Perda de US$ 1 tri reforça tese de IA na Adam Capital; Appel aposta em Nvidia

A vantagem americana está na Constituição, feita para limitar o Estado
Appel explica por que os EUA vencerão a corrida de IA, mesmo com a China avançando em tecnologia.
Mark

Por que você continua apostando em Nvidia quando o mercado inteiro está questionando se a IA não foi apenas uma bolha?

Mimi

Porque a bolha não é a tecnologia. A bolha é a precificação. Nvidia a 15 vezes o lucro de 2027 é uma coisa; empresas de energia para data centers precificadas como se a demanda fosse infinita é outra. Alguém está errado.

Mark

E se a China conseguir fazer isso melhor e mais barato?

Mimi

A China não consegue. Não por falta de talento. Por causa do Estado. Um Estado que tenta administrar projetos de tecnologia de ponta é um mau administrador. Veja a SpaceX — 90% do mercado de lançamentos. A China ainda está aprendendo a pousar um propulsor.

Mark

Mas a DeepSeek está vindo com modelos abertos e gratuitos. Não é uma ameaça?

Mimi

Modelos abertos custam 90% menos. Isso favorece quem vende o equipamento. Nvidia vende equipamento.

Mark

Então você acha que o dólar vai subir muito?

Mimi

Vai. Os Estados Unidos precisam de capital do mundo inteiro para financiar isso. Dinheiro entrando, dólar sobe. Aconteceu nos anos 1990.

Mark

E o real? Você parece pessimista.

Mimi

Não sou pessimista. Sou realista. O real se sustenta por juros altos. As contas externas estão em déficit. Sem cortes de gastos — e não vai ter — o ajuste vem pela inflação. Pode ser 50%.

Mark

Isso é permanente ou temporário?

Mimi

Permanente. A vantagem americana está na Constituição. Eles querem distância do governo. O resto do mundo espera ajuda dele. Enquanto isso for verdade, o dólar sobe.

  • A queda de um trilhão de dólares nas ações de tecnologia criou um momento de dúvida coletiva — mas Appel recusa-se a recuar, argumentando que o pânico confunde volatilidade com fim de ciclo.
  • A contradição central que sustenta sua tese é perturbadora: o mercado precifica a Nvidia como se a IA fosse passageira, mas precifica as empresas de energia dos data centers como se a demanda fosse infinita — e alguém está gravemente errado.
  • A ameaça da DeepSeek e da China é descartada com precisão cirúrgica: não é falta de talento, é a incapacidade estrutural do Estado de conduzir inovação radical — uma vantagem americana inscrita na própria Constituição.
  • O dólar deve se fortalecer à medida que o mundo inteiro canaliza capital para financiar a infraestrutura de IA americana, repetindo o padrão dos anos 1990 quando bolsa e moeda subiram juntas.
  • O real, sustentado artificialmente pelos juros altos enquanto as contas externas já sangram em déficit, caminha para um ajuste cambial de até 50% — não como flutuação, mas como acerto permanente de uma conta que o país se recusa a pagar politicamente.

Em meio à turbulência que apagou um trilhão de dólares do valor das empresas de tecnologia, Marcio Appel, gestor da Adam Capital, permanece inabalável em sua convicção sobre a inteligência artificial — não como moda, mas como transformação estrutural da civilização. Sua tese, construída desde 2022 a partir de uma demonstração do DALL-E, encontra sustento numa contradição que o mercado ainda não resolveu: se o ciclo de IA está acabando, por que as empresas de energia que alimentam os data centers são precificadas como se a demanda fosse eterna? Para além da tecnologia, Appel enxerga consequências cambiais profundas — um dólar em ascensão e um real vulnerável a um ajuste de até 50%, não por acidente, mas por escolhas políticas que adiaram o inevitável.

Marcio Appel não está vendendo. Enquanto o mercado global recua diante da perda de um trilhão de dólares em valor de mercado das ações de tecnologia, o gestor da Adam Capital mantém sua aposta em inteligência artificial com a convicção de quem viu o futuro chegar antes da maioria.

Tudo começou em 2022, quando um primo do setor de software o apresentou ao DALL-E — um gerador de imagens que entendia linguagem natural e criava a partir dela. Appel reconheceu ali não um truque de laboratório, mas o início de algo estrutural. Comprou Nvidia no final daquele ano. O papel ficou dormindo por seis meses até o ChatGPT mudar o jogo. Desde então, foi acumulando posições enquanto o mercado oscilava entre euforia e pânico.

