Pequena deformidade no nariz revela câncer raro em estágio avançado

Mulher submetida a múltiplas cirurgias radicais incluindo remoção completa do osso nasal, com risco de sequelas permanentes como perda de olfato e complicações visuais.
Passei pelo inferno para sobreviver, então vou fazer questão de viver
Mel Frisby, quatro anos após descobrir um câncer raro em estágio avançado, reflete sobre sua recuperação.
Mark

Como um simples caroço no nariz pode esconder algo tão grave?

Mimi

Porque os sintomas iniciais — sangramento, inchaço, obstrução — são tão comuns que parecem sinusite ou rinite. O tumor cresce silenciosamente dentro do osso. Só quando começa a deformar o rosto é que as pessoas percebem que algo está errado.

Mark

E por que o diagnóstico demorou tanto?

Mimi

Mel ignorou os sinais por semanas. Achava que era uma pancada do mergulho. Mesmo quando o inchaço piorou, os médicos inicialmente pensaram em infecção óssea comum. A biópsia só veio quando o caroço ficou visível e endurecido.

Mark

Qual é o impacto real de remover completamente o osso nasal?

Mimi

Não é só estético. Pode significar perda permanente do olfato, complicações visuais se o tumor atingiu a órbita, fístulas. Mel teve sorte: preservaram as narinas. Mas precisou de quatro cirurgias reconstrutivas e 30 sessões de radioterapia.

Mark

Por que ela decidiu compartilhar a história nas redes sociais?

Mimi

Inicialmente não conseguia. Mas depois percebeu que muita gente não sabe reconhecer os sinais desse câncer raro. Achava que tinha o dever de avisar outras pessoas: diagnóstico precoce faz toda a diferença.

Mark

Qual é a taxa de cura para esse tipo de câncer?

Mimi

Nos casos avançados como o dela, entre 30% e 50%. Mas o preço é alto. Ela sobreviveu, mas vive com as sequelas das cirurgias e do tratamento.

Mark

O que ela diria para alguém que está ignorando um sintoma estranho?

Mimi

Que procure um médico. Que não ignore sangramento nasal persistente ou inchaço que não passa. Que o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença entre uma cirurgia simples e ter que remover o osso inteiro do nariz.

  • Carcinoma espinocelular sinonasal diagnosticado em estágio 3/4
  • Rinectomia completa, 4 cirurgias reconstrutivas, 30 sessões de radioterapia
  • Taxa de cura em casos avançados: 30% a 50%, com risco de sequelas permanentes
  • Sintomas iniciais confundidos com sinusite ou rinite por semanas

Um pequeno caroço no nariz, inicialmente ignorado após mergulho em férias, revelou-se um câncer raro em estágio 3/4 que destruía o osso nasal. O tratamento exigiu rinectomia completa, quatro cirurgias reconstrutivas e 30 sessões de radioterapia, com possibilidade de sequelas permanentes como perda de olfato.

Mulher britânica descobre carcinoma espinocelular sinonasal em estágio avançado após notar deformidade no nariz, exigindo múltiplas cirurgias e radioterapia intensiva para tratamento.

Um mergulho em águas turcas durante as férias de 2022 marcou o início de uma jornada que transformaria completamente a vida de Mel Frisby. A britânica, então com 35 anos, estava viajando com o filho mais velho e uma amiga quando aceitou um desafio aparentemente simples: pular de um barco no mar. Apesar do medo que sempre teve do oceano, entrou na brincadeira. Ao retornar à superfície, seu nariz começou a sangrar intensamente. O sangramento parou rapidamente, e ela não deu importância ao episódio, continuando a aproveitar a viagem como se nada tivesse acontecido.

Naquela mesma noite, porém, Mel notou uma pequena deformidade na parte superior do nariz. Convencida de que havia sofrido apenas uma pancada ao atingir a água, ela ignorou o problema — não sentia dor, afinal. Voltou para casa no Reino Unido poucos dias depois, sem maiores preocupações. Mas com o passar das semanas, a deformação no nariz tornou-se cada vez mais evidente. Durante um passeio em família, o marido insistiu que ela procurasse atendimento de emergência. No hospital, os médicos descartaram uma fratura e a encaminharam a especialistas em otorrinolaringologia. Os exames revelaram uma infecção grave nas fossas nasais, levando à internação imediata. Novas tomografias mostraram que o lado esquerdo do osso nasal estava sendo destruído. O diagnóstico inicial foi osteomielite, uma infecção óssea grave, e ela foi submetida a uma cirurgia no mesmo dia para drenar a região, iniciando tratamento com antibióticos intravenosos de alta potência.

