ObservaLagunas celebra 26 anos da Reserva Natural com ciência e natureza em Santiago do Cacém

A biodiversidade não é uma coisa, é um sistema
A reserva natural abrange aves, insetos, morcegos e répteis marinhos, cada um com um papel ecológico específico.
Mark

Porque é que uma feira de turismo de natureza importa? Parece um fim de semana agradável, mas qual é o propósito real?

Mimi

A reserva existe há 26 anos, mas muitas pessoas nunca a visitaram ou não compreendem o que a torna especial. O evento aproxima a ciência da vida das pessoas — não é abstrato, é tangível. Vê-se uma ave a ser anilhada, compreende-se porque é que isso importa.

Luke

Mas quantas pessoas vão realmente? E quanto tempo ficam? Uma feira de fim de semana muda comportamentos?

Mimi

Não sabemos os números de visitantes esperados. Mas o ponto não é converter todos num conservacionista. É criar momentos de conexão. Uma criança que participa num Escape Game das Aves pode desenvolver curiosidade.

Mark

As palestras parecem ambiciosas — sisão, tartaranhão, sustentabilidade das lagoas. Como é que tudo isto se encaixa?

Mimi

São temas que afetam diretamente a reserva. O sisão está ameaçado, o tartaranhão precisa de proteção específica. As palestras contextualizam porque é que a reserva existe e o que a ameaça.

Luke

Mas não há informação sobre quem vai falar ou qual é a profundidade dessas palestras. Alguém vem de fora? São investigadores locais?

Mimi

A fonte não especifica. Sabemos que há uma apresentação de um livro, mas os palestrantes não são nomeados. É uma lacuna.

Mark

A reserva tem 15 quilómetros de comprimento. Isso é grande? Pequeno?

Luke

Para uma reserva costeira, é modesta. Mas a qualidade biológica compensa — é reconhecida pela diversidade ornitológica, que é rara. Não é o tamanho que importa aqui.

Mimi

Exatamente. E o programa toca em tudo — aves, insetos, morcegos, répteis marinhos. Mostra que a biodiversidade não é uma coisa, é um sistema.

Mark

O que esperas que as pessoas levem para casa?

Mimi

Compreensão. Talvez uma fotografia tirada no workshop. Mas principalmente a ideia de que este lugar existe, que é frágil, e que vale a pena proteger.

  • Terceira edição da ObservaLagunas marca 26 anos da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha
  • Reserva estende-se por cerca de 15 quilómetros entre Santiago do Cacém e Sines, com faixa terrestre de 2-3 km e zona marinha de 1,5 km
  • Evento de entrada livre inclui anilhagem científica de aves, passeios interpretativos, oficinas e palestras sobre conservação

Observação científica de aves, passeios interpretativos e atividades de educação ambiental aproximam o público da biodiversidade da região. O evento destaca espécies como morcegos, tartaranhões, insetos e répteis marinhos, explorando os desafios da conservação da natureza.

A 3.ª edição da ObservaLagunas – Feira de Turismo de Natureza regressa este fim de semana a Santiago do Cacém para celebrar os 26 anos da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, com atividades de observação de aves, oficinas e palestras.

Este fim de semana, Santiago do Cacém transforma-se num laboratório ao ar livre. O Monte do Paio, em Brescos, e os espaços dispersos pela Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha acolhem a terceira edição da ObservaLagunas — uma feira de turismo de natureza que marca duas décadas e meia de proteção deste território costeiro. O evento, de entrada livre, reúne cientistas, educadores e curiosos em torno de um objetivo simples: aproximar as pessoas da biodiversidade que habita esta faixa de terra e água que se estende por cerca de 15 quilómetros entre Santiago do Cacém e Sines, no distrito de Setúbal.

A reserva não é um espaço vazio de significado. Abrange uma faixa terrestre com dois a três quilómetros de largura e uma zona marinha com aproximadamente 1,5 quilómetros, reconhecida pela sua elevada importância biológica — diversidade ecológica, geológica, ictiológica, botânica e, particularmente, ornitológica. Durante dois dias, este sistema lagunar costeiro abre-se a experiências que vão desde a anilhagem científica de aves selvagens até passeios interpretativos, oficinas de fotografia de vida selvagem e palestras sobre conservação.

No sábado, a Estação Ornitológica Nacional será palco de uma sessão de anilhagem científica, enquanto o Monte do Paio concentra atividades de observação de aves e descoberta da biodiversidade local. O programa inclui exposições, experiências para crianças e famílias, atividades equestres e passeios de moto-quatro. Um dos momentos de destaque é a conversa sobre "Extinções e regressos no Portugal Selvagem", que acompanha a apresentação do livro de Paulo Caetano, agendada para as 17:00. Os morcegos, insetos, tartaranhões, mamíferos e répteis marinhos são protagonistas de um programa que pretende dar a conhecer não apenas as espécies, mas também os habitats e os desafios concretos da conservação da natureza.

No domingo, o foco desloca-se para o Salgueiral da Galiza, onde um passeio interpretativo oferece uma leitura diferente da paisagem. O dia inclui um workshop de fotografia de vida selvagem, iniciativas dedicadas aos morcegos e uma sessão sobre a diversidade e os papéis ecológicos dos insetos. As palestras ao longo do fim de semana abordam temas que vão além da contemplação: o futuro do sisão no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a coexistência entre pessoas e fauna selvagem, a proteção do tartaranhão, as áreas protegidas, miniflorestas urbanas e a sustentabilidade das lagoas e do oceano.

Para as crianças e jovens, o evento oferece ateliers de construção de móbiles de peneireiros-das-torres, caixas-ninho, ovos musicais e felosas-aquáticas, jogos sobre o mar e as aves, atividades sobre insetos e desafios de exploração. No domingo, o programa inclui um Escape Game das Aves, atividades no trilho do Galeirão e momentos de descoberta do ambiente. Um encontro de Urban Sketchers, atividades de desenho e ilustração da fauna e flora, uma oficina de engenharia de papel e uma pintura mural ao vivo complementam a oferta. A exposição de fotografia "O Montado como inspiração", de José Rosado, oferece uma perspetiva visual sobre o território.

O certame não é apenas ciência e educação. Um Mercadinho de Produtos Regionais, gastronomia com pratos tradicionais alentejanos e momentos musicais — o Gata Preta Trio no sábado e o Coral Harmonia no domingo — criam um espaço onde a natureza e a comunidade local se encontram. A ObservaLagunas é organizado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, com parceria do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e dos municípios de Santiago do Cacém e Sines. O evento marca não apenas um aniversário, mas um compromisso contínuo com a proteção de um território que, há 26 anos, foi reconhecido como merecedor de proteção especial.

Os morcegos, insetos, tartaranhões, mamíferos e répteis marinhos estão entre os protagonistas de um programa que pretende dar a conhecer espécies, habitats e os desafios da conservação da natureza
— Organização da ObservaLagunas
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