Disfunção erétil afeta mais de 50% dos homens acima de 40 anos, mas permanece tabu. Homens com o problema têm 59% mais risco de doença arterial coronariana e 34% mais risco de AVC. O pênis funciona como biomarcador da saúde vascular geral. Artérias peniana são as menores do corpo e primeiras a sofrer com aterosclerose, diabetes e problemas circulatórios.
Pênis como termômetro: disfunção erétil pode indicar infarto, AVC e demência
O pênis é o termômetro perfeito da saúde que ninguém quer ler
Por que a disfunção erétil é tão importante se é apenas um problema sexual?
Porque não é apenas sexual. As artérias do pênis são as menores do corpo, então sofrem primeiro com problemas de circulação. Se elas estão entupidas, as do coração provavelmente também estão.
Mas quanto dessa relação é causal e quanto é apenas correlação? O estudo de Taiwan mostrou 68% mais risco de demência, mas em quanto tempo? Sete anos é bastante tempo para outras coisas acontecerem.
É verdade que ainda não sabemos tudo. Mas o ponto é que os médicos deveriam estar perguntando sobre isso rotineiramente, especialmente em diabéticos.
E por que não perguntam?
Constrangimento. Dos pacientes, dos médicos. É um tabu.
Também há a questão de que a disfunção erétil tem muitas causas — psicológicas, comportamentais, hormonais. Nem sempre é um sinal de doença cardíaca.
Exato. Por isso é importante investigar. Pode ser estresse, pode ser pornografia demais, pode ser diabetes. Mas o médico nunca vai saber se não perguntar.
E se for apenas estresse?
Então o paciente recebe tratamento para estresse. Ou muda hábitos. Ou toma Viagra. De qualquer forma, a conversa acontece.
O Viagra foi originalmente desenvolvido para hipertensão, certo? Então há um histórico de benefícios cardiovasculares inesperados.
Sim. E estudos recentes sugerem que pode até reduzir risco de Alzheimer. Mas esses estudos ainda estão em estágio inicial.
Então o que um homem deveria fazer agora?
Conversar com seu médico. Sem vergonha. É um biomarcador valioso.
Der Puls
- Mais de 50% dos homens acima de 40 anos têm disfunção erétil
- Homens com disfunção erétil têm 59% mais risco de doença arterial coronariana e 34% mais risco de AVC
- Homens com disfunção erétil têm 68% mais probabilidade de desenvolver demência em 7 anos
- Homens com diabetes tipo 2 têm 3 vezes mais probabilidade de disfunção erétil
Disfunção erétil afeta mais de 50% dos homens acima de 40 anos, mas permanece tabu. Homens com o problema têm 59% mais risco de doença arterial coronariana e 34% mais risco de AVC. O pênis funciona como biomarcador da saúde vascular geral. Artérias peniana são as menores do corpo e primeiras a sofrer com aterosclerose, diabetes e problemas circulatórios.
Pesquisas indicam que disfunção erétil pode ser sinal precoce de infarto, AVC, diabetes e demência. Especialistas alertam que investigação rotineira do problema poderia permitir diagnóstico e tratamento preventivo de doenças cardiovasculares e neurológicas.
A disfunção erétil é uma epidemia silenciosa. Mais da metade dos homens com mais de 40 anos a enfrentam, mas poucos estão dispostos a conversar sobre o assunto — nem com seus médicos, nem com as pessoas que amam. Quando surge em conversa, costuma virar motivo de piada. Raramente é tratada como aquilo que realmente é: um sinal de alerta do corpo.
Um número crescente de pesquisas sugere que o pênis funciona como termômetro da saúde geral masculina. A disfunção erétil, em particular, pode ser um dos primeiros sinais de doenças graves — infarto, acidente vascular cerebral, diabetes, demência. O sexólogo Emmanuele Jannini, da Universidade de Roma Tor Vergata, na Itália, organizou recentemente um livro acadêmico reunindo as evidências científicas sobre o tema. Para ele, uma investigação mais cuidadosa da disfunção erétil poderia ajudar médicos a identificar problemas sérios de saúde antes que se agravem. Mas a relutância de muitos homens em falar sobre saúde sexual faz com que essas oportunidades de diagnóstico precoce sejam perdidas.
O problema é fundamentalmente uma questão de circulação sanguínea. O pênis é formado por duas estruturas esponjosas chamadas corpos cavernosos. Durante a excitação sexual, o cérebro envia sinais que aumentam o fluxo de sangue para a região. À medida que os corpos cavernosos se enchem, comprimem as veias responsáveis por drenar o sangue, fazendo-o permanecer no órgão e produzindo a ereção. Qualquer fator que reduza o fluxo sanguíneo pode dificultar a obtenção ou manutenção da ereção. Muitas vezes, o problema tem origem psicológica — o estresse contrai os vasos sanguíneos e interfere na produção de testosterona. Mas em muitos casos, a disfunção erétil reflete problemas de saúde mais amplos.