A expectativa era de que, após controlar a infecção, bastaria reconstruir o nariz. Mas mesmo depois da cirurgia, o inchaço continuou aumentando. Os médicos atribuíram a alteração ao processo normal de recuperação até que uma amiga, durante uma chamada de vídeo, percebeu que o caroço havia crescido significativamente e se tornado endurecido, doloroso, com textura semelhante à de um nó nos dedos da mão. O marido a levou novamente ao pronto-socorro. Depois de esperar cerca de 18 horas por atendimento, Mel foi internada novamente. A preocupação aumentou quando ela percebeu a mudança na postura da médica. Uma biópsia foi realizada e uma ressonância magnética foi solicitada com urgência. Ao caminhar pelo corredor vazio do hospital, Mel começou a compreender a gravidade da situação. Ela se recorda de ter parado por um instante, fechado os olhos e dito em voz alta: "Há um câncer no meio do meu rosto." Em menos de 72 horas, seus medos se confirmaram: carcinoma espinocelular sinonasal, estágio 3/4.

Após perder a mãe para câncer de colo do útero aos 19 anos e o pai para câncer de esôfago sete anos depois, Mel não havia percebido que também apresentava sinais da doença. Os sintomas pareciam comuns e não despertaram preocupação. Depois do diagnóstico, ela percebeu que já apresentava alguns indícios havia algum tempo: acordava com dores no nariz, acreditando que o marido a esbarrava sem querer enquanto dormia, e sofria com um cansaço extremo que a fazia adormecer por volta das 19h até mesmo durante as férias. O oncologista Rafael Amaral de Castro, do Hospital Santa Lúcia em Brasília, explicou que esse tipo de tumor costuma passar despercebido justamente porque os primeiros sinais são semelhantes aos de problemas muito mais comuns. Sangramento e obstrução nasal são sintomas tão frequentes que qualquer médico pensaria em sinusite, rinite ou ressecamento.

O tumor de Mel havia crescido em direção à parte externa do rosto, tornando-se visível. Caso tivesse avançado para a região do cérebro, poderia permanecer silencioso por muito mais tempo. Veio então a etapa angustiante: a espera pela rinectomia, procedimento cirúrgico que remove parte ou todo o nariz. Os médicos só definiriam a extensão da retirada durante a operação. A cirurgia retirou completamente o osso nasal, mas preservou as narinas, permitindo que Mel passasse por cirurgias de reconstrução. "Eu nem me permiti pensar na minha aparência," ela explicou. "Minha única preocupação eram meus filhos e meu marido."

O tratamento foi longo e exigiu quatro cirurgias reconstrutivas, seis procedimentos para controlar infecções e 30 sessões intensivas de radioterapia. Em uma das operações, médicos retiraram cartilagem das costelas para reconstruir parte do nariz. As cirurgias necessárias para retirar o tumor e reconstruir o nariz podem deixar sequelas importantes. Rafael Amaral de Castro alertou que, embora esses procedimentos sejam fundamentais para aumentar as chances de cura, eles podem trazer impactos permanentes. Nos casos avançados, a cura é possível em 30% a 50%, mas o preço é real: perda de olfato, riscos visuais se o tumor atingiu a órbita, fístulas em cirurgias de base de crânio. A oncologista Gabrielle Scattolin, da Rede Américas e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, reforçou que a escolha do tratamento depende do estágio do câncer. Sempre que possível a cirurgia é a principal estratégia, geralmente seguida de radioterapia. Em tumores mais avançados pode ser necessária a associação de quimioterapia.

Há dois anos, a mãe de três filhos decidiu publicar sua história no TikTok como forma de lidar com tudo o que havia vivido. No dia seguinte, o filho contou que o vídeo havia alcançado sete milhões de visualizações, número que mais tarde ultrapassou 16,5 milhões. Apesar da repercussão, Mel preferiu se afastar das redes sociais por considerar que ainda não estava emocionalmente preparada para falar sobre a experiência. Neste ano, incentivada pela família a combater o isolamento, voltou a compartilhar a rotina. "Estou compartilhando minha história para conscientizar as pessoas," disse. "Com esse tipo de câncer, muita gente não sabe quais sinais observar, e o diagnóstico e o tratamento precoces podem fazer toda a diferença." Quatro anos depois do mergulho que mudou sua vida, Mel afirma que pretende aproveitar cada oportunidade que tiver. "Passei pelo inferno para sobreviver, então vou fazer questão de viver minha vida. Sim, pode ser difícil, nem sempre é perfeito, mas a vida pode ser difícil para qualquer pessoa — você só precisa encontrar um jeito."

Sangramento e obstrução nasal são sintomas tão comuns que qualquer médico pensaria em sinusite, rinite ou ressecamento
— Dr. Rafael Amaral de Castro, oncologista do Hospital Santa Lúcia
Com esse tipo de câncer, muita gente não sabe quais sinais observar, e o diagnóstico e o tratamento precoces podem fazer toda a diferença
— Mel Frisby
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