Caixa livre da Oi despenca de R$ 15,81 milhões em setembro para apenas R$ 10 mil em outubro, segundo projeção apresentada à Justiça. Empresa enfrenta despesas de R$ 93,93 milhões contra receitas de R$ 73,50 milhões em outubro, incluindo R$ 36,35 milhões com folha de pessoal.
Oi projeta caixa de apenas R$ 10 mil em outubro e pressiona venda da Oi Soluções
Caixa disponível despenca de R$ 15,81 milhões para R$ 10 mil
Como uma empresa do tamanho da Oi chega a ter apenas dez mil reais em caixa?
Porque a maior parte do dinheiro que ela tem está congelado — restrito ou vinculado a outras obrigações. Em outubro, dos R$ 452 milhões de saldo total, apenas R$ 10 mil estarão realmente disponíveis para operação.
Mas isso é uma projeção, certo? Feita pela própria Administração Judicial. Não é um fato consumado.
Verdade. É uma projeção apresentada à Justiça. Mas mostra a trajetória: em setembro eram R$ 15,81 milhões disponíveis, em outubro caem para R$ 10 mil.
E como a empresa continua pagando salário se não tem caixa?
Ela está recebendo R$ 73,50 milhões em outubro, mas gastando R$ 93,93 milhões. Há um déficit de R$ 20 milhões. Não dá para manter isso por muito tempo.
Quem está garantindo esses R$ 73,50 milhões de receita? Clientes continuam pagando normalmente?
O documento não detalha a origem das receitas. Mas a empresa ainda opera serviços essenciais — telefonia fixa, emergências, infraestrutura para órgãos públicos. Esses geram receita.
E os trabalhadores que estão sendo demitidos? Conseguem receber o que é devido?
Aí está o problema. Cerca de 980 funcionários enfrentam rescisão com débito de R$ 72 milhões. A Administração pediu liberação de R$ 30 milhões em conta judicial, mas reconhece que nem isso cobre tudo.
Então como vai funcionar? Vão pagar em parcelas?
Sim, por rateios conforme a disponibilidade mensal de caixa. Os saldos restantes vão para períodos posteriores.
Isso é legal? Pode deixar trabalhador esperando rescisão?
A Administração está pedindo autorização à Justiça para fazer exatamente isso. Não é ilegal se o juiz autorizar, mas mostra o tamanho da crise — nem a massa falida tem recursos para cumprir obrigações trabalhistas básicas.
The Pulse
- Caixa livre reduz de R$ 15,81 milhões em setembro para R$ 10 mil em outubro
- Déficit mensal de R$ 20,43 milhões (receitas de R$ 73,50 milhões contra despesas de R$ 93,93 milhões)
- Aproximadamente 980 trabalhadores enfrentam rescisão com débito de R$ 72 milhões
- Oi ainda opera STFC, emergências (190, 192, 193) e infraestrutura para órgãos públicos
- Sercomtel e Bay Invest manifestaram interesse na compra da Oi Soluções
Caixa livre da Oi despenca de R$ 15,81 milhões em setembro para apenas R$ 10 mil em outubro, segundo projeção apresentada à Justiça. Empresa enfrenta despesas de R$ 93,93 milhões contra receitas de R$ 73,50 milhões em outubro, incluindo R$ 36,35 milhões com folha de pessoal.
A Oi, em processo de falência, projeta redução drástica de caixa disponível para R$ 10 mil em outubro, comprometendo pagamento de trabalhadores e fornecedores. Administração Judicial pressiona venda da Oi Soluções para manter operações essenciais.
A Oi está à beira do colapso financeiro. Segundo projeção apresentada esta semana à 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a empresa em processo de falência chegará ao final de outubro com apenas R$ 10 mil em caixa disponível — praticamente nada para uma companhia que ainda opera serviços essenciais em todo o país.
Os números revelam a dimensão da crise. A Administração Judicial Conjunta da massa falida projetou um saldo total de caixa de R$ 468,90 milhões ao fim de setembro, reduzindo-se para R$ 452,53 milhões em outubro. O problema é que a imensa maioria desses recursos está travada. Em outubro, R$ 430,02 milhões serão caixa restrito e R$ 22,50 milhões estarão vinculados à V.tal. Isso deixa apenas R$ 10 mil de recursos livres para fazer funcionar uma empresa que ainda precisa pagar folha, fornecedores e tributos. Em setembro, esse número era de R$ 15,81 milhões — uma queda de 99,9% em um mês.
O desequilíbrio entre receitas e despesas agrava o quadro. A Oi projeta receber R$ 73,50 milhões em outubro, mas seus pagamentos devem chegar a R$ 93,93 milhões. A folha de pessoal consome R$ 36,35 milhões, fornecedores demandam R$ 34,61 milhões, tributos somam R$ 16,23 milhões e despesas jurídicas chegam a R$ 6,75 milhões. É um déficit mensal de R$ 20,43 milhões que a empresa não tem como cobrir.
A situação atinge duramente os trabalhadores. Cerca de 980 funcionários enfrentam rescisão, gerando uma dívida de aproximadamente R$ 72 milhões em verbas rescisórias. Desse total, R$ 30,4 milhões correspondem às rescisões ordinárias e R$ 41,6 milhões à multa do FGTS. A Administração Judicial pediu à Justiça a liberação de R$ 30 milhões depositados em conta judicial, reconhecendo que nem mesmo esse montante seria suficiente para quitar todas as obrigações. A proposta é pagar as rescisões por meio de rateios conforme a disponibilidade mensal de caixa, transferindo os saldos restantes para períodos posteriores. Os salários dos funcionários que continuam trabalhando, porém, seguem sendo pagos integralmente — por enquanto.
A venda da Oi Soluções tornou-se questão de sobrevivência. Sercomtel e Bay Invest já manifestaram interesse na aquisição. As propostas anteriores chegavam a R$ 700 milhões, mas com pagamentos vinculados ao faturamento futuro — estrutura que o juízo considerou inadequada. Agora exigem propostas com valor líquido. A Administração Judicial pediu autorização para abrir um processo competitivo que poderá assumir a forma de leilão, stalking horse ou propostas fechadas, assim que o prazo para novas propostas se encerrar.
Enquanto isso, a Oi mantém operações que não podem parar. A empresa ainda responde pela prestação do Serviço Telefônico Fixo Comutado em localidades sem alternativas viáveis e pelos serviços de emergência de três dígitos — 190, 192 e 193 — que ainda não foram transferidos para a Método. Além disso, a infraestrutura da Oi sustenta hospitais, escolas, delegacias e repartições públicas. A empresa também transmite dados para os pagamentos realizados pela Caixa Econômica Federal por meio de casas lotéricas. Desligar essas operações não é opção.
A Administração Judicial afirma que continuará pagando as obrigações correntes consideradas essenciais de acordo com a disponibilidade mensal de caixa. Reconhece que há saldos em aberto com fornecedores e promete apurá-los para inclusão na relação de credores. O plano é manter apenas a estrutura necessária para a continuidade provisória até que a venda da Oi Soluções se concretize — período que não deve ser prolongado além do necessário para preservar os serviços e o valor dos ativos da massa falida. Mas com R$ 10 mil em caixa, cada dia que passa é um dia mais perto do limite.
Notable Quotes
A continuidade provisória da companhia deve ocorrer ao menos até a conclusão da venda da operação ou enquanto houver condições financeiras para sustentá-la— Administração Judicial Conjunta da massa falida do Grupo Oi