Pai e filho na lista vermelha da Interpol são presos um ano após assassinato de quatro amigos no PR

Quatro homens foram assassinados em emboscada e enterrados em bunker subterrâneo após cobrarem dívida de R$ 255 mil de propriedade vendida pela família Buscariollo.
Continuaram monitorando os deslocamentos e eventualmente focaram no sítio
A polícia rastreou a família Buscariollo através de vínculos em Santa Bárbara d'Oeste antes de localizá-los em Rio das Pedras.
Mark

Como a polícia conseguiu rastrear dois homens que estavam na lista vermelha da Interpol por mais de um ano?

Mimi

Começou com o mapeamento da família. Descobriram que os Buscariollo tinham vínculos com Santa Bárbara d'Oeste — respondiam por medidas lá, tinham residências. Isso abriu a porta.

Mark

E depois que encontraram Santa Bárbara d'Oeste?

Mimi

Fizeram uma operação lá em dezembro de 2025, mas não os pegaram. Continuaram monitorando os deslocamentos da família e eventualmente focaram em um sítio em Rio das Pedras, a menos de 40 quilômetros de distância.

Mark

O sítio era deles?

Mimi

Não. Pertencia a outra pessoa. A polícia ainda vai ouvir o proprietário. É uma das muitas perguntas que ficam em aberto.

Mark

Há suspeita de que policiais ajudaram na fuga?

Mimi

Sim. Dois agentes receberam mandados de busca e apreensão em dezembro por suspeita de terem ajudado. O procedimento administrativo ainda está em andamento.

Mark

E quanto aos filhos que também foram presos?

Mimi

Um deles, Carlos Henrique, foi preso por suspeita de financiar a fuga. Mas o advogado diz que tem provas de que ele não estava na cidade quando os crimes aconteceram. O outro, Carlos Eduardo, já estava preso por tráfico de drogas.

Mark

Então a história não termina com a captura?

Mimi

Longe disso. Há questões sobre quem mais estava envolvido, se os filhos realmente participaram, e como exatamente conseguiram ficar foragidos por tanto tempo com ajuda de dentro do sistema.

  • Quatro homens viajaram centenas de quilômetros para cobrar uma dívida de R$ 255 mil e nunca voltaram — seus corpos foram encontrados enterrados em um bunker a 4 km do local onde foram emboscados.
  • Pai e filho permaneceram foragidos por mais de um ano, constando na lista vermelha da Interpol enquanto a investigação tentava rastrear seu paradeiro.
  • A virada veio pelo mapeamento paciente de vínculos familiares: uma ligação com Santa Bárbara d'Oeste levou os investigadores até o sítio em Rio das Pedras, onde os dois tentaram fugir pela mata antes de serem capturados.
  • A operação se expandiu para outros membros da família — um filho preso por suspeita de apoio financeiro à fuga, outro já detido por tráfico — enquanto a defesa contesta o envolvimento de ao menos um deles.
  • A investigação aponta para uma camada ainda mais perturbadora: dois policiais civis são suspeitos de terem facilitado a fuga dos Buscariollo, e o procedimento que apura sua conduta ainda está em curso.

Em uma história que começa com uma dívida não paga e termina com quatro homens enterrados em um bunker subterrâneo, a justiça levou mais de um ano para alcançar Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo — capturados em agosto de 2026 em um sítio rural de São Paulo, após figurarem na lista vermelha da Interpol. O caso revela como a violência pode emergir das fraturas mais banais das relações humanas: um contrato descumprido, uma cobrança legítima, e uma emboscada que apagou quatro vidas. A prisão encerra a fuga, mas deixa abertas perguntas sobre cumplicidades — dentro e fora da lei.

Em agosto de 2025, Alencar Gonçalves de Souza partiu de São José do Rio Preto com três amigos para cobrar uma dívida antiga: a família Buscariollo havia comprado uma propriedade sua por dez parcelas de R$ 25 mil — e não pagou nenhuma. Os quatro desapareceram naquele dia. Mais de um mês depois, seus corpos foram encontrados em um bunker subterrâneo a cerca de quatro quilômetros da propriedade, onde a polícia acredita que foram emboscados por volta do meio-dia.

Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo fugiram logo após os crimes e passaram a figurar na lista vermelha da Interpol. A captura, mais de um ano depois, foi resultado de investigação meticulosa conduzida pela 7ª Subdivisão Policial de Mourão. Os investigadores mapearam os vínculos familiares dos foragidos e identificaram ligações com Santa Bárbara d'Oeste — cidade a menos de 40 quilômetros do sítio em Rio das Pedras onde os dois se escondiam. Uma operação anterior, em dezembro de 2025, não os encontrou, mas o monitoramento continuou até que o esconderijo foi localizado.

