Getty ganhou seu primeiro milhão aos 24 anos com descoberta de petróleo em Oklahoma e se tornou bilionário através de império petrolífero. Apesar da riqueza extrema, vivia isolado em Sutton Place, transformando a mansão em fortaleza com segurança elaborada e coleção de obras-primas.
O magnata excêntrico que se tornou o homem mais rico do mundo
Os melhores momentos não me custaram nada—as ondas são de graça
Por que alguém com tanto dinheiro escolheria viver trancado em uma mansão fortificada?
Getty tinha medo. Medo de sequestro, de roubo, de pessoas que ele chamava de "malucos". Seu neto foi sequestrado e teve a orelha cortada. Isso não é paranoia abstrata—é medo enraizado em algo que realmente aconteceu.
Mas ele recusou pagar o resgate do neto. Como isso se encaixa?
Essa é a contradição central dele. Ele tinha medo de perder dinheiro, mas não tinha medo de deixar seu neto sofrer. Talvez o dinheiro fosse mais real para ele do que as pessoas.
Ele parecia feliz em algum momento?
Sim. Quando falava de surfar, de estar na praia sem gastar nada. Esses eram os momentos em que ele parecia genuinamente vivo. Tudo o que custava dinheiro—a mansão, as pinturas, a segurança—parecia pesá-lo.
Então por que não simplesmente deixar tudo para trás?
Porque ele não era livre. Seu pai construiu o negócio, e Getty sentiu que tinha de continuar. Responsabilidade não é a mesma coisa que escolha. Ele estava preso ao que havia herdado.
Ele sabia disso?
Sabia. Disse a Whicker que desde que seu pai morreu, nunca mais teve aquela sensação de leveza. Ele entendia o problema. Apenas não conseguia sair dele.
O Pulso
- Getty ganhou seu primeiro milhão aos 24 anos com descoberta de petróleo em Oklahoma
- Fortuna estimada em US$ 4 bilhões quando morreu em 1976, equivalentes a US$ 23,5 bilhões atuais
- Neto John Paul Getty 3º sequestrado na Itália em 1973, mantido em cativeiro por cinco meses
- Transformou mansão Sutton Place em fortaleza com 14 banheiros conectados a sistema de segurança elaborado
- Coleção de mais de 600 peças de arte em propriedade em Malibu, aberta ao público como museu em 1954
Getty ganhou seu primeiro milhão aos 24 anos com descoberta de petróleo em Oklahoma e se tornou bilionário através de império petrolífero. Apesar da riqueza extrema, vivia isolado em Sutton Place, transformando a mansão em fortaleza com segurança elaborada e coleção de obras-primas.
Perfil de Jean Paul Getty, homem mais rico do mundo em 1966, que acumulou fortuna de US$ 4 bilhões no petróleo e viveu recluso em mansão fortificada na Inglaterra.
Em julho de 1960, Jean Paul Getty abriu as portas de Sutton Place para uma festa que custaria o equivalente a quatrocentos mil dólares em moeda atual. A mansão Tudor do século 16, localizada em Surrey, no sudeste da Inglaterra, recebeu mais de dois mil membros da alta sociedade, aristocratas e celebridades. O evento ficou marcado quando um fotógrafo insistente foi atirado à piscina. Getty, o magnata do petróleo americano que tinha fobia de viajar de avião e de navio, viveria ali até sua morte em 1976, aos 83 anos, administrando seu vasto império petrolífero de um santuário privado no interior daquela fortaleza.
Ele havia entrado para o livro do Guinness em 1966 como o homem mais rico do mundo. Seu primeiro milhão chegou aos 24 anos, quando petróleo foi descoberto em um campo de sua propriedade em Oklahoma. Quando morreu, sua fortuna era estimada em cerca de quatro bilhões de dólares, equivalentes a vinte e três bilhões e meio em valores atuais. Ganhava por dia mais do que uma pessoa média ganhava ao longo de toda a vida. Sua máxima para o sucesso era simples: acordar cedo, trabalhar duro e encontrar petróleo. Em artigos para a revista Playboy, posteriormente compilados em livro intitulado "Como Ficar Rico", Getty enfatizava a importância de ter uma visão independente e não se deixar influenciar pelos outros. Mas quando refletia sobre sua própria fortuna em 1963, ele próprio não conseguia explicar com precisão o que o havia levado a acumular bilhões.