O que o mantém firme é uma contradição simples: a Nvidia é negociada a cerca de 15 vezes o lucro projetado para 2027 — como se o ciclo de IA fosse curto. Mas as empresas de energia que alimentam os data centers são precificadas como se a demanda nunca fosse parar. Para Appel, é o mercado que subestima a profundidade da transformação.

Sobre a China e a DeepSeek, é categórico: a ameaça não é real. Não por falta de talento, mas porque o Estado é um administrador ruim desse tipo de projeto. A vantagem americana está enraizada na Constituição — feita para limitar o poder estatal, não para ampliá-lo. Enquanto o mundo espera ajuda do governo, os Estados Unidos prosperam querendo distância dele.

Da IA, Appel extrai também uma consequência cambial. O dólar tende a se fortalecer, repetindo o padrão dos anos 1990, quando bolsa e moeda subiram juntas. O fluxo de capital global em direção à infraestrutura americana de IA é difícil de conter.

O real, por sua vez, tem uma história mais dura. Sustentado pelos juros altos, já deveria estar mais desvalorizado — as contas externas estão em déficit. Appel projeta um ajuste de até 50% no câmbio e o trata como permanente. Sem cortes de gastos politicamente viáveis, o acerto virá pela inflação. Uma visão sem consolo, mas com clareza.

Marcio Appel não está vendendo. Enquanto o mercado global se retrai diante da perda de um trilhão de dólares em valor de mercado das ações de tecnologia, o gestor da Adam Capital — que administra três bilhões de reais — mantém sua aposta em inteligência artificial com a convicção de quem viu o futuro chegar mais cedo que a maioria.

Tudo começou em 2022, quando um primo ligado ao setor de software o chamou para conhecer o DALL-E, o gerador de imagens da OpenAI que funcionava por comando de texto. Não era desenho manual; era máquina entendendo linguagem natural e criando. Appel viu ali o que muitos ainda não conseguiam enxergar: não era um truque de laboratório, era o começo de algo estrutural. Comprou ações da Nvidia no final daquele ano. O papel ficou dormindo por seis meses até o ChatGPT explodir em novembro de 2022 e mudar o jogo. Desde então, ele foi acumulando posições, conversando sobre isso no programa Stock Pickers, enquanto o mercado oscilava entre euforia e pânico.

O que o mantém firme agora, quando outros recuam, é uma observação simples sobre contradição. A Nvidia está sendo negociada a cerca de 15 vezes o lucro projetado para 2027 — como se o ciclo de IA fosse curto, como se estivéssemos perto do fim. Mas as empresas de energia que alimentam os centros de dados? Essas são precificadas como se a demanda nunca fosse parar. Alguém está errado nessa conta. Para Appel, é o mercado que subestima a profundidade da transformação.

Sobre a ameaça chinesa — a DeepSeek, que estuda abrir capital, e o avanço geral de Pequim em tecnologia — Appel é categórico: não é real. Não é falta de talento na China. É que o Estado é um administrador ruim desse tipo de projeto. Ele cita a SpaceX, que controla 90% do mercado de lançamentos espaciais, enquanto a China levou décadas para conseguir pousar um propulsor. Os modelos de IA abertos e gratuitos podem custar 90% menos que os proprietários, mas na prática isso favorece quem vende o equipamento — a Nvidia. A vantagem americana está enraizada na Constituição, feita para limitar o Estado. Enquanto o resto do mundo espera ajuda do governo, nos Estados Unidos querem distância dele.

Mas a IA não é apenas uma questão de tecnologia. Appel extrai dela uma consequência para as moedas. O dólar tende a se fortalecer. Nos anos 1990, quando a bolsa americana disparou, o dólar subiu junto. Agora será igual. Os Estados Unidos precisarão emitir dívida massiva para financiar os bilhões em investimento em IA, e esse fluxo de capital do mundo todo para lá é difícil de conter. Pressiona o dólar para cima.

O real, para ele, tem uma história mais dura. A moeda se sustenta basicamente pelos juros altos — e deveria estar bem mais desvalorizada, considerando que as contas externas já estão em déficit. Appel projeta um ajuste de até 50% no câmbio e trata isso como permanente, não como flutuação. Sem cortes relevantes de gastos públicos — politicamente impossíveis — o acerto virá pela inflação. É uma visão que não oferece consolo, mas oferece clareza.

A inteligência artificial não é uma moda passageira — e boa parte do mercado erra ao tratar o setor como se a expansão estivesse perto do fim
— Marcio Appel, gestor da Adam Capital
Enquanto uma boa parte do mundo espera ajuda do governo, nos Estados Unidos eles querem distância do governo
— Marcio Appel
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