Osteoporose afeta homens e mulheres diferentemente; genética e estilo de vida são decisivos

Fraturas de quadril relacionadas à osteoporose podem levar a internação prolongada, complicações como trombose e pneumonia, e perda permanente de independência funcional em 80% dos casos.
Oitenta por cento dos pacientes nunca recuperam a independência que tinham
Consequência de fraturas de quadril relacionadas à osteoporose, segundo especialista da USP.
Mark

Por que a osteoporose é tão silenciosa? Por que não dói?

Mimi

Porque a doença não inflama o osso, não irrita terminações nervosas. Ela simplesmente reduz a densidade, torna o osso poroso. A pessoa não sente nada até quebrar algo.

Luke

Mas então como alguém sabe que tem osteoporose antes de uma fratura? Só pelo exame?

Mimi

Sim. A densitometria óssea detecta a perda de densidade antes de qualquer fratura acontecer. É por isso que as recomendações de rastreamento existem — mulheres a partir dos 65, homens a partir dos 70.

Mark

E por que as mulheres sofrem mais cedo?

Mimi

A menopausa. O estrogênio cai, e com ele a proteção dos ossos. Começa por volta dos 50 anos. Os homens só enfrentam queda de testosterona aos 70.

Luke

Mas isso significa que um homem de 65 anos pode estar seguro?

Mimi

Não necessariamente. Se tiver fatores de risco — histórico familiar, tabagismo, álcool, medicações com corticoide — precisa fazer o exame mais cedo.

Mark

E se alguém quebrar o quadril por osteoporose? Recupera?

Mimi

Raramente recupera completamente. Precisa de cirurgia, fica acamado, corre risco de trombose e pneumonia. Oitenta por cento dos pacientes não voltam à independência que tinham antes.

Luke

Oitenta por cento é um número muito alto. Isso é do primeiro ano após a fratura, ou é permanente?

Mimi

É permanente. O primeiro ano é o período de maior risco, mas a maioria não recupera a independência funcional completa.

Mark

Então a prevenção é realmente a única saída?

Mimi

É a melhor saída. Cálcio, vitamina D, exercícios desde a infância. Genética influencia 70% da massa óssea, mas os outros 30% a 40% dependem do estilo de vida.

Luke

Mas se alguém tem genética ruim, consegue compensar com estilo de vida?

Mimi

Consegue desacelerar o processo, reduzir o risco. Não consegue reverter completamente, mas consegue fazer diferença.

  • Mais de 33 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais vivem com osteoporose sem sentir nenhum sintoma — até que um osso quebra onde não deveria.
  • Mulheres enfrentam o risco décadas antes dos homens: a queda abrupta do estrogênio na menopausa acelera a perda óssea a partir dos 50 anos, enquanto nos homens o processo só se intensifica por volta dos 70.
  • A fratura de quadril é a consequência mais temida — exige cirurgia, impõe imobilidade prolongada e deixa 80% dos pacientes sem recuperar a independência funcional que tinham antes.
  • A densitometria óssea pode detectar a perda de massa antes de qualquer fratura, mas ainda é subutilizada: mulheres devem fazê-la a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70.
  • Cálcio, vitamina D, exercícios físicos e abandono do tabagismo formam o núcleo da prevenção — uma estratégia que precisa começar na infância e se manter por toda a vida para ser eficaz.

Em silêncio, os ossos se esvaziam — e mais de 33 milhões de brasileiros acima dos 60 anos já carregam essa fragilidade sem o saber. A osteoporose não escolhe ao acaso: hormônios, genética e décadas de hábitos cotidianos constroem ou corroem a arquitetura que nos sustenta. O que a ciência nos lembra é que a prevenção não começa na velhice, mas na infância, e que o tempo perdido dificilmente se recupera — embora nunca seja tarde para desacelerar o que ainda está em curso.

A osteoporose não avisa. Os ossos perdem densidade de forma progressiva e silenciosa, e a pessoa só descobre a condição quando cai e quebra algo que não deveria quebrar. No Brasil, mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais já convivem com essa realidade — e o número pode ultrapassar 40 milhões até 2030.

A doença afeta homens e mulheres em momentos distintos da vida. Nas mulheres, o risco aumenta dramaticamente após a menopausa, quando a produção de estrogênio — hormônio que protege a massa óssea — cai abruptamente, por volta dos 50 anos. Nos homens, a testosterona cumpre papel semelhante, mas seus níveis só declinam de forma significativa por volta dos 70 anos, oferecendo uma vantagem temporal considerável.

Por não causar dor, a osteoporose costuma ser descoberta por acaso — após uma fratura ou em exame de rotina. A densitometria óssea é o exame padrão-ouro para detectar a perda antes que qualquer fratura ocorra. A recomendação é que mulheres a façam a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, mesmo sem histórico de fraturas. Pessoas mais jovens com fatores de risco — histórico familiar, tabagismo, uso prolongado de corticoides ou consumo excessivo de álcool — também devem se submeter ao exame.