Em entrevista com Alan Whicker da BBC naquele ano, Getty reconheceu que talvez fossem necessárias trinta e sete qualidades distintas para alcançar grande sucesso nos negócios, e que se um homem possuísse trinta e cinco delas, seu sucesso seria mais modesto. Mas ele não sabia exatamente quais seriam as duas qualidades faltantes. Quando perguntado por que havia tido sucesso enquanto outros falharam, respondeu com modéstia que não conhecia nenhuma qualidade que possuísse e que muitos outros não tivessem. Mencionou características que acreditava compartilhar com outras pessoas—ética de trabalho, inteligência, imaginação—e acrescentou que sempre desejou ter uma personalidade mais agradável e ser mais habilidoso na conversa. O que ele reconhecia era o papel fundamental de seu pai. Seu pai havia construído um negócio muito sólido e próspero, e Getty, sendo filho único, teve de dar continuidade ao empreendimento.
O pai de Getty havia começado com pouco. Em 1903, adquiriu mil e cem acres no território indígena de Oklahoma por cinco mil dólares e encontrou petróleo. Quando morreu em 1930, aos 74 anos, possuía uma fortuna de dez milhões de dólares. Metodista e mais religioso que o filho, deixou para Getty apenas quinhentos mil dólares, descontente porque ele já havia se casado e se divorciado. Ao longo de cinco casamentos de curta duração, Getty teve cinco filhos, que por sua vez tiveram dezenove descendentes. Um desses netos, John Paul Getty 3º, foi sequestrado na Itália em 1973. Os sequestradores pediram um resgate de dezesseis milhões de dólares, equivalentes a cento e vinte milhões em valores atuais. Getty se recusou, dizendo que tinha outros quatorze netos e que se pagasse um centavo, teria quatorze netos sequestrados. O neto, de dezesseis anos, foi mantido em cativeiro por cinco meses. Seus sequestradores cortaram sua orelha e a enviaram a um jornal. Um resgate de dois milhões e oitocentos mil dólares acabou sendo pago, mas a contribuição de Getty não foi divulgada.
Em 1963, Getty falou abertamente sobre sua avareza com Whicker. Contou que esperava do lado de fora de exposições caninas para que o valor do ingresso caísse um pouco, e que jantava tarde em restaurantes para evitar pagar a taxa adicional pela apresentação da orquestra. "Nunca tive a sensação de estar cheio de dinheiro", disse ele. "Se eu vendesse tudo... então talvez tivesse algum dinheiro." Mas cercava-se de símbolos de riqueza. Em Sutton Place, sua mansão de setenta e dois cômodos, havia pinturas de Veronese, Gainsborough, Renoir, Rembrandt e Rubens. Ele também possuía uma coleção de mais de seiscentas peças em sua propriedade em Malibu, que foi aberta ao público em 1954 como o Museu J. Paul Getty.
Depois de comprar Sutton Place em 1959, Getty transformou a mansão em uma espécie de fortaleza. Todos os cômodos, incluindo cada um dos quatorze banheiros, eram conectados a um elaborado sistema de segurança. As janelas e portas ganharam barras. Placas de "Proibida a Entrada" foram instaladas por toda a propriedade de setecentos acres, que contava com duas piscinas, trinta casas e alojamentos, quadras de tênis e um riacho com trutas. Getty era evasivo ao explicar exatamente do que tinha medo, dizendo a Whicker que era apenas uma precaução necessária. Pressionado, mencionou que poderia haver "malucos... explodindo o lugar com dinamite". Seu neto John Paul Getty 3º, em entrevista à revista Rolling Stone em 1974, pouco depois do sequestro, descreveu os temores do avô: muitas coisas o assustavam, e era por isso que ele ficava o tempo todo em seu castelo, vestido com ternos de três peças e camisas engomadas, cercado por cães de ataque, um leão de estimação chamado Nero, guarda-costas e assessores, com cercas eletrificadas e arame farpado no topo.
Mas Getty não era uma pessoa especialmente otimista. Argumentava que grandes responsabilidades financeiras não eram a chave para a felicidade. Quando Whicker sugeriu que ele muitas vezes parecia tão infeliz que as pessoas deviam acreditar que seu dinheiro não lhe havia trazido felicidade, Getty respondeu que isso era efeito da responsabilidade. Desde que seu pai morreu e lhe deixou a responsabilidade pelos negócios, não tinha mais a mesma sensação de leveza que tinha antes. Sobre o peso da riqueza, explicou que alguns dos melhores momentos que havia vivido não lhe custaram dinheiro algum: na praia, em uma prancha de surfe, esperando uma grande onda chegar, surfando até a areia. As ondas eram de graça. O sol era de graça.
Citações Notáveis
Nunca tive a sensação de estar cheio de dinheiro. Se eu vendesse tudo... então talvez tivesse algum dinheiro.— Jean Paul Getty, em entrevista a Alan Whicker da BBC, 1963
Alguns dos melhores momentos que vivi não me custaram dinheiro algum... na praia, em uma prancha de surfe. As ondas são de graça. O sol é de graça.— Jean Paul Getty, refletindo sobre felicidade, 1963