Num país onde milhões de crianças ainda não têm acesso à internet, o que mais inquieta a colunista Elena Landau não é o futuro digital — é o presente opaco das decisões tomadas à mesa, longe dos olhos públicos. O encontro entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Alcolumbre, mediado por um jantar privado do ministro Alexandre de Moraes, fora de qualquer agenda oficial, condensa uma questão mais antiga e mais grave: quando as alianças que movem o Estado se formam no silêncio, a quem pertence a república? Landau não oferece respostas — oferece perguntas, e é exatamente essa recusa que de
Pergunta à IA: qual cardápio fez Alcolumbre virar aliado de Lula?
qual foi o cardápio que fez Alcolumbre virar aliado de Lula?
A colunista está realmente pedindo para uma IA responder essas perguntas sobre política, ou é uma crítica mais ampla?
É ambos. Ela começa falando de IA e acesso digital, mas o ponto real é que nem a IA, nem ninguém, consegue responder por que decisões políticas importantes acontecem fora dos canais oficiais. O jantar é o símbolo disso.
Mas espera — ela está dizendo que Alcolumbre mudou de posição por causa desse jantar? Ou está apenas apontando que o encontro foi estranho?
Ela está apontando que foi estranho. Que não há explicação pública. A mudança de aliança é um fato, mas ela não prova que veio do jantar — só questiona por que o encontro não foi transparente.
E quanto aos outros contratos que ela menciona? Os 129 milhões, o Dark Horse?
Esses parecem ser questões separadas que ela está acumulando para mostrar um padrão: falta de transparência em múltiplos níveis. Mas ela não conecta os pontos explicitamente.
Exato. É uma coluna de perguntas, não de respostas. Ela está dizendo: vejam quantas coisas não sabemos, quantas decisões não têm justificativa pública.
Então no final, quando ela desiste e fala do bolo do Simba, é resignação?
É ironia. Ela está dizendo que desistiu de entender, que vai fingir que os problemas não existem. Mas claro que existem.
E o leitor fica com a lista de perguntas na cabeça. Esse é o efeito que ela quer.
Der Puls
- Um jantar privado promovido por Alexandre de Moraes reuniu Lula e Alcolumbre fora da agenda oficial, transformando uma refeição em evento político sem registro nem justificativa institucional.
- A colunista Elena Landau acumula perguntas sem resposta: contratos milionários, sigilos centenários, inquéritos intermináveis e critérios opacos para distribuição de processos no STF.
- A tensão central é a assimetria de tratamento: jornalistas do interior são chamados de blogueiros, enquanto aliados do poder recebem credenciais; o sigilo de fonte sequer vai a plenário.
- Sem acesso às respostas, Landau encerra com ironia — invocando o 'Hakuna Matata' do Rei Leão —, mas a lista de perguntas permanece como acusação silenciosa contra a falta de transparência.
- O episódio aponta para um padrão mais amplo: alianças políticas decisivas se consolidam em espaços informais, esvaziando os ritos institucionais que deveriam torná-las públicas e accountable.
Num país onde milhões de crianças ainda não têm acesso à internet, o que mais inquieta a colunista Elena Landau não é o futuro digital — é o presente opaco das decisões tomadas à mesa, longe dos olhos públicos. O encontro entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Alcolumbre, mediado por um jantar privado do ministro Alexandre de Moraes, fora de qualquer agenda oficial, condensa uma questão mais antiga e mais grave: quando as alianças que movem o Estado se formam no silêncio, a quem pertence a república? Landau não oferece respostas — oferece perguntas, e é exatamente essa recusa que denuncia a ausência de explicações públicas.
Elena Landau abre sua coluna com uma confissão irônica: tem perguntas demais, e suspeita que nenhuma ferramenta de inteligência artificial será capaz de respondê-las. Não porque a tecnologia falhe — mas porque as respostas que ela busca não estão em banco de dados nenhum. Estão nos bastidores.
Ela situa o problema num contexto mais amplo: enquanto o Brasil debate regulação de IA, milhões de crianças seguem sem computador ou internet. O horizonte se encurtou, diz ela, mas é o clima — e o mundo que seus netos vão herdar — que a assusta de verdade. Sobre as gerações mais jovens e a tecnologia, ela é otimista: aprenderão a fazer as perguntas certas.
