Pacientes relatam procedimentos arriscados de fisioterapeuta presa em Goiânia

Nove pacientes sofreram lesões graves incluindo mutilação genital, perda de sensibilidade, infecções, sangramento e complicações funcionais que afetam sua qualidade de vida e capacidade sexual.
Já foi, já cortou, já estava sangrando, agora tenho que esperar
Paciente descreve o momento em que percebeu que a fisioterapeuta realizava cirurgia sem equipamento estéril adequado.
Mark

Por que uma fisioterapeuta estava fazendo cirurgias? Isso não é fora de seu escopo profissional?

Mimi

Completamente fora. Ela tinha formação complementar em harmonização estética, mas isso não a autorizava a fazer procedimentos cirúrgicos — cortes, retirada de tecidos, alteração anatômica. A polícia foi bem claro: ela não tinha autorização legal para nada disso.

Luke

Mas a questão é: como ela conseguiu fazer isso por tanto tempo sem ser denunciada antes? Nove pacientes é um número grande. Quantos procedimentos ela fez no total?

Mimi

A polícia não divulgou o número total de procedimentos, apenas que sete pacientes denunciaram inicialmente e depois mais duas procuraram a polícia. Então sabemos de pelo menos nove vítimas, mas não sabemos se havia outras.

Mark

E quanto às condições em que ela atendia? Um quarto em uma casa?

Mimi

Sim. Ela dizia que sua clínica estava em reforma, então atendia em um quarto improvisado dentro de uma casa. Sem equipamento estéril, sem protocolo de higiene. Uma paciente passou quatro horas lá sem saber que era um espaço improvisado.

Luke

Há alguma evidência de que ela sabia que estava causando dano? Ou ela simplesmente não tinha competência técnica?

Mimi

Não há informação sobre isso nos relatos. O que sabemos é que continuava divulgando seu trabalho nas redes sociais mesmo depois que as pacientes começaram a sofrer complicações graves.

Mark

E a defesa dela? O que dizem?

Mimi

Presunção de inocência, cooperação total com as autoridades, pedido de cautela. Dizem que os fatos serão esclarecidos no processo.

Luke

Mas há um vídeo mostrando ela usando guardanapo para limpar cortes durante uma cirurgia. Isso não é uma questão de interpretação — é negligência documentada.

Mimi

Verdade. E segundo especialistas, usar guardanapo em vez de material estéril aumenta drasticamente o risco de infecção. Não é uma questão de opinião.

Mark

Qual é o próximo passo agora?

Mimi

Ela responde por lesão corporal gravíssima. O Conselho Regional de Fisioterapia abriu um processo ético-disciplinar. A investigação continua.

  • Magda Oliveira da Silva presa em Goiânia por suspeita de causar lesões gravíssimas em pacientes
  • Nove pacientes denunciaram complicações após procedimentos estéticos em regiões íntima, facial, glútea e mamária
  • Procedimentos realizados em quarto improvisado dentro de uma casa, sem equipamento estéril adequado
  • Vídeo mostra fisioterapeuta usando guardanapo para limpar cortes durante cirurgia na região genital
  • Conselho Regional de Fisioterapia abriu processo ético-disciplinar para apuração dos fatos

Magda Oliveira da Silva realizava procedimentos cirúrgicos em quarto improvisado, sem equipamento estéril adequado e enquanto gripada, segundo relatos de pacientes. Nove pacientes denunciaram complicações graves incluindo perda de sensibilidade genital, mutilação de tecidos, infecções e dificuldades funcionais após os procedimentos.

Fisioterapeuta é presa em Goiânia suspeita de causar lesões gravíssimas em pacientes durante procedimentos estéticos íntimos, faciais e corporais realizados em condições precárias e sem autorização legal.

