Onda de calor mata mais de 500 na Espanha; presidente alerta: 'mudança climática mata'

Mais de 1000 mortes na Europa atribuídas às temperaturas extremas; 36 mil pessoas evacuadas na França e 1700 em Aragão.
A mudança climática mata — e os números estavam ali para prová-lo
O presidente espanhol conectou a crise climática às 500 mortes registradas durante a onda de calor de julho.
Mark

Por que o presidente espanhol escolheu aquele momento específico para dizer que "a mudança climática mata"?

Mimi

Porque os números estavam ali, concretos. Mais de 500 pessoas mortas em dez dias. Não era abstrato. Era o momento em que a crise climática deixava de ser uma previsão futura e se tornava um registro de mortalidade no presente.

Mark

Como se calcula exatamente quantas mortes foram causadas pelo calor?

Mimi

O Instituto Carlos III faz um cálculo estatístico. Compara o número de óbitos durante a onda de calor com o que seria esperado em um período normal, baseado em séries históricas. A diferença é o excesso de mortalidade atribuído ao calor extremo.

Mark

E por que os incêndios se espalharam tão rapidamente?

Mimi

O tempo seco que acompanha a onda de calor transforma a vegetação em combustível. Quando a temperatura está naqueles níveis extremos, tudo arde mais facilmente. Os 14 mil hectares em Aragão não foram um acidente — foram a consequência previsível do calor extremo.

Mark

O que significa que essa foi a segunda onda de calor em um mês?

Mimi

Significa que o padrão está mudando. Antes, essas ondas eram eventos raros e isolados. Agora estão se tornando recorrentes. Os cientistas dizem que a crise climática não apenas torna cada onda mais intensa, mas também mais frequente.

Mark

As evacuações em massa — 36 mil na França, 1.700 em Aragão — isso era previsível?

Mimi

Sim. Quando você tem incêndios consumindo dezenas de milhares de hectares em tempo seco extremo, as evacuações são inevitáveis. O que não era previsível era a escala. Isso era maior do que o que os planos de emergência haviam ensaiado.

Mark

E os recordes de temperatura no Reino Unido — 40,3 graus — o que significa isso?

Mimi

Significa que o Reino Unido, um país que raramente vê temperaturas acima de 30 graus, estava enfrentando calor que historicamente só ocorria em desertos. Não era apenas quente. Era historicamente quente.

  • Espanha registra 500 mortes em onda de calor de 10 dias (9-18 de julho), a mais intensa desde 1975
  • Incêndios consomem 14 mil hectares em Aragão, 20 mil na França; 36 mil evacuados na França, 1.700 em Aragão
  • Reino Unido registra 40,3°C em Coningsby, temperatura nunca antes vista; mais de 1.000 mortes na Europa atribuídas ao calor extremo
  • Segunda onda de calor em um mês; cientistas alertam que crise climática intensifica frequência, duração e força desses fenômenos

Espanha registra 500 mortes por temperaturas extremas em onda de calor de 10 dias, a mais intensa desde 1975. Incêndios se alastram por toda Europa: 14 mil hectares em Aragão, 20 mil na França, com evacuações em massa e interrupção de transportes.

Onda de calor extrema mata mais de 500 na Espanha e 1000+ na Europa, provocando incêndios devastadores. Presidente espanhol alerta que 'mudança climática mata'.

