Melhor que antes, mas ainda longe de bom
O setor brasileiro de papel e celulose atravessa um momento de recuperação contida: os números melhoram, mas o horizonte ainda não é de plenitude. O Banco Safra, ao projetar os resultados do segundo trimestre de 2026 para Suzano, Klabin e Dexco, oferece um diagnóstico que a história econômica conhece bem — o de indústrias que avançam contra a maré de custos estruturais, câmbio instável e margens que resistem em se alargar. A melhora existe, mas carrega o peso das condições que ainda não cederam.
- Diesel, frete, energia e produtos químicos continuam corroendo as margens do setor, mesmo com preços internacionais de celulose em alta.
- Suzano, Klabin e Dexco devem superar o primeiro trimestre, mas as projeções do Safra ficam abaixo do consenso de mercado em alguns casos, sinalizando expectativas ainda moderadas.
- A Klabin se destaca com expansão de Ebitda projetada em 16%, beneficiada pela ausência de paradas de manutenção e pela recuperação dos volumes de embalagens.
- A valorização do real ameaça diluir os ganhos que viriam dos preços internacionais mais altos, especialmente para operações como a LD Celulose, da Dexco.
- A recuperação do setor depende de duas condições que ainda não estão garantidas: sustentação dos preços externos e recuo efetivo dos custos operacionais nos próximos trimestres.
O Banco Safra divulgou suas projeções para o segundo trimestre de 2026 no setor de papel e celulose com uma mensagem clara: melhor que antes, mas ainda longe do que o setor é capaz de entregar. Suzano, Klabin e Dexco devem apresentar resultados superiores ao trimestre anterior, mas a recuperação vem acompanhada de ressalvas importantes. Diesel mais caro, fretes elevados, energia e produtos químicos em alta continuam pressionando as margens — e a oscilação do real contra o dólar adiciona uma camada extra de incerteza.
Para a Suzano, o Safra estima Ebitda de R$ 4,7 bilhões, crescimento de 3% frente ao primeiro trimestre, mas abaixo do consenso de mercado. A celulose deve puxar a melhora, com alta de 9% no Ebitda da divisão, sustentada por preços e embarques maiores. Os custos operacionais, porém, limitam o avanço. O segmento de papel também contribui positivamente, com Ebitda estimado em R$ 530 milhões.
A Klabin aparece como o destaque mais favorável do trimestre. Com Ebitda projetado de R$ 1,8 bilhão — expansão de 16% — a empresa se beneficia de preços mais altos de celulose, recuperação dos volumes de embalagens e cartão revestido, e da ausência de paradas de manutenção no período. O custo caixa também deve recuar.
A Dexco projeta Ebitda ajustado de R$ 520 milhões, alta de 9%. A divisão Wood lidera a recuperação, com preços realizados maiores e crescimento dos embarques. A divisão Deca e a operação de revestimentos também devem melhorar. A sombra fica por conta da LD Celulose, que tende a sofrer com a valorização do real, que reduz o benefício dos preços internacionais mais altos.
O retrato que emerge é o de um setor em movimento, mas ainda constrangido. Para que a recuperação ganhe consistência real, será necessário que os preços internacionais se mantenham firmes e que a estrutura de custos finalmente comece a ceder — condições que, por ora, permanecem como promessas, não como certezas.
O Banco Safra traçou um retrato do setor de papel e celulose para o segundo trimestre de 2026 que poderia ser resumido assim: melhor que antes, mas ainda longe de bom. Os analistas da instituição esperam que as três maiores companhias do segmento — Suzano, Klabin e Dexco — apresentem números superiores aos do trimestre anterior. Ainda assim, essa recuperação vem com ressalvas. As margens continuam sendo espremidas por pressões que não desaparecem: diesel mais caro, fretes elevados, energia cara e produtos químicos em alta. Algumas empresas ainda lidam com paradas de manutenção industrial e com o real oscilando contra o dólar, fatores que roem parte dos ganhos.