Magda Oliveira da Silva foi presa na segunda-feira sob suspeita de ter causado lesões gravíssimas em pacientes durante procedimentos estéticos realizados em condições que desafiam qualquer padrão de segurança médica. A fisioterapeuta de Goiânia atendia em um quarto improvisado dentro de uma casa enquanto sua clínica passava por reformas — um detalhe que uma paciente descobriu apenas após passar quatro horas no local. Não havia equipamento estéril adequado. Não havia protocolo de higiene. Havia, segundo relatos, uma profissional muito gripada limpando o nariz com o braço e voltando imediatamente ao procedimento cirúrgico.

Nove mulheres procuraram a polícia com denúncias de complicações graves após submeterem-se a procedimentos nas regiões íntima, facial, glútea e mamária. Uma delas relatou à TV Anhanguera o momento em que percebeu que algo estava errado: Magda começou a fazer uma ninfoplastia — cirurgia na região genital — sem luvas estéreis e com a máscara colocada de forma inadequada. "Ela estava muito gripada, então ela dava uma limpada no nariz com parte do braço e voltava para o procedimento. Só que eu já estava encurralada, né? Já foi, já cortou, já estava sangrando, agora tenho que esperar o final disso aqui", descreveu a paciente. Um vídeo obtido pela polícia mostra Magda usando um guardanapo para limpar cortes durante a cirurgia — uma conduta que, segundo especialistas, aumenta drasticamente o risco de contaminação e infecção.

As consequências relatadas pelas pacientes formam um quadro de dano sistemático. Perda de sensibilidade no clitóris. Sangramento, queimaduras, dor intensa, inchaço, inflamação, cicatrizes e ferimentos abertos. Febre, tontura e mal-estar intenso. Exposição da uretra. Dificuldade para manter relações sexuais. Dificuldade para mastigar e abrir a boca. Dificuldade para urinar. Alteração parcial da visão. Alteração da coloração da pele. Uma paciente relatou que não recebeu suporte após as complicações e que Magda continuava divulgando seu trabalho normalmente nas redes sociais, postando palavras de Deus e afirmando que era mais forte do que aqueles que tentavam derrubá-la.

O delegado Alex Rodrigues, responsável pela investigação, deixou claro que Magda ultrapassou completamente os limites legais de sua profissão. Embora possuísse formação complementar em harmonização facial, corporal e íntima, ela não tinha autorização dos órgãos responsáveis para realizar procedimentos cirúrgicos. "Algumas delas tiveram lesões gravíssimas nas partes íntimas. Ela não tem autorização dos órgãos responsáveis para realizar esse tipo de procedimento, que é inclusive um procedimento cirúrgico", afirmou. A investigação aponta que em determinados procedimentos ela realizou cortes, retirou partes de tecidos, alterou a anatomia das pacientes e prescreveu ou forneceu medicamentos — circunstâncias que extrapolaram completamente os limites técnicos e legais da atuação profissional.

Durante o interrogatório, Magda informou à polícia que cursa medicina na modalidade de educação a distância em uma universidade na Bolívia, para onde viaja duas vezes por ano. A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dela e em duas salas comerciais onde atendia pacientes. A defesa de Magda, representada pela assessoria Sílvio Maia, emitiu uma nota reafirmando presunção de inocência e prometendo cooperação total com as autoridades, pedindo cautela na divulgação de informações prematuras.

O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região abriu um processo administrativo e ético-disciplinar próprio para apuração dos fatos. Em nota, o conselho afirmou que, caso confirmados, os fatos configurarão grave desvio da prática profissional e serão tratados com rigor. O conselho se colocou à disposição das autoridades policiais e do Ministério Público para colaborar com a investigação. Magda responderá por lesão corporal gravíssima — uma acusação que reflete a seriedade das lesões infligidas e o alcance do dano causado às pacientes que procuraram seus serviços em busca de procedimentos estéticos e encontraram, em vez disso, negligência sistemática e prejuízo permanente.

Ela estava muito gripada, então ela dava uma limpada no nariz com parte do braço e voltava para o procedimento
— Paciente que denunciou à TV Anhanguera
Algumas delas tiveram lesões gravíssimas nas partes íntimas. Ela não tem autorização dos órgãos responsáveis para realizar esse tipo de procedimento, que é inclusive um procedimento cirúrgico
— Delegado Alex Rodrigues
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