Das profundezas de um silêncio de anos, Orkut Büyükkökten — o engenheiro que deu ao Brasil uma de suas primeiras grandes casas digitais — ressurge com uma carta que não é apenas nostalgia, mas diagnóstico: a internet quebrou algo essencial na experiência humana de se conectar. Sem anunciar formalmente um retorno, ele convoca uma geração inteira a participar da reconstrução de uma rede centrada em pessoas reais e comunidades genuínas, longe dos algoritmos que transformaram a atenção humana em mercadoria. Uma contagem regressiva no site orkut.com encerra-se em 8 de outubro, e com ela, talvez, um
Orkut pode voltar: carta do criador anuncia movimento para reconstruir a internet
Um algoritmo não consegue fazer a vida valer a pena. Mas um amigo consegue.
A carta não confirma o retorno do Orkut, mas Büyükkökten está claramente propondo algo. O que exatamente ele quer construir?
Ele quer uma internet centrada em pessoas reais e comunidades genuínas, não em algoritmos que capturam atenção. A ideia é retomar o que funcionava no Orkut original — grupos onde você era membro ativo, não apenas espectador.
Mas ele não diz se vai reconstruir o Orkut antigo ou criar algo novo. Também não explica como vai financiar isso ou como vai lidar com os mesmos problemas de moderação que toda rede social enfrenta.
Ele critica a IA e o conteúdo sintético, mas não oferece uma solução técnica. Como você impede bots e deepfakes em uma plataforma aberta?
Verdade. A carta é mais um manifesto sobre valores do que um plano técnico. Ele está apelando para o sentimento das pessoas que amavam o Orkut, mas os detalhes práticos ainda estão ocultos.
E a contagem regressiva termina quinta-feira. Pode ser que ele revele tudo então, ou pode ser que seja apenas um cadastro de interesse. Não sabemos ainda.
Então por enquanto é esperança baseada em nostalgia?
Parcialmente. Mas também é uma crítica legítima ao estado atual das redes sociais — a dependência de algoritmos, a venda de atenção, o crescimento de conteúdo sintético. Essas coisas são reais.
São reais, mas a solução que Büyükkökten propõe — comunidades e conexão genuína — é vaga o suficiente para significar quase qualquer coisa. Comunidades também podem ser tóxicas, excludentes, cheias de desinformação.
Então a carta é mais sobre o que ele critica do que sobre o que ele vai construir?
Sim. É um chamado para que as pessoas se juntem a um movimento, mas o movimento em si ainda é indefinido. Tudo depende do que acontecer quando a contagem chegar a zero.
O Pulso
- Büyükkökten rompe anos de silêncio com uma carta que acusa as redes sociais atuais de terem trocado conexão genuína por vício algorítmico — e a IA de ter dissolvido a certeza de que há uma pessoa real do outro lado da tela.
- A chegada de bots, deepfakes e conteúdo sintético transformou o que deveria ser espaço de encontro humano em um depósito de ruído digital, agravando solidão e ansiedade especialmente entre jovens.
- O criador propõe recolocar as comunidades no centro da experiência online — não como recurso decorativo, mas como estrutura onde usuários são membros ativos, não espectadores passivos de feeds.
- Uma contagem regressiva no orkut.com termina na quinta-feira, 8 de outubro, às 10h de Brasília, sem que o site ainda permita inscrições ou confirme oficialmente o relançamento da plataforma.
- O movimento pede que apoiadores enviem um 'cartão' a alguém que gostariam de ter nessa nova rede — um gesto que ecoa a lógica relacional do Orkut original e antecipa o que pode ser revelado ao fim da contagem.
Das profundezas de um silêncio de anos, Orkut Büyükkökten — o engenheiro que deu ao Brasil uma de suas primeiras grandes casas digitais — ressurge com uma carta que não é apenas nostalgia, mas diagnóstico: a internet quebrou algo essencial na experiência humana de se conectar. Sem anunciar formalmente um retorno, ele convoca uma geração inteira a participar da reconstrução de uma rede centrada em pessoas reais e comunidades genuínas, longe dos algoritmos que transformaram a atenção humana em mercadoria. Uma contagem regressiva no site orkut.com encerra-se em 8 de outubro, e com ela, talvez, uma nova resposta a uma velha pergunta: o que perdemos quando a internet deixou de ser um lugar e virou um fluxo?
Orkut Büyükkökten voltou a falar — e o fez com uma carta que parece menos um comunicado corporativo e mais um manifesto pessoal. O engenheiro turco que criou, em 2004, a rede social que dominou o Brasil por uma década ressurgiu com um texto ao qual o TechTudo teve acesso com exclusividade, convocando pessoas a participar de um movimento para "reconstruir a internet". Não há confirmação oficial de relançamento, mas há uma contagem regressiva no site orkut.com que termina em 8 de outubro, às 10h de Brasília.
Na carta, Büyükkökten traça um diagnóstico duro das últimas duas décadas de redes sociais: feeds construídos para engajar, não para conectar; algoritmos que viciam e vendem usuários a anunciantes; uma geração de crianças que cresceu solitária e ansiosa. A inteligência artificial, segundo ele, piorou o quadro ao eliminar a certeza de que existe uma pessoa real do outro lado — bots, deepfakes e agentes autônomos transformaram espaços de encontro em depósitos de ruído digital.
