Em pleno mês de maio, quando a Europa ainda guarda memória do inverno, uma onda de calor de intensidade invulgar varreu o continente de oeste a leste, quebrando recordes centenários e cobrando o seu primeiro tributo humano em Paris. O fenómeno não é apenas meteorológico: é um espelho do tempo que vivemos, em que o extraordinário se torna cada vez mais ordinário, e o calendário climático se reescreve a cada estação.
Onda de calor recorde varre Europa e gera alertas em sete países
Temperaturas típicas do pico do verão, no final de maio
Porque é que uma onda de calor em maio é tão notável? Não é normal haver dias quentes na primavera?
É normal haver dias quentes, mas não assim. Estamos a falar de temperaturas 5 a 10 graus acima da média — em Espanha, 40 graus quando o normal para maio é muito mais baixo. É como se o verão inteiro tivesse chegado de repente, três meses mais cedo.
E o que torna isto perigoso para as pessoas?
O corpo humano não está preparado para isto. Quando pratica desporto com este calor, o risco de colapso é muito elevado. Em Paris, uma pessoa morreu durante uma corrida. Dezenas foram hospitalizadas em estado grave. O calor extremo mata, especialmente quando é inesperado.
Mas há alertas, não há? As pessoas sabem que está quente.
Sabem que está quente, mas não sabem como lidar com isto. Um alerta amarelo diz "cuidado", mas não muda o facto de que as pessoas têm rotinas, têm de trabalhar, têm de sair de casa. E em maio, ninguém espera ter de tomar as precauções que tomaria em agosto.
A República Checa está preocupada com incêndios florestais. Isso é consequência direta do calor?
Sim. Quando tem semanas de calor intenso e seco, a vegetação seca completamente. Uma faísca, um cigarro, qualquer coisa — e tens um incêndio que se propaga rapidamente. É um risco que normalmente só aparece no verão tardio.
Isto vai passar em breve?
Segundo as previsões, o calor começa a diminuir a partir de quinta-feira em alguns países. Mas "diminuir" ainda significa 27 a 30 graus em muitos lugares. E ninguém sabe se isto é um evento isolado ou o primeiro de muitos.
The Pulse
- Uma morte em Paris e dezenas de hospitalizações graves em França revelam que o calor extremo de maio já não é apenas desconforto — é uma ameaça à vida.
- O Reino Unido quebrou hoje um recorde de temperatura que resistia desde 1922, com 33,5ºC junto a Heathrow, e os termómetros ainda não atingiram o pico previsto.
- Espanha prepara-se para máximas de 40ºC a partir de quarta-feira, com noites tropicais que não deixam os corpos recuperar, e seis regiões já sob alerta amarelo.
- A República Checa enfrenta risco real de incêndios florestais, enquanto a Áustria e a Irlanda se aproximam de recordes históricos que poucos julgavam possíveis em maio.
- As autoridades meteorológicas de sete países mantêm alertas ativos e aconselham a população a proteger-se, mas o calor deverá persistir até pelo menos quinta-feira.
Em pleno mês de maio, quando a Europa ainda guarda memória do inverno, uma onda de calor de intensidade invulgar varreu o continente de oeste a leste, quebrando recordes centenários e cobrando o seu primeiro tributo humano em Paris. O fenómeno não é apenas meteorológico: é um espelho do tempo que vivemos, em que o extraordinário se torna cada vez mais ordinário, e o calendário climático se reescreve a cada estação.
Desde o fim de semana, uma onda de calor precoce e anormalmente intensa atravessa a Europa, quebrando recordes de temperatura para maio em sete países. O fenómeno é alimentado por um sistema de altas pressões que retém ar quente sobre o continente, com consequências imediatas para a saúde pública e crescentes riscos de incêndios florestais.
Em Espanha, a Agência Estatal de Meteorologia registou temperaturas entre cinco e dez graus acima da média, com máximas de 40ºC previstas para cidades como Badajoz a partir de quarta-feira. As noites tropicais — sem descida abaixo dos 20ºC — não permitem recuperação térmica, e seis comunidades autónomas e as ilhas Canárias encontram-se sob alerta amarelo.
A França vive uma situação sem precedentes para esta época do ano. Dezenas de pessoas foram hospitalizadas em estado grave durante a prática de desporto, e uma pessoa morreu em Paris durante uma corrida. Dezoito departamentos, incluindo a capital, estão sob alerta amarelo, com máximas entre 30 e 36ºC previstas até terça-feira.
No Reino Unido, o recorde de maio foi hoje superado: 33,5ºC perto de Heathrow, ultrapassando os 32,8ºC registados em Londres em 1922. As previsões apontam para 35ºC nas próximas horas, com o calor a persistir durante toda a semana. A Irlanda aproxima-se igualmente do seu recorde histórico de maio — 28,4ºC de 1997 —, num país onde as temperaturas máximas habituais neste mês variam entre 13 e 16ºC.
Na Áustria, cinco capitais regionais estão sob alerta amarelo, com máximas até 33ºC previstas para terça-feira. Na República Checa, o risco de incêndios florestais levou à emissão de alertas para a Boémia central e noroeste, depois de Praga ter registado 29ºC no fim de semana — muito acima dos 18 a 20ºC habituais para maio.
O fenómeno representa um desvio profundo dos padrões climáticos normais, com as autoridades de múltiplos países a monitorizar a situação e a aconselhar a população a tomar precauções. O calor deverá começar a recuar a partir de quinta-feira.