Na quarta-feira, 20 de julho de 2022, a Espanha contabilizava mais de 500 mortes atribuídas a uma onda de calor que havia varrido o país entre 9 e 18 de julho. Era o episódio de temperaturas extremas mais intenso registrado desde que o país começou a manter séries históricas de dados meteorológicos, em 1975. Enquanto autoridades espanholas processavam esses números, o oeste europeu inteiro permanecia sob cerco do calor extremo e dos incêndios que o acompanhavam — muitos deles ainda ativos, consumindo milhares de hectares de vegetação e forçando evacuações em massa.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, visitava a região de Aragão naquele dia e não hesitou em conectar os pontos. "A mudança climática mata", disse ele à população. Os 500 óbitos que citava não eram especulação, mas uma estimativa produzida pelo Instituto Carlos III, um órgão de saúde pública que realiza cálculos estatísticos do excesso de mortalidade — comparando o número de mortes durante períodos de calor extremo com as séries históricas para identificar quantas vidas foram perdidas especificamente por causa das temperaturas elevadas. Segundo a Agência Estatal de Meteorologia espanhola, a anomalia térmica registrada naqueles dez dias foi a maior já documentada no país.

Os incêndios que acompanhavam essa onda de calor ofereciam uma visualização brutal do caos. Em Calatayud, na região de Aragão, as chamas consumiam um perímetro de 14 mil hectares. A evacuação de 1.700 pessoas foi necessária. O fogo chegou a interromper a circulação de trens de alta velocidade entre Madri e Barcelona — uma demonstração de como a crise climática não apenas ameaçava vidas, mas também interrompia a infraestrutura que sustentava a vida moderna. Na França, o departamento de Gironda, no sudoeste, enfrentava incêndios que queimavam desde 12 de julho. Até a quarta-feira, mais de 20 mil hectares de vegetação haviam sido consumidos. O porta-voz dos bombeiros franceses, Arnaud Mendousse, relatou que o fogo parecia progredir com menos intensidade naquele dia — apenas 300 hectares danificados nas últimas horas — mas as chamas permaneciam ativas. Mais de 36 mil pessoas haviam sido evacuadas preventivamente. O presidente Emmanuel Macron planejava visitar a região turística de La Teste-de-Buch, a 40 quilômetros ao sul de Bordeaux, para se encontrar com bombeiros, equipes de defesa civil e funcionários mobilizados.

O Reino Unido havia registrado temperaturas nunca antes vistas. No aeroporto de Heathrow, no oeste de Londres, os termômetros marcaram 40,2 graus Celsius. Em Coningsby, um povoado no noroeste da Inglaterra, chegaram a 40,3 graus. A Escócia quebrou seu próprio recorde com 34,8 graus. A França registrou novas máximas em mais de sessenta localidades, com várias cidades ultrapassando os 40 graus. Na terça-feira, um incêndio foi reportado em uma cidade a leste de Londres, de origem ainda não determinada, que se espalhou por cerca de 40 hectares, destruindo casas, produções agrícolas e garagens a apenas 30 quilômetros do centro da capital britânica. Na Grécia, meios aéreos começaram a controlar as chamas que se propagavam ao pé do monte Pentélico, ao norte de Atenas. Cerca de 500 bombeiros, 120 veículos e 19 meios aéreos foram empregados para combater o fogo que ameaçava vários subúrbios onde viviam aproximadamente 90 mil pessoas.

Esta era a segunda onda de calor que a Europa enfrentava em apenas um mês. Os cientistas eram claros sobre a causa: a crise climática. As emissões de gases de efeito estufa estavam aumentando a intensidade, a duração e a frequência desses fenômenos extremos. A onda de calor que atingiu a Espanha em julho de 2022 foi a mais extrema registrada no país, segundo dados provisórios da agência meteorológica. Seria também a terceira de maior duração — atrás de uma onda em 2015 que durou 26 dias e outra em 2003 que durou 16 dias. Enquanto as autoridades contabilizavam os danos e as mortes, o número total de óbitos atribuídos ao calor extremo em toda a Europa ultrapassava mil pessoas. A tragédia não era apenas um evento climático isolado, mas um sinal de um padrão que os cientistas alertavam estar se intensificando.

A mudança climática mata
— Pedro Sánchez, presidente do governo da Espanha
Esta foi a onda de calor que apresentou maior anomalia de temperatura registrada no país desde o início da série histórica em 1975
— Beatriz Hervella, porta-voz da Agência Estatal de Meteorologia da Espanha
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