Na praça da República, em São Paulo, o chef Olivier Anquier abriu um espaço dedicado à memória pessoal — o Arquivo Anquier — onde cinquenta e cinco fotografias tiradas nos bastidores de duas décadas de televisão revelam não o apresentador que o Brasil conhece, mas o homem que sempre esteve por trás das câmeras, observando. É o gesto de alguém que, após construir uma imagem pública reconhecível, sente a necessidade de mostrar o que ficou fora do enquadramento. A exposição gratuita, aberta ao público até dezembro, é um convite à distinção entre a persona e a pessoa.
Olivier Anquier abre arquivo expositivo com 55 fotos dos bastidores de seu programa
O Brasil inteiro me conhece, mas não sabe quem sou eu
Por que Anquier decidiu abrir um arquivo agora, depois de tanto tempo na televisão?
Ele diz que o Brasil inteiro o conhece, mas não sabe quem ele é de verdade. Acho que é uma forma de contar a história dele por outro ângulo — não através do programa, mas através das fotos que tirou nos bastidores.
Mas a gente não sabe exatamente o que o motivou neste momento específico. Ele abriu o espaço em setembro de 2026 — por que agora e não antes?
É verdade. O que sabemos é que ele aprendeu fotografia com o pai e acumulou essas imagens ao longo dos anos. Talvez tenha sido uma decisão repentina, como ele diz que costuma tomar.
As fotos parecem contar histórias além do programa de TV, certo?
Sim. Tem imagens de Belém, do Ver-o-Peso, de moradores de rua em São Paulo. Não são só bastidores de gravação — são observações do Brasil.
Mas a maioria das 55 fotos é dos bastidores do programa, segundo o texto. Essas outras imagens são exceções ou representam uma parte significativa?
O texto diz "grande parte feita nos bastidores", então as outras são minoritárias. Mas elas existem e estão ali.
E o que vem depois dessa primeira exposição?
Ele tem mais duas planejadas. Uma com trabalhos de um artista carioca em dezembro, e outra em 2027 onde ele recria a cozinha do sítio onde gravava as receitas.
Isso é ambicioso. Mas ele tem experiência em gerir espaços assim, ou é realmente a primeira vez que faz algo assim?
Ele mesmo diz que não é curador nem galerista e não planeja ser. É um espaço dedicado à memória, não uma galeria profissional.
Então é mais pessoal do que institucional?
Exatamente. É Anquier guardando e compartilhando suas próprias memórias.
The Pulse
- O Brasil conhece Anquier pelo programa de culinária, mas ele mesmo sente que ninguém sabe de onde ele veio — e essa lacuna motivou a criação do Arquivo Anquier.
- Cinquenta e cinco fotografias pessoais, algumas nunca antes exibidas publicamente, expõem um olhar sensível sobre o país: o porto de Belém, um morador de rua em São Paulo, cenas que escaparam das câmeras de TV.
- Anquier é cuidadoso ao definir seus limites: não se vê como curador nem galerista, mas como guardião de memórias que considera importantes para contar sua própria história.
- O espaço já tem programação futura confirmada — uma mostra de um artista carioca em dezembro e a recriação de uma cozinha histórica em 2027 — sinalizando que o arquivo é um projeto vivo, não um museu estático.
- Com entrada gratuita e localização central, o Arquivo Anquier transforma a praça da República em ponto de encontro entre a memória privada de um homem público e a curiosidade de qualquer passante.
Na praça da República, em São Paulo, o chef Olivier Anquier abriu um espaço dedicado à memória pessoal — o Arquivo Anquier — onde cinquenta e cinco fotografias tiradas nos bastidores de duas décadas de televisão revelam não o apresentador que o Brasil conhece, mas o homem que sempre esteve por trás das câmeras, observando. É o gesto de alguém que, após construir uma imagem pública reconhecível, sente a necessidade de mostrar o que ficou fora do enquadramento. A exposição gratuita, aberta ao público até dezembro, é um convite à distinção entre a persona e a pessoa.
Olivier Anquier abriu o Arquivo Anquier na praça da República, em São Paulo, com uma exposição de 55 fotografias tiradas ao longo de vinte anos nos bastidores do programa que o tornou famoso no GNT. A mostra, intitulada "Diário do Olivier: 20 Anos Descobrindo o Brasil", apresenta um Anquier diferente do que o público conhece — não o apresentador diante das câmeras, mas o homem que as observava de longe, registrando o país com olhos atentos.
Aprendeu fotografia com o pai, François, médico francês. Algumas das imagens em exibição nunca tinham sido mostradas ao público: uma série de 2001 documenta o porto de Belém e o mercado Ver-o-Peso; outra, de 2006, retrata um morador de rua em São Paulo vestindo um traje improvisado de tecidos remendados. São registros que revelam uma sensibilidade distante dos estúdios de televisão.
