OMS alerta: países ricos devem doar vacinas e 2021 será mais letal que 2020

Pandemia matou pelo menos 3,3 milhões de pessoas globalmente; na Índia, centenas de cadáveres abandonados em rios e zonas rurais carecem de infraestrutura médica, medicamentos e oxigênio.
É a Índia que escondemos de todos
Moradores de zona rural indiana descrevem o abandono de cadáveres e falta de infraestrutura médica durante o pico da pandemia.
Mark

Por que Tedros pediu especificamente que países ricos parassem de vacinar crianças?

Mimi

Porque crianças raramente ficam gravemente doentes com covid e transmitem pouco o vírus. Enquanto isso, adultos na Índia estavam morrendo sem acesso a uma única dose. Era uma questão de prioridade: salvar vidas onde o risco era maior.

Mark

Mas por que a Índia, que fabrica vacinas, não conseguia fornecer para o Covax?

Mimi

Porque a Índia estava em colapso. Hospitais sem oxigênio, pessoas morrendo nas ruas. O governo proibiu exportações para tentar controlar sua própria crise. O Covax ficou sem fornecedor justamente quando mais precisava.

Mark

A Europa estava reabrindo enquanto a Índia enterrava corpos nos rios. Como isso era possível?

Mimi

Porque a vacinação foi desigual desde o início. Os países ricos compraram doses em massa, enquanto os pobres ficaram para trás. Quando a Índia foi atingida pela variante mais transmissível, não havia vacinas suficientes lá. Enquanto isso, a Grécia planejava a temporada de turismo.

Mark

O que a OMS temia que acontecesse?

Mimi

Que 2021 fosse mais letal que 2020. Com o vírus circulando livremente em países sem vacinação, novas variantes surgiriam. E essas variantes poderiam escapar da proteção das vacinas que os países ricos já tinham.

Mark

Por que a OMS se preocupava com máscaras naquele momento?

Mimi

Porque alguns países estavam removendo a obrigação de máscara muito rápido, em áreas onde nem todos estavam vacinados. Era um risco desnecessário de transmissão, especialmente com novas variantes circulando.

  • Tedros Ghebreyesus pediu que países ricos doem vacinas ao Covax em vez de vacinar crianças
  • Índia proibiu exportações de vacinas, deixando o Covax sem fornecimento no segundo trimestre de 2021
  • Pandemia matou pelo menos 3,3 milhões de pessoas globalmente até maio de 2021
  • Mais de 100 cadáveres foram encontrados nas margens do Ganges na Índia
  • Grécia reabre economia com 3,8 milhões vacinados em população de 11 milhões

Tedros Ghebreyesus critica países ricos por vacinarem menores enquanto nações como Índia enfrentam explosão de contágios e falta de doses. Programa Covax enfrenta escassez de vacinas após Índia proibir exportações; pandemia já matou 3,3 milhões globalmente com surgimento de variantes preocupantes.

Diretor da OMS pede que países ricos adiem vacinação de crianças e doem doses ao Covax, alertando que 2021 será mais letal que 2020 devido à disseminação desigual de vacinas e novas variantes.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, fez um apelo direto aos países ricos no início de maio de 2021: pausem a vacinação de crianças e adolescentes e enviem essas doses para o Covax, o mecanismo global criado para ajudar nações com menos recursos. O pedido chegava um dia após os Estados Unidos iniciarem a imunização de menores entre 12 e 15 anos. "Entendo que alguns países queiram vacinar suas crianças e adolescentes, mas eu lhes peço para reconsiderar isso e dar vacinas para o Covax", disse Ghebreyesus, externando uma preocupação que vinha crescendo há semanas: enquanto alguns países vislumbravam o retorno à normalidade, o vírus se espalhava de forma devastadora em outras regiões do planeta.