Quando a polícia chegou ao sítio, pai e filho tentaram escapar pela mata. Foram capturados. A operação também resultou na prisão de Carlos Henrique Buscariollo, outro filho de Antônio, suspeito de ter financiado a fuga dos familiares. Um quarto membro da família, Carlos Eduardo, já estava preso por tráfico de drogas em São Bernardo do Campo. O advogado da defesa afirma ter provas de que Carlos Henrique não estava na cidade durante os crimes.

A investigação, porém, não se encerra com as prisões. Dois policiais civis foram alvo de mandados de busca em dezembro de 2025, suspeitos de terem ajudado os Buscariollo a fugir — e o procedimento administrativo que apura sua conduta ainda está em andamento. O proprietário do sítio onde a dupla foi encontrada também será ouvido. A fuga terminou, mas as perguntas sobre quem mais esteve envolvido — e de que lado da lei — permanecem abertas.

Mais de um ano depois de quatro homens serem mortos em uma emboscada rural, a polícia localizou e prendeu Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, interior de São Paulo, na terça-feira 18 de agosto. Os dois estavam na lista vermelha da Interpol desde que fugiram após os assassinatos ocorridos em agosto de 2025 em Icaraíma, no Paraná — uma distância de cerca de 811 quilômetros.

O caso começou quando Alencar Gonçalves de Souza vendeu uma propriedade para a família Buscariollo, com o pagamento dividido em dez parcelas de R$ 25 mil cada. Nenhuma foi paga. Em 5 de agosto de 2025, Alencar viajou de São José do Rio Preto com três amigos — Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso — para cobrar a dívida. Os quatro desapareceram naquele dia. Mais de um mês depois, seus corpos foram encontrados enterrados em um bunker, uma estrutura subterrânea localizada a cerca de quatro quilômetros da propriedade onde os investigadores acreditam que foram mortos, por volta das 12h30, em uma emboscada quando retornaram ao local.

A captura de Antônio e Paulo Ricardo foi resultado de investigação minuciosa. O delegado Leonardo Luiz Martinez, da 7ª Subvisão Policial de Moarão, explicou que os investigadores mapearam o núcleo familiar dos Buscariollo e descobriram vínculos com Santa Bárbara d'Oeste, município a cerca de 38,8 quilômetros de Rio das Pedras. A família tinha antecedentes naquela cidade, inclusive respondendo por medidas de prestação de serviço comunitário. Com essa pista, a polícia começou a monitorar residências na região. Uma operação foi realizada em Santa Bárbara d'Oeste em dezembro de 2025, mas os foragidos não foram encontrados naquela ocasião. Os investigadores continuaram acompanhando os deslocamentos da família e eventualmente focaram no sítio em Rio das Pedras, onde conseguiram localizá-los.

Quando a polícia chegou ao sítio, Antônio e Paulo Ricardo tentaram fugir, mas foram capturados em uma área de mata. A operação também atingiu outros membros da família. Carlos Henrique Buscariollo, outro filho de Antônio, foi preso em Santa Bárbara d'Oeste por suspeita de ter fornecido apoio financeiro para a fuga do pai e do irmão. Um quarto alvo, Carlos Eduardo Buscariollo, já estava preso por tráfico de drogas em São Bernardo do Campo. O advogado Renan Farah, que representa os três presos, informou que aguarda as audiências de custódia e afirmou que possui elementos que comprovam que Carlos Henrique não estava na cidade no período dos crimes, portanto não teria envolvimento nas mortes.

A investigação também revelou possíveis irregularidades. Em dezembro de 2025, dois policiais civis receberam mandados de busca e apreensão por suspeita de terem ajudado os Buscariollo a fugirem. Segundo a polícia, o procedimento administrativo que apura a conduta desses agentes ainda está em andamento. Além disso, o sítio onde a dupla foi encontrada não pertencia à família Buscariollo, e o proprietário ainda será ouvido pelas autoridades. A captura marca o encerramento de uma fuga de mais de um ano, mas deixa em aberto questões sobre quem mais pode ter estado envolvido nos crimes e na subsequente fuga dos suspeitos.

Foi esmiuçado o núcleo familiar da família Buscariollo e a gente detectou que eles eram de Santa Bárbara. Eram pessoas rastreadas. Então foi daí que a gente soube que existiam residências lá.
— Delegado Leonardo Luiz Martinez, 7ª Subvisão Policial de Moarão
A defesa tem elementos que comprovam que Carlos Henrique não estava na cidade no período dos crimes e, por isso, não teria envolvimento com as mortes.
— Advogado Renan Farah, representante dos presos
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