DeepSeek lançou modelo R1 mais eficiente e barato, causando despenca nas ações de gigantes americanas de tecnologia em mercados globais. OpenAI denuncia uso de técnica de destilação para copiar conhecimento de seus modelos, prática comum na indústria segundo especialistas.
OpenAI acusa DeepSeek de copiar modelos; mercado perde US$ 1 trilhão
Quando você é o líder, quer que as regras protejam sua vantagem
Por que o mercado reagiu tão dramaticamente? A DeepSeek realmente fez algo ilegal, ou apenas algo que incomoda a OpenAI?
A reação foi sobre medo, não certeza. Investidores viram uma startup chinesa fazer em meses o que custaria bilhões aos americanos. Isso ameaça o modelo de negócio inteiro. Quanto à legalidade, é nebuloso. A OpenAI diz que a DeepSeek violou seus termos de serviço, mas especialistas apontam que essa prática é comum na indústria.
Então a OpenAI está reclamando de algo que outras empresas fazem rotineiramente?
Exatamente. A diferença é que a DeepSeek fez isso melhor e mais barato. Quando você é o líder, você quer que as regras protejam sua vantagem. Quando você é o desafiante, as mesmas regras parecem injustas.
A OpenAI poderia ter evitado isso?
Talvez. Eles poderiam ter mantido seus modelos mais fechados, ou ter sido mais seletivos sobre o que lançam publicamente. Mas isso limitaria a inovação. É um trade-off que toda empresa de fronteira enfrenta.
E quanto ao governo americano? Qual é o papel dele aqui?
A OpenAI está pedindo proteção. Quer que o governo americano ajude a defender a tecnologia dos EUA contra competidores estrangeiros. Isso sugere que a empresa vê isso não apenas como uma disputa comercial, mas como uma questão de segurança nacional.
Isso muda algo para o usuário comum?
Sim. Se a DeepSeek conseguir oferecer qualidade comparável por uma fração do preço, os usuários ganham. Mas se a OpenAI conseguir bloquear essa prática, os preços podem permanecer altos e a inovação pode desacelerar.
O Pulso
- DeepSeek treinou modelo com 2.048 placas Nvidia H800 e US$ 5,6 milhões
- Perda de mercado superou US$ 1 trilhão em 27 de janeiro
- OpenAI acusa uso de técnica de destilação para copiar conhecimento de seus modelos
- Prática é comum na indústria, segundo especialistas e informantes do setor
DeepSeek lançou modelo R1 mais eficiente e barato, causando despenca nas ações de gigantes americanas de tecnologia em mercados globais. OpenAI denuncia uso de técnica de destilação para copiar conhecimento de seus modelos, prática comum na indústria segundo especialistas.
OpenAI afirma ter evidências de que a startup chinesa DeepSeek usou seus modelos para treinar concorrente de código aberto, provocando queda de US$ 1 trilhão no mercado de tecnologia.
Na segunda-feira, 27 de janeiro, o mercado de tecnologia global entrou em pânico. Ações de gigantes americanas despencaram após a startup chinesa DeepSeek anunciar um modelo de inteligência artificial que fazia o que parecia impossível: entregar desempenho comparável aos melhores sistemas dos EUA, mas a uma fração do custo. Antes do fim do dia, investidores haviam apagado mais de um trilhão de dólares em valor de mercado — uma cifra que reflete não apenas a queda de uma empresa, mas o abalo sísmico de um setor inteiro.
A OpenAI, fabricante do ChatGPT, rapidamente apontou o dedo. A empresa disse ter encontrado evidências de que a DeepSeek usou uma técnica chamada destilação para extrair conhecimento de seus modelos proprietários e alimentar um concorrente de código aberto. A destilação funciona assim: um desenvolvedor toma as saídas de um modelo grande e poderoso — neste caso, os sistemas da OpenAI — e as usa para treinar um modelo menor e mais eficiente, obtendo resultados semelhantes com custos drasticamente reduzidos. Os termos de serviço da OpenAI proíbem explicitamente isso. A empresa, porém, recusou-se a detalhar suas evidências.
O modelo R1 da DeepSeek havia surpreendido o Vale do Silício. Treinado com apenas 2.048 placas de vídeo Nvidia H800 e 5,6 milhões de dólares — uma fração minúscula do que a OpenAI e o Google gastam em seus próprios sistemas — o modelo alcançou classificações altas em tarefas cognitivas complexas. Alguns especialistas analisaram suas respostas e encontraram padrões que sugeriam ter sido treinado em saídas do GPT-4, o que violaria os termos de serviço da OpenAI. David Sacks, chefe de IA e criptografia do presidente Donald Trump, declarou à Fox News que havia evidências substanciais de destilação, embora não as tenha apresentado.
Mas a história é mais complicada do que uma simples acusação de roubo. Segundo informantes do setor, a prática de usar saídas de modelos líderes como o ChatGPT para treinar novos sistemas é comum tanto na China quanto nos EUA. Ritwik Gupta, doutorando em IA na Universidade da Califórnia, explicou que startups e pesquisadores frequentemente aproveitam esse trabalho porque é caro e trabalhoso ensinar um modelo a produzir respostas que soem naturais — um processo chamado alinhamento humano. Ao usar as saídas já refinadas da OpenAI, desenvolvedores menores obtêm esse benefício de graça. "Não é surpreendente que a DeepSeek estaria fazendo o mesmo", disse Gupta. "Se estivessem, interromper essa prática pode ser difícil."
A OpenAI, em resposta, afirmou estar ciente de que empresas chinesas e outras constantemente tentam destilar seus modelos. A empresa disse estar implementando contramedidas, incluindo decisões cuidadosas sobre quais capacidades incluir em modelos lançados, e pediu colaboração mais estreita com o governo dos EUA para proteger a tecnologia americana contra adversários e concorrentes. Mas a DeepSeek não respondeu aos pedidos de comentário do Financial Times.
O que emerge dessa disputa é um dilema financeiro fundamental para as empresas de fronteira em IA. Elas investem bilhões em pesquisa, em contratar especialistas, em refinar seus modelos até que soem humanos. Mas quando lançam esses sistemas ao mundo — mesmo que em versões comerciais pagas — outros podem aprender com eles, replicar seu trabalho, e oferecer alternativas mais baratas. As empresas chinesas, em particular, absorveram rapidamente as lições de seus concorrentes americanos enquanto inovavam formas de maximizar o uso de chips limitados, tornando mais barato treinar e executar modelos. A OpenAI está também envolvida em suas próprias batalhas legais, enfrentando ações de jornais e autores que acusam a empresa de treinar seus modelos em artigos e livros sem permissão.
O que acontece agora dependerá de como reguladores e tribunais definem os limites da propriedade intelectual em um campo onde o conhecimento flui rapidamente entre fronteiras e onde a inovação muitas vezes significa aprender com o trabalho de outros.
Citações Notáveis
Não é surpreendente que a DeepSeek estaria fazendo o mesmo. Se estivessem, interromper essa prática pode ser difícil.— Ritwik Gupta, doutorando em IA na Universidade da Califórnia
Sabemos que empresas sediadas na China e outras estão constantemente tentando destilar os modelos das principais empresas de IA dos EUA.— OpenAI, em declaração