Em meio à febre global por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, a ciência começa a revelar que seus efeitos vão muito além da perda de peso — tocando o coração, os rins e o metabolismo de formas ainda em estudo. O ensaio clínico SELECT, com mais de 17 mil participantes, demonstrou reduções significativas em eventos cardiovasculares graves, ampliando o horizonte terapêutico dessas substâncias. Ainda assim, especialistas e sociedades médicas brasileiras reforçam que esses benefícios só se sustentam com prescrição adequada, acompanhamento contínuo e mudanças reais no estilo de vida — e q
Ozempic e emagrecedores: ciência revela efeitos no coração, rins e cérebro além do peso
Qualquer decisão deve ser tomada com um endocrinologista
Por que essas medicações ganharam tanta fama se têm tantos efeitos colaterais?
Porque os benefícios são reais — reduzir o risco de infarto em 20% é significativo para quem tem doença cardiovascular. Mas a fama veio principalmente das redes sociais, onde o emagrecimento rápido é mais visível que a proteção do coração.
E as pessoas que compram sem prescrição, elas sabem dos riscos?
Muitas não. Veem celebridades usando, veem promessas de emagrecimento, e acham que é seguro. A Anvisa já encontrou produtos falsificados. Não é só sobre efeitos colaterais — é sobre não saber o que está entrando no corpo.
O que muda quando há acompanhamento médico?
Tudo. Um endocrinologista avalia seu histórico, faz exames, ajusta a dose, monitora os rins e o coração. Os efeitos colaterais continuam existindo, mas deixam de ser surpresas perigosas.
E se a pessoa emagrece, para de tomar e volta a ganhar peso?
Volta rápido, porque o medicamento não muda os hábitos. Por isso as sociedades médicas insistem que tem que vir junto com mudança real — alimentação, exercício. Sem isso, é temporário.
Então não é para qualquer um?
Não. É para pessoas com indicação clínica clara — diabetes tipo 2, obesidade com comorbidades. Usar por estética, sem prescrição, é arriscar muito por um resultado que não vai durar.
O Pulso
- A popularidade explosiva de Ozempic e Mounjaro nas redes sociais criou uma demanda que ultrapassa o controle médico, com pessoas buscando os medicamentos sem prescrição e em canais não oficiais.
- A Anvisa já identificou lotes falsificados circulando no Brasil, e doses inadequadas elevam o risco de efeitos colaterais graves como pancreatite, perda muscular e alterações renais.
- O estudo SELECT, publicado no New England Journal of Medicine, mostrou redução de 20% em infartos, AVCs e mortes cardiovasculares — dados que reposicionaram esses fármacos como ferramentas de saúde sistêmica, não apenas estética.
- Sociedades brasileiras de endocrinologia e diabetes reconhecem a eficácia clínica, mas exigem que o uso seja sempre acompanhado de mudanças no estilo de vida para garantir resultados duradouros.
- O maior perigo silencioso é a falsa sensação de segurança: pacientes que se automedicam tendem a negligenciar exames regulares e consultas, justamente quando a vigilância médica é mais necessária.
Em meio à febre global por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, a ciência começa a revelar que seus efeitos vão muito além da perda de peso — tocando o coração, os rins e o metabolismo de formas ainda em estudo. O ensaio clínico SELECT, com mais de 17 mil participantes, demonstrou reduções significativas em eventos cardiovasculares graves, ampliando o horizonte terapêutico dessas substâncias. Ainda assim, especialistas e sociedades médicas brasileiras reforçam que esses benefícios só se sustentam com prescrição adequada, acompanhamento contínuo e mudanças reais no estilo de vida — e que o caminho da automedicação pode transformar uma promessa em risco.
Nos últimos anos, Ozempic, Wegovy e Mounjaro saíram dos consultórios e invadiram as redes sociais com promessas de emagrecimento rápido. O que a ciência está revelando agora, porém, vai muito além da balança.
A semaglutida — princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — e a tirzepatida, presente no Mounjaro, imitam hormônios intestinais liberados após as refeições. Agem no cérebro reduzindo o apetite, desaceleram o esvaziamento gástrico e ajudam o pâncreas a controlar a glicose. O resultado é mais saciedade e menos ingestão calórica. Mas os efeitos não param aí.
O estudo SELECT, publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou 17.604 adultos com obesidade e doença cardiovascular prévia. Aqueles que usaram semaglutida semanal tiveram 20% menos risco de infarto, AVC e morte cardiovascular — e cerca de 22% menos desfechos renais desfavoráveis. Esses números transformaram a percepção médica sobre essa classe de medicamentos.
