Pelo menos 19 mortos em ataque a hospital militar em Cabul

Pelo menos 19 pessoas mortas e cerca de 50 feridas no ataque ao hospital militar de Cabul, com dezenas de internamentos em hospitais da capital afegã.
O grupo jihadista se tornou a maior ameaça à segurança do governo talibã
Especialistas analisam a escalada de ataques do Estado Islâmico desde a tomada do poder pelos talibãs em agosto.
Mark

Por que é que um hospital militar é um alvo tão atrativo para estes grupos?

Mimi

Porque combina valor simbólico com impacto máximo. Atingir um hospital militar junto à embaixada americana e ao Ministério da Saúde é uma mensagem — diz que o governo talibã não consegue proteger nem os seus próprios edifícios estratégicos.

Mark

Este hospital já tinha sido atacado antes, certo?

Mimi

Sim, em 2017. O mesmo grupo, o Estado Islâmico, matou mais de trinta pessoas. A repetição sugere que aprenderam como penetrar a segurança, ou que a segurança nunca foi realmente reforçada.

Mark

Qual é a escala disto no contexto mais amplo?

Mimi

Desde agosto, quando os talibãs chegaram ao poder, o EI disparou ataques em oito províncias. Mataram 170 pessoas num único ataque ao aeroporto. Isto não é aleatório — é uma campanha coordenada para deslegitimar o novo governo.

Mark

Os talibãs conseguem responder a isto?

Mimi

Essa é a questão que os especialistas estão a fazer. O EI tornou-se a maior ameaça à segurança do regime talibã. Se não conseguem proteger um hospital militar no coração de Cabul, como conseguem proteger o país?

Mark

Ninguém assumiu responsabilidade ainda?

Mimi

Não, mas o padrão dos ataques — explosivos seguidos de disparos, alvos civis e militares, mensagens claras — aponta para o EI. É quase uma assinatura.

  • Duas explosões e uma sequência de tiros transformaram o principal hospital militar de Cabul num campo de caos, matando pelo menos 19 pessoas e ferindo cerca de 50 em plena terça-feira.
  • A localização do hospital — a poucos metros da embaixada dos EUA e do Ministério da Saúde afegão — amplifica o impacto simbólico e estratégico do ataque.
  • Dezenas de feridos foram transportados de urgência para vários hospitais da capital, incluindo pelo menos nove internados na instituição gerida pela organização humanitária italiana Emergency.
  • Nenhum grupo assumiu responsabilidade, mas o Estado Islâmico é o principal suspeito, tendo intensificado ataques em pelo menos oito províncias desde a chegada dos talibãs ao poder.
  • O padrão de violência — do aeroporto de Cabul ao ataque em Kunduz e agora a este hospital — aponta para uma escalada sem sinais de abrandamento.

Num país onde a violência aprendeu a escolher os seus alvos com crueldade calculada, um hospital militar em Cabul — lugar que deveria ser refúgio — tornou-se mais uma vez palco de destruição. Pelo menos 19 pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas quando explosivos e disparos atingiram o Sardar Mohammad Dawood Khan numa terça-feira, repetindo um padrão já visto em 2017. O ataque inscreve-se numa escalada protagonizada pelo Estado Islâmico desde a tomada do poder pelos talibãs em agosto, lembrando que a mudança de regime não trouxe o fim da violência — apenas redefiniu os seus contornos.

Numa terça-feira em Cabul, o hospital militar Sardar Mohammad Dawood Khan foi atingido por duas explosões seguidas de disparos, deixando pelo menos 19 mortos e cerca de 50 feridos. As vítimas foram transportadas para vários hospitais da capital nos minutos seguintes ao ataque, com a organização humanitária Emergency a confirmar o internamento de pelo menos nove pessoas na sua instituição.