Mas então vem a lista. Qual era o propósito real de um contrato de 129 milhões de reais? Os 25 milhões em dólares foram mesmo gastos apenas na produção de um filme? Em nome de quem Marcola negociava favores com uma lobista do INSS? Quem decide se um caso vai ao STF ou à primeira instância? O que justifica um sigilo de cem anos? Onde está Toffoli? Quando termina o inquérito das fake news? Por que um jornalista do Maranhão é chamado de blogueiro, enquanto aliados do poder recebem o título de jornalistas?
A pergunta que organiza tudo, porém, é outra: por que o encontro entre Lula e Alcolumbre aconteceu num jantar privado promovido por Alexandre de Moraes, fora de qualquer agenda oficial? Qual foi o cardápio que transformou Alcolumbre em aliado do presidente? A ironia é precisa — a comida obviamente não explica nada, e é exatamente isso que torna a pergunta cortante. Não há explicação pública. Há apenas um jantar e uma mudança de posição.
No encerramento, Landau recua com humor: invoca o Hakuna Matata do Rei Leão, diz que vai se concentrar no bolo do Simba. É uma rendição performática — uma forma de reconhecer que certas perguntas não têm resposta acessível. Mas a lista permanece. E a imagem do jantar privado que redefine alianças políticas permanece também.
A colunista Elena Landau começa com uma provocação simples: tem perguntas demais, e desconfia que seu telefone — mesmo equipado com as ferramentas de inteligência artificial mais avançadas — não conseguirá respondê-las. Não é sobre tecnologia, exatamente. É sobre o que a tecnologia não consegue explicar: as decisões que as pessoas tomam nos bastidores.
Ela situa o problema mais amplo primeiro. Enquanto milhões de crianças no Brasil ainda não têm acesso a computadores ou internet, o debate sobre como regular a inteligência artificial segue num ritmo que parece desconectado da urgência real. O horizonte se encurtou, ela diz, e isso a preocupa. Mas não é o futuro digital que a assusta mais — é o clima, é o mundo que seus netos vão herdar. Sobre IA, ela é mais otimista: acha que as gerações mais jovens aprenderão a fazer as perguntas certas, a desconfiar das respostas prontas, a expandir o que sabem.
Mas então vem a lista. E é uma lista que não pede respostas educadas. Qual era o verdadeiro propósito de um contrato de 129 milhões de reais? Os 25 milhões em dólares foram realmente gastos só na produção de um filme chamado Dark Horse? Em nome de quem Marcola, chefe de gabinete da Presidência, estava negociando contratos e favores com uma lobista do INSS? Quem decide se um caso vai para a primeira instância ou fica no Supremo Tribunal Federal? O que justifica um sigilo de cem anos sobre um assunto qualquer? Onde está Toffoli? Quando acaba o inquérito sobre fake news? Por que um jornalista do Maranhão é chamado de blogueiro, enquanto os "blogueiros progressistas" são tratados como jornalistas? Se nem a discussão sobre sigilo de fonte — um direito constitucional — vai a plenário, para que serve o plenário?
E então a pergunta que estrutura tudo: por que o encontro entre o presidente da República e o presidente do Senado aconteceu num jantar promovido por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo, em vez de seguir a agenda oficial? Qual foi o cardápio que transformou Alcolumbre em aliado de Lula? É uma pergunta que funciona em dois níveis. Na superfície, é absurda — como se a comida pudesse explicar uma aliança política. Mas é exatamente isso que a torna cortante: ela está dizendo que não há explicação pública, nenhuma justificativa institucional, apenas um jantar privado e uma mudança de posição. O que aconteceu ali?
No final, Landau recua. Invoca Hakuna Matata — a filosofia do Rei Leão, aquela de deixar os problemas para trás. Vai se concentrar no bolo do Simba, diz. É uma rendição performática, uma forma de dizer que algumas perguntas não têm resposta, ou pelo menos não têm respostas que ela consiga obter. Mas a lista fica. As perguntas ficam. E a imagem do jantar privado que redefine alianças políticas fica também.
Bemerkenswerte Zitate
Diferentemente dos meus netos, milhões de crianças não têm acesso ao mundo digital na palma da mão, ficando distantes do universo de Gemini, Claude ou ChatGPT. Esse gap precisa ser fechado.— Elena Landau
O horizonte, sem dúvida, se encurtou, e isso me preocupa.— Elena Landau