Papa Leão XIV lança encíclica sobre IA e alerta contra controle oligopolístico das big techs

Esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz
O papa alerta contra entregar o talento humano às máquinas, conectando tecnologia à identidade e agência pessoal.
Mark

Por que o papa escolheu justamente este momento para uma encíclica sobre inteligência artificial? Não é um tema que a Igreja tradicionalmente abordaria.

Mimi

Porque a IA não é mais uma questão futura — ela está aqui, moldando como as pessoas se comunicam, pensam e vivem. O papa está dizendo que a Igreja não pode ficar de fora dessa conversa.

Luke

Mas precisamos ser claros: o Vaticano ainda não divulgou o texto completo. Sabemos o que o papa disse em mensagens recentes, mas a encíclica em si só sai em 25 de maio. Estamos lendo sinais, não o documento.

Mark

E essa crítica às big techs? O papa está pedindo regulação?

Mimi

Ele está nomeando um problema real: um pequeno grupo de empresas controla sistemas que afetam bilhões de pessoas. Está dizendo que isso é perigoso para a dignidade humana.

Luke

Verdade, mas a encíclica ainda não foi publicada. Não sabemos exatamente quais soluções o papa vai propor. A crítica está clara; as respostas ainda estão por vir.

Mark

Por que escolher o aniversário da Rerum Novarum? Qual é o significado?

Mimi

Rerum Novarum foi sobre os direitos dos trabalhadores na era industrial. Ao assinar nessa data, Leão XIV está dizendo: assim como aquele papa enfrentou os desafios sociais de sua época, eu enfrento os da minha.

Luke

É um gesto simbólico forte, mas vale notar que a encíclica anterior sobre IA poderia ter vindo antes. O papa está respondendo a algo que já está acontecendo há anos.

Mark

Quem vai realmente ler essa encíclica? Vai mudar algo?

Mimi

Vai ser lida por bispos, padres, teólogos, católicos engajados. Pode influenciar como a Igreja se posiciona em debates sobre regulação de IA.

Luke

Sim, mas o alcance real é incerto. Encíclicas são documentos importantes dentro da tradição católica, mas sua influência no mundo secular — especialmente sobre as big techs — é uma pergunta aberta.

  • Encíclica Magnifica humanitas será publicada em 25 de maio de 2026
  • Assinada em 15 de maio, 135º aniversário da Rerum Novarum de Leão XIII
  • Papa criou Comissão Interdicasterial sobre IA no dia 16 de maio
  • Apresentação contará com teólogos e Christopher Olah, cofundador da Anthropic

A encíclica será lançada no 135º aniversário da Rerum Novarum, reforçando a tradição papal de documentos sobre Doutrina Social da Igreja. O papa alerta sobre o controle oligopolístico das big techs e a necessidade de orientar a inovação tecnológica respeitando a centralidade da pessoa humana.

O Vaticano anunciou que a primeira encíclica do papa Leão XIV, intitulada Magnifica humanitas, abordará a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, a ser publicada em 25 de maio.

O Vaticano anunciou nesta segunda-feira que a primeira encíclica do papa Leão XIV se chamará Magnifica humanitas e terá como tema central a proteção da dignidade humana diante do avanço da inteligência artificial. O documento será publicado em 25 de maio, embora tenha sido assinado pelo pontífice em 15 de maio — uma data escolhida com propósito histórico, coincidindo com o 135º aniversário da encíclica Rerum Novarum, promulgada pelo papa Leão XIII em 1891. Essa coincidência não é acidental. Os papas católicos tradicionalmente usam essa data para documentos que tratam da chamada Doutrina Social da Igreja, e Robert Prevost, o americano que escolheu o nome de Leão ao assumir o pontificado, tem demonstrado particular interesse em questões sociais ao longo de seu papado.

O conteúdo específico da encíclica ainda não foi divulgado, mas o tom já está claro nas ações e mensagens recentes do papa. No domingo anterior, durante as celebrações do Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026, Leão XIV publicou um texto com o lema "Preservar vozes e rostos humanos", no qual convida os fiéis e o mundo a manter a centralidade da pessoa humana diante de uma tecnologia cada vez mais poderosa. Nesse texto, o papa escreve: "Nesta época da inteligência artificial, encorajo todos a se empenharem em promover formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda inovação tecnológica."

O desafio, conforme o papa articula, não reside em frear a inovação digital, mas em orientá-la melhor e em compreender como funcionam os algoritmos que a sustentam. Leão XIV também adverte contra a tentação de entregar o talento humano às máquinas, argumentando que fazer isso impediria o crescimento das pessoas em relação a Deus e aos outros. "Isso significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz", escreve o pontífice, usando uma linguagem que conecta a questão tecnológica à identidade e à agência humana.

Mas é na crítica às grandes empresas de tecnologia que o papa vai mais longe. Leão XIV observa que por trás dessa "enorme força invisível que a todos envolve" está apenas um pequeno grupo de empresas, cujos fundadores foram recentemente celebrados como os criadores da pessoa do ano de 2025 — os arquitetos da inteligência artificial. Essa concentração de poder suscita, segundo o papa, uma preocupação fundamental sobre o controle oligopolístico dos sistemas algorítmicos e de inteligência artificial. Esses sistemas, adverte, são capazes de orientar sutilmente os comportamentos humanos e até mesmo de reescrever a história da humanidade, incluindo a história da própria Igreja, frequentemente sem que as pessoas tenham consciência real disso.

Para operacionalizar essa reflexão dentro da estrutura vaticana, o papa assinou um rescrito no dia 16 de maio — justamente após a assinatura da encíclica — que criou a Comissão Interdicasterial sobre Inteligência Artificial. O objetivo da comissão é promover o intercâmbio de informações e projetos sobre o tema, incluindo as políticas de uso da IA dentro da própria Santa Sé. O rescrito foi assinado pelo cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicasterio para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, com aprovação do papa.

A apresentação de Magnifica humanitas será feita por Czerny e por Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, um dos principais departamentos vaticanos. Acompanhando-os estarão Anna Rowlands, teóloga da Universidade de Durham no Reino Unido; Christopher Olah, cofundador da Anthropic e pesquisador especializado em interpretabilidade da inteligência artificial; e Leocadie Lushombo, professora de teologia política e pensamento social católico na Jesuit School de Santa Clara nos Estados Unidos. A escolha desses interlocutores — que combina autoridades vaticanas, teólogos e especialistas técnicos em IA — sugere que o documento pretende dialogar tanto com a tradição católica quanto com o conhecimento científico contemporâneo sobre como essas tecnologias funcionam e impactam a sociedade.

Por trás desta enorme força invisível que a todos envolve está apenas um pequeno grupo de empresas... Isto suscita uma preocupação importante em relação ao controlo oligopolístico dos sistemas algorítmicos
— Papa Leão XIV, em mensagem sobre Comunicações Sociais
Encorajo todos a se empenharem em promover formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda inovação tecnológica
— Papa Leão XIV
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