O hospital situa-se a poucos metros da embaixada dos Estados Unidos e do próprio Ministério da Saúde afegão — uma proximidade que o torna simultaneamente estratégico e exposto. Não é a primeira vez que este local é visado: em março de 2017, um atentado suicida atribuído ao Estado Islâmico matou mais de trinta pessoas no mesmo edifício, revelando uma vulnerabilidade que persiste.

Até ao momento da divulgação da notícia, nenhum grupo havia reivindicado o ataque. Ainda assim, o contexto aponta numa direção clara: desde que os talibãs tomaram o poder em agosto, o Estado Islâmico intensificou a sua campanha de violência, reivindicando ataques em pelo menos oito das 34 províncias do país. Entre os episódios mais mortíferos contam-se o ataque no aeroporto de Cabul em 26 de agosto, com cerca de 170 mortos, e os atentados em Kunduz e Kandahar, que somaram mais de 140 vítimas fatais.

Especialistas consideram o Estado Islâmico a maior ameaça à segurança do governo talibã, usando a violência contra civis, instalações militares e locais religiosos para desafiar a autoridade do novo regime e alimentar a instabilidade. O ataque ao hospital de Cabul é o mais recente capítulo de uma escalada que não dá sinais de parar.

Numa terça-feira em Cabul, explosivos e disparos transformaram um hospital militar numa cena de caos. Pelo menos 19 pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas no ataque ao Sardar Mohammad Dawood Khan, o principal hospital militar da capital afegã, segundo um funcionário do Ministério da Saúde que falou sob anonimato à agência AFP. As vítimas foram transportadas para diversos hospitais da cidade nos minutos que se seguiram às duas explosões e à sequência de tiros que atingiu a instituição.

O hospital fica a poucos metros da embaixada dos Estados Unidos e do próprio Ministério da Saúde afegão — uma localização que o torna simultaneamente estratégico e vulnerável. Um médico do hospital militar, Azhar Khalid Akrami, confirmou o incidente através de uma mensagem publicada no Facebook, descrevendo o que havia acontecido como "uma explosão e um ataque" nas imediações. A organização humanitária italiana Emergency, que gere um hospital na capital, informou que pelo menos nove pessoas foram internadas na sua instituição após as explosões.

Até ao momento em que a notícia foi divulgada, nenhum grupo havia assumido responsabilidade pelo ataque. Mas o contexto é perturbador: este mesmo hospital já havia sido alvo de um atentado suicida em março de 2017, atribuído ao Estado Islâmico, que matou mais de trinta pessoas e feriu dezenas. A repetição do padrão sugere uma vulnerabilidade persistente num local que deveria ser seguro.

Desde que os talibãs tomaram o poder em 15 de agosto, o Estado Islâmico intensificou uma campanha de violência contra o novo governo afegão. O grupo jihadista reivindicou ataques em pelo menos oito das 34 províncias do país. O mais devastador ocorreu em 26 de agosto no aeroporto de Cabul, quando milhares de afegãos desesperados tentavam fugir — esse ataque matou cerca de 170 pessoas. Em 8 de outubro, um atentado suicida a uma mesquita xiita em Kunduz deixou pelo menos 80 mortos e cerca de 100 feridos. Uma semana depois, outro ataque no sul de Kandahar causou 60 mortes.

Especialistas apontam que o Estado Islâmico se tornou a maior ameaça à segurança do governo talibã no Afeganistão. O padrão é claro: enquanto os talibãs consolidam o seu controlo, o grupo jihadista usa ataques contra civis, instalações militares e religiosas para desafiar a sua autoridade e semear instabilidade. O ataque ao hospital militar de Cabul é apenas o mais recente episódio de uma escalada que não mostra sinais de abrandamento.

Dezanove mortos e cerca de 50 feridos foram levados para hospitais da cidade
— Funcionário do Ministério da Saúde afegão
Havia ocorrido uma explosão e um ataque nas proximidades do hospital
— Azhar Khalid Akrami, médico do hospital militar
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