Os benefícios, porém, vêm acompanhados de efeitos colaterais que exigem vigilância: náuseas, vômitos, diarreia e constipação nas primeiras semanas; risco de hipoglicemia quando combinados com outros antidiabéticos; e, em casos mais raros, pancreatite e cálculos biliares. A perda de massa muscular preocupa especialmente quando a ingestão de proteínas é insuficiente.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes reconhecem a eficácia clínica, mas são enfáticas: o uso só é seguro com indicação médica, acompanhamento contínuo e mudanças reais no estilo de vida. Os riscos da automedicação são concretos — desde lotes falsificados identificados pela Anvisa até interações perigosas com medicamentos para pressão e diabetes.
A mensagem dos especialistas não deixa margem para interpretação: qualquer decisão sobre esses medicamentos deve passar por um endocrinologista. Não há atalho seguro nessa conversa.
Nos últimos anos, três nomes ganharam fama nas redes sociais e consultórios: Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Todos prometem emagrecimento rápido e visível. O que a ciência está descobrindo agora, porém, vai muito além da balança. Estudos recentes mostram que essas medicações afetam o coração, os rins e o cérebro de formas que os médicos ainda estão aprendendo a compreender — e nem sempre de maneira simples.
A semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, funciona imitando hormônios que o intestino libera naturalmente após as refeições. A tirzepatida, encontrada no Mounjaro, age de forma semelhante. Ambas trabalham em três frentes: reduzem o apetite ao agir no cérebro, desaceleram o esvaziamento do estômago e ajudam o pâncreas a controlar a glicose no sangue. Por isso a pessoa sente mais saciedade e come menos ao longo do dia. Mas essas ações não param por aí.
O estudo mais robusto até agora vem de um ensaio clínico randomizado chamado SELECT, publicado na revista The New England Journal of Medicine. Pesquisadores acompanharam 17.604 adultos com doença cardiovascular prévia e obesidade — mas sem diabetes — durante meses. Aqueles que receberam semaglutida semanal tiveram redução de 20% no risco de infarto, acidente vascular cerebral e morte por causas cardiovasculares. Análises adicionais do mesmo estudo mostraram ainda uma redução de cerca de 22% em desfechos renais desfavoráveis. Esses números ampliaram significativamente o interesse médico nessa classe de medicamentos, que deixou de ser vista apenas como ferramenta de emagrecimento estético.
Mas os benefícios vêm acompanhados de efeitos colaterais que exigem atenção contínua. Nas primeiras semanas, muitos pacientes relatam náuseas, vômitos e diarreia. Conforme o tempo passa, a constipação intestinal e a dor abdominal podem aparecer, ligadas ao esvaziamento gástrico mais lento. Há também risco de hipoglicemia, especialmente quando o medicamento é combinado com outros remédios para diabetes. Em casos mais raros, mas graves, surgem pancreatite e pedras na vesícula. A perda de massa muscular é outra preocupação, particularmente quando a ingestão de proteínas não é adequada. Desidratação e alterações renais podem ocorrer em decorrência de vômitos e diarreia frequentes. Quando há acompanhamento médico regular, esses efeitos costumam ser controláveis, mas exigem vigilância constante.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes reconhecem que semaglutida e tirzepatida são ferramentas importantes no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Mas ambas as organizações deixam claro: apenas dentro de indicações clínicas reconhecidas e com acompanhamento profissional contínuo. O alerta é especialmente forte contra a automedicação e a compra em canais não oficiais. As duas sociedades também recomendam que o tratamento seja sempre combinado com mudanças reais no estilo de vida — alimentação equilibrada e atividade física regular — para que os resultados sejam duradouros.
Os riscos de buscar essas medicações por conta própria são substanciais. A Anvisa já identificou lotes falsificados circulando no país. Doses inadequadas aumentam a chance de efeitos colaterais e reduzem a eficácia do tratamento. Há risco de interações perigosas com medicamentos para pressão, coração ou diabetes. Pessoas com refluxo, gastroparesia ou transtornos alimentares podem ver suas condições piorarem significativamente. Quando o tratamento é suspenso sem mudança real nos hábitos, o peso volta rapidamente. E talvez o mais insidioso: a falsa sensação de segurança que leva as pessoas a negligenciar exames e consultas médicas regulares.
A mensagem dos especialistas é clara e sem nuances: qualquer decisão sobre o uso de semaglutida, tirzepatida ou outros medicamentos para emagrecimento deve ser tomada em consulta com um endocrinologista. Esse profissional pode avaliar o quadro clínico individual, indicar os exames necessários e definir o melhor plano terapêutico. Não há atalho seguro nessa conversa.
Citações Notáveis
Semaglutida e tirzepatida são ferramentas importantes no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, mas apenas dentro de indicações reconhecidas e com acompanhamento profissional— Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Sociedade Brasileira de Diabetes