perspectivas de outros lugares sobre desafios comuns como mudanças climáticas e vulnerabilidade socioambiental. O trabalho apresentado não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida: a vigilância popular em saúde é uma prática que precisa ser cultivada e repensada continuamente. São Bernardo está nessa jornada, e agora o país inteiro sabe disso.
São Bernardo do Campo levou para Manaus uma história de como a ciência e a comunidade podem trabalhar juntas contra a dengue. No 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, realizado na capital amazonense, a prefeitura apresentou uma pesquisa que começou simples: entender como as pessoas falam sobre risco quando o mosquito está perto, especialmente nos bairros onde a vida é mais frágil.
A pesquisa, intitulada "Comunicação de Riscos para a Vigilância Popular em Saúde em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental", nasceu de um esforço coletivo. A Secretaria de Saúde de São Bernardo trabalhou ao lado do Instituto de Saúde do Estado de São Paulo, da Universidade Federal de São Carlos, da Fiocruz no Rio de Janeiro e da PUC-SP. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo financiou tudo isso através do Programa de Pesquisa para o SUS. Priscila Patrícia da Silva, diretora da Escola de Saúde de São Bernardo, foi quem apresentou o trabalho no congresso, levando consigo os nomes de sete outros pesquisadores que ajudaram a construir a investigação.
O que São Bernardo fez foi concreto. Usou drones para monitorar áreas. Aplicou nebulização onde era necessário. Instalou estações que disseminam larvicidas para matar mosquitos antes que virem adultos. Treinou agentes comunitários de saúde para levar essa luta para dentro das casas e das ruas. Mas o trabalho não parou na tecnologia. Os pesquisadores queriam saber: como as pessoas realmente entendem o perigo? O que as comunidades já fazem por conta própria para se proteger? Como os órgãos públicos falam sobre isso, e será que alguém está ouvindo?
Priscila destacou que os dados revelaram algo importante: ainda há muito caminho a percorrer para que a população realmente participe das decisões sobre vigilância em saúde. Não é só sobre receber informação de cima para baixo. É sobre abrir espaço para que os moradores dos bairros vulneráveis sejam parte da solução. Ela foi clara ao dizer que enfrentar a dengue e outras arboviroses não é apenas questão de ter drones e nebulizadores melhores. Exige inovação social e política. Exige repensar como os serviços de saúde se organizam, tornando-os territorializados, participativos e capazes de trabalhar junto com outros setores da vida municipal.
Para Priscila, estar em Manaus, em um congresso promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva, foi mais que apresentar dados. Foi um espaço para conversar com pesquisadores, profissionais, gestores, estudantes e referências do cenário nacional. Um lugar onde experiências se trocam e conhecimento é construído coletivamente. Ela viu a oportunidade de compartilhar o que São Bernardo aprendeu e, ao mesmo tempo, absorver perspectivas de outros lugares sobre os desafios que todos enfrentam: dengue, mudanças climáticas, comunicação de riscos, vulnerabilidade socioambiental.
O trabalho apresentado em Manaus é um ponto de partida. Mostra que é possível combinar tecnologia com escuta genuína das comunidades. Mas também deixa claro que o caminho ainda é longo. A vigilância popular em saúde não é um programa que se implementa e pronto. É uma prática que precisa ser cultivada, repensada, reorientada constantemente. São Bernardo está nessa jornada, e agora o resto do país sabe disso.
Citazioni salienti
Os dados mostram que ainda há um esforço a ser feito no sentido de permitir e garantir a participação popular nas estratégias de vigilância— Priscila Patrícia da Silva, diretora da Escola de Saúde de São Bernardo
O enfrentamento das arboviroses exige não apenas inovação tecnológica, mas também inovação social e política na organização das práticas de saúde— Priscila Patrícia da Silva