Para a Suzano, o Safra projeta um Ebitda de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre, o que representaria um crescimento de 3% em relação ao trimestre anterior. O número, porém, fica abaixo do que o mercado em geral espera. A celulose deve ser o motor dessa melhora, com a divisão crescendo 9% em Ebitda, impulsionada por preços mais altos e embarques ligeiramente maiores. Mas os custos operacionais — diesel, frete, manutenção — vão comer parte dessa expansão. No segmento de papel, a perspectiva também é positiva. Os analistas estimam Ebitda de R$ 530 milhões, sustentado por embarques mais robustos e ajustes moderados de preços.
A Klabin deve sair melhor dessa. O Safra projeta Ebitda de R$ 1,8 bilhão para o segundo trimestre, uma expansão de 16% frente ao primeiro trimestre. O desempenho será carregado por preços mais altos de celulose e pela recuperação dos volumes de embalagens e cartão revestido. Um ponto positivo: a ausência de paradas de manutenção no período deve ajudar a compensar a pressão dos custos de energia. O custo caixa também deve recuar no trimestre.
A Dexco projeta Ebitda ajustado de R$ 520 milhões, uma alta de 9% em relação ao trimestre anterior. A divisão Wood deve liderar essa recuperação, com preços realizados maiores e crescimento dos embarques. Mesmo com custos de produção em alta, o aumento de receita deve sustentar a expansão operacional. A divisão Deca também deve melhorar, puxada por reajustes de preços. A operação de revestimentos, que vinha fraca, deve voltar ao positivo. Mas há uma sombra: a LD Celulose tende a sofrer com a valorização do real, que reduz o ganho obtido com preços internacionais mais altos da celulose.
O quadro geral que emerge é o de um setor em recuperação gradual, mas constrangido. Os preços internacionais estão mais altos, o que ajuda. Os volumes estão melhorando em alguns segmentos. Mas a estrutura de custos permanece pesada, e a volatilidade cambial segue sendo um risco. O Safra não vê um trimestre brilhante à frente — vê um trimestre melhor que o anterior, mas ainda distante de um desempenho robusto. Para que a recuperação ganhe força real, será preciso que os preços internacionais se mantenham firmes e que os custos operacionais finalmente cedam.
Notable Quotes
O setor segue distante de uma temporada considerada brilhante— Banco Safra
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Safra usa a palavra "sem brilho" para descrever um trimestre que ainda assim mostra crescimento?
Porque crescimento não é a mesma coisa que saúde. Essas empresas estão crescendo, sim, mas a margem está sendo corroída. Você ganha mais em receita, mas perde em custo. É como correr mais rápido enquanto alguém puxa você para trás.
Qual é a diferença entre as projeções do Safra e o consenso de mercado?
O Safra é mais conservador. Ele vê os mesmos números que o mercado vê — preços altos, volumes recuperando — mas não acredita que isso vai se traduzir em margens tão gordas quanto o consenso espera. Ele está apostando que os custos vão continuar comendo parte do bolo.
A Klabin sai melhor que a Suzano nesse cenário?
Sim, porque a Klabin tem uma vantagem: não tem paradas de manutenção no trimestre. A Suzano tem. Isso faz diferença real. Além disso, a Klabin está recuperando volumes de embalagens, que é um negócio mais resiliente.
E a volatilidade do real? Isso é um problema só para a Dexco?
Não, é um problema para todas. Mas a Dexco tem a LD Celulose, que é muito exposta a preços internacionais. Quando o real sobe, aquele ganho que você teve com celulose mais cara desaparece. É um risco cambial puro.
Se tudo isso está melhorando, por que o Safra não está mais otimista?
Porque a melhora é frágil. Depende de preços internacionais que podem cair, de custos que podem subir mais, de uma moeda que pode se mexer. O Safra está dizendo: sim, vai melhorar, mas não conte com um milagre.