Desde o fim de semana, uma onda de calor precoce e anormalmente intensa varre a Europa, quebrando recordes de temperatura para o mês de maio em sete países e forçando as autoridades meteorológicas a emitir alertas sucessivos. O fenómeno, alimentado por ar quente retido sobre o continente por um sistema de altas pressões, já deixou um morto em Paris e dezenas de pessoas hospitalizadas em estado grave.
Em Espanha, a situação é particularmente severa. A Agência Estatal de Meteorologia registou temperaturas entre cinco e dez graus Celsius acima da média durante o fim de semana, e o porta-voz Rubén del Campo anunciou que o calor sufocante vai intensificar-se ainda mais ao longo da semana. A partir de quarta-feira, os termómetros deverão atingir cerca de 40 graus Celsius em cidades como Badajoz, enquanto muitas zonas enfrentarão noites tropicais, com as temperaturas mínimas a não descerem abaixo dos 20 graus. Cinco comunidades autónomas do norte — Astúrias, Cantábria, País Basco, Castela e Leão e Galiza — e as ilhas Canárias encontram-se já sob alerta amarelo, não apenas pelas temperaturas acima dos 34 graus, mas também pela possibilidade de tempestades com granizo e rajadas de vento muito fortes.
A França enfrenta uma onda de calor sem precedentes para esta altura do ano. No domingo, o país registou temperaturas recorde para maio, e os serviços de saúde reportaram dezenas de hospitalizações em estado grave relacionadas com doenças provocadas pelo calor extremo durante a prática de desporto. Uma pessoa morreu em Paris durante uma corrida. Os serviços meteorológicos franceses emitiram um alerta amarelo para 18 departamentos, incluindo Paris e grande parte do oeste do país. A Météo France descreve a situação como uma "onda de calor precoce e significativa", com previsões de temperaturas máximas entre 30 e 36 graus Celsius até terça-feira, e o fenómeno a estender-se progressivamente para norte.
No Reino Unido, o recorde de temperatura para maio foi quebrado hoje. Os termómetros atingiram 33,5 graus Celsius perto do aeroporto de Heathrow, em Londres, superando o anterior recorde de 32,8 graus registado na capital britânica em 1922. As autoridades meteorológicas preveem que as temperaturas possam chegar aos 35 graus nas próximas horas, particularmente no centro e sul de Inglaterra, em Londres e arredores, e no País de Gales. O calor intenso deverá persistir até terça-feira, com máximas a rondar os 35 graus, e o Serviço Meteorológico britânico prevê que a onda de calor continue durante o resto da semana, com máximas de 31 graus na quarta-feira, 30 graus na quinta-feira, 27 graus na sexta-feira e 28 graus no sábado.
A Irlanda aproxima-se igualmente de recordes de temperatura para maio. O Serviço Meteorológico Nacional previu que os termómetros poderão ultrapassar os 28 graus Celsius, um valor que igualaria ou superaria o recorde histórico de 28,4 graus registado a 31 de maio de 1997 em Ardfert Liscahane, no condado de Kerry. O meteorologista Andrew Doran Sherlock sublinhou que as temperaturas máximas habituais em maio na Irlanda variam entre 13 e 16 graus Celsius, tornando o fenómeno atual extraordinariamente anómalo.
Na Áustria, o serviço meteorológico público Geosphere Austria emitiu alertas amarelos para temperaturas elevadas em cinco capitais regionais — Innsbruck, Klagenfurt, Graz, Salzburgo e Linz — onde são esperadas temperaturas de pelo menos 30 graus Celsius, com máximas previstas até 32 graus em Graz. Na capital, Viena, com dois milhões de habitantes, as temperaturas deverão atingir os 30 graus. O aviso amarelo vai manter-se em vigor durante terça e quarta-feira, com previsão de um máximo nacional de 33 graus na terça-feira em Innsbruck, antes de as temperaturas começarem a descer a partir de quinta-feira.
Na República Checa, o serviço meteorológico emitiu um alerta sobre o risco de incêndios florestais nas regiões central e noroeste da Boémia, com potencial para se estender a outras áreas do país. As previsões indicam temperaturas que poderão atingir os 33 graus Celsius. Praga registou máximas de 29 graus durante o fim de semana, muito acima dos valores habituais para maio, quando a temperatura máxima média diária costuma variar entre 18,4 e 19,6 graus Celsius. O país registou as primeiras "temperaturas tropicais" do ano durante o fim de semana, ultrapassando os 30 graus, com recordes de temperatura máximos batidos no sábado em 19 localidades da Boémia Ocidental. Segundo as autoridades, estas temperaturas tropicais deverão persistir no sul da Morávia até quarta-feira.
O fenómeno representa um desvio significativo dos padrões climáticos normais para maio, com consequências imediatas para a saúde pública e riscos crescentes de incêndios florestais. As autoridades de múltiplos países mantêm alertas em vigor e monitorizam a situação de perto, enquanto a população é aconselhada a tomar precauções contra o calor extremo.
Notable Quotes
Estamos a viver uma onda de calor com temperaturas típicas do pico do verão, no final de maio. A situação vai continuar durante pelo menos toda a semana.— Rubén del Campo, porta-voz da Agência Estatal de Meteorologia de Espanha
As temperaturas mais elevadas em maio na Irlanda variam geralmente entre os 13 e os 16 graus Celsius, ao passo que as máximas em junho se situam entre os 15 e os 18 graus.— Andrew Doran Sherlock, meteorologista irlandês