O coração da proposta está nas comunidades — o elemento que definiu o Orkut original. Büyükkökten evoca exemplos simples: pessoas que consertavam a mesma moto, que pegavam o mesmo ônibus, que odiavam segunda-feira juntas. Nesses grupos, o usuário era membro ativo, não espectador. "Um algoritmo não consegue fazer a vida valer a pena", escreve ele, "mas um amigo consegue. Uma comunidade consegue."
Os valores que ele propõe — amizade, confiança, curiosidade, gentileza — formam o oposto direto do modelo dominante. Ele diz ainda amar a indústria de tecnologia, mas descreve como desesperador o que ela se tornou, invocando o lema "aja rápido e quebre coisas" para concluir que as coisas, de fato, estão quebradas.
O que exatamente será revelado quando a contagem chegar ao zero ainda é incerto. A carta não esclarece se Büyükkökten pretende relançar o Orkut original ou lançar uma nova plataforma com princípios similares. O que fica claro é que algo está sendo preparado — e que ele acredita que só será possível com a participação de quem um dia amou aquele espaço e sente falta do que ele representava.
Orkut Büyükkökten, o engenheiro turco que criou uma das redes sociais mais amadas do Brasil, ressurgiu do silêncio com uma carta que reacende esperanças de uma geração inteira. O texto, ao qual o TechTudo teve acesso com exclusividade, não anuncia oficialmente o retorno da plataforma que desapareceu em 2014, mas convida os leitores a participar de um movimento para "reconstruir a internet" — uma visão que o criador já havia apresentado em palestra no evento Voices, da Editora Globo, em 2025.
Na carta, Büyükkökten faz uma crítica contundente ao caminho que as redes sociais tomaram nas últimas duas décadas. Ele descreve um cenário onde feeds foram construídos em torno do engajamento e não da conexão genuína, onde algoritmos viciam usuários e os vendem para anunciantes, e onde uma geração de crianças cresceu solitária e ansiosa. A chegada da inteligência artificial, segundo ele, agravou o problema ao dissolver a premissa fundamental que tornou as redes sociais especiais: a certeza de que havia uma pessoa real do outro lado da tela. Bots, conteúdo sintético, deepfakes e agentes autônomos descontrolados transformaram o que deveria ser um espaço de conexão humana em um depósito de ruído digital.
O cerne da proposta de Büyükkökten repousa em um elemento que marcou profundamente a experiência do Orkut original: as comunidades. Ele recupera exemplos simples mas poderosos — pessoas que consertavam a mesma moto, que pegavam a mesma linha de ônibus, que compartilhavam ódio por segunda-feira. Nessas comunidades, o usuário não era um espectador passivo de um feed algorítmico, mas um membro ativo de um grupo formado em torno de interesses genuínos. Essa diferença, para Büyükkökten, é fundamental. Um algoritmo não consegue fazer a vida valer a pena, escreve ele, mas um amigo consegue. Uma comunidade consegue.
A visão que Büyükkökten defende é a de uma internet centrada em pessoas reais, em relações humanas autênticas, e não em métricas de tempo de tela ou recomendações algorítmicas. Os valores que ele enumera — amizade, confiança, curiosidade, gentileza e conexão — formam o oposto direto do modelo que domina as plataformas atuais. Ele reconhece que ainda ama a indústria de tecnologia, mas descreve como desesperador o que ela se tornou, invocando o antigo lema do Vale do Silício — "aja rápido e quebre coisas" — para apontar que as coisas, de fato, estão quebradas.
No site orkut.com, uma contagem regressiva marca o tempo até quinta-feira, 8 de outubro, às 10 horas de Brasília. Neste momento, a página não permite que os usuários adicionem seus nomes ao movimento, como Büyükkökten pede na carta. Ele convida os leitores a entrar no site, adicionar seus nomes e depois enviar um "cartão de apoiador" para uma pessoa que gostariam de ter ali, explicando por que pensaram nela. Quando a contagem chegar ao fim, será possível entender para que servirá essa assinatura e o que exatamente Büyükkökten está preparando.
O Orkut original foi criado em 2004 e se tornou uma das redes sociais mais populares do Brasil, conhecida principalmente pelas comunidades, depoimentos, scraps e perfis altamente personalizados. O Google, que havia adquirido a plataforma, encerrou o serviço em setembro de 2014, após cerca de dez anos de funcionamento. Desde então, a rede permaneceu viva na memória de milhões de usuários que acompanharam a popularização das redes sociais e sentiram falta daquele espaço de conexão genuína.
A carta de Büyükkökten não confirma que o Orkut será relançado em sua forma original, nem apresenta detalhes sobre funcionalidades ou modelo de acesso. Também não esclarece se ele pretende reconstruir a antiga plataforma ou lançar uma nova rede social com princípios similares. O que fica claro é que algo está sendo preparado, e que o criador acredita que a reconstrução de uma internet mais humana é possível — mas apenas com a participação das pessoas que um dia amaram o Orkut e que, como ele, sentem falta daquele mundo.
Citações Notáveis
Vinte anos otimizando tudo para capturar a sua atenção. Feeds construídos em torno do engajamento, não da conexão.— Orkut Büyükkökten, na carta
Vamos reconstruir a internet pela qual nos apaixonamos. Aquela com pessoas autênticas, conexão real e pertencimento genuíno.— Orkut Büyükkökten, na carta