Os sinais da doença são sutis: uma fratura após esforço leve ou uma redução de 2 a 3 centímetros na altura podem indicar fraturas vertebrais silenciosas. A fratura de quadril, porém, é a mais grave — exige cirurgia, impõe imobilidade prolongada e eleva o risco de trombose, pneumonia e perda muscular. Cerca de 80% dos pacientes nunca recuperam completamente a independência funcional que tinham antes.

A genética responde por cerca de 70% da massa óssea, mas os outros 30% a 40% dependem do estilo de vida. Alimentação adequada, cálcio, vitamina D e exercícios físicos desde a infância ajudam a construir e preservar os ossos. Não é possível compensar décadas de negligência em poucos meses, mas é possível desacelerar a deterioração e reduzir significativamente o risco de fraturas graves — e isso, por si só, já muda o curso de uma vida.

A osteoporose é uma doença que não avisa. Os ossos ficam porosos, frágeis, perdem densidade — e a pessoa não sente nada até o dia em que cai e quebra algo que não deveria quebrar. No Brasil, mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais já convivem com essa condição silenciosa. Se as tendências se mantiverem, esse número ultrapassará 40 milhões até 2030.

O que torna a doença particularmente traiçoeira é que ela afeta homens e mulheres em momentos diferentes da vida, por razões biológicas distintas. Diogo Domiciano, professor de Reumatologia da Faculdade de Medicina da USP e responsável pelo ambulatório de Osteoporose do Hospital das Clínicas, explica que nas mulheres o risco aumenta dramaticamente após a menopausa. O estrogênio, hormônio feminino, funciona como um protetor da massa óssea. Quando a mulher entra na menopausa — tipicamente por volta dos 50 anos — a produção de estrogênio cai abruptamente, e os ossos começam a perder densidade de forma progressiva. Nos homens, o processo é semelhante, mas ocorre muito mais tarde. A testosterona também protege os ossos, mas seus níveis só caem significativamente por volta dos 70 anos, dando aos homens uma vantagem temporal considerável.

Por ser silenciosa, a osteoporose costuma ser descoberta por acaso — após uma queda, uma fratura, ou durante um exame de rotina. Domiciano ressalta que a densitometria óssea é o exame padrão-ouro para detectar a perda de massa óssea antes que qualquer fratura ocorra. As recomendações são claras: mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70 devem fazer o exame regularmente, mesmo sem histórico de fraturas. Pessoas mais jovens também precisam se submeter ao teste se apresentarem fatores de risco — histórico familiar de baixa massa óssea, tabagismo, consumo excessivo de álcool ou uso prolongado de medicações com corticoide.

Os sinais da doença, quando aparecem, são sutis. Diferentemente da artrose ou artrite, que causam dor nas articulações e ossos, a osteoporose não produz sintomas óbvios. O aviso mais comum é uma fratura após um esforço leve ou uma queda simples — algo que não deveria quebrar, mas quebra. Outro sinal de alerta é uma redução significativa da altura, de 2 a 3 centímetros, que pode indicar uma fratura vertebral silenciosa. Essas fraturas vertebrais podem ocorrer sem que a pessoa perceba, porque a doença não dói.

A fratura de quadril é considerada a mais grave. Geralmente exige cirurgia para colocação de prótese e pode deixar o paciente acamado por um período prolongado. As consequências vão além da lesão inicial: imobilidade prolongada aumenta o risco de trombose, pneumonia e perda de massa muscular. O primeiro ano após a fratura é o período de maior risco. Dados mostram que cerca de 80% dos pacientes nunca recuperam completamente a independência funcional que tinham antes da lesão — uma mudança permanente na qualidade de vida.

A genética desempenha um papel importante, mas não é determinante. Aproximadamente 70% da massa óssea é influenciada por fatores genéticos. Os outros 30% a 40% dependem do estilo de vida. Pessoas com histórico familiar de baixa massa óssea enfrentam maior dificuldade para atingir um pico elevado de densidade óssea ao longo da vida. Mas hábitos saudáveis desde a infância — alimentação adequada, consumo suficiente de cálcio, vitamina D e prática regular de exercícios físicos — ajudam a formar e preservar a massa óssea. A prevenção, portanto, começa cedo e se estende por toda a vida. Não é possível compensar décadas de negligência com alguns meses de bons hábitos, mas é possível desacelerar o processo de deterioração e reduzir significativamente o risco de fraturas graves.

A massa óssea é determinada principalmente pela genética, mas o estilo de vida também tem um papel importante — cerca de 70% é genética, enquanto 30% a 40% dependem do estilo de vida
— Diogo Domiciano, professor de Reumatologia da USP
A doença não tem sintomas fortes como artrose ou artrite; o sinal mais comum é uma fratura após esforço leve ou queda simples
— Diogo Domiciano
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