O diretor da OMS tinha razões concretas para o alarme. A Índia, Nepal e Sri Lanka enfrentavam explosões de contágios, e crianças e adolescentes — dados científicos mostravam — eram pouco propensos a desenvolver doença grave ou transmitir o vírus para outros. Ainda assim, os países mais ricos seguiam adiante com campanhas de vacinação em massa de suas populações inteiras, sem considerar que nações mais pobres mal conseguiam imunizar seus adultos. Ghebreyesus não poupou críticas a esse comportamento, alertando que o segundo ano da pandemia seria muito mais letal do que o primeiro, no ritmo em que as coisas iam.

O Covax, administrado pela ONU em parceria com fundos privados, enfrentava um colapso de fornecimento. A Índia, que fabricava a maior parte das vacinas do mecanismo, havia proibido as exportações de imunizantes para lidar com sua própria crise. O resultado era previsível: o programa ficou sem boa parte do abastecimento que esperava para o segundo trimestre. Até aquele momento, a pandemia havia matado pelo menos 3,3 milhões de pessoas em todo o mundo, e o surgimento de novas variantes — especialmente a indiana — continuava alimentando a preocupação de especialistas.

Enquanto isso, a Europa abria suas economias enfraquecidas. A Grécia suspendeu todas as restrições de circulação após sete meses de confinamento, apostando na temporada de turismo. Caroline Falk, uma turista alemã de 28 anos em Creta, celebrava: "Os restaurantes estão abertos, podemos ir à praia, aproveitar o bom tempo, fazer compras. É maravilhoso poder sair de novo". O governo grego havia lançado uma grande campanha de vacinação, com o objetivo de que as ilhas estivessem totalmente protegidas até o fim de junho. Mais de 3,8 milhões de pessoas em um país de 11 milhões de habitantes já haviam recebido pelo menos uma dose. A Itália suspenderia a quarentena de cinco dias para turistas europeus. A Inglaterra se preparava para reabrir museus, hotéis e estádios. A França adicionava novos países à sua lista de restrições.

Mas na Índia, a realidade era outra. Estados inteiros lutavam contra a escassez de vacinas enquanto 600 milhões de adultos entre 18 e 44 anos agora podiam ser imunizados. A Sputnik V, vacina russa, havia começado a ser aplicada em Hyderabad após aprovação urgente. O novo coronavírus havia mergulhado as grandes metrópoles no caos — falta de medicamentos, de oxigênio, de leitos para os doentes. Agora, o vírus continuava causando estragos nas zonas rurais, onde a infraestrutura médica era praticamente inexistente. Os mortos eram enterrados e, às vezes, abandonados nos rios. Os enfermos tentavam se curar com decocções de plantas. Mais de 100 cadáveres acabaram nas margens do Ganges em dias recentes, aumentando o temor de situações igualmente terríveis em outros lugares. "Nós deixamos pessoas morrer", disse Kidwai Ahmad, contatado de sua aldeia de Sadullahpur no estado de Uttar Pradesh. "É a Índia que escondemos de todos", acrescentou ele, referindo-se ao país de 1,3 bilhão de habitantes.

O Japão, por sua vez, estendeu o estado de emergência para três departamentos adicionais diante do aumento de casos, com os Jogos Olímpicos apenas dez semanas à frente. E a OMS, em um último aviso, alertou que os países devem ser cautelosos ao autorizar a dispensa do uso de máscaras em locais públicos, mesmo para pessoas vacinadas. Mike Ryan, especialista em emergências da organização, foi claro: a decisão só deveria ser tomada considerando tanto a intensidade de transmissão quanto o nível de cobertura vacinal em cada área. Dias antes, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA haviam liberado pessoas totalmente imunizadas do uso da proteção — um sinal de que a corrida pela reabertura estava acelerando, enquanto a desigualdade vacinal global se aprofundava.

Entendo que alguns países queiram vacinar suas crianças e adolescentes, mas eu lhes peço para reconsiderar isso e dar vacinas para o Covax
— Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
No ritmo que as coisas vão, o segundo ano da pandemia será muito mais letal do que o primeiro
— Tedros Adhanom Ghebreyesus
Nós deixamos pessoas morrer. É a Índia que escondemos de todos
— Kidwai Ahmad, morador de Sadullahpur, Uttar Pradesh
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