A trajetória de Anquier é feita de viradas inesperadas. Nasceu na França, trabalhou como DJ, chegou ao Brasil em 1979 para uma estadia curta que nunca terminou. Após a morte do pai, em 1989, abandonou a carreira de modelo e mergulhou na gastronomia — abriu restaurantes no Espírito Santo e em Florianópolis, depois uma padaria em São Paulo. A televisão veio depois, primeiro na Record, depois na Globo, onde o "Diário de Olivier" ficou no ar por duas décadas.
Anquier é claro sobre o que o Arquivo não é: não pretende ser curador nem galerista. O espaço é, em sua visão, um repositório de memórias que lhe importam. Já estão planejadas duas exposições futuras — uma dedicada ao artista carioca Sergio Cezar, em dezembro, e a recriação da cozinha de seu sítio na serra da Bocaina em 2027, antes de o imóvel ir a leilão. A exposição atual fica em cartaz até dezembro, com entrada gratuita, de quarta a domingo.
Olivier Anquier abriu as portas de um arquivo pessoal na praça da República, no centro de São Paulo, na quarta-feira 16 de setembro. O espaço, batizado Arquivo Anquier, estreia com uma exposição de 55 fotografias que o chef tirou ao longo de duas décadas — a maioria capturada nos bastidores do programa que o tornou conhecido nacionalmente. A mostra, intitulada "Diário do Olivier: 20 Anos Descobrindo o Brasil", funciona como um retrato paralelo à imagem que o público conhece: não é o Anquier das câmeras de televisão, mas o homem por trás delas, observando, registrando, guardando memória.
Anquier aprendeu fotografia com seu pai, François, médico de profissão. Desde então, acumulou cliques de naturezas variadas — alguns deles agora em exibição pública pela primeira vez. Uma série de 2001 documenta o porto de Belém e o mercado Ver-o-Peso, com a precisão de quem estava ali não para trabalhar, mas para ver. Outra imagem, de 2006, mostra um morador de rua na avenida Pedroso de Morais, em São Paulo, usando um traje improvisado feito de tecidos remendados. São fotografias que revelam um olhar atento para o Brasil além dos estúdios de televisão.
O chef é claro sobre os limites de sua ambição com o novo espaço. Não se vê como curador nem galerista, e não pretende atravessar essa linha. O Arquivo Anquier é, em sua concepção, um lugar dedicado à memória — um repositório de momentos que importam a ele. "O Brasil inteiro me conhece, mas não sabe quem sou eu, de onde eu venho", disse Anquier ao apresentar o projeto. A exposição, que fica em cartaz até dezembro, é seu primeiro passo nessa direção.
A trajetória de Anquier é marcada por decisões tomadas de repente que se transformaram em projetos duradouros. Nasceu na França, onde trabalhou como DJ. Veio ao Brasil em 1979 para uma breve estadia que nunca terminou. Trabalhou como modelo até 1989, quando a morte de seu pai o levou a mudar de rumo completamente — decidiu trabalhar com gastronomia. Abriu um restaurante no litoral do Espírito Santo, depois outro em Florianópolis. Em 1995, lançou sua primeira casa de pães em São Paulo, cidade onde ainda mora, sempre no centro.
Sua carreira na televisão começou na Record, mas ganhou projeção nacional na Globo, especialmente com o programa "Diário de Olivier", exibido no GNT entre 1998 e 2018. Anquier considera aquele programa um marco na história da culinária brasileira na TV. "Foi o primeiro programa moderno de culinária da TV brasileira. Eu mudei o comportamento de milhões de brasileiros", afirma. Vinte anos de transmissões geraram material abundante — conversas, receitas, viagens pelo país — e agora, cinquenta e cinco daquelas imagens capturadas nos bastidores ganham vida em uma galeria.
O Arquivo Anquier não é um projeto isolado. Anquier já programou duas exposições adicionais para o espaço. Em dezembro, receberá uma mostra dedicada ao artista carioca Sergio Cezar, de quem foi mecenas. Em 2027, após o Carnaval, o chef planeja recriar no espaço a cozinha do sítio na serra da Bocaina, na divisa entre Rio de Janeiro e São Paulo, onde gravava as receitas de seu programa. Essa recriação servirá para contar a história do imóvel antes de colocá-lo em leilão. O arquivo, portanto, não é apenas um museu de fotografias — é um espaço em construção, dedicado a guardar e contar histórias que Anquier considera importantes.
A exposição funciona de quarta a sexta-feira, das 12h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 21h. A entrada é gratuita. Até dezembro, qualquer pessoa que passe pela praça da República pode entrar e ver o Brasil através da lente de quem o explorou por duas décadas de televisão — e, antes disso, por toda uma vida de curiosidade.
Notable Quotes
O Brasil inteiro me conhece, mas não sabe quem sou eu, de onde eu venho— Olivier Anquier
Foi o primeiro programa moderno de culinária da TV brasileira. Eu mudei o comportamento de milhões de brasileiros— Olivier Anquier, sobre o programa 'Diário de Olivier'