A aterosclerose, condição em que os vasos sanguíneos endurecem e se estreitam, é uma das causas principais. Como as artérias do pênis estão entre as menores do corpo, elas costumam ser as primeiras a apresentar problemas. Por isso, a disfunção erétil pode servir como sinal precoce de doenças cardíacas. Uma análise recente de dados de 154.794 pessoas constatou que homens com disfunção erétil tinham 59% mais probabilidade de desenvolver doença arterial coronariana e 34% mais risco de sofrer um AVC. Michael Carroll, especialista em ciência reprodutiva da Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido, afirma que ter uma boa ereção é um bom indicador da saúde dos vasos sanguíneos. Há ainda indícios de que problemas de saúde do pênis possam servir como sinal precoce de declínio cognitivo. Um estudo realizado em Taiwan constatou que homens diagnosticados com disfunção erétil tinham 68% mais probabilidade de desenvolver demência ao longo de sete anos de acompanhamento.
A relação com diabetes é particularmente forte. Picos de glicose no sangue podem fazer com que o excesso de açúcar se ligue às proteínas das paredes dos vasos sanguíneos, reduzindo a elasticidade e dificultando a circulação. Bogdan Vlacho, pesquisador do Sant Pau Research Institute em Barcelona, na Espanha, afirma que homens com diabetes tipo 2 têm cerca de três vezes mais probabilidade de desenvolver disfunção erétil do que aqueles sem diabetes. Pessoas com diabetes e disfunção erétil apresentam um risco significativamente maior de desenvolver neuropatia periférica — danos nos nervos das mãos e dos pés — além de estarem mais sujeitas à retinopatia, que pode levar à cegueira, e à dificuldade de cicatrização de feridas, que em alguns casos pode resultar em amputações. Apesar disso, a investigação rotineira da disfunção erétil entre pacientes diabéticos ainda não faz parte da prática padrão. Santiago Martinez, endocrinologista da Universidade de Barcelona e coautor de uma revisão dos estudos, afirma que há evidências de que os profissionais de saúde não conversam com os pacientes sobre esse assunto.
Mais da metade dos homens com disfunção erétil evita procurar ajuda médica por vergonha ou ansiedade. Uma pesquisa da The Urology Foundation no Reino Unido constatou que cerca de 20% dos homens afirmaram que prefeririam ficar um mês sem beber cerveja a consultar um profissional de saúde. Mas Carroll ressalta que todos os homens que enfrentam disfunção erétil deveriam buscar orientação médica. Além de aliviar uma fonte importante de sofrimento e estresse, isso pode abrir uma discussão valiosa sobre a saúde geral do paciente — uma conversa que, em alguns casos, pode salvar vidas. Medicamentos como o Viagra promovem a dilatação dos vasos sanguíneos do pênis. Há relatos observacionais sugerindo que pacientes que usam esses medicamentos apresentam melhores desfechos cardiovasculares, incluindo menor risco de insuficiência cardíaca, embora isso ainda não tenha sido comprovado em ensaios clínicos. Alguns estudos também sugerem que esses medicamentos podem reduzir o risco de demência — uma pesquisa que analisou mais de 885 mil pacientes concluiu que o uso dessas drogas estava associado a uma redução de duas vezes no risco de desenvolver doença de Alzheimer.
Mesmo que nenhum tratamento específico seja indicado, relatar a disfunção erétil ao médico permite investigar fatores de risco comuns para doenças cardiovasculares, como hipertensão e aterosclerose, além de identificar problemas como obesidade. Em alguns casos, medidas simples — mudanças na alimentação e prática de exercícios físicos — podem ajudar. Para pessoas com diabetes, controlar os níveis de glicose no sangue é fundamental. Mas Martinez e Vlacho ressaltam que as pesquisas sobre os efeitos desses tratamentos ainda estão em estágio inicial. Identificar as causas da disfunção erétil pode exigir investigação aprofundada, já que o problema também pode estar relacionado a hábitos como consumo compulsivo de pornografia e questões de saúde mental ligadas ao desejo sexual. Carroll observa que quando o homem tem diabetes ou doença cardiovascular, geralmente é mais fácil estabelecer a relação e indicar um tratamento. Mas quando entram em cena fatores de estilo de vida — consumo de álcool e tabagismo — combinados a aspectos psicológicos ou comportamentais, a situação pode ser mais difícil de abordar.
Bemerkenswerte Zitate
A disfunção erétil costuma ser um dos primeiros sinais de que algo não vai bem com a saúde— Emmanuele Jannini, sexólogo da Universidade de Roma Tor Vergata
Ter uma boa ereção é um bom indicador da saúde dos vasos sanguíneos— Michael Carroll, especialista em ciência reprodutiva da Universidade Metropolitana de Manchester